quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sangue dos Inocentes (O) – Júlia Navarro


Sou espião e tenho medo...

Assim começa uma obra que prometia muito mas que nos deixa com uma sensação que podia ser melhor explorada, não apenas ao nível do seu conteúdo narrativo, como igualmente ao nível do conteúdo histórico que, quanto a mim, podia e devia ter sido melhor aproveitado.

Mas vamos por partes.

A premissa deste terceiro título de Júlia Navarro, que é uma verdadeira campeã de best-sellers e que eu, confesso, apreciei os dois romances que havia lido para além deste, é bastante apelativo o que, por si só, me fez pegar no livro.

A autora começa por nos situar no século XIII aquando do cerco de Montsegur pelos Cruzados. Utilizando um personagem fictícia que serve de fio condutor a toda a narrativa (Frei Julián), as primeiras páginas são bastante empolgantes e de leitura compulsiva. A partir de uma certa altura, a autora dá um salto temporal até 1939 onde nos deparamos com um investigador que tem acesso à crónica de Frei Julián. Estava-se em pleno início da Segunda Guerra, numa Europa profundamente dividida que deixava antever o terror que aí vinha. Essa Segunda parte também gostei bastante, sobretudo do personagem do investigador que analisa a fundo a crónica de Frei Julián. Posteriormente novo salto temporal e, já nos nossos dias, a autora, obviamente tendo como elo de ligação, embora já algo ténue, a tal crónica do século XIII, dá-nos uma perspectiva de vários atentados que estão a ser planeados por grupos extremistas árabes e também por alguém que pretende vingar o sangue dos inocentes.

E confesso que é essa terceira parte que me fez esmorecer do livro porque a achei bastante forçada e, a meu ver, a autora tinha imenso campo para conduzir a história por outras direcções.

Desde o século XIII, dessa tal perseguição aos Cátaros, a 1939 e até aos nossos dias, obviamente que sobressai o fanatismo e a intolerância religiosa. De facto é aqui que está o fulcro do romance, é nítido a intenção da autora em fazer-nos ver que fanatismo e intolerância é algo comum em todas as religiões e não apenas de uma e que a forma como os muçulmanos fanáticos vêm o mundo e leem o Alcorão, os Cristãos já o fizeram séculos atrás. Na prática é a essência do Ser Humano que vem ao de cimo no aspecto da intolerância em compreender e respeitar o seu próximo.

Desta forma o livro acaba por cair num ritmo algo repetitivo e em acontecimentos previsíveis, ou seja, a partir de certa altura a história torna-se bastante previsível e o desenlace é de todo muito mau engendrado, ficando uma série de pontas soltas ou, se quiserem, factos por explicar.

Por outro lado achei curioso estarem aqui várias sementes do último livro da autora, “Dispara, Eu já Estou Morto”, esse sim, um livro muito bem construído e com um conteúdo, do principio ao fim, coerente e muito interessante.

2 comentários:

Carla disse...

Olá Iceman,
Gostei muito da tua opinião sobre o livro, nunca li nada desta escritora. Contudo estava curiosa com o livro"Dispara, que eu já estou morto" que pelo que referes é um bom livro. Quando as finanças me permitirem irei adquirir.
Beijinhos e boas leituras.

Iceman disse...

Olá Carla.

Já deixei a minha opinião sobre o livro "Dispara, eu já estou morto" que, quanto a mim, é a sua melhor obra.

Beijinho e boas leituras.