quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Histórias de um Portugal Assombrado - Vanessa Fidalgo


Portugal, à semelhança do que sucede em todas as culturas do mundo, possui uma herança cultural vastíssima em que, como não podia deixar de ser, as lendas, mitos e histórias de assombrações são parte importante que ajudam a explicar o que somos como povo.

Quem nunca ouviu falar das lendas das moiras encantadas, ou da lenda da costureirinha que é mantida em muitas das aldeias do país (que curiosamente não é referida neste livro), ou na dama de branco que aparece translucida numa curva famosa pelos acidentes mortais ou até no mega sucesso que foi “A Curva” na serra de Sintra?

E foi utilizando muitas dessas lendas, mitos urbanos e histórias que são narradas boca-a-boca (no diz que disse ou alguém ouviu), que a jornalista Vanessa Fidalgo criou este livro. Ou seja, trata-se apenas e só de um amontoado de histórias que de assombrações pouco tem e de investigação própria, nada.

Confesso que me senti muito tentado a ler esta obra. Não só porque sempre fui um curioso da temática, mas também porque sempre desejei conhecer alguns dos casos mais enigmáticos sucedidos em Portugal. Pois bem, a autora traz-nos de facto a narração de alguns desses casos, no entanto assenta quase todo o livro em lendas (as lendas das moiras são folclore puro), mitos urbanos e muito pouco em histórias estranhas e cujas investigações de facto sucederam.

Esquecendo esses mitos e lendas que pertencem mais ao folclore cultural, a autora simplesmente narra as histórias conforme as pesquisou em blogs, sites da internet ou em algumas publicações, sobressaindo aqui e ali, alguns telefonemas que a autora deve ter efectuado (pelo menos é o que subentende).

Confesso que me senti ludibriado com o livro. Embora sendo jornalista, a autora, que até se baseou em trabalhos de outros colegas, não foi ao local investigar nada, e inclusive traz para este livro relatos de pessoas que, dizem, ter passado por experiências paranormais em determinados locais, mas sem existir outras testemunhas. É como se, por exemplo, eu agora fosse dizer que um dia ia numa qualquer rua em Lisboa e que tinha sentido uma força invisível a barrar-me o caminho e que depois tinha fugido com medo. Pronto, siga, está bom para colocar no livro.

Embora tenha gostado de ler algumas dessas histórias, acabei o livro a saber quase o mesmo que sabia antes. Lugares supostamente assombrados em Portugal deve haver muitos (onde está, por exemplo, o moradia dos vasos em Rio de Mouro?), mas este livro mostra poucos e se mesmo assim pretendemos saber o que deu a suposta investigação de alguns dos casos mencionados, então o melhor é pesquisar na net, pois o livro é quase omisso nessas explicações, sem falar em explicar ou teorizar, enfim, népias.

Em todo o caso o livro não é assim tão mau.

A forma como está dividido ajuda a descortinar algumas características entre tipos de assombrações, ou lendas ou outra coisa qualquer. Acima de tudo, o livro é útil porque reúne muitas lendas e mitos que povoam o nosso país e que são, acima de tudo, de uma riqueza cultural a preservar e, nesse contexto, a autora está de parabéns pelo trabalho desenvolvido.

A meu ver o livro peca pela falta de investigação. Talvez a minha expectativa fosse elevada face ao que li na sinopse, no entanto, repito, algumas dessas histórias estranhas, mereciam e deveriam ter sido melhor aprofundadas, sem falar na ausência de outros casos já conhecidos e investigados. Por outro lado não me parece que a autora se tenha deslocado aos locais. A maioria dos relatos e a própria admite, são retirados de fóruns que comentam sobre os casos, são retirados de artigos da net e inclusive até uma reportagem da revista Sábado é aqui utilizada. Ou seja, achei o livro fraco, uma espécie de trabalho escolar de um aluno do secundário e muito longe de um suposto trabalho de investigação.

2 comentários:

Ana T. disse...

Ouvi hoje falar sobre este livro na TV, fiquei com curiosidade e daí a vir pesquisar criticas na net foi um passo... parece que afinal não é aquilo que eu pensava. Obrigada pela clarificação...

Liliana Lavado disse...

Sim, a ideia parece ser boa, mas se peca falha na construção… :P