quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Inferno no Vaticano – Flávio Capuleto


Sinceramente nem sei bem o que hei-de dizer deste livro, até porque também não quero ser muito cruel para com o autor.

Questiono-me, antes de mais, como é que uma editora, qualquer que seja, publica um livro destes que não tem quase nada, e já estou a ser meigo quando afirmo, quase nada, pois aqui e ali até nos vai dando algumas informações, mas quem está por detrás das edições? Ou, questiono, basta ter dinheiro ou cunhas para se publicar, sei lá, honestamente gosto de pensar que, qualquer livro, é antes lido por algumas pessoas da editora, sobretudo responsáveis, que atestam da sua qualidade e se vale a pena, ou não, ser editado, até porque um livro tão mau descredibiliza a editora.

Depois, e para além de erros factuais e históricos brutalíssimos que qualquer pessoa evitaria com uma simples pesquisa na internet (hilariante quando afirma que Jacinta e Francisco faleceram de Peste Negra…), este livro é ou tenta ser, uma cópia foleira do “Código da Vinci” de Dan Brown ou até das aventuras de Tomás Noronha de José Rodrigues dos Santos, pois desde as primeiras páginas é nítido a colagem ao argumento, aos cenários e até aos personagens. É de uma falta de imaginação atroz e, mais grave, senti-me verdadeiramente insultado, não pelo autor que escreveu aquilo e julga que é bom, mas pela editora que tem a coragem de editar e publicitar enganosamente um livro que não tem um mínimo de qualidade.

Imagine-se o cenário:

Há um morto nas catacumbas do Vaticano. Francesco Barocci, curador do Tesouro, é encontrado sem vida na Sala das Relíquias. Foi assassinado: chuparam-lhe o sangue.

CHUPARAM-LHE O SANGUE!!!

Quando li isso dei logo uma gargalhada e veio-me à mente alguém a chupar o sangue com uma palhinha... não, pensei, deve ter uma outra explicação.

Mas logo sabemos como é que lhe CHUPARAM O SANGUE: com uma seringa!!!!!!!!

Ah, bom... pensei! Fico mais aliviado! Ufa!

É verdade, com uma seringa!!!

Sabendo que o corpo humano tem entre 4 a 6 litros de sangue, comecei logo a questionar-me qual o tamanho da seringa a ponto de lhe CHUPAR o sangue todo. Imaginei aquelas seringas pequenas e dei por mim a rir do cenário, sobretudo porque o assassino tem pouco tempo para fazer o serviço (e isso é referido no texto). Vejamos, tirar, mesmo com a maior seringa disponível (que tem uma capacidade máxima de 20 ml) essa quantidade de sangue… ok, desisto. Para tirar 3 litros, supondo que o homem tinha uma valente anemia, parece-me que estaria ali muito tempo, ou estou a ver a coisa mal? Ah, já sei, o assassino era um vampiro e a seringa foi uma metáfora… deve ser isso!


Enfim!


E depois as partes eróticas? 


Isso então é puro êxtase! (Ironia)


Eróticas onde?


Livro muito mau, sem qualquer ponta de qualidade, embora aqui e ali tenha algumas informações curiosas mas com um enredo muito, muito deficiente, escrito aos arrepelões, com mudança de cenários e temporais ultra-rápidos, que nunca, mas mesmo nunca, consegue se torna minimamente verossímil.

Um dos piores livros que li até à data e um livro que não aconselho a ninguém, é pura perda de tempo.



2 comentários:

Anabela Risso disse...

Morri de rir com esta opinião! "Chuparam-lhe o sangue!" :')
É dificil encontrar um bom romance histórico.

Miguel Chaica disse...

Olá Anabela!
Pessoalmente, até há uns anos, o romance histórico era o meu género preferido e li de facto muitos e bons livros, dos quais destaco, qualquer um de Bernard Cornwell ou a excepcional série (dois livros) sobre Roma (Roma e Império) de Steven Saylor e também gosto da portuguesa Isabel Stilwell.
Agora este "Inferno no Vaticano" não é um romance histórico, mas sim, propoe-se ele, um thriller do género do Codigo Da Vinci, mas é só isso, porque é tão mal escrito que nem livro deve ser considerado.
Ainda bem que não o comprei. Trouxe-o da biblioteca e devolvi-o logo.