quarta-feira, 6 de março de 2013

Cordeiro – O Evangelho Segundo Biff, o amigo de infância de Jesus Cristo – Christopher Moore




Eu: “Gosto sempre de ler livros que teçam criticas ou considerações sobre a Bíblia e/ou, os seus personagens”

Heterónimo: “Estás a falar do quê?”

Eu: “Acabei de ler um livro óptimo. Uma paródia com considerações sérias sobre a infância e juventude de Jesus Cristo”

Heterónimo: “Hum…, mas não é precisamente essa fase da vida de Jesus que é desconhecida?”

Eu: “Sim… quer dizer, para sermos rigorosos, temos de referir que praticamente toda a vida de Jesus Cristo é desconhecida. Os quatro Evangelhos oficiais, ou canónicos, apenas dois mencionam o nascimento de Jesus e outros dois relatam partes da vida dele no que se refere ao seu ministério. Há também um episódio isolado que refere Jesus com 12 anos, mas, fora isso, nickles, batatóides, um imenso vazio é a vida de Jesus.

Heterónimo: “ok, e então, o que Jesus fez durante todos esses anos? Não me vai dizer que esse livro dá a resposta?”

Eu: “Eh, eh! É um relato espirituoso, por vezes apatetado, da infância e da juventude de Jesus, ou Jesua. O autor, que diga-se, empreendeu um estudo profundo dos evangelhos e da História da época, traça o percurso de Jesua. Esse percurso é relatado por Levi bar Alphaeus, conhecido como Biff, e o texto é efectuado num tom hilariante.

Heterónimo: “Mas que expediente o autor utiliza para criar todo esse contexto?”

Eu: “Bem, todo começa quando o arcanjo Estevão entrega uma ordem do próprio Jesus ao anjo Raziel, no sentido de ressuscitar Biff, para que este escreva um novo Evangelho, precisamente o dele. É desta forma que Biff se vê novamente vivo dois mil anos depois.

Heterónimo: “Interessante, mas parece muita fantasia”

Eu: “Sim, alguma, mas é a forma encontrada para que se inicie a narração desses anos obscuros, anos de várias aventuras…”

Heterónimo: “E que aventuras são essas? Começa a ficar interessante!”

Eu: “Pois, são essas aventuras que nos vão surpreender. Nota, há muitos dados históricos que nos dizem a forma de viver e de estar naquela altura. Os romanos dominavam a zona e sabe-se que a repressão era elevada junto do povo dominado, os judeus. Ora bem, teria Jesus Cristo vivido debaixo dessa repressão? 

Heterónimo: “Hum… continua!”

Eu: “Antes dos 33 anos, exceptuando o episódio do nascimento e o tal quando ele tinha doze anos, não há registos da presença de alguém que se intitulava “filho de Deus”, “rei dos Judeus”, ou “qualquer-outra-coisa”. Se houvesse alguém que andasse a agitar as águas, como ele o faz aos 33 anos, decerto teria ficado para a Historia. Mas não há. Logo, é viável, e isso é uma tese que tem muitos defensores, que Jesus tivesse andado a viajar ou, pelo menos, estivesse estado ausente todos esses anos. Até porque há factos que fortalecem essa teoria, e um deles encontra-se nas enormes semelhanças entre os ensinamentos de Jesus e os ensinamentos budistas.

Heterónimo: “Muito interessante. Quer dizer que o autor chega à conclusão que Jesus pode ter andado por outras “paragens” bebendo ensinamentos que depois vem pregar para a sua terra?”

Eu: “Precisamente! Mas vai mais longe. É claro que também comete erros históricos que ele próprio admite no fim, mas, entre diversos factos, coloca Jesua e Biff a aprender Kung Fu e Judo, uma arte marcial que é criada porque Jesus não gosta de armas e que na sua etimologia significa: “o método do judeu” 

Heterónimo: (gargalhada)

Eu: “Hilariante, sem dúvida. Mas Biff não se escusa em caricaturar os ensinamentos que lhes são dados, pese embora vá admitindo que lhes são uteis”

Heterónimo: “Então é um livro que fala sério, brincando?”

Eu: “Mais ou menos! O livro consegue de facto ser sério e embora o autor admita o seu paganismo, nota-se um profundo respeito pela figura de Jesus e a sua obra. O que me quis parecer, foi que o autor quis preencher, com coerência, um vazio fornecendo-lhe, contudo, acontecimentos absurdos e fantásticos para mostrar que tudo é uma paródia, talvez mesmo para evitar ter problemas com a igreja, entendes o truque?”

Heterónimo: “Percebo! Vai dando bicadas mas sempre mantendo no ar a figura de “é a brincar pá, não levem a sério esta patetice”

Eu: “Sim, corretíssimo. Um livro hilariante que adorei ler!”



6 comentários:

André Nuno disse...

:)
Bela entrevista...

Como já te havia referido, este parece-me um livro muito interessante. Surpreendeu-me, na tua opinião, o facto de ser uma obra com alguma pesquisa e algum fundo verdadeiro uma vez que estava a imaginar tratar-se de um mero exercício de escrita "bem-disposta".
Boas Leituras!
Abraço.

Iceman disse...

Olá André.
Uma forma inovadora de opinar...
Sim, é uma obra em que o autor traça um caminho coerente brincando, aliás, tem episódios hilariantes e muito engraçados.
Mas ele vai colocando aqui e ali muitos factos sérios e que nos fazem pensar a que ponto a verdadeira História não é conhecida.

Cristina Torrão disse...

Uma forma inovadora e muito interessante de opinar :)

Iceman disse...

Olá Cristina.
Precisamente, a ideia foi de aligeirar a opinião, fazer algo diferente.
Eu já escrevia de forma a que não se assemelhasse a uma resenção, pois conheço as regras mas aprendi que é muito perigoso e até inútil fazê-lo neste espaço, pelo que as minhas opiniões deixaram de ser grandes e de dissecar o livro em questão.
Agora tentei fazer diferente, ainda aligeirar mais e dar um tom mais de diversão, pois ler é também diversão.

Paula disse...

Olá Iceman,
Gostei bastante desta tua forma de opinar sobre o livro :D

Esta obra parece muito interessante!

Iceman disse...

Olá Paula!

O livro é muito interessante e diverte muito, são horas bem passadas.

Sobre a forma de opinar, é para não ser sempre igual.

:)