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domingo, 11 de março de 2012

1808 – Laurentino Gomes

29 de Novembro de 1807, D. João VI, acompanhado por 10.000 a 15.000 pessoas, todas elas, obviamente, ricas famílias e membros do clero e da casa real, foge de Portugal rumo ao Brasil, no que foi a maior e, penso, a única transladação de uma corte, fugindo e abandonando um povo ao “Deus dará” para procurar refúgio no desconhecido mas que, sabia esse reizinho, refúgio num local bem longe da confusão.

Confesso que D. João VI sempre me meteu nojo e, depois de ler este livro, mais nojo me mete e, refiro aqui, devia ser um personagem apagado da História de Portugal, pois nem merece a referência numa única linha da nossa História. Porém e isso é caricato, são os brasileiros que lhe devem alguma reverencia, pois e mesmo que continuem a ironizar e achincalhar com a sua personagem, a ele devem o país que hoje são e a sua identidade.

Não acreditam? Este livro prova-a de uma forma inequívoca.

Em fins de Novembro, D. João VI pira-se para o Brasil com toda a chusma de gentalha  vampírica que foi chupar o erário público. Nada do que não acontece hoje em dia, sabemos. Deixaram para trás um povo atónito que, abandonado à sua sorte, se viu sob o domínio dos franceses enquanto esse rei javardo se banqueteava com a sua horripilante a deficiente  mulher em terras de Vera Cruz. Claro que muitos acharam uma honra receber a corte no outro lado do oceano. Pouco depois, eram os ingleses que chegavam a Portugal e que, com a ajuda do próprio povo, defendiam o território luso enquanto esse reizinho cobarde engordava e descansava.

Laurentino Gomes traça todo esse panorama. Desde a partida cobarde e apressada até ao infeliz regresso. Nos entretantos, são aqui dessecados os 11 anos que a corte se manteve no Brasil e, sobretudo, da  imensa importância que essa fuga teve para a criação da identidade brasileira e da própria independência ocorrida dois anos após o regresso da corte a Portugal.

Confesso que a grande maioria dos factos aqui narrados, não eram do meu conhecimento. Achei irónico constatar que D. João VI foi uma personagem de facto muito importante da época e, mesmo a História referindo que foi o único que enganou Napoleão, o mesmo ter ficado como alguém que, com a sua política medrosa, fez edificar e unir um país que, sem esse acontecimento, hoje em dia, seria um conjunto de pequenos países independentes tendo apenas por base a mesma língua, como acontece com os países de expressão castelhana na América latina e do Sul.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Portugueses e agentes secretos da Coroa?

Fernão de Magalhães e Cristóvão Colombo eram portugueses e cada um teve uma agenda secreta enquanto esteve ao serviço de Espanha. É a tese, polémica, que os irmãos José e António Mattos e Silva apresentam hoje em conferência no Museu do Oriente. Há uma história. E provas? "Estão à espera que haja uma lista de espiões para ser encontrada?"

Há uns tempos, por ocasioão da leitura do Codex 632 de José Rodrigues dos Santos, empreendi um estudo sobre esta temática. Li o livro O Mistério de Colombo Revelado dos Profs. Manuel  da Silva Rosa e Eric J. Steele e fiquei sem dúvidas sobre o facto de Cristovão Colombo não se ter chamado assim e que foi um navegador português ao serviço do rei D. João II.

Hoje em dia isso vale o que vale, porém é impressionante este tipo de estudos, que são sérios e exaustivos, não terem grande repercussão na classe científica e histórica. A questão é, porquê? Interessa a alguém manter a fantochada criada e que continua a figurar nos manuais de História. Alguém acredita que o Colombo, "descobridor da América" foi um tecelão genovês que, poucos anos antes, era analfabeto e pouco depois dominava o latim, matemática e astronomia, tendo acesso à presença dos reis de Portugal e Castela?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas da História de Portugal – Ricardo Raimundo


Geralmente a História refere a vida e feitos individuais e colectivos que deram origem a acontecimentos que, obviamente, tiveram influência no percurso das sociedades e civilizações, sem que, de uma forma geral, se aborde a morte ou o fim desses indivíduos ou dessas civilizações. Geralmente são tratados de uma forma isolada e não como parte integrante da História, parecendo que a morte não faz parte integrante da vida e da evolução dessas sociedades e civilizações.

A obra presente sintetiza, de uma forma brilhante, a vida de alguns personagens que, de uma forma ou de outra, tiveram grande importância na História de Portugal. Mas o autor vai mais longe. Conforme o título deixa antever, depois de sintetizar a vida, narra a forma como esse personagem faleceu e em que condições, e é aqui que, quanto a mim, reside o fascínio desta obra.

É importante referir que o livro está dividido em três fases: Época Medieval (séculos VI-XV), Época Moderna (séculos XV-XIX) e Época Contemporânea (séculos XIX-XX), e nestas três época é interessante verificar a evolução das mentalidades das épocas em questão.

E em todas estas épocas surgem personagens fascinantes sendo, algumas delas para mim, totalmente desconhecidos. No entanto e independentemente da sua maior ou menor importância na História de Portugal, o que se assinala é que no tempo delas, foram tidas e consideradas e que a sua morte trouxe consternação e até mistérios à forma como pereceram.

Depois é muito curioso constatar a morte horrível e surreal de maior parte dos personagens referidos. Há de tudo, de mortos por ataques de leão, a morto e comido pelos canibais, homicídios ainda por explicar, suicídios encenados, envenenados, acreditem, de tudo e, geralmente, impressiona que depois de vidas tão ricas e algumas igualmente curtas, acabem de forma tão surreal e estranha.

Em suma, um livro extraordinário que me encantou. Para além de me dar a conhecer vários personagens que desconhecia, fascinou-me a forma sintética, no entanto clara e esclarecedora, como o autor narrou a vida e morte.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De Ourique a Aljubarrota – Miguel Gomes Martins


O autor, mestre em História da Idade Média, propõe-se aqui efectuar uma análise aos vários teatros de operações militares da História Medieval Portuguesa entre os meados do Séc. XII e finais da centúria de trezentos. E são quinze episódios que são analisados com um rigor que desde já realço.

Face à escassez de fontes que chegaram aos nossos dias, o autor, para conseguir reconstruir todos os passos, utiliza-se, não só dos seus conhecimentos, como também de uma grande dose de conjectura baseado nos costumes e mentalidade das épocas.

Dessa forma é-nos possível acompanhar, quase passo a passo, não só as razões das várias operações abordadas, como também as estratégias e a descrição das próprias batalhas e isso foi algo que achei fabuloso.

Iniciando com um enquadramento do tema da Guerra na Idade Média em Portugal e dos seus variadíssimos elementos que constituíam a forma como se fazia a guerra, inicia-se então uma viagem por 250 anos da História militar que tem por ponto de partida a Batalha de Ourique (1139) e por meta a Batalha de Aljubarrota (1385).

Em todas as batalhas, cercos e expedições, o autor explica a razão, contextualizando os motivos que estariam por detrás, a descrição e as consequências.

Uma excelente obra que nos permite conhecer um pouco mais e melhor da nossa História e do imenso custo que foi preservar a independência de Portugal.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mein Kampf – História de um Livro – Antoine Vitkine

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Há muito tempo que tomei conhecimento de “Mein Kampf”, livro escrito por Adolf Hitler na prisão em 1923, alguns anos antes da sua chegada ao poder na Alemanha, em 1933.

Honestamente sabia tratar-se de um livro onde o autor expunha as suas ideias sobre a nação, ao mesmo tempo que exortava ao ódio aos judeus. No entanto estava muito longe de imaginar a importância, impacto e influência da obra.

Primeiro há que dizer que “Mein Kampf” é um dos livros mais vendidos em todo o mundo. Obra obrigatória durante os anos do nazismo, é um livro que tem sido usado como modelo inspirador de movimentos ultranacionalistas um pouco por todo o mundo e, mais surpreendente, verificar que o continua a ser.

Fiquei deveras espantado ao perceber que, actualmente, é nos países muçulmanos que “Mein Kampf” tem milhares de leitores que vêm na obra uma forma de conhecerem o seu inimigo: os judeus. Em simultâneo gostam de ler como os exterminar. Doentio? Sim, doentio e violento, mas é o que sucede.

Surpreendeu-me também a forma como o livro na altura da sua publicação foi completamente subestimado pelos políticos da toda a Europa e Estados Unidos. Ao contrário do que se julgou no pós-guerra, este livro foi lido por esses políticos e perfeitamente entendível. As suas mensagens são claras e objectivas e, imagine-se, teve até simpatizantes em vários sectores britânicos e americanos.

Como foi isso possível?

Um livro onde desfilam, variadíssimas vezes de uma forma repetitiva, ideias racistas, antidemocráticas, doutrinas totalitaristas que incitavam à extinção em massa de seres humanos, que explicava como o fazer, que pregava a barbárie, a opressão da liberdade fundamental da democracia, o ódio, o anti-semitismo.

E depois ainda vieram dizer que não sabiam dos campos de extermínio, quando os mesmos são expostos de uma forma clara no “Mein Kampf”?

Como foi isso possível?

O homem já provou que é incapaz de aprender com a História e isso verificou-se no genocídio do Ruanda, na Jugoslávia, na Tchechénia e em tantos outros locais onde, agora mesmo, se procede como os nazis procederam entre 1941-1945.

Este livro de Antoine Vitkine, surpreendeu-me porque me permitiu conhecer o impacto e importância da obra de Hitler. O autor debruça-se exactamente no papel do livro e não no seu conteúdo, pese embora aqui e ali vá mencionado frases, mas o principal objectivo deste livro é o de analisar a sua importância no tempo e no espaço, a envolvência e o cenário político que permitiram e permitem ter um papel vital no nacional socialismo de Hitler e nalguns regimes actuais.

Nota negativa para a tradução. Para além de palavras com erros ortográficos, o tradutor teima, do princípio ao fim, em referir “nazista” em vez de “nazismo”. “Nazista” é um termo brasileiro.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fim do Império Romano (O) – Adrian Goldsworthy


Embora não seja um fã do Império Romano, confessando mesmo que me aborrecem amiúdas vezes os livros que tenho lido sobre o tema, no entanto e conforme já tenho referido aqui e ali, é um império que teve uma enorme influencia na cultura ocidental, sendo também o império que mais anos sobreviveu.

Oficialmente o Império Romano do Ocidente teve o seu colapso em 476 d.C., enquanto o Império Romano do Oriente sobreviveu mais mil anos. No entanto há uma questão que se impõe: como e porquê um império que dominou o mundo conhecido, acaba por desaparecer e, com ele, todo o esplendor de outrora?

Esta pergunta, simples mas de complexa resposta, é aqui analisada ao ínfimo pormenor, completamente dissecada. E as razões assim como as explicações, vão-nos surgindo de uma forma estruturada e em todo o processo vamos sentindo que o ocaso do império era inevitável face a tantos e graves acontecimentos que assolaram o império.

Nesta opinião não é de todo possível, longe disso, referir razões, pese embora e no fundo, as usurpações que levaram a guerras civis que foram enfraquecendo o império, criando dessa forma condições aos inimigos para se afoitarem no interior dos territórios romanos, no entanto muitas outras implicações tiveram influência para fazerem cair toda uma estrutura e uma organização exemplar que, até hoje em dia, mete respeito.

Um livro essencial para entender como um império pode cair de uma forma lenta mas estrondosa.

domingo, 3 de outubro de 2010

Sociedade Medieval Portuguesa (A) – A.H. de Oliveira Marques


Curioso e até ridículo como há obras literárias escritas em Portugal e por portugueses que se perdem no tempo, sendo hoje em dia totalmente desconhecidas para os leitores, sobretudo obras de valor cultural importante que nos dão a conhecer o fundamento do nosso povo.

Publicado em 1963 e agora lançado numa 6ª Edição, “ A Sociedade Medieval Portuguesa” de – A.H. de Oliveira Marques, foi um livro muito procurado até aos anos 80 como atestam as edições sempre esgotadas.

Apelidado de “Uma Bíblia”, é fácil perceber essa denominação quando nos embrenhamos na leitura.

Sendo a Idade Medieval a minha época histórica favorita, foi com muito entusiasmo e expectativa que me lancei na leitura desta “velha” obra (desconhecia o ano da 1ª edição), devorando as suas pouco mais de 300 páginas num único dia.

Assente sobretudo em sugestões e hipóteses encontrados em alguns ensaios, monografias, documentos e alguns estudos, o autor traça-nos um retracto viva da vida quotidiana da época medieval em Portugal, nomeadamente entre os sécs. XII e XV.

A informação da época é pouca, mas e através de vários documentos, registos e tradições, o autor efectua uma análise rica e detalhada sobre vários aspectos da sociedade medieval portuguesa que vão da alimentação ao vestuário, passando pela habitação, higiene e saúde, trabalho, crenças, cultura, distracções e morte.

Nelas é explorado os vários contextos sociais que estavam por detrás desses aspectos e que levavam até eles (contextos), assim como as influências exteriores que ajudaram a moldar a forma como se agia e se comportava.

Uma obra extraordinária que apresenta com clareza as várias temáticas da vida medieval assim como, e não posso deixar de assinalar, as várias ilustrações retiradas de documentos da época.

Uma obra que aconselho a quem goste de História, pois nela irá descobrir como se vivia no Portugal medieval.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Maníacos de Qualidade – Joana Amaral Dias


Joana Amaral Dias é conhecida dos portugueses pelas suas aparições em debates promovidos pela RTPN. Ex-deputada pelo Bloco de Esquerda, é licenciada em Psicologia no ramo de psicologia clínica, e mestre em psicologia clínica do desenvolvimento.

Neste livro propoe-se analisar a vida de algumas personagens portuguesas, nomeadamente algumas que pelo seu comportamento ficaram para a História como sendo excentricos ou mesmo loucos.

E o trabalho de Joana Amaral Dias é exemplar. Para além de abordar algumas dessas personagens (deduzo que haveria muito mais para analisar), a autora situa-nos nos plano histórico-social dando-nos uma aula de História que serve também para explicar os possíveis ou eventuais motivos desses comportamentos.

E faz desfilar figuras como o Rei D. Afonso VI, o Padre Malagrida, Marquês de Pombal, Rainha D. Maria I, Antero de Quental, Ângelo de Lima, António Gancho, Fernando Pessoa, Margarida Vitória e João César Monteiro.
Baseando-se em referências escritas da época e, em vários casos, documentos escritos pelos próprios e até, nos casos mais contemporâneos, entrevistas de amigos, a autora traça um perfil dessa pessoa, analisando as possíveis causas dessas (supostas) loucuras, excentricidades ou formas de agir.

Pessoalmente o que mais me cativou foi a explanação do plano Histórico-Social. A autora vai buscar todos os pormenores na tentativa de construir um puzzle que explique comportamentos. Por exemplo, no caso do padre Malagrida e do Marquês de Pombal, dois contemporâneos que se odiavam, a autora analisa a infância e o percurso destes dois personagens. Aí desfilam a política, a situação social de Portugal, os interesses e toda uma conjuntura que moldou o carácter destes dois. Tudo somado explica as suas acções.

Um excelente livro que aconelho sem reservas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Histórias Recambolescas da História de Portugal – João Ferreira


D. Afonso Henriques obteu do Papa o reconhecimento da Independência de Portugal e da sua posição de Rei em 1179.

Significa então que é a partir de 1179 que Portugal passa a existir oficialmente enquanto nação, pois na altura apenas o representante de deus na Terra tinha o dom de reconhecer países.

Assim sendo é perfeitamente normal que em mais de 800 anos de História tivessem sucedido um rol de histórias que, dadas as suas características, não sejam muito conhecidas ou delas os portugueses tenham orgulho.

Aqui o que supostamente o jornalista João Ferreira se propõe a fazer é o de trazer a lume algumas dessas histórias, porém não considero que o seu trabalho me tenha surpreendido.

Quando iniciei a leitura deste livro julguei, confesso, ir ler narrativas ou, se quiserem, histórias, que colocassem em causa a versão oficial de factos conhecidos. Há efectivamente casos desses , no entanto, na grande maioria das histórias apresentadas, o autor faz um simples resumo um pouco ao estilo da wikipédia.

Há casos e casos que são narrados em duas simples páginas, até os casos mais delicados, a sua narrativa centra-se em 4, 5 páginas, ficando desse modo um sabor a pouco e uma sensação de logro, uma gritante falta de investigação.

Veja-se, por exemplo, o caso dos Távoras. Um caso terrível com diversas implicações e que teve repercussões durante muitos anos. Neste livro são-lhe dedicadas somente 3 páginas e nada de novo é contado.

Muito insuficiente!

Em todo o caso é um livro interessante para quem tem poucos conhecimentos da História de Portugal e assim acaba por ganhar algumas historias para contar aos amigos.

domingo, 30 de maio de 2010

Amanhecer na Rotunda – José Sequeira Gonçalves & João Espada


Neste pequeno grande livro, exemplarmente encadernado e ilustrado com uma série de belíssimas aguarelas da autoria de João Espada, os autores traçam o percurso de algumas pessoas que colocaram fim à Monarquia ou, se quiserem, foi o seu envolvimento que esteve por detrás da implementação da República no dia 05 de Outubro de 1910.

Mas e embora o livro incida nesses personagens que aguentaram na rotunda (Marquês de Pombal) o assalto das tropas fiéis à monarquia, o que mais realço é a forma como é narrado todo o processo da queda da monarquia e o papel desses personagens, alguns completamente desconhecidos até à data.

É um livro de fácil leitura, lê-se num par de horas (literalmente) e no final, para além de sairmos mais ricos, ficamos com a sensação de quem lutou pela república, quem por ela morreu, decerto não lhe passava pela cabeça o estado em que ela se encontra e de quem dela se aproveitou e aproveita. Aliás, há nomes importantes que poucos anos depois, desiludidos com o estado decadente da república, ajudaram a fazê-la cair.

Como curiosidade o comandante Machado Santos escreveu, pelo seu punho a primeira lei da república que constava assim: “todo o indivíduo que seja encontrado a roubar, a assassinar ou a cometer violência contra mulheres e crianças, será imediatamente fuzilado…”.

Tomara termos presentemente leis dessas e por essa lei percebe-se das boas intenções de quem idealizou e lutou pela república, no entanto e embora desde logo a sociedade tivesse dados sinais inequívocos (nada a fazer com o povo português, está no sangue), depois vieram os abutres para dela se encherem que nem...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Homens de Führer. A Elite do Nacional Socialismo 1939-1945 (Os) - Ferran Gallego


Para a maioria das pessoas o nazismo foi um regime que se impôs na Alemanha e que, durante a 2ª Guerra Mundial, foi responsável pela morte de milhões de seres humanos em campos de concentração.

Embora essa ideia tenha um fundo de verdade, o sistema nazi não foi apenas isso, longe, a sua génese, os seus mecanismos e funcionamento moldaram uma imensa máquina política que se aproveitou de um contexto social para emergir da obscuridade, estando por detrás dele, algumas figuras influentes na época mas sobretudo, desconhecidos e homens desiludidos com a situação actual da Alemanha após 1ª Grande Guerra.

“Os Homens do Führer” dá-nos a conhecer algumas, as mais influentes diga-se, das figuras mais importantes do sistema, aqueles que ocuparam os lugares mais poderosos do partido e como chegaram a esses lugares.

Confesso que desconhecia por completo homens como Anton Drexler, Julius Streicher, Gregor Strasser, Robert Ley, Von Schirach ou Martin Borman, e mito menos o seu contributo. No entanto, e isso, na minha opinião é a mais valia da obra, para além de Ferran Gallego nos dar a conhecer essas figuras, explica a sua importância e a forma como eles foram subindo no seio do partido, as suas relações e jogos de influência.

Acima de tudo é claro que Hitler, que não é aqui analisado, não fez o partido sozinho. Ele de facto soube emergir enquanto líder fundamentalmente pela sua capacidade oratória, no entanto muito do trabalho da sua subida ao poder e do surgimento do partido, deveu-se em grande parte ao contexto social-económico da época e a outros homens que, na sombra, foram desbastando caminho ao Führer.

A análise de Ferran Gallego é exaustiva e minuciosa. O nazismo é explorado enquanto sistema que foi bem idealizado. Facilmente entendemos o que esteve por detrás do maior crime contra a humanidade.

Independentemente desse facto, goste da análise e fiquei consciente que aqueles homens acreditavam no que faziam e o que faziam era, numa fase inicial, para o bem da Alemanha que havia ficado tão maltratada e mal vista pós 1ª Grande Guerra, pese embora também tivesse existido homens que, a dado momento, não estiveram de acordo com a linha política e ambições do partido.

Uma obra altamente aconselhável para quem se interesse por História e Biografias.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa (As) – Sofia Pinto Coelho



“As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa” é, segundo a própria autora, um livro onde se expõe casos absolutamente extraordinários que demonstram que, para além de cega, em Portugal a justiça é uma aventura, assemelhando-se a “um prédio que não tem gestão de condomínio e que no seu patamar cada condómino faz o que quer.”

Foi com uma enorme expectativa que iniciei a leitura deste livro. Não porque conhecesse a autora (de facto já tenho visto um ou outro programa “Perdidos e Achados”, mas porque logo na sinopse me pareceu estar em presença de algumas histórias que tornam a justiça em Portugal algo que, vá lá, sui generis.

A estrutura da obra é, por si só, bastante apelativa. Divididos em 11 capítulos, todos com título que nos situa quanto ao género dos factos abordados (ex: cap. 5. condições de trabalho (nos tribunais); cap. 8: Julgamentos; etc), a autora vai dissertando sobre casos que acompanhou pessoalmente ou que lhe chegaram ao conhecimento através dos próprios implicados. Logo, todas as histórias são verídicas e, meus caros e caras, fica-se com a ideia de a justiça em Portugal concorrer com sistemas judiciais do Burkina Faso ou do Botwsana (sem menosprezo para estes países).

É assustador ler tantas histórias de falta de condições, excesso de trabalho, incompetência, abuso de poder, vaidade, servilismo ou corrupção. Às tantas dava por mim a rir e a pensar: “isto só pode ser anedota. Não pode ser possível isto acontecer em Portugal. Fará Portugal parte da Europa?”.

Há histórias verdadeiramente surreais, horríveis algumas que expõem não só os vícios do sistema Judicial (vícios que se conhecem mas que teimam em não se mudar) português como, em especial, os vícios da alma lusa.

A ironia da autora faz-se sentir praticamente em todos os factos narrados. Há histórias tão estúpidas, tão rídiculas, tão irracionais, que a única forma de as encararmos é com ironia, rezando, contudo, para que nunca nos aconteça a nós, pois o grave de todas as narrações é que ouve gente prejudicada, gente que se viu sem chão por um sistema que lida com papéis e não com pessoas.

Entrelinhas também se sente críticas aos juízes (sôtoresjuízes), alguns sem qualquer aptidão para o importante papel que desempenham e para a classe dos advogados. Atente-se na críticas do bastonário da Ordem dos advogados aos juízes, aos advogados e ao próprio sistema judicial português: "É nosso dever denunciar e combater esses resíduos para que a honradez, a honorabilidade e a respeitabilidade de toda a classe não seja manchada pela existência de algumas maçãs podres que persistem em existir no nosso seio", declarou Marinho Pinto. “O advogado auxilia a pessoa que cometeu um crime ou é suspeita de ter cometido um crime a defender-se em juízo, mas não auxilia as pessoas a cometer crimes, muito menos a cometê-los em nome de alguns clientes. Esta ideia tem que ficar bem clara porque existem resíduos na nossa profissão que não actuam assim". Faz agora sentido muito do que o bastonário tem proferido.

É triste perceber a realidade em Portugal e é, sobretudo, aterrador.

Licenciada em Direito, Sofia Pinto Coelho começou a sua actividade de jornalista no semanário Expresso e actualmente trabalha na estação de televisão SIC, onde se especializou em temas jurídicos.

Já foi distinguida com o "Prémio Justiça e Comunicação Social Dr. Francisco Sousa Tavares", atribuído pela Ordem dos Advogados, e com o "Prémio Especial do Júri" no Festival de Cinema de Cartagena das Índias, Colômbia, por uma reportagem.

Actualmente coordena o programa “Perdidos e Achados”.

Classificação: 5

domingo, 30 de novembro de 2008

Máscaras de Salazar - Fernando Dacosta




Para quem se interesse por História, nomeadamente pela nossa História, eis um livro fabuloso que aborda, como o nome deixa adivinhar, todo o Estado Novo na figura do seu Presidente do Conselho: António de Oliveira Salazar.

Antes de abordar o livro, quero realçar a enorme surpresa que foi para mim a escrita de Fernando Dacosta, romancista, dramaturgo e jornalista, autor de várias obras, mas que nunca me despertou o interesse. No entanto surpreendeu-me a enorme simplicidade e objectividade da sua escrita, a clareza de raciocínio, a forma poética que emprega ao texto, ainda por mais sendo este uma narrativa e o tom neutro como aborda toda a obra, nunca julgando, nunca comentado, apresentando apenas factos.

Em as “Máscaras de Salazar”, Dacosta apresenta-nos o homem por detrás do político, aquela figura austera que ficou para a História. Salazar enquanto jovem estudante, a forma como entra na política, os seus anseios e desejos, o que o move, as suas ideologias, a forma de estar e ver a vida.

Salazar surge no comando do governo sem que ele saiba bem como e vê nisso um género de demanda, um sinal. É ele a salvação do país, por isso resolve consagrar e sacrificar a sua vida pessoal em prol de uma nação, de um império.

Surge-nos assim um homem com defeitos e virtudes, um homem que acredita no esoterismo, na astrologia, pouco religioso (achei isso curiosíssimo) embora tenha em Cerejeira um dos seus amigos e confidentes mais próximos, um homem que não apreciava jantares, ajuntamentos, que apreciava coisas simples e que, inclusive, pagava a renda de S.Bento com o seu próprio dinheiro. Uma figura muito distante do Salazar figura do regime.

Importa aqui referir que conheço pouco de Salazar e da sua obra. Ele é sempre apresentado como um ditador que, escondido em S.Bento, construiu toda uma rede tal Big Brother que a todos vigiava.

Isso até pode ter muito de verdade e Dacosta não o sonega, mas há de realçar que existiu também o homem Salazar, que tinha sentimentos, gostos, humores. Um ser humano e este livro não só o faz como ainda vai mais longe, ouve, osculta aqueles que mais próximo estiveram de Salazar: amigos de infância, políticos, simples pessoas que o conheceram e sobretudo D. Maria, a governanta que sempre o acompanhou.

Dacosta aborda assim os cerca de 40 anos do seu governo, as guerras que assolaram esse período, os interesses com as outras nações, a P.I.D.E., a oposição e a forma como sempre procurou defender os interesses de Portugal, indo até contra os interesses do Vaticano. Sobre o Vaticano é interessante o desvendar do 3º segredo de Fátima, segredo esse que provavelmente até tem a ver com Portugal. A forma como se relacionava com outros políticos e figuras que se cruzaram com ele, tanto política, como cultural e socialmente: Júlio Dantas, Gen. Costa Gomes, Ge, Humberto Delgado, Amélia Rey Colaço, Natália Correia, Salgado Zenha, Mário Soares, Aquilino Ribeiro, Duarte Pacheco e tantos outros.

E, entre várias curiosidades, ouve uma que me chamou especial atenção. Salazar, que tinha na sua governanta uma amiga e uma confidente (más línguas diziam que até algo mais), confidencia-lhe por várias vezes do porquê da necessidade de defender os territórios ultramarinos. Ele achava que Portugal sem esses territórios ficaria um país minúsculo e sem qualquer tipo de influência, um país que ficava assim sujeito a outras nações acabando por morrer. Ele tinha esse receio e, digo eu, era um visionário.

Um homem que não gostava do comunismo nem dos americanos que, dizia ele serem apologistas de uma política que visava o domínio das outras nações, muito pior que o próprio comunismo... e isso proferia ele na década de 60.

Em suma, um pequeno livro que se revelou numa obra de uma enorme extensão sobre Salazar, o seu regime e Portugal.

domingo, 16 de novembro de 2008

A Profissão de Carrasco - Jacques Delarue



Há livros que nos vêm parar às mãos um pouco por acaso, sem que estejamos à procura deles ou mesmo que o conheçamos, eis que de repente nos deparamos com esse tal livros nas mãos, a creditando tratar-se de um achado.

Este livro que me proponho aqui comentar foi um desses casos que achei há uns anos numa daquelas feiras do livro manhosas dos hipermercados. Havia um receptáculo de plástico com centenas de livros a 0,50€ e, no meio de tanta palha, surge-me este livro rosa choque com este título sugestivo.

Li a sinopse e logo me dei conta que não se tratava de nenhum romance, mas sim de um estudo Histórico deste tema tão desprezível mas que, quer queiramos quer não, tem uma História e que, por acaso, até achei que podia ser interessante.

O autor, Jacques Delarue, nascido em 1919, desconheço se possuiu alguma actividade académica, mas sei que o mesmo foi polícia e comparticipou na resistência francesa. Dessa vivência acabou por escrever “História da Gestapo” e “Tráficos e crimes durante a ocupação”, títulos que desconheço, mas que tendo em conta o livro “Profissão de Carrasco”, devem ser muito interessantes.

Ora bem, enquanto polícia, Delarue foi colectando material histórico sobre a pena de morte e o trabalho daqueles que tinham que levar a cabo a condenação: os carrascos.

Obviamente que Delarue incide sobretudo na história dos carrascos franceses, até porque a profissão ainda estava no activo no século XX e ainda estão vivos os últimos da espécie, mas ele vai narrando como é que a profissão nasceu, da forma maldita como eles eram vistos, rejeitados pela sociedade que se esquecia que por detrás do carrasco havia um homem com família que apenas tinha tido a má sorte de sujar as mãos com sangue dos condenados que essa mesma sociedade mandara sangrar.

Aborda também o contexto psicológico e humano. O testemunho de vários deles assim como a linhagem dos carrascos mais famosos, pois era uma profissão que passava de pais para filhos, um filho de carrasco não era bem aceite, tinha imensa dificuldades para arranjar casamento, o mesmo se passava com as filhas.

O livro segue sempre a um bom ritmo, cheio de interesse, embora existam muitas descrições horríveis, macabras. Os objectos e máquinas de tortura e execução são descritos, a sua criação e como actuavam... macabro.

Um excelente documento histórico que admito não ser fácil encontrar no mercado. Após uma breve investigação, constatei apenas o site da livraria Byblos possuir tal livro, embora a editora em Portugal seja a Livros do Brasil.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mistério de Colombo Revelado (O) - Manuel da Silva Rosa e Eric J. Steele



A História tradicional, aquela que nos ensinam na escola, refere que em 1492 um genovês chamado Cristóvão Colombo, ao serviço dos reis católicos de Castela, descobriu o continente da América, colocando assim o seu nome na diminuta galeria de personagens históricas conhecidas a nível mundial.

Mas será que a história que os livros ensinam é a real?

Quem foi Cristóvão Colombo? Como se iniciou o processo da descoberta da América? Numa época onde a maior potência da navegação, aquela que possuía os grandes segredos era Portugal, é exequível pensar que um genovês, ainda por cima tecelão, teve a capacidade de capitanear toda uma expedição aos serviços dos reis de Castela, convencendo-os de algo que, aos olhos do mundo, ainda não estava provado?

É comummente aceite que a História está em constante redescoberta à medida que novos vestígios são descobertos e à medida que o avanço científico vai dando lugar a novas teorias e mesmo certezas.

Repara-se que só nesta década se descobriu que grande parte dos dinossáurios tinha a pele revestida por penas e que, grande parte deles, são antepassados das aves e não dos répteis como sempre se disse.

Assim é natural que investigações profundas sobre qualquer matéria dêem lugar a novas e sensacionais descobertas que, para além de juntarem novas peças ao que se sabe tem por vezes a capacidade de reescrever a própria realidade histórica.

E foi precisamente isso que se fez em meados do séc. XX: alguém começou a investigar Cristóvão Colombo, dando então conta de várias incongruências da história aceite como verdadeira.

Ou seja, a questão sobre quem foi Cristóvão Colombo não nasceu com este livro. Antes dele outros historiadores já debateram esse mistério e há inclusivamente vários livros acerca da questão onde sobressai a obra de Mascarenhas Barreto. No entanto poucos foram aqueles que investigaram sobre ele. Quem foi, onde nasceu, como viveu e como se desenrolou a aproximação aos reis de Castela e com que motivação.

Este livro, fruto de 15 anos de exaustivas pesquisas, tenta levantar o véu de mistério que persiste sobre a personagem, ao mesmo tempo que desmente, com provas documentais, o imenso embuste que foi criado e que, até à data, é História oficial.

Ninguém sabe quem foi Cristóvão Colombo, onde nasceu e quais os seus antepassados, mas há factos que desmentem muito do que se escreveu acerca dele.

O que se sabe é fruto de documentos do seu filho, dos reis de Castela e Portugal e de alguns apontamentos e cartas escritas pelo próprio. Esses dados suportam suposições lógicas. Uma vida que é uma espécie de teia onde se consegue desenlear algumas pontas.

A História oficial ensina-nos que Cristóvão Colombo ou Cristoforo Colombo, nasce em Génova sensivelmente em 1449. Filho de tecelões de lã e ele próprio tecelão, Colombo era analfabeto e, sem se saber porquê, resolve, já com 26 anos (+/-), ser marinheiro sendo que e após nadar oito milhas a partir de um embarcação naufragada, dá à costa portuguesa em 1476. Mesmo sendo um pobre marinheiro analfabeto, dois anos depois (pelos vistos não regressou a Génova antes tendo ficado inexplicavelmente por Portugal), surpreendentemente, casa com D. Filipa Moniz Perestrelo, membro da Ordem de Santiago e filha primogénita de uma das famílias nobres do reino. Ou seja, um pobre plebeu analfabeto e estrangeiro desposa a primogénita de uma família da nobreza e ainda por cima com a autorização do rei de Portugal D. João II, pois o rei como Grão Mestre da Ordem de Santiago teria de dar autorização para que um membro da ordem se casasse.

Para além de todo este absurdo, outras questões se levantam como se poderá constatar no livro.

No entanto a História conta-nos que este tecelão marinheiro depressa chega à presença do rei D. João II onde lhe apresenta o projecto de navegar até à Índia por Oeste, projecto esse que o rei rejeita peremptoriamente. Zangado, Colombo fixa-se em Espanha com a ideia de “vender” o mesmo projecto aos reis católicos e, mesmo vendo a mesma ser rejeitada durante 7 anos (curioso que agora já não se zanga), lá acaba por convencer os reis do empreendimento.

Obviamente que até aqui há imensas questões que colocam em causa toda esta história. Naquela época era impossível acontecer muitos dos factos até aqui referidos, mas e mesmo assim há factos que levantam outras pertinentes questões:

Em apenas 9 anos (1476-1485), o Cristóvão Colombo da História, plebeu, naufraga em Portugal e, mesmo analfabeto e não percebendo nada de navegação, consegue casar com uma dama nobre, aprender latim, português, castelhano, cosmografia, geografia, álgebra, navegação, a bíblia quase toda de cor, algum hebraico e grego, assim como um alfabeto secreto que ainda hoje é desconhecido, para além de se ter esquecido do seu genovês.

É obra!!!

Mas alguém acredita nisso?

É possível alguém acreditar que o homem que chegou efectivamente à América em 1492 nasceu em Génova e que era tecelão?

Mas estes factos são apenas aqueles que provam que Colon (nunca foi Colombo) não foi de certeza genovês. Não era nenhum mentecapto, sendo sim um homem instruído, nascido no seio de uma família da nobreza, de relações particulares com a casa real portuguesa, movimentando-se com total à vontade na corte castelhana.

Este livro surpreendeu-me pelas provas documentais apresentadas.

De uma forma honesta e muito rigorosa, estes investigadores trazem a lume documentos até hoje desconhecidos e esquecidos. Não descuram pormenores e são precisamente esses pormenores que levantam o véu deste imenso mistério que está profundamente interligado com a situação geopolítica da Ibéria dos sécs. XIV e XV.

Um livro que nos dá uma perspectiva completamente diferente daquilo que nos é contado nas escolas. Cheio de provas e pistas, ficamos com algumas certezas mas muitas dúvidas. A investigação é profunda e abarca praticamente toda a vida de Cólon, no entanto cabe a cada leitor analisar os documentos mostrados e daí tirar conclusões.

Pessoalmente não me interessa saber se Cólon era português ou não. O que me interessa é saber a verdade e o que esteve por detrás da descoberta da América. É aí que a investigação mais dificuldades encontra e é esse, para mim, o grande mistério.

O que sobressai também é os factos absurdos que levaram a ter Colon como genovês. Não entendo como é que os historiadores aceitaram a história e como é que continuam a aceitar. Uma coisa é afirmarmos desconhecer se Colon foi português ou não, outra, completamente distinta, é afirmar que Colon nasceu em génova e que era tecelão e analfabeto.

Conforme refere o Livros dos Conselhos: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."