quinta-feira, 14 de março de 2013

Segunda Guerra Mundial (A) – Martin Gilbert



Setembro de 1939 a Agosto de 1945. Um conflito armado envolvendo cerca de cinquenta nações e que teve como desfecho final, não só uma reorganização no plano geopolítico mundial, como e principalmente uma imensa dor humana que, setenta anos depois, ainda se faz sentir.

Nunca será conhecido com precisão o numero total de vitimas. Têm sido feitos inúmeros cálculos dos mortos da Segunda Guerra e calcula-se que seis milhões de civis chineses tenham sucumbido às mãos dos japoneses. A União Soviética teve catorze milhões de soldados mortos, mais sete milhões de civis, num total de vinte e um milhões de mortos apenas no lado soviético. Os alemães calculam ter perdido cerca de quatro milhões de civis e mais três milhões e quinhentos mil soldados. Os japoneses, dois milhões de civis e um milhão de soldados. Na Polónia ocupada, seis milhões de civis polacos morreram sob a tirania dos nazis (três milhões eram judeus) e os judeus, de todas as nacionalidades europeia, constaram seis milhões de mortos, a grande maioria nos campos de concentração. No total, calcula-se que morreram cerca de sessenta milhões (70.000.000 !!!) de pessoas nos seis anos de guerra.

Foi o conflito mais violento de sempre. Cem milhões de soldados foram mobilizados e muitos perderam a vida ou viram-se seriamente feridos, sem sequer terem entrado em combate.

Este livro narra, passo-a-passo e de uma forma muito minuciosa, a guerra desde o seu inicio até ao seu epilogo e os anos consequentes.

Assente numa pesquisa exaustiva e em milhares de relatos de testemunhas, Martin Gilbert realiza um trabalho exemplar e fascinante, descrevendo todos os lados do conflito e as suas intenções e objectivos, sendo possível perceber-mos quais eram as motivações dos intervenientes. 

Porém, não consegue ser totalmente imparcial.

Refere e insiste nas atrocidades cometidas pelos nazis e pelos fanáticos soldados japoneses, não se escusando de relatar episódios horríveis e macabros de puro terror, no entanto, sabe-se que os aliados, sobretudo os russos quando entram na Alemanha em perseguição do exercito alemão. cometeram várias atrocidades contra civis como forma de vingança das atrocidades alemãs, porém Gilbert omite esses factos. Aqui, os aliados surgem sempre como “os bons”, os que tratam bem os prisioneiros e que respeitam sempre o inimigo, enquanto que nazis e japoneses não deixavam ninguém vivo. Sei que parcialmente é verdade, que os japoneses raramente tinham misericórdia dos prisioneiros e que os nazis cometeram, talvez, o maior crime contra a Humanidade. No entanto, do lado aliado também se cometeram muitas barbaridades que nem sequer são aflorados por Gilbert, pese embora haja um ou outro episódio isolado.

Seja como for, é doentio ler tanta atrocidade e tanta violência gratuita, num fanatismo brutal e insano que levou à morte de milhões de seres humanos, muitos deles crianças que nem sabiam para onde iam. Nem há como classificar essa loucura.

Não há duvida, de que se trata provavelmente do maior e mais horrível crime alguma vez cometido na história da humanidade, sendo praticado, além disso, por meios científicos e homens considerados civilizados, em nome de um Estado eminente e de um dos povos mais destacados da Europa. “ 
Churchill

“Na alegria entusiástica da vitória, é-nos fácil esquecer os mortos. Os que partiram não gostariam de ser uma mó de luta pendurada nos nossos pescoços. Mas entre os vivos há muitos que ficaram para sempre com a imagem, gravada a fogo nos seus cérebros, de cadáveres arrefecidos, disseminados pelas encostas e valas, ao longo das ravinas de todo o mundo. Homens mortos em massa, país após país, mês após mês e ano após ano. Homens que morreram no Inverno e homens que morreram no Verão. Homens mortos numa promiscuidade tornada tão familiar que chega a ser monótona. Homens mortos numa série tão monstruosamente alongada que quase chegamos a ter-lhes ódio  
Esboço de uma crónica de Ernie Pyle, popular correspondente de guerra, morto pelos japoneses meses antes do fim da guerra.

2 comentários:

André Nogueira disse...

Gostei da sua crítica Iceman, e acho estranho Gilbert omitir as atrocidades cometidas pelos russos de que falar. É que me parece que a União Soviética é um ódio de estimação deste historiador. Apenas li o seu livro "História do Séc. XX", mas pareceu-me tremendamente evidente, realçando muito mais as atrocidades soviéticas e comunistas em geral, até em comparação com as nazis!

Cumprimentos

Iceman disse...

Olá André!
Sim, é um facto conhecido das atrocidades que os soviéticos cometeram quando entraram na Alemanha atrás do exército alemão em fuga. No entanto e conforme refiro, Gilbert omite isso assim como outras cometidas pelos aliados. Neste livro, apenas os nazis e os seus aliados foram os "maus".
Por exemplo, sabe-se que quando os soviéticos entraram na Alemanha, saqueavam, matavam e violavam, conforme os nazis fizeram na União Soviética. No entanto, Gilber nada refere sobre isso, apenas num parágrafo refere que milhares de alemães civis fugiam quando sabiam da proximidade dos soviéticos.