segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vento dos Khazares (O) – Marek Halter


Confesso que desconhecia totalmente a existência do reino dos Khazares. De origem turcomana, dominaram a região centro-asiática (entre o Mar Cáspio e o Mar Negro) entre os séx. VII e o séc. X, e até aos nossos dias representam um mistério, sobretudo face à religião que adoptaram: o judaísmo.

Rodeados pelos poderosos impérios bizantino e Sassânida, muitos historiados dissertaram do porquê dessa estranha conversão de um povo que nada tinha de ligações à religião judaica, existindo algumas teorias interessantes e outras um pouco estranhas.

Em todo o caso a conversão dos khazares ao judaísmo foi um facto e esse é, diria, o assunto principal desta obra de Marek Halter.

O livro vai intercalando por dois períodos temporais. Se por um lado nos situamos sensivelmente no ano 950 d.C., onde vamos acompanhando o rei Khazar José que recebe um embaixador de Constantino com uma proposta de aliança entre os dois impérios, aliança essa que é vista por todos os khazares como traiçoeira, por outro, no ano 2000, assistimos a um escritor que depois de uma estranha conferência, recebe a visita de um estranho que lhe oferece uma antiga moeda khazar e que lhe fala de uma caverna que contém um enorme tesouro desse império perdido.

Entre estes dois períodos existem elos comuns que vão, de alguma forma, interligando a história. Em todo o caso, desde logo existe uma áurea de mistério, principalmente na acção empreendida pelo escritor em busca de mais informações e pistas sobre esse reino.

Embora o tema seja de facto algo desconhecido e tenha percebido a intenção do autor em revelar ou a dar a conhecer esse império, quanto a mim, o autor desenvolve um trabalho fraco e com poucos pontos de interesse.

O que vamos lendo do período khazar, pouco nos dá a conhecer esse povo. Imagino ou dou o benefício da dúvida que poucos vestígios existem e que o autor também não quis ficcionar muito, em todo o caso, a história por ele narrada dá-nos uma sensação de vazio, pois praticamente resume-se à história de um visitante do ocidente que pretende entregar uma missiva do seu importante rabi ao rei José enquanto este se mantém ocupado num suposto acordo politico com o representante de Bizâncio. Paralelamente, surge a bela irmã do rei que se envolve com esse visitante ocidental. Pouco mais é do que isso e se desconhecíamos os khazares, só os ficamos a conhecer pelo nome, pois seus costumes e cultura são aqui pouco ou nada mencionados.

Depois na outra história, a do escritor, tudo é um pouco estranho. Desde a forma como ele se mete em busca dessa civilização através de um personagem que depois desaparece e que se revela de pouca importância, até ao epílogo digno de uma fita americana de 3ª categoria com explosões e interesses petrolíferos á mistura. Tudo finda de uma forma estranha, mal construída, diria até construída à pressa, sem grandes elos de ligação e coerência.

Confesso que foi o primeiro livro que li de Marek Halter e que foi uma grande desilusão. A história em si é cativante, ele escreve bem e a narrativa segue uma estrutura simples, sendo a sua leitura fluída e rápida. No entanto não gostei da história e da forma como o autor vai desenvolvendo um trama que se revela algo vazio, com personagens pouco ou nada interessantes, dos tais que não deixam saudades e que nos esquecemos dois dias após o término do livro.

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