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sábado, 9 de junho de 2018

Conversas de Escritores – José Rodrigues dos Santos


Pese embora as minhas leituras se centrem no campo do romance, acabo, aqui e ali, por efectuar leituras de outros géneros literários, sendo que as Entrevistas sejam um dos géneros que mais aprecio por diversas razões, sobretudo porque é uma oportunidade de saber, pelo próprio entrevistado, de factos da sua vida que, geralmente, guardo como experiencias, algo que posso retirar para mim próprio para o futuro.

Ou seja, nessas entrevistas, quando realizadas de forma despretensiosa, é sempre possível perceber a pessoa por detrás do “personagem”, do “autor”, do “escritor”, do “actor”, etc. É possível entender o seu trajecto de vida e perceber a sua metodologia de trabalho e várias das suas opiniões sobre diversos assuntos, pois, confesso, é sempre isso que procuro apreender quando realizo a leitura de qualquer entrevista, perceber qual a sua metodologia e a organização mental que o leva a ser quem é.

Posto isto, e depois de há uns anos ter visionado quase todos os programas da “Conversas de Escritores”, realizado por José Rodrigues dos Santos, decidi efectivar a leitura do livro editado em 2010 porque constatei que, neste livro, estavam presentes vários escritores que admiro, alguns já falecidos entretanto, na tentativa de perceber se havia algum ponto em comum entre eles.

As entrevistas são curtas e penso que muito foi cortado pelo José Rodrigues dos Santos, pois os sessenta minutos que durava a entrevista, decerto muito se falou, mas enfim, entendo a lógica em colocar o fulcro do que foi falado. E efectivamente há perguntas que se vão repetindo de entrevistado para entrevistado e constatei que, por exemplo, a metodologia de trabalho de todos é muito semelhante, revelando, na sua grande maioria, uma enorme disciplina quando estão na fase de escrita, algo que tenho percebido ser comum em quase todos os escritores.

Achei curioso que muitos escritores fazem uma espécie de guião na altura de planear e outros começam com uma frase e vão seguindo à sorte, sem qualquer tipo de guião, apenas se deixam levar pela história e pelos personagens, como se esses ganhassem vida própria, desconhecendo inclusivamente os autores do final do livro e alguns até referem ficar surpreendidos como aquele livro acabou. 

Dan Brown, Luis Sepúlveda, Sveva Caseti Modignani, Paulo Coelho, Ian McEwan, Günter Grass, Jeffrey Archer, Isabel Allende, Saramago, Miguel Sousa Tavares, são os dez escritores escolhidos entre outros que originaram uma sequela, mas que, para quem gosta de entender o processo criativo de grandes autores, vale bem a pena a leitura desta obra.


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vaticanum – José Rodrigues dos Santos



Conforme é do conhecimento de muitos, sou um apreciador dos livros de Rodrigues dos Santos. Não pela qualidade literária, porque isso de facto tem muito pouca, mas porque os livros dele preenchem um dos principais requisitos que a meu ver tem de estar contido num livro: entretém. Para além do entretenimento, os livros dele são um manancial de informação que, obviamente, podem agradar mais a uns do que a outros pela temática, mas é facto é que os livros dele possuem sempre muita informação.


Em todo o caso e pese embora já os tenha lido todos, há livros que gostei muito e outros que nem por isso. Confesso que, por exemplo, os últimos livros dele não me têm agarrado por aí além, mas recordo sempre com saudades livros como “A Filha do Capitão”, “Codex 632“ ou “A Fórmula de Deus”, livros, quanto a mim, muito bem conseguidos e que despertaram a minha curiosidade sobre os temas abordados.


Este último volta a colocar em cena o historiador/detective/criptanalista Tomás Noronha que se encontra nas catacumbas do Vaticano a analisar o suposto túmulo de Pedro, o Apóstolo de Jesus Cristo que, segundo a História, deu origem à Igreja Católica, sendo considerado o Primeiro Papa.


O enredo passa-se todo num simples dia, uma aventura vertiginosa que se inicia quando o Papa é raptado por alegados membros do Estado Islâmico e que, segundo estes, será decapitado em directo à meia-noite se os países católicos não se converterem ao Islão ou não pagarem um suposto valor que está referido no alcorão.


Obviamente que depressa Tomás Noronha se vê envolto nos acontecimentos e é vertiginosa toda a acção.


Pese embora o objectivo central do livro seja a corrupção no seio do Vaticano, o livro quanto a mim peca em vários factos que acabam por lhe dar pouca credibilidade, isso na junção entre o enredo ficcional e o verídico. Penso que um dia apenas é muito pouco para 600 páginas de alucinantes correrias. Os diálogos sobre a corrupção são colocados um pouco à força. Poucas horas antes do prazo terminar, Tomás está em amena cavaqueira de dezenas de páginas sobre os meandros mafiosos que abalam o Vaticano. 


Depois no final tudo se desenrola em poucos minutos e, obviamente, o final é o esperado com as habituais “mariquices” que o autor, a meu ver, desnecessariamente, continua a insistir em colocar nas suas histórias.


Em todo o caso e embora tenha gostado do livro, o mesmo não me criou um grande pasmo, pois já li várias obras sobre corrupção no Vaticano, algumas das quais vêm referidas na Nota Final, ou seja e ao contrário de outras obras, Rodrigues dos Santos não nos conta nada de novo, limita-se a limar certos factos amplamente conhecidos e a aproveitar o que muitos já escreveram sobre o tema.


Sinceramente esperava um pouco mais, pese embora, repito, seja um bom livro da Série “Tomás Noronha” que, e isso é algo que quero realçar, se mostra um pouco mais “adulto” em relação a outras aventuras suas.  


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Homem de Constantinopla (O) – José Rodrigues dos Santos

Já aqui referi que gosto de ler os livros de José Rodrigues dos Santos. Longe, muito longe, de serem grandes obras literárias, decerto jamais irá vencer ou perto disso o Nobel da Literatura, o certo é que os seus livros me entretém e têm a capacidade de me despertarem a atenção para outros assuntos que, por diversas vezes, me têm levado a descobrir outros autores e outras obras muito boas.

A presente obra que, vá lá, direi o primeiro volume de dois em que o autor se propõe a narrar a vida de Kaloust Gulbenkian, é pois mais um dessas obras de puro entretenimento, um pouco num estilo cinematográfico, que explana a narrativa de uma forma muito simples e com capítulos muito curtos de uma forma de takes cinematográficos e que nos vai traçando o percurso de Gulbenkian desde quase o seu nascimento até 1913, altura em que se inicia a Primeira Grande Guerra.

No entanto e de todos os livros que já li do autor, e posso dizer que já os li efectivamente todos, este é o mais fraco em todos os aspectos.

A narrativa é muito fraca e algo incoerente. Parece que o autor escreveu o livro imaginando um roteiro de um filme. As situações surgem um pouco desligadas e há outras, que a meu ver mereciam uma maior profundidade, que são narradas de uma forma muito simplista, como e por exemplo a perseguição turca aos arménios. Depois, há situações que são explicadas ou resolvidas de uma forma muito tosca. Ou seja, o autor aborda de facto essa e outras questões mas pouco ou nada a explica, deixando-nos a ideia de um trajecto feito de facilidade quando, sei, não foi bem isso que sucedeu. Para além disso, não gostei igualmente da forma que o autor encontrou para começar a história nem do encadeamento dos episódios da sua vida. Obviamente que sei que se trata de um romance, mas, a meu ver, o autor tem obrigação de fazer um trabalho mais apurado, nem que seja apenas e só devido á sua formação académica.

Tenho já o segundo volume para ler mas, face à enormidade volumosa da obra e ao tempo que demorou a escrever, não acredito que melhore, pois esta é uma obra escrita algo a “martelo” e deve ser mais do mesmo. No entanto nem tudo é mau. Entretém e dá-nos um aspecto, frágil é certo, da vida de Gulbenkian e da forma como granjeou fortuna e fama. Vou ler decerto.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Há dias atrás

recebo uma notícia do lançamento do esperado novo romance de José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei interessado e satisfeito. Independentemente da qualidade de escrita dos seus livros e outras considerações menos abonatórias, o certo é que as histórias de JRS me cativam e entretêm, pelo que costumo, todos os anos, estar presente na apresentação do mais recente livro.

Este ano constato que a apresentação do livro é no próximo sábado cujo título é “O homem de Constantinopla” e que trata da vida de Calouste Gulbenkian. Até aí tudo bem, mas fiquei siderado quando, numa notícia do DN, constato igualmente ser este o 1º volume, de dois, da mesma obra. Ou seja, agora publica-se “O homem de Constantinopla” e, dentro de um mês, publica-se “Um milionário em Lisboa”. Uma obra, dois volumes, 44€ no espaço de um mês. Um jackpot!

Caro José Rodrigues dos Santos, pese embora aprecie os seus romances, desta vez não vou comprar pois sinto-me indignado por essa “chica espertice” de alguém que sabe que vende milhares e que quer fazer render o “peixe” num país atolado numa crise que está a atingir sobretudo a classe que lhe compra os seus livros. Não são os intelectuais, não são os meninos de “bem”, nem são os milhares “Boys” e “Girls” e filhos destes e destas que o fazem, quem lhe compra os livros, na sua maioria, são as pessoas da classe média, precisamente aqueles que mais sofrem com uma crise que não são culpados mas que têm de pagar.


Honestamente, e para não ir mais longe, fiquei decepcionado!

domingo, 4 de novembro de 2012

Mão do Diabo (A) – José Rodrigues dos Santos



Já o referi por diversas vezes que li todos os romances de José Rodrigues dos Santos e que, a sua maioria, me agradou.

Independentemente da qualidade literária dos seus livros, isso é outra história, o certo é que o homem vende que se farta, vende mais do que qualquer outro autor português e inclusive é já nº 1 no Top da Fnac em França, logo a questão que se coloca é: porquê?

Será que os seus livros são assim tão bons ao ponto de baterem as obras dos maiores vultos literários da actualidade?

Será que os milhares de leitores que adquirem os seus livros são assim tão iletrados que só gostam de maus livros ou só adquirem um livro por ano, precisamente o dele?

Ou será que o autor sabe aproveitar o “momento” e, com uma receita tipo, consegue escrever livros onde toca em assuntos melindrosos que interessam ao comum dos mortais?

Mesmo que a resposta não esteja numa destas três questões, o certo é que aprecio os seus livros, pese embora não lhe observar qualquer qualidade literária, aliás, há algo que registo desde logo, os seus livros conseguem, a esse nível, piorar de livro para livro.

Eu aprecio porquê?

Simplesmente porque, quer os da série “Noronha”, quer os outros, têm a capacidade de me informar, de me transmitir informações reais misturadas com uma história de cordel mas que, resulta quer se queira, quer não. Quanto a mim é aí que reside o principal interesse dos livros. Há outro interesse, mas esse guardo-o para mim pois é algo que me entretenho a analisar.

Nesta sua última obra, “A Mão de Deus”, JRS volta ao seu alter-ego, Tomás Noronha, numa nova aventura em busca da verdade. E a receita é a mesmíssima das outras aventuras: um vilão que é uma alta figura da sociedade, os seus jagunços que passam o livro a correr atrás de Tomás, uma moçoila jeitosa que acompanha Tomás na aventura (e não só…) e, obviamente, as habituais situações complicadas que o nosso herói se consegue sempre safar com as habituais piadolas com pouca piada.

Claro que muitos acham este típico trama algo de irritante e muito rebuscado, tipo Dan Brown, o que de facto é, no entanto a principal diferença e aquela que me faz continuar a ler os livros de JRS é que enquanto em Dan Brown as teorias são pura especulação e ficção, nos livros de JRS é precisamente o contrário: tudo é real e, se duvidam, constatem das acusações que lhe vão fazendo quando os livros dele saem e vejam se depois, quem acusa, apresenta provas. Não, acabam por se calar.

Tomás Noronha vê-se assim no meio de mais um imbróglio e, desta vez a braços com a descoberta de um objecto que poderá expor ao mundo os meandros da alta política e os principais obreiros da crise mundial que actualmente sentimos, sobretudo na Europa.

E é dessa forma que o autor vai expondo as diversas facetas de uma crise construída com reais objectivos e que tem a sua explicação em diversos factores com pontos de união entre si.

Chegamos a conclusões terríveis assim como é espantoso perceber como se fazem certos negócios que visam comprar submarinos desnecessários, TGV’s que vão servir para nada e Aeroportos que apenas procuram encher os bolsos de alguns em prejuízo dos contribuinte. Uma teia gigantesca de corrupção com rostos bem conhecidos do presente e do passado, pois que ninguém se iluda, a crise não nasceu ontem, vem sendo criada e alimentada à muitos anos e com os resultados pretendidos.

E é aqui que reside o principal interesse desta obra. Se pretende continuar a seguir as vertiginosas aventuras dos gnomos, bruxas e afins mitológicos ou se busca um livro muito bem escrito que o delicie com as suas descrições literárias, então nem pegue neste. Agora, se se interessa pelo presente, se tem curiosidade em saber como a crise nasceu, quem e porquê a criou e para que se destina, então avance sem medos, pois de certo ficará melhor informado do que a grande maioria das pessoa e sentirá, pelo menos, algum receio pelo futuro que nos espera, isso se não emigrar para bem longe.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Último Segredo (O) – José Rodrigues dos Santos


Neste seu novo romance, JRS traz de volta esse personagem que já começa a ser mítico, pelo menos entre os apreciadores dos livros de JRS, o historiador e criptanalista tuga chamado Tomás Noronha.

E, permitam-me já dizer, que é um regresso em grande forma.

Conforme acontece nos seus romances thrillers/policiais que muitos continuam a teimar em comparar aos de Dan Brown sem saberem bem o que estão a dizer, mas como acontece nos livros de JRS desse género, a história inicia-se com uma série de estranhos crimes, sendo que, para além do modus operandi do assassino, o que torna os factos mais estranhos são as estranhas “pistas” ou “mensagens” que esse assassino deixa nos locais do crime.

Ora bem, até aqui tem de facto muito de browniano. De facto! No entanto é apenas no início que podemos efectuar comparações. Bem sei que depois há a perseguição ao assassino, a descodificação dessas pistas, etc, etc. No entanto, a principal razão que gosto bastante dos romances de JRS é porque o homem sabe colocar acontecimentos verídicos à medida que vai urdindo um trama todo ele, ou quase, coerente. Ou seja, os romances de JRS ensinam-me, divertem-me e entretêm-me.

Já o disse em diversas alturas que a principal objectivo de um livro é o de entreter, divertir, levar-nos a viajar, fazer companhia e, se possível, ensinarem. Que adianta ler um livro considerado um portento da literatura, se essa leitura for penosa, aborrecida e enfadonha?

Posto isto, e voltando à obra, lá é chamado o Tomás a fim de resolver todos esses crimes. A acompanhá-lo, obviamente, uma beldade, nomeadamente uma agente policial italiana.

No desenrolar das investigações, Tomás Noronha apercebe-se que os enigmas deixados nos locais do crime aludem à própria Bíblia e à construção narrativa da mesma que teve como intenção crer em alguém que, se calhar, não foi bem aquilo que se quis e quer pintar.

E lá começam eles uma demanda por vários países da Europa que finda em Israel, a Terra Prometida, o local onde Jesus nasceu, foi criado e morreu.

Numa reconstituição de factos históricos que considero notável, JRS interpreta várias fases da Bíblia e demonstra que a mesma esconde muitas falsidades, a maioria, intencionais, que foram sendo criadas ao longo dos séculos. À medida que vai construindo esse “edifício”, vai demonstrando a verdadeira imagem de Jesus e não o faz de uma forma leviana, sem provas. O que ele efectua não é nenhuma novidade e não foi ele que inventou ou pensou nisso, o que ele faz é aplicar os conhecimentos Históricos à época e interpretar o que está escrito à luz desses conhecimentos.

Posso até admitir que algumas das análises são de facto algo simplistas como li algures. Porém, qualquer pessoa com os mínimos de conhecimentos Históricos e um pouco informada, não pode ficar surpreendida com os episódios narrados e a análise efectuada aos mesmos. Hoje em dia, é mais do que óbvio, que a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado, foi escrito não pelos apóstolos, profetas ou a quem se atribui os textos sagrados, foi sim escrito por outros com a intenção de convencer.

Em suma, um bom livro em que o principal tema é, claramente, a demonstração que Jesus foi um homem comum e que a sua deusificação foi construída muito posteriormente e assente em inverdades e interpretações erróneas, que se lê com prazer e que nos faz pensar e ver o quanto ignóbeis foram e continuam a ser tantos. No entanto isso vale o que vale, penso que não vai alterar em nada a fé de cada um.

sábado, 30 de julho de 2011

Sétimo Selo (O) – José Rodrigues dos Santos


José Rodrigues dos Santos é, indiscutivelmente, o campeão de vendas em Portugal. Sendo jornalista, sabe como investigar os assuntos dos seus livros, ajudando-o também as deslocações que faz e expressas nas obras. Uma escrita muito simples, fluída, tipicamente ao jeito de uma notícia, o próprio autor professa que ler deve ser prazer e não um exercício doloroso. Para além disso tem o condão de prender o público com um género apelativo de mistério, policial e histórico.

Penso que esta é a receita das suas obras e, goste-se ou não se goste, a razão de ter tantos leitores, algo que custa muito a engolir a pseudo intelectuais que se julgam grandes escritores ou leitores de grandes escritores que poucos lêem.

Neste seu 5º romance, Tomás Noronha é novamente o herói numa aventura que o irá levar a quatro continentes em busca da resolução de um mistério que tem o seu início quando dois cientistas são assassinados no mesmo dia em dois continentes diferentes. Em comum com esses homicídios, uma folha de papel deixada junto aos corpos onde está gravado: 666.

A Interpol contacta Tomás Noronha a fim de ele resolver este mistério, levando-o, obviamente ao inicio de uma louca aventura que vai meter interesses petrolíferos, assassinos, perseguições no deserto, entre outros.

O interesse do livro, quanto a mim, está todo centrado nos dados científicos que JRS vai expondo com o sentido de alertar para o aquecimento global e para a necessidade de descobrir outras fontes de energia.

No entanto e como história, penso que este é o seu livro mais fraco.

Toda a história é rebuscada, cheia de clichés brownianos, deficientemente explicada e até, bastas vezes, apressada. Há acontecimentos sem grande lógica e a explicação final é muito sensaborona e até algo infantil.

Mas isso não impede de um considerar um livro que se lê bem, não só devido à mensagem de fundo, como também pelo entretenimento que nos oferece.

Não considero JRS um grande escritor mas, e em conversas que já tive com ele onde lhe disse precisamente isso, ele próprio afirmou que não tem pretensões a ser um grande escritor e a qualquer prémio. O que ele pretende é dar prazer, entreter quem o lê e isso ele consegue na perfeição, pois as suas histórias são atraentes e entretêm. Para além disso os seus livros estão recheados de informações verídicas e com isso aprendemos, e não é precisamente isso que procuramos nos livros?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Anjo Branco (O) – José Rodrigues dos Santos


Na apresentação do livro ocorrida há duas semanas na Sociedade de Geografia de Lisboa, o autor, entre outras considerações à obra e aos factos nela contida, afirmou tratar-se o presente livro de uma espécie de continuação de “A Vida num Sopro” e que, com isso, estaria a efectuar uma saga da sua família.

Assim, antes de ler “O Anjo Branco”, empreendi a releitura de “A Vida num Sopro” e em boa hora o fiz, pois as peças do puzzle encaixam-se de uma forma perfeita, sobretudo no primeiro terço de “O Anjo Branco”.

A história inicia-se precisamente algumas semanas após a morte de Luís, estando Amélia em profunda depressão sem que o seu marido soubesse como agir. Ou seja, é de facto uma continuação, pois as personagens iniciais são precisamente as mesmas, pese embora elas vão desaparecendo progressivamente, sendo substituídas por outras mas que mantém a família Branco como fio condutor, não fosse José Branco, filho de Amélia que cresce, licencia-se em medicina e parte para Moçambique para aí exercer a sua actividade em prol dos mais necessitados.

Embora o romance tenha o seu epílogo com o massacre de Wiriyamu, levado a cabo pela 6ª Companhia de comandos de Moçambique, este romance, que considero um dos mais bem conseguidos de Rodrigues dos Santos, é um romance essencialmente sobre a Guerra Colonial e a forma como os portugueses e os nativos a viram e sentiram.

Impressionou-me a extrema violência e a forma crua como o autor narra alguns acontecimentos. O próprio autor assume serem os casos amorosos puramente fictícios, os acontecimentos factuais são mesmo reais ou inspirados em coisas que realmente aconteceram, e é impressionante o que é narrado, a extrema crueldade de um conflito que, mais de 30 anos passados, ainda está por discutir na opinião pública.

Houve algo que me chamou a atenção na apresentação e que, após ler o livro, consegui compreender. Dizia o autor que, na altura em que estava a escrever o livro, quis entender a lógica do massacre, do porquê de soldados armados matarem mulher e crianças indefesas e que, inclusive, inquiriu o comandante que comandou os comandos nesse massacre, tendo o mesmo respondido que há coisas que não fazem sentido agora mas que faziam naquele contexto. Por muito forte que seja, damos connosco a perceber a lógica do massacre e a perceber que o mesmo foi feito porque, simplesmente, tinha de ser feito. E isso é uma das principais virtudes desta obra.

Numa escrita simples, sem grandes floreados e com as descrições necessárias, a história vai-se desenrolando de uma forma lenta, suave mas necessária. José Rodrigues dos Santos sabe como contar uma história, sabe interligar muito bem factos históricos com ficcionais, dando-nos uma visão da vida portuguesa que abrange 40 anos, findando num acontecimento que ainda hoje, repito, carece de explicação e discussão: A Guerra Colonial.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fúria Divina (A) – José Rodrigues dos Santos


José Rodrigues dos Santos, jornalista, pivot do telejornal da RTP, surgiu na ribalta literária em 2004 aquando da publicação do soberbo romance “A Filha do Capitão”. Desde logo foi capaz de criar uma enorme legião de fãs, não pela figura pública que é, mas sobretudo porque sabe como contar uma história, sabe como lançar motivos de interesse e tem uma grande capacidade de nos situar no centro da acção informando-nos, ou seja, os seus livros não são meros romances, neles há todo um vasto oceano de informações, aprendemos, é útil e, em simultâneo, diverte-nos.

O estilo é deveras simples. A escrita é corrida, trabalha bem os personagens, não lhes dá grande profundidade mas fornece-lhes carácter, situando-os nos momentos temporais em que se situa a narrativa, tornando-os um elo para explorar o contexto sociológico.

Foi assim na “Filha do Capitão” e em “A Vida num Sopro”. No entanto constatamos que José Rodrigues dos Santos escreve romances de dois estilos distintos mas com alguns elos em comum. Um, o que mais me agrada, o género Histórico, o outro, mais comercial e que melhor vende noutros mercados, o género thriller com alguns laivos de histórico.

Para este género, que muitos apelidam de Dan Brown, JRS criou no primeiro livro “Codex 632” o personagem Tomás Noronha, professor de História e criptanalista.

E é com este personagem, português de gema, que construiu quatro romances sempre com um denominador em comum: todos eles abordam aspectos preocupantes e actuais que estão na agenda dos governos de todo o mundo.

E isso sucede, uma vez mais, neste “A Fúria Divina”.

Não vou entrar em pormenores, mas JRS lança-nos uma história que é simplesmente um alerta num vasto rol de informações sobre os muçulmanos e sobretudo o fundamentalismo. Explica-nos porque é que ele existe, o que está por detrás do fanatismo, quais as fundações da religião, a sua História.

Embora não se debruce ou analise intensivamente o Alcorão, facilmente percebemos que o livro sagrado dos muçulmanos está por detrás, a sua interpretação textual ou não, dependendo do que se quer interpretar.

Esse é o principal tema do livro. Como pano de fundo, duas histórias que nos servirá para entender o porquê da Jihad, do surgimento de Mujaydin. Por um lado Ahmed, jovem egípcio que desde cedo vê alimentado o seu ódio contra os kafirun (cristãos), por outro, uma história onde Tomás Noronha é contratado para decifrar uma mensagem supostamente da Al-Qaeda.

Obviamente que sucedem as típicos perseguições, situações um pouco forçadas ou até algo estapafúrdias (penso que é o grande fraco de JRS), Tomás Noronha, embora não seja tão ingénuo como no último romance, ainda tem atitudes um pouco ridículas, mas o certo é que este livro serve muito bem o sue propósito, com ele ficamos a conhecer um pouco da religião muçulmana, da Alcorão e do que está por detrás do fundamentalismo e do seu ódio ao Ocidente.


Classificação: 5