domingo, 18 de outubro de 2009

Não Sei Nada Sobre o Amor - Júlia Pinheiro


Editora: Esfera dos Livros
Edição: Abril 2009

Júlia Pinheiro estreou-se na televisão aos 19 anos (1981) tendo, a partir daí, feito uma carreira de sucesso sendo, hoje em dia, uma das figuras televisivas mais conhecidas da praça portuguesa.

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, publica em Abril de 2009 o seu primeiro e único livro “Não Sei Nada Sobre o Amor”, que depressa se instala nos top´s das principais cadeias distribuidoras. Esse facto é surpreendente para alguém que escreve o seu primeiro título, contudo, podemos encontrar uma explicação se atentarmos à figura pública. Porém constatei que o livro tem imensa qualidade assim como prevejo, se mantiver o estilo, sucessos futuros.

São Pedro da Ribeira, 1930, Maria da Glória, jovem inocente de 16 anos, trabalha com o pai na taverna deste. Passa o dia a servir copos e a sentir os olhares gulosos daqueles homens acabados que por ali passam.

Uma aldeia perdida de um Portugal em sobressalto, onde intensas tradições seculares exigiam a submissão das mulheres e onde o destino era, obrigatoriamente, feito de casamento e de filhos. “Na geração de Maria da Glória, o amor era um infortúnio. Não servia para nada e só trazia aborrecimentos. Com o amor não se comprava terra nem se aumentava o rebanho.”

Maria da Glória é a rapariga mais bonita da aldeia, facto que desperta o interesse de António Mendonça, primogénito da família Mendonça, a mais rica e influente da aldeia. Este, ciente da sua importância como “bom partido”, consegue com que Maria da Glória se encontre com ele junto ao ribeiro. Inocente e um pouco ingénua, Maria da Glória, obviamente ás escondidas do pai, vai ter com ele e, no meio das silvas, é violada.

Dessa violação nasce um argumento que nos leva ao ano 2000, visitando 70 anos da sociedade portuguesa e do papel das mulheres nessa sociedade.

A escrita de Júlia Pinheiro é simples, objectiva e excepcionalmente visual e sentimental. Sentimental no aspecto em que consegue transmitir os vários estados de alma das várias personagens que pululam na história, sobretudo das quatro mulheres que formas as principais personagens.

Nestas quatro mulheres, Júlia Pinheiro, de uma forma magistral, tocante e simultaneamente objectiva, traça-nos um quadro Histórico do país, conseguindo, e isso na minha opinião é uma das grandes mais valias do livro, contrapor e demonstrar as várias mentalidades que cada geração possui, traçando também, com isso, uma linha evolutiva das mesmas. Coexistente e servindo também para explicar essa evolução, flui diante dos nossos olhos a mentalidade de Portugal dos anos 30, o surgimento do Estado Novo, o pós 25 Abril a um Portugal vivendo os excessos de uma democracia mal implantada até um Portugal totalmente democratizado.

Todos esses cenários, embora sejam relevantes, são colocados em pano de fundo, porque aqui o principal tema é o papel das mulheres numa sociedade altamente patriarcal que vai evoluindo para os dias de hoje.

Na minha perspectiva esse é o principal tema do livro. Sob a vida de quatro mulheres que abrangem quatro gerações, é aqui abordada a sociedade portuguesa e a forma como ela foi evoluindo.

Longe de ser um romance “cor-de-rosa” ou de “cordel” como muitos quiseram fazer crer, considero que Júlia Pinheiro teria construído um livro portentoso se tivesse sabido ou querido aprofundar os Acontecimentos Históricos que se dão nesses 70 anos interligando-os com a história dessas quatro mulheres. Esses acontecimentos são apenas aflorados no sentido de percebermos o impacto que os mesmos tiveram na vida dessas mulheres. A meu ver e embora entenda o objectivo da obra, penso que teria tudo a ganhar se tivesse investido mais na vertente Histórica.

Talvez pela formação académica, não só a estrutura do livro, como também a própria linguagem, achei o estilo de Júlia Pinheiro algo semelhante ao de José Rodrigues dos Santos. Pelo menos revivi nesta obra sentimentos que apenas consigo viver nas obras de Rodrigues dos Santos, a alegria de reencontrar todos os dias aqueles amigos íntimos, a ânsia de ler sobre o destino dos mesmos e a tristeza de os ver partir quando a obra acaba.

Uma grata surpresa e um especial agradecimento a quem mo levou a ler.

Classificação: 5

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Novidade "Saída Emergência"



O Senhor da Guerra dos Céus - Michael Moorcock
ISBN: 9789896371593
Formato: Capa mole
Dimensões: 16 x 23
Núm. páginas: 192
Preço: 15,26€
Sai hoje em todas as livrarias O Senhor da Guerra dos Céus de Michael Moorcock.
Esta é a vida fabulosa e inacreditável do capitão OswaldBastable.
Militar inglês do início do século XX, Bastablevê-se atirado para um futuro em que os dirigíveis dasGrandes Potências dominam um mundo pacificado peloImpério Britânico e governado pelo rei Eduardo VIII.
O que seria do mundo se não houvessem guerras?
Que grandiosos feitos poderiam ser alcançados pela humanidade se vivêssemos em paz constante?
E que felizes seríamos…Este livro narra a história de um homem que visitou um mundo assim. Tecnologia, política e comércio desenvolveram-se sem a interferência da guerra.
Um mundo verdadeiramente utópico… Ou será que não?...
Leiam aqui um excerto da obra.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Melodia do Adeus

Como forma de agradecimento por toda a disponibilidade demonstrada na promoção da literatura e no incentivo ao gosto pela leitura, a Editorial Presença seleccionou o blog NLivros para uma parceria no lançamento nacional do novo romance de Nicholas Sparks, um dos maiores romancistas da actualidade.

A Melodia do Adeus será publicado no dia 3 de Novembro e antes dessa data realizaremos um passatempo em que ofereceremos três exemplares da obra que será acompanhada com sacos promocionais, sendo o 1º prémio um livro autografado pelo autor juntamente com o saco. Estejam pois atentos!



Título Original: The Last Song
Tradução: Alice Rocha
Páginas: 368
Colecção: Grandes Narrativas n.º 449
Preço de Editor: 18,50€
ISBN: 978-972-23-4220-9


* Tiragem inicial nos EUA: 1.5 milhões de exemplares.
* Traduzido em todo o mundo é especialmente apreciado nos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Polónia e Portugal.
* Desde a publicação do primeiro romance foi considerado um caso de prestígio e aceitação pública.
* Aclamado pela crítica estrangeira e portuguesa.

Sinopse: Com apenas dezassete anos, Ronnie vê a sua vida virada do avesso quando o casamento dos pais chega ao fim e o pai se muda da cidade de Nova Iorque, onde vivem, para Wrightsville Beach, uma pequena cidade costeira na Carolina do Norte. Três anos não são suficientes para apaziguar o seu ressentimento, e quando passa um Verão na companhia do pai, Ronnie rejeita com rebeldia todas as tentativas de aproximação, ameaçando antecipar o seu regresso a Nova Iorque. Mas será em Wrightsville Beach que Ronnie irá descobrir a beleza do primeiro amor, quando conhece Will e se deixa tomar por uma paixão irrefreável e de efeitos devastadores. Nicholas Sparks é, como sabemos, um mestre da moderna trama amorosa, e, em A Melodia do Adeus, usa de extrema sensibilidade para abordar a força e a vulnerabilidade que envolvem o primeiro encontro com o amor e o seu imenso poder para ferir… e curar.


Nicholas Sparks é um autor consagrado internacionalmente pelo público e líder de vendas que há mais de uma década encanta os leitores com narrativas que exploram os profundos mistérios do coração e que o estabeleceram como um dos escritores mais acarinhados em todo o mundo.

CITAÇÕES DE IMPRENSA PORTUGUESA

«Um dos autores que mais vendem no mundo.» - Diário de Notícias

«O menino de ouro da ficção norte-americana.» - Correio da Manhã

«Um dos autores mais lidos em Portugal e no mundo.» - Jornal de Notícias

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Exílio dos Anjos (O) - Gilles Legardinier



Editora: Publicações Europa-América
Edição: 1ª Edição, Setembro 2009
Tradução: Rosário Morais da Silva

Valéria, espanhola. Peter, holandês. Não se conhecem, nem desconfiam da existência um do outro, no entanto ambos têm o mesmo sonho: uma capela localizada algures na Escócia surge-lhes vindo do nada… desde as suas infâncias… e eles que nunca saíram dos seus países...

Em simultâneo e por coincidência, viajam para a Escócia em busca de explicações para esse enigmático e persistente sonho e é precisamente nesse belo local que se conhecem.

Que elo de ligação há entre eles e esse enigmático sonho?
Quem são Valéria e Peter, será que são aquilo que verdadeiramente pensam que são…?

Gilles Legardinier é um apaixonado pela comunicação de emoções. Actualmente escreve guiões para o cinema, mas entrou no mundo da 7ª Arte como pirotécnico, sendo posteriormente realizador e produtor de filmes publicitários e documentários. Este “Exílio dos Anjos” é o seu primeiro thriller.

A ideia de Legardinier era boa e interessante quando imaginou este romance, porém, e na minha humilde opinião, ficou aquém do imaginado, caindo em clichés sucessivos e até numa clara imitação de um estilo que eu apelido de “estilo Dan Brown”.

Não fosse o seu autor guionista, este livro tem uma linguagem muito visual, diria muito cinematográfica. O autor escreveu esta história, claramente, para a mesma ser transposta para o cinema (talvez adaptada por ele próprio), nesse aspecto o livro até está bem conseguido porque, de facto, consegue transmitir imagens muito nítidas da acção, porém, o livro peca em várias situações.

Embora de início nos dê uma premissa muito interessante, depressa a deixa para segundo plano, transformando a acção até aí interessante, numa espécie de argumento policial do gato e do rato, onde uns personagens perseguem outros que, por sua vez, desconhecem o porquê dessa perseguição.

Para juntar ao facto acima referido, há uma forte incoerência num factor (não vou revelar) que até tem muito interesse, mas que o autor banaliza, ridiculariza, levando-o para campos absurdos e risíveis, tirando-lhe o crédito que, pessoalmente, dou.
Penso que é nisso que a história perde interesse, com o desejo de lhe dar um ritmo de thriller, o autor perde-se numa intricada teia de acontecimentos e ligações algo incoerentes. não conseguindo dar aquele toque de verosimilhança que os bons thrillers possuem.

A história é assim uma espécie de thriller de 4ª categoria, assente em teorias que o autor se propõe a maltratar, demonstrando, não só poucos conhecimentos, como também que não se deu ao trabalho de conseguir bases para credibilizar as suas teorias.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Passatempo "Top Performer"


O blog NLivros, em colaboração com a Editorial Presença, tem o prazer de anunciar o seu primeiro passatempo!

Temos para oferecer 2 exemplares do livro " Top Performer ", de Stephen C. Lundin e Carr Hagerman, disponível nas livrarias a partir de 20 de Outubro.

Sinopse: AUTOR DA SÉRIE FISH! APLICA SEGREDO ÀS VENDAS

Stephen C. Lundin é um dos autores dos livros Fish! Uma Nova Cultura na Empresa e Fish! Ou A Arte de Motivar.
Nesta obra, em linha de continuidade com a série Fish, Lundin aplica às vendas o conceito de motivação interior, valorização da criatividade e energia pessoal.
Ao contrário de outros livros que se centram em aspectos e técnicas em torno da actividade profissional, este livro debruça-se na importância do eu e da captação na interacção criativa com os outros. Algumas lições Top Performer, simples mas de eficácia comprovada, atestam o conceito:

• Ganha o trabalho, e mantém-te autêntico e único.
• Encontra energia e inspiração perante os obstáculos.
• Procura por inspiração em locais inesperados.
• Torna-te original, para nunca seres esquecido.
• E muito mais…

Apesar de ser escrito a partir da perspectiva narrativa de um vendedor, os ensinamentos Top Performer poderão ser aplicados a todas as actividades profissionais.

Stephen C. Lundin (co-autor dos bestsellers FISH! Uma Nova Cultura na Empresa e Fish! ou a Arte de Motivar) é um mundialmente reconhecido especialista de marketing, empresário, autor e formador de larga experiência. Carr Hagerman, além de trabalhar como artista de rua desde 1974 e de ter feito várias digressões por feiras e festivais americanos, é consultor em liderança e internacionalmente muito procurado como orador.


Para poder ganhar um dos exemplares, basta que responda correctamente às seguintes duas questões:

1)Esta obra está em linha de continuidade com uma série. Qual o seu nome?
2)Onde poderão ser aplicados os ensinamentos Top Performer?


REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 19 de Outubro.

2) As respostas deverão ser enviadas para o email blog.nlivros@gmail.com, contendo nome, morada e contacto telefónico. Qualquer participação que não possua alguns destes dados, é automáticamente anulada.

3) Os vencedores serão sorteados aleatoriamente, sendo o anúncio dos vencedores efectuado por e-mail (obviamente para os vencedores) e publicado no blog.

4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal.

Boa sorte!

sábado, 10 de outubro de 2009

Mundo é Curvo (O) - David M. Smick


Editora: Editorial Presença
Edição: 1ª Edição, Outubro 2009
Tradução: Ana Cristina Pais

David M. Smick é um consultor experiente e bem sucedido. Dirigindo a sua própria empresa de consultadoria, Johnson Smick International, Inc., David M. Smick foi conselheiro de vários candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Fundador e editor da revista “The International Economy”, é também habitual colaborador do “The Wall Street Journal” e “The New York Times”, o que por si só demonstra ser uma sumidade em economia.
Conforme ele refere logo no início do livro ”comprometi-me a escrever sobre este complicado sistema a que chamamos de nova economia global porque assisti na primeira fila e provavelmente desempenhei um modesto papel na sua criação”, David M.Smick coloca então todo esse conhecimento ao dispor do público no sentido de explicar os caminhos da economia global e a forma como a mesma foi nascendo e transformando a vida de todo o planeta.

A ideia inicial de Smick é que o mundo financeiro actual não é plano, mas curvo, pois a falta de transparência não permite aos analistas ver para além da linha do horizonte. O autor inicia então uma viagem que nos revela como chegámos ao presente, como funcionam os mercados internacionais e como a globalização passou a facilitar a transferência de capitais e o investimento global.

Não sendo um amante, nem sequer um grande interessado por questões económinas ou financeiras, foi com agrado que respondi afirmativamente ao convite da Editorial Presença para ler e analisar este livro.

Li-o com interesse e de facto, pese embora existam partes que pouco ou nada me dizem, por outro lado achei interessante compreender a econonomia e a forma como ela se desenvolveu e se desenvolve em países como a China e o Japão. Até porque é compreensível que dificilmente a China poderá ser uma potência económica, face não só à mentalidade como, e sobretudo, ao sistema político. Nem sequer é crível que os chineses estejam preparados para ser uma potência. Serão os dados conhecidos da China, fornecidos somente pelo estado chinês, verdadeiros?

Descobri também que os chineses são umas meras máquinas de trabalho e que, esse estado, não faz qualquer tipo de planeamento para o futuro da sua população. São tipo robôs, não existe planos de Segurança Social, ali, depois da velhice, as pessoas estão entregues a si próprias, sem qualquer apoio. É isso que a Europa quer para ela? Claro que não e fiquei com a ideia que é um erro alguém se preocupar com a economia da China.

Sendo efectivamente um livro de economia, a linguagem acessível de David M. Smick, permite-nos ler e entender a mensagem do livro e ela é simples: a economia é muito volátil, não acredite que a crise passou, ela pode ser apenas utópica, esteja sempre preparado para nova crise, pois, de um momento para o outro tudo pode mudar e, com isso, mudar drasticamente a vida de milhões de famílias e até a face de nações.

“o que dizer de um sistema financeiro mundial que num instante parece estar a sair-se lindamente e no seguinte age como se o mundo estivesse a chegar ao fim?”

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Darwínia – Robert Charles Wilson



Editora: Saída de Emergência
Edição: 1ª Edição, Setembro 2009
Tradução: Ester Cortegano

Robert Charles Wilson nasceu na Califórnia em 1953 tendo-se mudado com a família para o Canadá quando contava 9 anos, país pelo qual se naturalizou em 2007 e onde sempre viveu desde então.

Autor dedicado à ficção-científica, inicia a sua carreira literária em 1986 com a obra “A Hidden Place”, livro muito bem recebido pela crítica sendo, nesse mesmo ano, nomeado para o prestigiado Prémio “Philip K. Dick”.

Não venceu nesse ano nem em 1991 quando novo sucesso (A Bridge of Years) lhe trás nova nomeação para esse prémio, no entanto o ano de 1994 reconheceu finalmente este autor com o tão ansiado prémio mediante o livro “Mysterium”.

Desde aí Robert C. Wilson entrou na galeria dos grandes autores de ficção-científica e, em 2005, é-lhe atribuído o Prémio Hugo com o seu livro “Spin”. Talvez o prémio mais importante deste género literário.

“Darwinia”, escrito em 1998 e que lhe valeu a primeira nomeação para o Prémio Hugo, o autor cria um cenário alternativo, e radical à actual Europa.

1912, após umas misteriosas luzes que assolam o continente europeu, o resto do mundo, no dia a seguir, depara-se, horrorizado, com o desaparecimento da Europa conforme a conhecemos, ou, se quisermos, conforme existia em 1912. No entanto o continente não desaparece simplesmente. O que desaparece é a civilização e todos os seres vivos e flora, sendo substituídos por outros seres vivos e por uma outra flora completamente desconhecida no planeta.

Uma questão logo se coloca: que aconteceu aos milhões de pessoas, às cidades, aos monumentos históricos, à civilização da velha Europa?

Esta é a premissa deste livro que tem tanto de aventura como de fantasia e ficção-científica.

Eu classifico-o como uma mescla de fantasia e ficção-científica.

De inicio o livro é empolgante. Deparamo-nos com um novo mundo que substitui, diante do espanto planetário, o velho mundo. Nesta fase a aventura é pura assim como é perceptível uma semelhança na forma como os exploradores vêem aquele mundo e a forma como agem, algo tão que faz lembrar os descobrimentos europeus 400 anos antes. O universo para explorar é enorme, assim como enorme o suspense que o autor emprega em cada capítulo.

No entanto o autor nunca nos deixa esquecer que estamos diante de um livro de ficção-científica e isso é-nos revelado de uma forma repentina e brutal, sendo nessa altura possível percebermos o porquê do “Milagre” europeu.

A viragem no livro é sublime. Saímos de um cenário à Júlio Verne para entrarmos de rompante numa dimensão futurista, diria numa dimensão matrixada.

Isso, confesso, surpreendeu-me e, embora me tenha agradado dada a sua originalidade, foi aí que comecei a perder o interesse na história, simplesmente porque a história passou para uma dimensão muito fantasiosa.

Situado o “milagre” em 1912 e tendo a acção, leia-se a expedição a Darwinia, ocorrido em 1922, 10 anos depois, penso que o autor podia ter explorado melhor o contexto histórico, sobretudo após o confronto mundial de 1914-1918. Pese embora aqui e ali existam alguns laivos deste conflito, o mesmo não tem qualquer influência no desenrolar da história algo que, considero, ser uma lacuna. O mesmo se passando com a premissa inicial da obra que se perde ao longo do livro até virar uma miragem.

A parte final do livro fica longe da premissa da obra, no entanto a história ganha pontos em alguns personagens que se revelam numa das mais valias do livro tal a força de espírito e carácter que demonstram.

Embora me tenha agradado sobretudo pela sua originalidade, considero ser um livro que vai fazer as delícias dos fãs do género fantasia e ficção-científica. Porém, uma vez mais, sublinho a originalidade do argumento assim como o interesse em descobrir o que aconteceu à velha Europa, nisso tiro o meu chapéu a Robert Charles Wilson e à forma cativante como consegue criar e tornar credível esse cenário.

Classificação: 3

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Novidades "Saída Emergência"


A Corte dos Traidores - Robin Hobb

Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca.

Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.

Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.

Não perca a continuação da Saga do Assassino, onde a lenda continua.




Clube de Sangue - Charlaine Harris


Há apenas um vampiro com a qual Sookie Stackhouse está envolvida, pelo menos de forma voluntária, e esse vampiro é Bill. Mas recentemente, ele tem estado um pouco distante. E noutro Estado.

Eric, o seu chefe sinistro e sensual, julga saber onde encontrá-lo e, quando dá por isso, Sookie está a caminho de Jackson, no Mississippi, para se infiltrar no submundo do Clube de Sangue. Este clube é um local perigoso onde a sociedade vampírica se reúne para descontrair e beber um copo de O positivo.

Mas quando Sookie finalmente descobre Bill – apanhado num acto de traição séria – ela não tem a certeza se o quer salvar… ou afiar estacas.



O Terror - Arthur Machen

Arthur Machen foi um dos grandes e incontornáveis escritores do início de século xx.
A sua obra é imprescindível à compreensão de autores como H.P. Lovecraft, Stephen King, Bram Stoker, Sir. Conan Doyle, Oscar Wilde, ou mesmo Alfred Hitchcock. Foi apontado por Luís Borges como a grande influência do realismo mágico.

O Terror é um dos três contos reunidos nesta obra. Neste conto, ambientado numa região isolada a Oeste de Gales, relatam-se acontecimentos bizarros e inexplicáveis, onde a natureza parece ganhar vontade própria e revoltar-se contra a humanidade. O poder contagioso de forças obscuras cria um clima de tensão e leva à violência.

Numa época em que todas as atenções estavam viradas para a Primeira Guerra Mundial, este conto é susceptível de diversas interpretações ou analogismos que o autor terá escondido na sua trama enigmática. Trata-se de uma obra literária muito estudada, e que merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.

Arthur Machen consegue uma perfeita simbiose entre fantasia, realidade e lenda.

domingo, 4 de outubro de 2009

Da História da Destruição de Tróia - Dares Frígio



Editora: Publicações Europa-América

Edição: 1ª edição, Setembro 2009

Tradução, Estudo Introdutório e Notas: Drª Reina Marisol Troca Pereira

Inédita em Portugal, traduzida directamente do latim pela Drª Reina Marisol Troca Pereira, docente da Universidade da Beira Interior, “Da História da Destruição de Tróia” é um clássico na verdadeira acepção da palavra.

Importante ter em atenção o belíssimo Estudo Introdutório onde, assente em documentos originais e notas de autores da antiguidade, é-nos possível situar o contexto da obra quer no ao nível Histórico, quer a nível literário, pois trata-se de um texto antigo que, tudo indica, ser precedente à Ilíada de Homero.

E é incontornável não procurar semelhanças entre esta obra e a Ilíada. As personagens são praticamente as mesmas, a guerra é a mesma, no entanto aqui sobressai a total ausência de Deuses (algo que a Ilíada é tão rica).

Cerca de 1300 anos a.C, uma guerra, que irá durar pouco mais de 10 anos, eclode entre a Grécia e Tróia. Motivo? Uma mulher chamada Helena de Esparta.

Seria talvez abusivo da minha parte repetir uma história tantas vezes ouvida e cuja obra de Colleen Mccullough “A Canção de Tróia” trata magistralmente, porém em “Da História da Destruição de Tróia” existem nuances, diferenças importantes que demonstram outro ponto de vista que vão complementar a obra de Homero, é que Dares Frígio, julga-se, era troiano e é o ponto de vista troiano que esta obra nos dá a conhecer.

Não se sabe bem quem foi Dares Frígio. Julga-se, repito, tratar-se de um troiano que assistiu e participou no conflito. Pelo menos nisso acreditavam alguns escritores medievais como Chaucer, inclusivamente este acreditava que esta obra era mais autêntica do que as de Homero ou Virgílio.

A obra em si é muito simples, objectiva e cheia de informações e pormenores que de facto a tornam credível.

Aqui os deuses notam-se pela ausência e temos apenas homens que se degladiam de uma forma feroz fazendo intervalos, alguns bem longos, para tratar dos feridos e sepultar os mortos.

Os motivos são essencialmente amorosos e é curioso verificar da pouca importância da mulher na sociedade antiga mas ser precisamente assunto de saias que estão por detrás da chacina de centenas de milhares de homens. Com a sua extrema simplicidade, a obra acaba por ter momentos repetitivos, alguns parágrafos parecem cópia de outros, contudo essa repetitividade dá-nos a percepção da extrema violência com que aquela guerra foi travada.

Estamos perante um tesouro da humanidade que nos dá uma visão mais humana daquele célebre conflito. Sem poemas ou actos heróicos, percebemos que por detrás dos heróis míticos como Aquiles, Heitor, Príamo, Ájax, Agamémnon, Ulisses, Helena, Páris, Briseida ou Eneias, estão simples homens e mulheres que também têm fraquezas.

Julgo tratar-se de uma obra obrigatória para quem assume a literatura como veículo de cultura e prazer.


Classificação: 6


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novidades "Europa-América"




"A Maldição do Anel I – Os Cânticos da Valquíria"
de Édouard Brasey
Vencedor do Prémio Merlim 2009, na categoria de romance

«Maldito sejas, Odin, tu e a tua arrogante valquíria! Maldito sejas, tal
como é maldito o sangue que corre nas veias dos teus bastardos humanos!
Maldito sejas, deus sem fé que tiveste no teu dedo o anel do Nibelungo!»

Dentro em breve, a maldição do anel do Nibelungo desencadeará o crepúsculo
dos deuses. De forma a conseguir gorar este cruel presságio, Odin, o deus
supremo, pede à sua filha, a valquíria Brunilde, para continuar com a sua
linhagem humana que ele outrora reunira em Midgard. Assim, Brunilde vê-se
obrigada a perder o seu estatuto de deusa e de virgem guerreira e passará a
ser um simples comum mortal. Mas Loki, o génio do fogo e do mal, semeia pelo
mundo o terror e manipula os deuses e os homens de forma a antecipar a
catástrofe final... ler mais - Ler Excerto



"Um Grito de Ajuda" de Steve Mosby

Quando viu os seus amigos pela última vez?

Dave Lewis é um homem assombrado pelo seu passado. Entre a morte do irmão, o
desgosto dos pais e o afastamento de Tori, a sua ex-namorada, Dave tenta
convencer-se de que não tem contas a ajustar com o seu passado.
Quando um assassino persegue várias mulheres, as rapta e se faz passar por
elas, enviando mensagens e e-mails a familiares e amigos das vítimas, Dave
Lewis é o principal suspeito depois de Tori aparecer morta. Mas Sam Currie,
o agente responsável, parece acreditar na sua inocência... Ler mais




"Por Todos os Meios" de Charley Boorman
Charley Boorman fez as malas e aceitou participar num desafio: percorrer
mais de vinte mil milhas e visitar vinte e cinco países numa viagem de
Wicklow, a sua terra natal na Irlanda, até Wollongong, na Austrália. Mas há
algumas regras neste desafio: nunca apanhar um avião e viajar sem carros de
apoio ou veículo próprio... ler mais




"A Mecânica de Deus" de Guy Consolmagno

No debate acalorado entre a ciência e a religião, é por vezes desconsiderado
um facto interessante: muitos cientistas e engenheiros são católicos
devotos. Como conjugam estas duas vertentes? O frei Guy Consolmagno, jesuíta
e astrónomo do Vaticano, apresenta uma perspectiva que transcende as
diferenças e realça as afinidades entre as visões científicas e teológicas
do mundo... Ler mais




"As 36 Estratégias - O Manual Secreto da Arte da Guerra" de Anónimo

Este breve tratado medieval chinês sobre a arte da guerra foi redescoberto
por acaso em 1941 numa livraria no Norte da China. Obra das sociedades
secretas do final da dinastia Ming, foi alvo de várias edições e traduções
modernas e versa estratégias militares aplicáveis em situações de batalha.
Tornou-se um dos tratados militares mais lidos em todo o mundo pela sua
dupla vertente: quer como documento histórico da cultura chinesa e obra
secular sobre estratégia quer como, em última instância, obra intemporal e
abrangente que permite aplicar máximas orientais a situações do quotidiano.






"Grandes Datas da História de Arte" de Jean Rudel, Françoise Leroy

Circunscrever num só livro a História de Arte desde os primórdios da
Humanidade até à actualidade, só por intermédio da cronologia, implica fazer
um exercício rigoroso de selecção das obras mais marcantes, das escolas, dos
movimentos e ainda dos estilos artísticos, articulando-os, de forma a
entendê-los na sua globalidade contextual, bem como na sua conjuntura
sociopolítica.
Além do mais, esta viagem oferece ao leitor a possibilidade de constatar o
quão rica e diversificada é a criação artística, ao descobrir o que de
melhor foi concebido ao nível da Escultura, Pintura e Arquitectura a nível
mundial.


"História das Relações Internacionais – Séculos XIX e XX" de François-Charles Mougel e Séverine Pacteau

Em 1815, após uma longa sucessão de guerras revolucionárias e napoleónicas,
a reunião do Congresso de Viena inaugura uma nova era nas relações
internacionais, tendo como palco central e actor principal o apogeu da
Europa. O círculo das grandes potências assegura um século de paz global,
até que, em 1900, a supremacia do Velho Mundo se afirma sobre todo o
planeta. No entanto, a partir do século XX o sistema altera-se e a liderança
europeia dá lugar a um mundo dilacerado pelas crises e pelo choque de
ideologias antagónicas.
Esta obra reproduz a história das relações internacionais do século XIX até
aos atentados terroristas do princípio do século XXI, e proporciona, assim,
um conhecimento indispensável a quem pretende compreender qual o novo
equilíbrio que vislumbramos para o princípio do III milénio.







"O Poder da Confiança" de Roby Yeung

O Poder da Confiança irá transformar a sua vida!

Consiga o emprego que quer, a atenção da pessoa amada e aquele aumento que
já merece há tanto tempo! Basta usar O Poder da Confiança!
A confiança é algo inato em todos nós. Ela pode ser nutrida e desenvolvida
em qualquer idade… Só precisa de saber como o fazer.
O Poder da Confiança combina as melhores técnicas: da terapia
comportamental, da psicologia desportiva, da neurolinguística, da psicologia
optimista e muito mais… Ler mais




DISPONÍVEL EM MEADOS DE OUTUBRO

INFANTO-JUVENIL
(Nova colecção)

Título: A Ilha das Surpresas
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Título: A Terra das Criaturas Míticas
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Título: O Mundo dos Feitiços
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Conto proximamente efectuar uma recensão à obra "Um Grito de Ajuda" assim como analisar os primeiros três títulos da nova colecção Infanto-Juvenil

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Novidades "Europa-América"




"Da História da Destruição de Tróia" de Dares Frígio

Sinopse:

Um clássico inédito em Portugal e traduzido directamente do latim pela professora Reina Pereira (Universidade da Beira Interior), que lhe acrescenta uma extensa nota introdutória e mais de sessenta notas.

Tal como na Ilíada de Homero, em Da História da Destruição de Tróia, de Dares Frígio, vamos encontrar personagens tão famosas e míticas como Aquiles, Hércules, Heitor, Páris, Agamémnon e a bela Helena de Tróia.

No entanto, e ao contrário de Homero, Dares Frígio elimina toda a intervenção dos deuses, numa tentativa de atribuir à obra maior veracidade, indicando como motivos principais da guerra certas rivalidades amorosas.

Os escritores medievais, como Chaucer, acreditavam que o relato de Dares Frígio — supostamente uma testemunha ocular — era mais autêntico do que os de Homero ou Virgílio.

Obra que pretende ser um relato da guerra de Tróia, na versão de um combatente troiano, nela encontramos uma enorme riqueza de dados referentes à política, usos e costumes, estratégia e religião dos primórdios da Grécia Antiga.




"O Exílio dos Anjos" de Gilles Legardinier


Nomeado no Festival de Cinema de Berlim de 2009 como um melhores livros para adaptar ao cinema

Quando a memória é mais forte do que a morte.

Eles não se conhecem, mas têm o mesmo sonho, que os transportará para um universo cheio de mistérios. Valeria, Peter e Stefan encontram-se na enigmática capela das Terras Altas, na Escócia, mas ignoram que são a prova viva duma descoberta revolucionária sobre a memória, que fora feita há vinte anos por dois cientistas que desapareceram sem deixar rasto.

A descoberta é cobiçada por muitos, que não olham a meios para atingirem os seus fins. Para escapar daqueles que tentam capturá-los, Valeria, Peter e Stefan não encontram outra solução senão a de revelar o segredo do qual eles são os últimos guardiões.

As suas memórias são verdadeiros santuários, fechados a sete chaves. Delas dependem não só as suas vidas mas também o destino de toda a Humanidade...

Este thriller «humanista» conduzirá os leitores até às fronteiras da mente humana, numa aventura que os acompanhará durante muito tempo, como se fosse um sonho...

Eterno apaixonado pela comunicação das emoções e pelo cinema, Gilles Legardinier (Paris, 1965) entrou no mundo da Sétima Arte como pirotécnico e depois como realizador e produtor de filmes publicitários, anúncios e alguns documentários sobre filmes. Actualmente, ele consagra a sua carreira a escrever guiões para o cinema e à adaptação de argumentos. Apesar de não ser a primeira incursão no mundo da Literatura, este título é o seu primeiro thriller, do qual já se perspectiva uma adaptação cinematográfica.
Proximamente a minha opinião sobre estas obras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Noite do Tamarindo (A) – António Gómez Rufo


Editora: Saída de Emergência (Setembro 2009)
Ano Edição: 2008
Tradução: Maria Teresa Martins

Imagine que tem muito dinheiro, uma fortuna incomensurável, aliás, é a pessoa mais rica do mundo.

Agora, imagine que tem nas suas mãos a possibilidade de se tornar imortal. Não de uma forma fantasiosa tipo vampiro, mas de uma forma conseguida à luz da ciência, ou seja, perfeitamente possível.

E se, salvo seja, o(a) seu/sua filho(a) estivesse à beira da morte e que com toda essa imensa fortuna pudesse comprar a sua salvação mas que iria custar, não só imenso dinheiro, como a morte de pessoas inocentes.

Que faria?

“A Noite do Tamarindo” é um romance excepcional que nos coloca diante destas e doutras pertinentes questões, alias, incomodativas questões.

Vinicio Salazar é um homem que aparentemente tem tudo.

Multimilionário, empresário de sucesso muito poderoso e influente, possui tudo o que o dinheiro pode comprar. No entanto, por detrás do luxo e da opulência em que vive, esconde-se um imenso desgosto e amargura que lhe queima a alma e que servirá de mote a todo um trama que irá colocar em questão aspectos essenciais da vida, da liberdade, da ética e do futuro que se constrói actualmente.

Tudo começa com um estranho roubo.

Roma, numa galeria de arte algures na cidade, três ladrões empreendem o roubo de um documento que o mundo desconhece: A 10ª Sinfonia de Beethoven. Supostamente uma sinfonia nunca escrita pelo compositor, pois conhecem-se apenas 9.

Será que é mesmo assim, ou, por detrás desse emaranhado de colcheias, semi-colcheias e claves, se esconde um segredo ainda maior?

É-nos aqui lançado, de uma forma meramente policial, as bases de um trama bem imaginado e magistralmente construído por António Gómez Rufo.

De Roma a São Paulo, passando por Bogotá, Jamaica, Londres, Almería, Barcelona e Paris, este romance possui um ritmo alucinante, recheado de situações de suspense, onde o género policial se mistura com o contemporâneo e o de aventuras, entrando violentamente no thriller psicológico aflorado de citações de autores famosos. Aliás, esta é uma das grandes mais valias da obra. O autor consegue casar várias citações de autores famosos com as situações que vai criando, para além disso vai “brincando” com os géneros literários, conseguindo usar aqueles que referi, por vezes até na mesma página.

Numa escrita muito bem estruturada, porém com alguns pecados que referirei, Gómez Rufo esconde por detrás da história de Vinicio Salazar, uma série de questões que nos são colocadas cirurgicamente e que se tornam incomodativas à medida que damos connosco na pele do protagonista. O que será a vida? O que é ser feliz? Será assim tão difícil o ser humano entender que a sociedade se encaminha inexoravelmente para a sua auto-destruição, para o abismo?

Olhamos à nossa volta e o que vemos? Pandemias que ameaçam arrasar a vida humana, a perspectiva de, num futuro muito próximo, não possuirmos água potável para necessidades vitais. Um mundo sem futuro…

Entendem o género de perguntas que o autor nos arremete? O curioso é que ele consegue dar-nos as respostas…

Pessoalmente foi uma obra que me deu imenso prazer ler mas que, em simultâneo, me angustiou tal a objectividade e clareza dos pontos de vista explanados.

No entanto, como romance em si, aponto algumas falhas no argumento que está por detrás, que mascara o verdadeiro sentido do romance. Há questões que o autor podia ter trabalhado (tinha material para isso) mais minuciosamente. Factos que sucedem com alguma precipitação e, sobretudo, um certo facto que, face ao exposto no pensamento de certa personagem, me pareceu ser algo descuidado, apressado. Em todo o caso isto não belisca minimamente a qualidade e contributo deste livro para que possamos pensar em questões que, enquanto seres humanos, não nos podemos demitir de considerar.

Do princípio ao fim estive na pele de Vinicio Salazar. Percebi, senti a sua angústia e entendi que tudo tem uma lógica, um significado e, sobretudo, apreendi que a vida é verdadeiramente a única realidade objectiva que possuímos, tudo o resto é acessório.



Classificação: 5

Novidade "Saída Emergência"




O Cônsul Desobediente - Sónia Louro

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.

Nascido numa família com laços à aristocracia, Aristides cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães.

Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.

Esta é a história de um grande português. De um herói com uma coragem sem limites. Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nossa vida e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo? Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu.

Sobre o autor:

Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interessa: A História. Fruto desse casamento, este é o seu terceiro romance histórico.

Pessoalmente não tenho uma boa opinião desta autora. Li o seu primeiro livro "Viriato - O Filho Rebelde" e confesso que foi uma enorme decepcção conforme poderão perceber na opinião.

Porém admito que a autora possa ter evoluído no processo de criação de um romance histórico, embora não o tenha lido, mas sei que a sua segunda obra "A Vida Secreta de D. Sebastião" teve uma boa aceitação do público.

Vamos ver, espero-o ler em breve.
Saída prevista para 9 de Outubro

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Paixão em Florença - Somerset Maugham


Mary Panton é uma jovem viuva que se encontra em Florença numa bela casa emprestada por uns amigos de modo a restabelecer-se da morte do marido e pensar no que havia de fazer com a sua vida.

À semelhança de tantas outras ocasiões, aceita o convite para jantar de uns amigos e é assim que se vê num restaurante rodeada de um grupo de pessoas, algumas delas algo curiosas.

Nesse período dá-se um acontecimento que se prolongará não apenas no regresso a casa de Mary, como durante toda a noite, acontecimento esse que servirá de argumento ao livro, originando um caso grave de violência que ameaçará destruir a amena vida de Mary.

Neste pequeno livro (li-o em duas horas), Maugham, uma vez mais, coloca a sua marca.

É uma obra onde, de uma forma intensa, sobressai as emoções humanas, aliás, Maugham é mestre em as explorar, confrontando-nos com opções a tomar, colocando-nos em várias encruzilhadas.

Maugham é brilhante, genial na forma simples como brinca com as palavras. As situações por ele criadas são intensas, agarram-nos à história e aos personagens, todos eles únicos, memoráveis. Isso é algo que sobressai da escrita de Maugham e que o faz ser um dos meus escritores favoritos. Maugham aparentemente trabalha pouco os personagens, não perde muito tempo a construir uma história, uma identidade do personagem X ou Y, no entanto é tal a intensidade, o carisma que concede aos seus personagens que, todos eles, irrompem das suas obras com uma força tal que se tornam memoráveis.

Mais uma pérola que o mestre Somerset Maugham nos deixou.


Classificação: 5

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Rebecca - Daphne du Maurier


Após tantas entusiasmantes opiniões sobre este clássico, confesso que para mim desconhecido, e após perceber tratar-se de uma obra que foi motivo de grande entusiasmo na altura em que foi publicada sendo, inclusive e alguns anos depois, transposto para o cinema pelo mestre Hitchcock, empreendi a leitura desta obra, podendo dizer que não me arrependi.

Contudo e embora tenha de facto apreciado o livro, não posso afirmar ser esta obra uma das que vai passar à galeria pessoal dos melhores. Gostei bastante, mas não a considero nenhuma obra-prima, muito menos a sua autora, pois considero ser esta obra muito semelhante, em diversos aspectos, a algumas obras escritas décadas antes.

Mas vamos por partes.

O viúvo aristocrático Maximillian de Winter está de passagem por Monte Carlo onde conhece uma jovem dama de companhia de uma abastada e irascível senhora que por ali passa uns dias de descanso. Entre Maximillian e a jovem nasce uma amizade cúmplice que acaba por um pedido de casamento logo aceite pela jovem.

Após uma lua-de-mel na França, vão morar na antiga e imensa propriedade familiar dos De Winter, Manderley, uma mansão vitoriana cheia de divisões, lugares obscuros e envolta num clima misterioso, algo sobrenatural.

A partir daí, a jovem, agora Mrs. De Winter, começa-se a sentir uma intrusa na mansão, outrora dominada pela primeira Mrs. De Winter, Rebecca. Todos os pormenores fazem sentir a presença de Rebecca. Essa sensação torna-se, gradualmente, uma obsessão doentia que vai colocando em causa não só o seu casamento, como o amor de Maxim e o propósito do casamento de ambos.

A observá-la, Mrs. Danvers, governante de Manderley e ex-criada pessoal de Rebecca…

A história em si não me fascinou por aí além. Fascinou-me sim a capacidade de Maurier em criar um clima de tensão, uma áurea de sobrenatural, de mistério de inicio ao fim. Achei surpreendente como é que estamos sempre com a convicção da presença de Rebecca, ela vai-se tornando a personagem principal do livro e isso é fenomenal, pois é alguém que já faleceu mas que continua a exercer uma imensa influência em tudo e todos.

Adorei o trabalho de criação das personagens.

A ingénua e assustada dama de companhia transformada em Mrs. De Winter. Maximillian, o rico e poderoso Mr. De Winter sempre tão misterioso, como se escondesse um mistério. Mrs. Danvers, soberba. Das melhores personagens que já alguma vez tive o prazer de ler, ficou sendo a minha preferida. E Rebecca. Tão distante e tão presente, sobrenatural, um espectro invisível e silencioso, mas que grita a sua presença nos mais pequenos pormenores.

Adorei a escrita de Maurier. Clara, concisa, sem grandes descrições, diria mesmo cinematográfica. As descrições, sempre curtas, são belíssimas, deliciosamente poéticas. A forma como a autora vai criando os dilemas, as desconfianças, os receios, os pensamentos obsessivos paranóicos de Mrs. De Winter, é excepcional.

Porém há factos, particularidades que não posso fingir não existir e que me levam a considerar este romance um bom livro mas não uma obra-prima.

Já não vou referir a polémica que surgiu na altura da sua publicação, onde Daphne du Maurier foi acusada de plágio pela escritora Carolina Nabuco que a acusou de ter plagiado o seu romance “A Sucessora” e que, pelo que constatei numa breve pesquisa, há de facto indícios que apontam para uma forte inspiração de Maurier no romance de Nabuco, porém é inegável a semelhança de vários outros aspectos da obra com outras obras.

Manderley, no seu ambiente misterioso, tétrico é deveras semelhante, ou se quiserem, faz lembrar a propriedade dos “Monte dos Vendavais” (Herdade da Cruz dos Tordos). Maximillian de Winter é demasiado semelhante ao sr. Rochester de “Jane Eyre” e até a heroína de “Rebecca” tem fortes laivos da própria Jane Eyre. Jack Favell, o desconfiado e sarcástico primo de Rebecca faz lembrar Heathcliff do “Monte dos Vendavais” e, finalmente, a personagem de Rebecca, a misteriosa e enigmática Rebecca é quase uma cópia da também enigmática louca que vive no sótão da mansão em “Jane Eyre” e, note-se, até o parentesco é igual. Não no aspecto físico, mas sobretudo no impacto das personagens.

Ou seja, quanto a mim, Du Marurier não se baseou, não se limitou a inspirar nestas personagens destas obras. Criou de facto um romance muito bom, mas facilitado pelo trabalho de autores precedentes a ela e isso, a meu ver, tira-lhe a genialidade que este romance poderia de facto ter.

Classificação: 4