Já aqui tenho referido da minha
saturação por thrillers onde questões religiosas se misturam com factos
históricos, originado teorias de conspirações seculares, descobertas em
pormenores visualizados em quadros, estátuas, monumentos, sei lá, em qualquer
coisa que tenha sido criada em séculos passados.
E digo mais, sem dúvida que o “Código
Da Vinci” foi um livro que fez imenso furor, porque soube, de uma forma muito
bem delineada, explorar a História e a Arte, gerando um enredo bem pensado e
coerente que teve o condão de criar celeuma em várias áreas da sociedade,
sobretudo criou um imenso debate sobre o papel da Arte e da Religião e como as
duas se interligavam. A partir daí foram centenas de títulos que pretenderam
aproveitar a maré, a maioria sem qualquer qualidade e que, na minha opinião,
acabou por saturar o mercado. Tenho a certeza que hoje em dia este género de
livros não vende tanto e perdeu aquele toque de surpresa.
Pois bem, o novo livro de Dan
Brown é exactamente do mesmíssimo género, o que, por si só, já se torna algo
aborrecido. Ou seja, confesso que as minhas expectativas não eram muito altas e
só me decidi na sua leitura porque se tratava de Dan Brown, se fosse outro
autor qualquer, garanto que não lhe pegava.
As questões iniciais e que
acompanham todo o enredo é: “De onde viemos?” e, “para onde vamos?”
E, obviamente, como seria
expectável, teria de haver uma situação estrondosa no início. Temos assim um
cientista que afirma ter uma descoberta que irá revolucionar a religião e a
ciência e que, quando se souber, será bombástica e criará o pânico, o horror, o
desespero na população mundial.
Depois, como expectável, existe
alguém que quer matar esse cientista, que por acaso (só por acaso), é amigo
pessoal de Robert Langdon e que, com a ajuda de uma menina (o que seria
expectável, pois há sempre uma menina na molhada que mesmo em situações de
perigo manda umas larachas), são perseguidos por esse assassino religioso fundamentalista,
com um bispo à mistura, uma seita anti-católica que tem de meter sempre o
bedelho, polícias, jornalistas, enfim, o costume. Ah, vá lá, para ser algo
diferente, temos um príncipe e o rei de Espanha ao barulho.
Depois, tiros, mortes, quedas, helicópteros,
super computadores que falam, porrada de criar piolho, complôs, códigos
criptados, códigos sem ser criptados, códigos simples, complexos que se tornam
simples, uma sopa primordial que vai desaguar na sopa primordial que
responderá, de uma forma algo caricata, quem somos e para onde vamos, querendo
colocar-nos uma questão ética mas que, na minha opinião, é algo rebuscada e
exagerada, pois, sinceramente que essa revelação fosse capaz de destruir a
crença em qualquer religião ou em qualquer Deus é algo excessiva.
É um livro que entretém, isso é
um facto o que, por si só já é de realçar, porém e embora contenha várias informações
interessantes, a sua acção acaba por aborrecer visto ser mais do mesmo, com
situações muito similares com anteriores romances de Brown.
Para quem pretender uma leitura
leve, valerá sempre a pena, nem que seja por descobrir algumas informações
interessantes. Mas para quem pretenda algo explosivo, que irá revelar algo
bombástico, então esqueça, pois irá sentir-se desiludido.



