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sábado, 18 de junho de 2016

Priorado do Cifrão (O) – João Aguiar



Já tenho lido alguns livros de João Aguiar e, confesso, o meu apreço pela sua escrita, no entanto este “Priorado do Cifrão” revelou-se uma imensa decepção tal o desinteresse da história como igualmente do propósito do autor.

Aparentemente trata-se de uma sátira ao famoso best-seller de Dan Brown “Código Da Vinci”. Aqui também existe uma morte estranha num museu logo no início do livro, perseguições, uma organização secreta que pretende controlar o mundo, etc, etc, etc.

É de facto notório que o autor procurou ironizar com o contexto da obra de Dan Brown, criando um policial à portuguesa onde o principal protagonista chama-se Miguel e é nomeado responsável pela edição portuguesa do famoso best-seller "Os Documentos de Caravaggio" numa clara alusão a Da Vinci. Enfim!

Depois toda a obra é um desenrolar sem fim de situações sem sentido, sem qualquer tipo de lógica, misturando acção com sexo, tentativas de assassinato, perseguições, revelações bombásticas, tudo sem qualquer sabor e interesse, revelando-se uma leitura bastante aborrecida e comprida, pois às tantas é um suplício ler página a página o que toda aquela mistura vai dar.

Dizer que este livro é maçudo é fazer um favor ao autor.

O livro simplesmente não tem qualquer rumo, os episódios sucedem-se com poucos ou nenhuns pontos de ligação e até aqueles que poderiam desembocar em algo interessante, no final desaguam simplesmente em nada tal a imbecilidade da história.

Uma tremenda desilusão face à qualidade de outras obras que li deste autor e sinceramente não entendo com é que um livro destes é editado e não houve coragem para dizer ao escritor: “meu caro, isto é lixo, escreva aquilo que de facto sabe escrever e deixe-se de sátiras, pois ter graça é um dom natural e não se fabrica a martelo”.

Um conselho, não percam tempo da vossa vida com este livro, um dos piores livros que li até à data.


domingo, 30 de dezembro de 2007

Livros lidos em 2007

No ano que agora finda li 47 livros (contabilizo apenas aqueles que li da primeira à última página pois há outros que desisti a meio), número dentro de uma média anual mantida há uns dez anos.

Dessa lista pretendo aqui referir os dez que mais gostei.

- “A Estrada” de Cormac McCarthy
- “1984” de George Orwell
- “Cruz de Portugal” de José Sequeira Gonçalves
- “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón
- “A Odisseis dos Dez Mil” de Michael Curtis Ford
- “Filipa de Lencastre de Isabel Stilwell
- “O Canto dos Pássaros de Sebastian Faulks
- “A Voz dos Deuses” de João Aguiar
- “Predadores” de Pepetela
- “A Voz da Terra de Miguel Real

Sem nenhuma ordem de preferência destaco, contudo, “A Estrada” como o livro que mais me marcou, diria mesmo que foi um dos melhores livros que li até à data e “A Voz da Terra”, um livro que merece o rótulo de obra-prima da literatura portuguesa.

Destaco também um livro que reli pela 4ª vez: “A Filha do Capitão” de José Rodrigues dos Santos.

domingo, 24 de junho de 2007

Novos Mistérios de Sintra (Os) - Vários

Um dos factos que marcou, em certa medida, o ano de 2005 no panorama literário português, foi o lançamento de uma obra assinada por sete ilustres escritores(as) da nossa praça que, um pouco à semelhança do feito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão com o seu “Mistério da Estrada de Sintra”, tentavam ou tinham a pretensão de escrever uma história entre eles.

A premissa era simples: juntar um grupo de escritores (José Fanha, José Jorge Letria, João Aguiar, Luísa Beltrão, Mário Zambujal, Rosa Lobato Faria) que se disponibilizassem a colaborar em grupo no sentido de escreverem os novos mistérios de Sintra, sendo que e numa primeira fase existiu uma reunião para se estabelecer que género de história ou mistério se iria criar, depois, cada um escreveria um capítulo, outro continuaria e assim sucessivamente.

Interessante, no mínimo!

A história é, acima de tudo, sobre Sintra e o Palácio da Vila.Sendo uma história de mistério, ou seja, onde começa por acontecer algo de misterioso no palácio, começa por ser engendrado todo um trama rico em pormenores históricos e outros de cariz policial. Obviamente que nos apercebemos de vários estilos de escrita, pois essa acaba também por ser um dos objectivos da obra.

No entanto este é um livro que me decepcionou imenso.

Primeiro porque a coerência da história e a consistência da mesma tem imensas falhas, gralhas gritantes e personagens cujas personalidades vão sendo alteradas capítulo a capítulo e, quando se olha para os nomes dos escritores, não se percebe do porquê dessas incoerências (nem nada justifica), mesmo de falta de qualidade, saltando também à vista que eles não fizeram “pontos de situação” ao longo da obra.

Outro factor que não gostei foi o de, capítulo para capítulo, novos e mais enigmáticos pormenores vão surgindo, dando a clara sensação que um escritor queria deixar a sua marca com mais um condimento. Assim e às tantas, percebe-se a imensa dificuldade em começar a explicar factos e, para borrar ainda mais, muitos desses factos são estupidamente explicados, outros são socorridos de uma forma, digamos, sui-generis, outros ainda nem explicados são. E no final, parece que eles não se entenderam com o fim e resolveram escrever quatro finais, cada um mais ridículo que o outro, um grande disparate.

Penso que este tipo de exercício se torna engraçado e até seria bastante útil esta “troca” de escrita entre escritores, mas meus amigos, tem que haver alguma consistência nas intrigas criadas, tem de haver algum trabalho de revisão por parte de todos eles, e não de qualquer maneira, dando a sensação que o que interessava era publicar o livro, que a simples menção do nome destes escritores seria o bastante para vender e ser um sucesso. Não é, e penso mesmo que este é um projecto falhado e por culpa dos escritores e do editor.