sábado, 10 de outubro de 2009

Mundo é Curvo (O) - David M. Smick


Editora: Editorial Presença
Edição: 1ª Edição, Outubro 2009
Tradução: Ana Cristina Pais

David M. Smick é um consultor experiente e bem sucedido. Dirigindo a sua própria empresa de consultadoria, Johnson Smick International, Inc., David M. Smick foi conselheiro de vários candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Fundador e editor da revista “The International Economy”, é também habitual colaborador do “The Wall Street Journal” e “The New York Times”, o que por si só demonstra ser uma sumidade em economia.
Conforme ele refere logo no início do livro ”comprometi-me a escrever sobre este complicado sistema a que chamamos de nova economia global porque assisti na primeira fila e provavelmente desempenhei um modesto papel na sua criação”, David M.Smick coloca então todo esse conhecimento ao dispor do público no sentido de explicar os caminhos da economia global e a forma como a mesma foi nascendo e transformando a vida de todo o planeta.

A ideia inicial de Smick é que o mundo financeiro actual não é plano, mas curvo, pois a falta de transparência não permite aos analistas ver para além da linha do horizonte. O autor inicia então uma viagem que nos revela como chegámos ao presente, como funcionam os mercados internacionais e como a globalização passou a facilitar a transferência de capitais e o investimento global.

Não sendo um amante, nem sequer um grande interessado por questões económinas ou financeiras, foi com agrado que respondi afirmativamente ao convite da Editorial Presença para ler e analisar este livro.

Li-o com interesse e de facto, pese embora existam partes que pouco ou nada me dizem, por outro lado achei interessante compreender a econonomia e a forma como ela se desenvolveu e se desenvolve em países como a China e o Japão. Até porque é compreensível que dificilmente a China poderá ser uma potência económica, face não só à mentalidade como, e sobretudo, ao sistema político. Nem sequer é crível que os chineses estejam preparados para ser uma potência. Serão os dados conhecidos da China, fornecidos somente pelo estado chinês, verdadeiros?

Descobri também que os chineses são umas meras máquinas de trabalho e que, esse estado, não faz qualquer tipo de planeamento para o futuro da sua população. São tipo robôs, não existe planos de Segurança Social, ali, depois da velhice, as pessoas estão entregues a si próprias, sem qualquer apoio. É isso que a Europa quer para ela? Claro que não e fiquei com a ideia que é um erro alguém se preocupar com a economia da China.

Sendo efectivamente um livro de economia, a linguagem acessível de David M. Smick, permite-nos ler e entender a mensagem do livro e ela é simples: a economia é muito volátil, não acredite que a crise passou, ela pode ser apenas utópica, esteja sempre preparado para nova crise, pois, de um momento para o outro tudo pode mudar e, com isso, mudar drasticamente a vida de milhões de famílias e até a face de nações.

“o que dizer de um sistema financeiro mundial que num instante parece estar a sair-se lindamente e no seguinte age como se o mundo estivesse a chegar ao fim?”

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Darwínia – Robert Charles Wilson



Editora: Saída de Emergência
Edição: 1ª Edição, Setembro 2009
Tradução: Ester Cortegano

Robert Charles Wilson nasceu na Califórnia em 1953 tendo-se mudado com a família para o Canadá quando contava 9 anos, país pelo qual se naturalizou em 2007 e onde sempre viveu desde então.

Autor dedicado à ficção-científica, inicia a sua carreira literária em 1986 com a obra “A Hidden Place”, livro muito bem recebido pela crítica sendo, nesse mesmo ano, nomeado para o prestigiado Prémio “Philip K. Dick”.

Não venceu nesse ano nem em 1991 quando novo sucesso (A Bridge of Years) lhe trás nova nomeação para esse prémio, no entanto o ano de 1994 reconheceu finalmente este autor com o tão ansiado prémio mediante o livro “Mysterium”.

Desde aí Robert C. Wilson entrou na galeria dos grandes autores de ficção-científica e, em 2005, é-lhe atribuído o Prémio Hugo com o seu livro “Spin”. Talvez o prémio mais importante deste género literário.

“Darwinia”, escrito em 1998 e que lhe valeu a primeira nomeação para o Prémio Hugo, o autor cria um cenário alternativo, e radical à actual Europa.

1912, após umas misteriosas luzes que assolam o continente europeu, o resto do mundo, no dia a seguir, depara-se, horrorizado, com o desaparecimento da Europa conforme a conhecemos, ou, se quisermos, conforme existia em 1912. No entanto o continente não desaparece simplesmente. O que desaparece é a civilização e todos os seres vivos e flora, sendo substituídos por outros seres vivos e por uma outra flora completamente desconhecida no planeta.

Uma questão logo se coloca: que aconteceu aos milhões de pessoas, às cidades, aos monumentos históricos, à civilização da velha Europa?

Esta é a premissa deste livro que tem tanto de aventura como de fantasia e ficção-científica.

Eu classifico-o como uma mescla de fantasia e ficção-científica.

De inicio o livro é empolgante. Deparamo-nos com um novo mundo que substitui, diante do espanto planetário, o velho mundo. Nesta fase a aventura é pura assim como é perceptível uma semelhança na forma como os exploradores vêem aquele mundo e a forma como agem, algo tão que faz lembrar os descobrimentos europeus 400 anos antes. O universo para explorar é enorme, assim como enorme o suspense que o autor emprega em cada capítulo.

No entanto o autor nunca nos deixa esquecer que estamos diante de um livro de ficção-científica e isso é-nos revelado de uma forma repentina e brutal, sendo nessa altura possível percebermos o porquê do “Milagre” europeu.

A viragem no livro é sublime. Saímos de um cenário à Júlio Verne para entrarmos de rompante numa dimensão futurista, diria numa dimensão matrixada.

Isso, confesso, surpreendeu-me e, embora me tenha agradado dada a sua originalidade, foi aí que comecei a perder o interesse na história, simplesmente porque a história passou para uma dimensão muito fantasiosa.

Situado o “milagre” em 1912 e tendo a acção, leia-se a expedição a Darwinia, ocorrido em 1922, 10 anos depois, penso que o autor podia ter explorado melhor o contexto histórico, sobretudo após o confronto mundial de 1914-1918. Pese embora aqui e ali existam alguns laivos deste conflito, o mesmo não tem qualquer influência no desenrolar da história algo que, considero, ser uma lacuna. O mesmo se passando com a premissa inicial da obra que se perde ao longo do livro até virar uma miragem.

A parte final do livro fica longe da premissa da obra, no entanto a história ganha pontos em alguns personagens que se revelam numa das mais valias do livro tal a força de espírito e carácter que demonstram.

Embora me tenha agradado sobretudo pela sua originalidade, considero ser um livro que vai fazer as delícias dos fãs do género fantasia e ficção-científica. Porém, uma vez mais, sublinho a originalidade do argumento assim como o interesse em descobrir o que aconteceu à velha Europa, nisso tiro o meu chapéu a Robert Charles Wilson e à forma cativante como consegue criar e tornar credível esse cenário.

Classificação: 3

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Novidades "Saída Emergência"


A Corte dos Traidores - Robin Hobb

Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca.

Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.

Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.

Não perca a continuação da Saga do Assassino, onde a lenda continua.




Clube de Sangue - Charlaine Harris


Há apenas um vampiro com a qual Sookie Stackhouse está envolvida, pelo menos de forma voluntária, e esse vampiro é Bill. Mas recentemente, ele tem estado um pouco distante. E noutro Estado.

Eric, o seu chefe sinistro e sensual, julga saber onde encontrá-lo e, quando dá por isso, Sookie está a caminho de Jackson, no Mississippi, para se infiltrar no submundo do Clube de Sangue. Este clube é um local perigoso onde a sociedade vampírica se reúne para descontrair e beber um copo de O positivo.

Mas quando Sookie finalmente descobre Bill – apanhado num acto de traição séria – ela não tem a certeza se o quer salvar… ou afiar estacas.



O Terror - Arthur Machen

Arthur Machen foi um dos grandes e incontornáveis escritores do início de século xx.
A sua obra é imprescindível à compreensão de autores como H.P. Lovecraft, Stephen King, Bram Stoker, Sir. Conan Doyle, Oscar Wilde, ou mesmo Alfred Hitchcock. Foi apontado por Luís Borges como a grande influência do realismo mágico.

O Terror é um dos três contos reunidos nesta obra. Neste conto, ambientado numa região isolada a Oeste de Gales, relatam-se acontecimentos bizarros e inexplicáveis, onde a natureza parece ganhar vontade própria e revoltar-se contra a humanidade. O poder contagioso de forças obscuras cria um clima de tensão e leva à violência.

Numa época em que todas as atenções estavam viradas para a Primeira Guerra Mundial, este conto é susceptível de diversas interpretações ou analogismos que o autor terá escondido na sua trama enigmática. Trata-se de uma obra literária muito estudada, e que merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.

Arthur Machen consegue uma perfeita simbiose entre fantasia, realidade e lenda.

domingo, 4 de outubro de 2009

Da História da Destruição de Tróia - Dares Frígio



Editora: Publicações Europa-América

Edição: 1ª edição, Setembro 2009

Tradução, Estudo Introdutório e Notas: Drª Reina Marisol Troca Pereira

Inédita em Portugal, traduzida directamente do latim pela Drª Reina Marisol Troca Pereira, docente da Universidade da Beira Interior, “Da História da Destruição de Tróia” é um clássico na verdadeira acepção da palavra.

Importante ter em atenção o belíssimo Estudo Introdutório onde, assente em documentos originais e notas de autores da antiguidade, é-nos possível situar o contexto da obra quer no ao nível Histórico, quer a nível literário, pois trata-se de um texto antigo que, tudo indica, ser precedente à Ilíada de Homero.

E é incontornável não procurar semelhanças entre esta obra e a Ilíada. As personagens são praticamente as mesmas, a guerra é a mesma, no entanto aqui sobressai a total ausência de Deuses (algo que a Ilíada é tão rica).

Cerca de 1300 anos a.C, uma guerra, que irá durar pouco mais de 10 anos, eclode entre a Grécia e Tróia. Motivo? Uma mulher chamada Helena de Esparta.

Seria talvez abusivo da minha parte repetir uma história tantas vezes ouvida e cuja obra de Colleen Mccullough “A Canção de Tróia” trata magistralmente, porém em “Da História da Destruição de Tróia” existem nuances, diferenças importantes que demonstram outro ponto de vista que vão complementar a obra de Homero, é que Dares Frígio, julga-se, era troiano e é o ponto de vista troiano que esta obra nos dá a conhecer.

Não se sabe bem quem foi Dares Frígio. Julga-se, repito, tratar-se de um troiano que assistiu e participou no conflito. Pelo menos nisso acreditavam alguns escritores medievais como Chaucer, inclusivamente este acreditava que esta obra era mais autêntica do que as de Homero ou Virgílio.

A obra em si é muito simples, objectiva e cheia de informações e pormenores que de facto a tornam credível.

Aqui os deuses notam-se pela ausência e temos apenas homens que se degladiam de uma forma feroz fazendo intervalos, alguns bem longos, para tratar dos feridos e sepultar os mortos.

Os motivos são essencialmente amorosos e é curioso verificar da pouca importância da mulher na sociedade antiga mas ser precisamente assunto de saias que estão por detrás da chacina de centenas de milhares de homens. Com a sua extrema simplicidade, a obra acaba por ter momentos repetitivos, alguns parágrafos parecem cópia de outros, contudo essa repetitividade dá-nos a percepção da extrema violência com que aquela guerra foi travada.

Estamos perante um tesouro da humanidade que nos dá uma visão mais humana daquele célebre conflito. Sem poemas ou actos heróicos, percebemos que por detrás dos heróis míticos como Aquiles, Heitor, Príamo, Ájax, Agamémnon, Ulisses, Helena, Páris, Briseida ou Eneias, estão simples homens e mulheres que também têm fraquezas.

Julgo tratar-se de uma obra obrigatória para quem assume a literatura como veículo de cultura e prazer.


Classificação: 6


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novidades "Europa-América"




"A Maldição do Anel I – Os Cânticos da Valquíria"
de Édouard Brasey
Vencedor do Prémio Merlim 2009, na categoria de romance

«Maldito sejas, Odin, tu e a tua arrogante valquíria! Maldito sejas, tal
como é maldito o sangue que corre nas veias dos teus bastardos humanos!
Maldito sejas, deus sem fé que tiveste no teu dedo o anel do Nibelungo!»

Dentro em breve, a maldição do anel do Nibelungo desencadeará o crepúsculo
dos deuses. De forma a conseguir gorar este cruel presságio, Odin, o deus
supremo, pede à sua filha, a valquíria Brunilde, para continuar com a sua
linhagem humana que ele outrora reunira em Midgard. Assim, Brunilde vê-se
obrigada a perder o seu estatuto de deusa e de virgem guerreira e passará a
ser um simples comum mortal. Mas Loki, o génio do fogo e do mal, semeia pelo
mundo o terror e manipula os deuses e os homens de forma a antecipar a
catástrofe final... ler mais - Ler Excerto



"Um Grito de Ajuda" de Steve Mosby

Quando viu os seus amigos pela última vez?

Dave Lewis é um homem assombrado pelo seu passado. Entre a morte do irmão, o
desgosto dos pais e o afastamento de Tori, a sua ex-namorada, Dave tenta
convencer-se de que não tem contas a ajustar com o seu passado.
Quando um assassino persegue várias mulheres, as rapta e se faz passar por
elas, enviando mensagens e e-mails a familiares e amigos das vítimas, Dave
Lewis é o principal suspeito depois de Tori aparecer morta. Mas Sam Currie,
o agente responsável, parece acreditar na sua inocência... Ler mais




"Por Todos os Meios" de Charley Boorman
Charley Boorman fez as malas e aceitou participar num desafio: percorrer
mais de vinte mil milhas e visitar vinte e cinco países numa viagem de
Wicklow, a sua terra natal na Irlanda, até Wollongong, na Austrália. Mas há
algumas regras neste desafio: nunca apanhar um avião e viajar sem carros de
apoio ou veículo próprio... ler mais




"A Mecânica de Deus" de Guy Consolmagno

No debate acalorado entre a ciência e a religião, é por vezes desconsiderado
um facto interessante: muitos cientistas e engenheiros são católicos
devotos. Como conjugam estas duas vertentes? O frei Guy Consolmagno, jesuíta
e astrónomo do Vaticano, apresenta uma perspectiva que transcende as
diferenças e realça as afinidades entre as visões científicas e teológicas
do mundo... Ler mais




"As 36 Estratégias - O Manual Secreto da Arte da Guerra" de Anónimo

Este breve tratado medieval chinês sobre a arte da guerra foi redescoberto
por acaso em 1941 numa livraria no Norte da China. Obra das sociedades
secretas do final da dinastia Ming, foi alvo de várias edições e traduções
modernas e versa estratégias militares aplicáveis em situações de batalha.
Tornou-se um dos tratados militares mais lidos em todo o mundo pela sua
dupla vertente: quer como documento histórico da cultura chinesa e obra
secular sobre estratégia quer como, em última instância, obra intemporal e
abrangente que permite aplicar máximas orientais a situações do quotidiano.






"Grandes Datas da História de Arte" de Jean Rudel, Françoise Leroy

Circunscrever num só livro a História de Arte desde os primórdios da
Humanidade até à actualidade, só por intermédio da cronologia, implica fazer
um exercício rigoroso de selecção das obras mais marcantes, das escolas, dos
movimentos e ainda dos estilos artísticos, articulando-os, de forma a
entendê-los na sua globalidade contextual, bem como na sua conjuntura
sociopolítica.
Além do mais, esta viagem oferece ao leitor a possibilidade de constatar o
quão rica e diversificada é a criação artística, ao descobrir o que de
melhor foi concebido ao nível da Escultura, Pintura e Arquitectura a nível
mundial.


"História das Relações Internacionais – Séculos XIX e XX" de François-Charles Mougel e Séverine Pacteau

Em 1815, após uma longa sucessão de guerras revolucionárias e napoleónicas,
a reunião do Congresso de Viena inaugura uma nova era nas relações
internacionais, tendo como palco central e actor principal o apogeu da
Europa. O círculo das grandes potências assegura um século de paz global,
até que, em 1900, a supremacia do Velho Mundo se afirma sobre todo o
planeta. No entanto, a partir do século XX o sistema altera-se e a liderança
europeia dá lugar a um mundo dilacerado pelas crises e pelo choque de
ideologias antagónicas.
Esta obra reproduz a história das relações internacionais do século XIX até
aos atentados terroristas do princípio do século XXI, e proporciona, assim,
um conhecimento indispensável a quem pretende compreender qual o novo
equilíbrio que vislumbramos para o princípio do III milénio.







"O Poder da Confiança" de Roby Yeung

O Poder da Confiança irá transformar a sua vida!

Consiga o emprego que quer, a atenção da pessoa amada e aquele aumento que
já merece há tanto tempo! Basta usar O Poder da Confiança!
A confiança é algo inato em todos nós. Ela pode ser nutrida e desenvolvida
em qualquer idade… Só precisa de saber como o fazer.
O Poder da Confiança combina as melhores técnicas: da terapia
comportamental, da psicologia desportiva, da neurolinguística, da psicologia
optimista e muito mais… Ler mais




DISPONÍVEL EM MEADOS DE OUTUBRO

INFANTO-JUVENIL
(Nova colecção)

Título: A Ilha das Surpresas
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Título: A Terra das Criaturas Míticas
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Título: O Mundo dos Feitiços
Autora: Enid Blyton
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos

Conto proximamente efectuar uma recensão à obra "Um Grito de Ajuda" assim como analisar os primeiros três títulos da nova colecção Infanto-Juvenil

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Novidades "Europa-América"




"Da História da Destruição de Tróia" de Dares Frígio

Sinopse:

Um clássico inédito em Portugal e traduzido directamente do latim pela professora Reina Pereira (Universidade da Beira Interior), que lhe acrescenta uma extensa nota introdutória e mais de sessenta notas.

Tal como na Ilíada de Homero, em Da História da Destruição de Tróia, de Dares Frígio, vamos encontrar personagens tão famosas e míticas como Aquiles, Hércules, Heitor, Páris, Agamémnon e a bela Helena de Tróia.

No entanto, e ao contrário de Homero, Dares Frígio elimina toda a intervenção dos deuses, numa tentativa de atribuir à obra maior veracidade, indicando como motivos principais da guerra certas rivalidades amorosas.

Os escritores medievais, como Chaucer, acreditavam que o relato de Dares Frígio — supostamente uma testemunha ocular — era mais autêntico do que os de Homero ou Virgílio.

Obra que pretende ser um relato da guerra de Tróia, na versão de um combatente troiano, nela encontramos uma enorme riqueza de dados referentes à política, usos e costumes, estratégia e religião dos primórdios da Grécia Antiga.




"O Exílio dos Anjos" de Gilles Legardinier


Nomeado no Festival de Cinema de Berlim de 2009 como um melhores livros para adaptar ao cinema

Quando a memória é mais forte do que a morte.

Eles não se conhecem, mas têm o mesmo sonho, que os transportará para um universo cheio de mistérios. Valeria, Peter e Stefan encontram-se na enigmática capela das Terras Altas, na Escócia, mas ignoram que são a prova viva duma descoberta revolucionária sobre a memória, que fora feita há vinte anos por dois cientistas que desapareceram sem deixar rasto.

A descoberta é cobiçada por muitos, que não olham a meios para atingirem os seus fins. Para escapar daqueles que tentam capturá-los, Valeria, Peter e Stefan não encontram outra solução senão a de revelar o segredo do qual eles são os últimos guardiões.

As suas memórias são verdadeiros santuários, fechados a sete chaves. Delas dependem não só as suas vidas mas também o destino de toda a Humanidade...

Este thriller «humanista» conduzirá os leitores até às fronteiras da mente humana, numa aventura que os acompanhará durante muito tempo, como se fosse um sonho...

Eterno apaixonado pela comunicação das emoções e pelo cinema, Gilles Legardinier (Paris, 1965) entrou no mundo da Sétima Arte como pirotécnico e depois como realizador e produtor de filmes publicitários, anúncios e alguns documentários sobre filmes. Actualmente, ele consagra a sua carreira a escrever guiões para o cinema e à adaptação de argumentos. Apesar de não ser a primeira incursão no mundo da Literatura, este título é o seu primeiro thriller, do qual já se perspectiva uma adaptação cinematográfica.
Proximamente a minha opinião sobre estas obras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Noite do Tamarindo (A) – António Gómez Rufo


Editora: Saída de Emergência (Setembro 2009)
Ano Edição: 2008
Tradução: Maria Teresa Martins

Imagine que tem muito dinheiro, uma fortuna incomensurável, aliás, é a pessoa mais rica do mundo.

Agora, imagine que tem nas suas mãos a possibilidade de se tornar imortal. Não de uma forma fantasiosa tipo vampiro, mas de uma forma conseguida à luz da ciência, ou seja, perfeitamente possível.

E se, salvo seja, o(a) seu/sua filho(a) estivesse à beira da morte e que com toda essa imensa fortuna pudesse comprar a sua salvação mas que iria custar, não só imenso dinheiro, como a morte de pessoas inocentes.

Que faria?

“A Noite do Tamarindo” é um romance excepcional que nos coloca diante destas e doutras pertinentes questões, alias, incomodativas questões.

Vinicio Salazar é um homem que aparentemente tem tudo.

Multimilionário, empresário de sucesso muito poderoso e influente, possui tudo o que o dinheiro pode comprar. No entanto, por detrás do luxo e da opulência em que vive, esconde-se um imenso desgosto e amargura que lhe queima a alma e que servirá de mote a todo um trama que irá colocar em questão aspectos essenciais da vida, da liberdade, da ética e do futuro que se constrói actualmente.

Tudo começa com um estranho roubo.

Roma, numa galeria de arte algures na cidade, três ladrões empreendem o roubo de um documento que o mundo desconhece: A 10ª Sinfonia de Beethoven. Supostamente uma sinfonia nunca escrita pelo compositor, pois conhecem-se apenas 9.

Será que é mesmo assim, ou, por detrás desse emaranhado de colcheias, semi-colcheias e claves, se esconde um segredo ainda maior?

É-nos aqui lançado, de uma forma meramente policial, as bases de um trama bem imaginado e magistralmente construído por António Gómez Rufo.

De Roma a São Paulo, passando por Bogotá, Jamaica, Londres, Almería, Barcelona e Paris, este romance possui um ritmo alucinante, recheado de situações de suspense, onde o género policial se mistura com o contemporâneo e o de aventuras, entrando violentamente no thriller psicológico aflorado de citações de autores famosos. Aliás, esta é uma das grandes mais valias da obra. O autor consegue casar várias citações de autores famosos com as situações que vai criando, para além disso vai “brincando” com os géneros literários, conseguindo usar aqueles que referi, por vezes até na mesma página.

Numa escrita muito bem estruturada, porém com alguns pecados que referirei, Gómez Rufo esconde por detrás da história de Vinicio Salazar, uma série de questões que nos são colocadas cirurgicamente e que se tornam incomodativas à medida que damos connosco na pele do protagonista. O que será a vida? O que é ser feliz? Será assim tão difícil o ser humano entender que a sociedade se encaminha inexoravelmente para a sua auto-destruição, para o abismo?

Olhamos à nossa volta e o que vemos? Pandemias que ameaçam arrasar a vida humana, a perspectiva de, num futuro muito próximo, não possuirmos água potável para necessidades vitais. Um mundo sem futuro…

Entendem o género de perguntas que o autor nos arremete? O curioso é que ele consegue dar-nos as respostas…

Pessoalmente foi uma obra que me deu imenso prazer ler mas que, em simultâneo, me angustiou tal a objectividade e clareza dos pontos de vista explanados.

No entanto, como romance em si, aponto algumas falhas no argumento que está por detrás, que mascara o verdadeiro sentido do romance. Há questões que o autor podia ter trabalhado (tinha material para isso) mais minuciosamente. Factos que sucedem com alguma precipitação e, sobretudo, um certo facto que, face ao exposto no pensamento de certa personagem, me pareceu ser algo descuidado, apressado. Em todo o caso isto não belisca minimamente a qualidade e contributo deste livro para que possamos pensar em questões que, enquanto seres humanos, não nos podemos demitir de considerar.

Do princípio ao fim estive na pele de Vinicio Salazar. Percebi, senti a sua angústia e entendi que tudo tem uma lógica, um significado e, sobretudo, apreendi que a vida é verdadeiramente a única realidade objectiva que possuímos, tudo o resto é acessório.



Classificação: 5

Novidade "Saída Emergência"




O Cônsul Desobediente - Sónia Louro

Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.

Nascido numa família com laços à aristocracia, Aristides cursa Direito em Coimbra e opta por uma carreira consular. Vive nos locais mais exóticos de África e nos mais cosmopolitas da Europa. Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães.

Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.

Esta é a história de um grande português. De um herói com uma coragem sem limites. Só é possível compreender o seu feito se nos colocarmos no seu lugar: destruiríamos a nossa vida e a da nossa família em nome da caridade e do amor ao próximo? Até ao seu derradeiro fôlego, Aristides nunca se arrependeu.

Sobre o autor:

Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interessa: A História. Fruto desse casamento, este é o seu terceiro romance histórico.

Pessoalmente não tenho uma boa opinião desta autora. Li o seu primeiro livro "Viriato - O Filho Rebelde" e confesso que foi uma enorme decepcção conforme poderão perceber na opinião.

Porém admito que a autora possa ter evoluído no processo de criação de um romance histórico, embora não o tenha lido, mas sei que a sua segunda obra "A Vida Secreta de D. Sebastião" teve uma boa aceitação do público.

Vamos ver, espero-o ler em breve.
Saída prevista para 9 de Outubro

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Paixão em Florença - Somerset Maugham


Mary Panton é uma jovem viuva que se encontra em Florença numa bela casa emprestada por uns amigos de modo a restabelecer-se da morte do marido e pensar no que havia de fazer com a sua vida.

À semelhança de tantas outras ocasiões, aceita o convite para jantar de uns amigos e é assim que se vê num restaurante rodeada de um grupo de pessoas, algumas delas algo curiosas.

Nesse período dá-se um acontecimento que se prolongará não apenas no regresso a casa de Mary, como durante toda a noite, acontecimento esse que servirá de argumento ao livro, originando um caso grave de violência que ameaçará destruir a amena vida de Mary.

Neste pequeno livro (li-o em duas horas), Maugham, uma vez mais, coloca a sua marca.

É uma obra onde, de uma forma intensa, sobressai as emoções humanas, aliás, Maugham é mestre em as explorar, confrontando-nos com opções a tomar, colocando-nos em várias encruzilhadas.

Maugham é brilhante, genial na forma simples como brinca com as palavras. As situações por ele criadas são intensas, agarram-nos à história e aos personagens, todos eles únicos, memoráveis. Isso é algo que sobressai da escrita de Maugham e que o faz ser um dos meus escritores favoritos. Maugham aparentemente trabalha pouco os personagens, não perde muito tempo a construir uma história, uma identidade do personagem X ou Y, no entanto é tal a intensidade, o carisma que concede aos seus personagens que, todos eles, irrompem das suas obras com uma força tal que se tornam memoráveis.

Mais uma pérola que o mestre Somerset Maugham nos deixou.


Classificação: 5

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Rebecca - Daphne du Maurier


Após tantas entusiasmantes opiniões sobre este clássico, confesso que para mim desconhecido, e após perceber tratar-se de uma obra que foi motivo de grande entusiasmo na altura em que foi publicada sendo, inclusive e alguns anos depois, transposto para o cinema pelo mestre Hitchcock, empreendi a leitura desta obra, podendo dizer que não me arrependi.

Contudo e embora tenha de facto apreciado o livro, não posso afirmar ser esta obra uma das que vai passar à galeria pessoal dos melhores. Gostei bastante, mas não a considero nenhuma obra-prima, muito menos a sua autora, pois considero ser esta obra muito semelhante, em diversos aspectos, a algumas obras escritas décadas antes.

Mas vamos por partes.

O viúvo aristocrático Maximillian de Winter está de passagem por Monte Carlo onde conhece uma jovem dama de companhia de uma abastada e irascível senhora que por ali passa uns dias de descanso. Entre Maximillian e a jovem nasce uma amizade cúmplice que acaba por um pedido de casamento logo aceite pela jovem.

Após uma lua-de-mel na França, vão morar na antiga e imensa propriedade familiar dos De Winter, Manderley, uma mansão vitoriana cheia de divisões, lugares obscuros e envolta num clima misterioso, algo sobrenatural.

A partir daí, a jovem, agora Mrs. De Winter, começa-se a sentir uma intrusa na mansão, outrora dominada pela primeira Mrs. De Winter, Rebecca. Todos os pormenores fazem sentir a presença de Rebecca. Essa sensação torna-se, gradualmente, uma obsessão doentia que vai colocando em causa não só o seu casamento, como o amor de Maxim e o propósito do casamento de ambos.

A observá-la, Mrs. Danvers, governante de Manderley e ex-criada pessoal de Rebecca…

A história em si não me fascinou por aí além. Fascinou-me sim a capacidade de Maurier em criar um clima de tensão, uma áurea de sobrenatural, de mistério de inicio ao fim. Achei surpreendente como é que estamos sempre com a convicção da presença de Rebecca, ela vai-se tornando a personagem principal do livro e isso é fenomenal, pois é alguém que já faleceu mas que continua a exercer uma imensa influência em tudo e todos.

Adorei o trabalho de criação das personagens.

A ingénua e assustada dama de companhia transformada em Mrs. De Winter. Maximillian, o rico e poderoso Mr. De Winter sempre tão misterioso, como se escondesse um mistério. Mrs. Danvers, soberba. Das melhores personagens que já alguma vez tive o prazer de ler, ficou sendo a minha preferida. E Rebecca. Tão distante e tão presente, sobrenatural, um espectro invisível e silencioso, mas que grita a sua presença nos mais pequenos pormenores.

Adorei a escrita de Maurier. Clara, concisa, sem grandes descrições, diria mesmo cinematográfica. As descrições, sempre curtas, são belíssimas, deliciosamente poéticas. A forma como a autora vai criando os dilemas, as desconfianças, os receios, os pensamentos obsessivos paranóicos de Mrs. De Winter, é excepcional.

Porém há factos, particularidades que não posso fingir não existir e que me levam a considerar este romance um bom livro mas não uma obra-prima.

Já não vou referir a polémica que surgiu na altura da sua publicação, onde Daphne du Maurier foi acusada de plágio pela escritora Carolina Nabuco que a acusou de ter plagiado o seu romance “A Sucessora” e que, pelo que constatei numa breve pesquisa, há de facto indícios que apontam para uma forte inspiração de Maurier no romance de Nabuco, porém é inegável a semelhança de vários outros aspectos da obra com outras obras.

Manderley, no seu ambiente misterioso, tétrico é deveras semelhante, ou se quiserem, faz lembrar a propriedade dos “Monte dos Vendavais” (Herdade da Cruz dos Tordos). Maximillian de Winter é demasiado semelhante ao sr. Rochester de “Jane Eyre” e até a heroína de “Rebecca” tem fortes laivos da própria Jane Eyre. Jack Favell, o desconfiado e sarcástico primo de Rebecca faz lembrar Heathcliff do “Monte dos Vendavais” e, finalmente, a personagem de Rebecca, a misteriosa e enigmática Rebecca é quase uma cópia da também enigmática louca que vive no sótão da mansão em “Jane Eyre” e, note-se, até o parentesco é igual. Não no aspecto físico, mas sobretudo no impacto das personagens.

Ou seja, quanto a mim, Du Marurier não se baseou, não se limitou a inspirar nestas personagens destas obras. Criou de facto um romance muito bom, mas facilitado pelo trabalho de autores precedentes a ela e isso, a meu ver, tira-lhe a genialidade que este romance poderia de facto ter.

Classificação: 4

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Novidades "Saída Emergência"

"A Noite do Tamarindo" de António Gómez Rufo

Sinopse
Salvaria a vida do seu filho à custa da morte de outra criança?Seria capaz de recorrer a métodos ilegais para comprar mais tempo de vida?O amor ainda é o melhor refúgio do ser humano?Porque é que os governos do mundo colocam questões éticas ao avanço da Ciência?A Noite do Tamarindo dá resposta a estas e outras perguntas. Um romance apaixonante repleto de acção e com um ritmo espectacular que se desenvolve nos mais luxuosos cenários do mundo. Uma história para debater o futuro imediato, que já começou.



"O Mar de Ferro" de George R.R.Martin

Sinopse
Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?

Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?

A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?




"Traída" de P.C. Cast e Kristin Cast

Sinopse:
Vampira novata Zoey Redbird conseguiu se instalar na Casa da Noite. Ela controlou os vastos poderes que a deusa dos vampiros, Nyx, lhe deu e subiu para o posto de nova Líder das Filhas Escuras. E o melhor de tudo, Zoey sente finalmente como se ela pertencesse – como se ela realmente se encaixasse naquele lugar. Ela tem um namorado... ou dois. Então o inconcebível acontece: Adolecentes humanos estão sendo mortos e todas as evidências apontam para a Casa da Noite. Enquanto os humanos da velha vida de Zoey corre perigo, ela começa a perceber que os mesmos poderes que a fazem tão diferente também poderiam ameaçar os que ela ama. Então, quando ela precisa dos novos amigos, mais morte golpeia a Casa da Noite e Zoey tem que achar a coragem para enfrentar uma traição que poderia quebrar seu coração, sua alma, e pôr em perigo a própria estrutura do seu mundo.



"Darwinia" de Robert Charles Wilson

Sinopse:
Robert Charles Wilson é um escritor canadiense vencedor de diversos prêmios de ficção científica, incluindo o Hugo pelo romance "Spin" em 2005.

Em "Darwinia", de 1998, o autor cria uma proposta muito interessante.

Em 1912, após um misterioso evento climático semelhante a uma aurora boreal, o continente europeu desaparece e é substituído por uma nova Europa. Todos os traços da civilização humana desaparecem da noite para o dia e a fauna e flora do Novo Velho Continente são completamente distintas de como conhecemos, como se tivessem seguido um caminho evolutivo diferente há milhões de anos. Insectos gigantes, plantas com cheiros curiosos, cobras com pelos e muito mais se espalha pela nova Europa...



"Sombras e Fortalezas" de Elisabeth Chadwick

Sinopse:
«Inglaterra, 1148.
Brunin é um rapaz de dez anos marginalizado pela própria família. Uma criança reservada, é atormentado pelos irmãos e desprezado pela avó autoritária.Numa tentativa de torná-lo um herdeiro de quem se orgulhe, o pai envia-o para a casa de Joscelin, Senhor de Ludlow, onde Brunin irá aprender as artes da cavalaria. Mas, antes que o consiga, terá que ultrapassar a insegurança e as dúvidas que sente sobre si próprio. Da mesma autora de "As Filhas do Graal" e "Leão Escarlate"

Oportunamente elaborarei recensão de algumas destas obras.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Duas Irmãs, Um Rei - Philippa Gregory



Iniciado em 1521, este “Duas Irmãs, Um Rei” é o 2º volume da série Tudor, série essa que, obviamente, se pode ler de um modo separado mas que, quanto a mim, tem um sabor mais intenso quando lido respeitando a ordem de volumes que é também a ordem temporal dos acontecimentos narrados por Gragory.

Em “Catarina de Aragão” vimos como Catarina, infanta espanhola, filha dos célebres reis Católicos Fernando e Isabel, se torna Rainha de Inglaterra ao casar com Henrique VIII. Seguimos então a senda de Catarina rumo ao trono.

Em “Duas Irmãs, Um Rei” a acção temporal inicia-se em 1521, 12 anos após o casamento entre Catarina e Henrique.

O Rei continua apaixonado pela sua rainha, mas durante 12 anos Catarina não teve qualquer filho homem, a única criança que sobreviveu às inúmeras gravidezes foi Maria (1516) a enfezada menina que poucos davam alguns anos de vida.

Cientes da importância de um filho varão, a corte enche-se de intrigas e maledicências. A encabeçar essas intrigas está uma família poderosa: Os Bolena/Howard. E é neste círculo de tramas que toda a história deste livro avança.

Ana e Maria Bolena são duas aias da Rainha Catarina. Conforme costume em qualquer corte europeia da época, essas aias são responsáveis por entreter a rainha, jogando-se também em namoricos e mexericos com vários nobres que frequentavam a corte. Entre esses homens, o Rei que, em faustosos banquetes, ele próprio namoriscava com várias aias da rainha diante da beneplacência da mesma.

A descrição destas andanças é extraordinária. Philippa Gregory consegue-nos situar na corte, consegue-nos transmitir as imagens fazendo-nos crer que estamos presentes.

É desta forma que a família Bolena, através do seu seu influente tio, Thomas Howard, imagina uma forma de Maria Bolena ser notada pelo rei e, dessa forma, ir parar à cama do rei. Benefícios: Ganho de influência e poderio da família Bolena/Howard, assim como ganho de propriedades e títulos. Uma rede de influências e interesses nasce assim, originando um trama horrível de enganos, prostituição, sexo e assassínios.

Pessoalmente gostei mais do livro “Catarina de Aragão”, porém achei fenomenal como Gregory constrói e conduz todo o trama, como vai colocando as várias personagens, colando-as aos acontecimentos Históricos.

Ao nível Histórico, o livro é irrepreensível. Brilhante a ordem temporal, até os pequenos pormenores estão explorados. De notar a forma clara, que muito me ensinou, como a autora explica o percurso de simpático rei a tirano de Henrique VIII. É “engraçado” como constatamos que Ana Bolena foi a grande responsável pela mudança de religião, pela forma como Henrique se rebelou contra o Vaticano para, depois, ela própria ser uma das vítimas dessa tirania que, repito, ela construiu.

Um breve olhar sobre Henrique VIII.

Conforme tinha sido descrito em “Catarina de Aragão”, Henrique não passava de um vaidoso, arrogante e mimado menino grande que, vendo-se com todo o poder nas mãos, se transforma num horrível e sanguinário tirano. Nestas obras não se olha muito para o Rei Henrique enquanto político, mas sim enquanto homem e a perspectiva que temos não o favorece muito. Mas o que sobressai é que ele foi aquilo que quiseram que ele fosse, ou seja, foi apenas um produto de pessoas ambiciosas e sem pejo em afastar quem se opusesse aos seus interesses.

Em suma, mais um excelente e aconselhável obra de Philippa Gregory.

Classificação: 5

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Catarina de Aragão, a Princesa Determinada - Philippa Gregory


Factos Históricos

Catarina de Aragão (1485-1536) nasceu nos arredores de Madrid. Filha mais nova dos Reis Católicos (D. Fernando II de Aragão e D. Isabel de Castela), viveu numa época importantíssima para o futuro da Europa que aí começou a construir os alicerces da actual Europa.

Culta, inteligente e muito bonita, Catarina foi educada desde o berço para ser Rainha de Inglaterra, pois desde os 3 anos foi prometida em casamento a Artur Tudor, futuro Rei de Inglaterra, primogénito de Henrique VII.

Teve uma educação esmerada, sobretudo em estratégia militar, ganhando também a consciência da sua importância no tabuleiro estratégico de interesses políticos, interesses esses que visavam colocar a Espanha numa posição de relevo e liderança na Europa.

Consciente disso e do seu papel, assume a sua posição e encara o casamento como uma missão. Lutadora, lança charme sob o povo inglês conforme a mãe lhe havia ensinado. E esse charme oferece-lhe a adoração do povo sendo que, cerca de 500 anos após a sua morte, o seu túmulo em Peterborought nunca está sem flores. Por aí se pode medir a enorme popularidade de Catarina, popularidade que ela soube conquistar a pulso.

Interessante também registar as movimentações políticas de altura.

Em 1469, D. Fernando II de Aragão casa com D. Isabel de Castela, começando aí a definir-se o território espanhol com tal é hoje conhecido.

Altamente católicos, criam a Santa Irmandade e unificam os dois reinados.

Ambos têm um grande projecto: a conquista dos territórios mouros e italianos, no entanto e neste último caso, necessitam de derrotar os franceses. Para isso, e revela bem o espírito destes reis, têm uma série de filhos que, desde cedo, comprometem em casamento com as principais casas reais europeias de forma a criarem alianças e, dessa forma, isolarem França. É assim que Catarina é prometida a Artur Tudor.

Em 1492, após a conquista do reino de Granada aos mouros, é decretada a expulsão destes juntamente com os judeus. Com eles é expulso o saber e a cultura, iniciando-se um dos piores excessos de intolerância de que há memória.


O Livro

Philippa Gregory é genial na forma como narra estes acontecimentos, entrelaçando-os na história de Catarina.

O livro tem início em 1491.

Catarina tem 6 anos e, juntamente com os irmãos, está em campanha contra os terríveis mouros.

Percebemos desde logo o objectivo de ter os filhos no meio de um acampamento militar, correndo o risco de ser atacado. Fomenta-se a mentalidade guerreira, dá calo que só estas dificuldades podem dar. Catarina tem um enorme orgulho e confiança nos seus pais e, desde muito pequena, sabe que aqueles acontecimentos lhe serão muito úteis para quando assumir o trono de Inglaterra.

Em todo o livro Philippa Gragory nunca nos deixa esquecer essa veneração. Catarina vê-se como uma escolhida por Deus, ela tem uma missão e tudo para ela serve como uma lição de aprendizagem.

Algo que é bastante perceptível é a enorme religiosidade de Catarina. Embora admire os mouros, pelo seu saber, cultura, higiene, bom senso e bom gosto, ela vê-os como bárbaros, infiéis que não quiseram reverenciar o Deus Cristão e que, por isso, mereceram ser expulsos de Espanha. Porém, e isso é muito curioso, vicissitudes da sua vida vão, primeiro colocar-lhe dúvidas acerca do barbarismo dos mouros para, depois, colocar em dúvida a própria crença em Deus.

Visão empregue por Philippa Gregory é, como é compreensível, muito feminina. A maioria das personagens são mulheres e, por isso, pouco são exploradas as movimentações políticas (são afloradas) e bélicas (essas passam praticamente despercebidas).

Achei também que Philippa podia e devia ter explorado alguns acontecimentos importantes. Nomeadamente o acontecimento mais importante da época que foi a chegada de Colón à América.

Mas compreendo que Gregory se tenha focado unicamente em Catarina. Ela é a figura principal do trama e, justiça lhe seja feita, Philippa Gregory faz um trabalho notável de investigação histórica, conseguindo-nos transmitir o ambiente da época e o enorme carácter não só de Catarina como também de outras fascinantes personagens que a rodeiam.

Um livro excepcional que me apaixonou. Uma época que me apaixona e que aqui é descrita de uma forma soberba, real e rigorosa.

Por último, adorei também a escrita simples e objectiva de Gregory, assim como a estrutura do livro: capítulos curtos, todos eles deixando-nos em suspanse.


Classificação: 5

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Fio da Navalha (O) - Somerset Maugham


A acção do livro passa-se entre Chicago e Paris nos anos vinte e trinta do século XX.

Somerset Maugham, ele próprio narrador participante, oferece-nos a história de vários personagens que se interligam em torno do personagem central: Larry Darrel, jovem americano que vê o seu melhor amigo morrer para lhe salvar a vida.

Este acontecimento dá o mote para este brilhante romance.

Larry questiona-se acerca do sentido da vida.

Esta questão Maugham coloca-a em contraponto com a futilidade diárias de outros fascinantes personagens que, com as suas histórias, vão-nos dar um fresco da superficialidade e mesquinhez do jet-set europeu e norte-americano, cujas vidas banais são elas próprias representativas da decadência que já se percebia.

Maugham é brilhante na exploração desses dois universos antagónicos. O primeiro um universo místico, onde a busca do sentido da vida, do imaterialismo, do desapego, da tentativa de encontrar um sentido para a existência é explorado através das andanças e descobrimentos de Larry. O outro, um universo materialista, elitista, onde o status é condição sine qua non para ser alguém é também ele brilhantemente explorado pela personagem de Elliot, ela também soberba.

A mediar estes mundos temos o próprio Maugham que, com a sua sensibilidade e experiência de vida, vai colectando informações, conversas e confissões que, ligadas entre si, fazem desta obra algo de verdadeiramente soberbo.

Quem terá sido, na vida real, Larry Darrel?

Sim, questiono quem terá sido, porque, no meu íntimo, não duvido nem um minuto na realidade desta história. Até porque Maugham narra os factos que conhece, deixando-nos adivinhar o resto, deixando sempre no ar possibilidades, conjecturas.

Somerset Maugham é um escritor genial e este livro, não sendo aquele que mais gostei do escritor, é ele, por si só, uma pérola da literatura universal.

Classificação: 6

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Jane Eyre - Charlotte Brontë




Publicado em 1847, com o pseudónimo de Currer Bell, Jane Eyre teve um sucesso fulminante junto do público britânico que ficou, ele próprio, na expectativa de conhecer esse autor desconhecido.

A surpresa foi maior quando se soube que por detrás de Currer Bell estava uma jovem de 29 anos, supostamente sem experiência de vida e incapaz de ter escrito tal obra. A pergunta pairou até aos dias de hoje: como é que uma jovem inexperiente tinha a capacidade de escrever uma obra que exprime a natureza humana?

Charlotte Brontë era a mais velha das famosas irmãs Brontë, todas elas autoras de obras consideradas, hoje em dia, clássicas.

Jane Eyre é uma obra que, na minha opinião, se destaca pela beleza da escrita, pela prosa quase poética com que a história é narrada.

Mais de 100 anos após a sua escrita, não posso afirmar que achei a história sublime. Essa, e eu sei que pode ter sido precursora do género, é uma simples história da criança órfã que, maltratada pelos familiares que lhe restam, é mandada para um orfanato onde cresce sem carinho e sem amor.

Após a saída do orfanato, entra ao serviço de uma casa rica e aí apaixona-se pelo patrão…

Há depois encontros e desencontros, coincidências, algumas forçadíssimas, numa áurea romântica tão típica das novelas da época.

Uma das características que mais apreciei foi a descrição rural da Inglaterra, sobretudo o quadro que Charlotte pinta do modo de vida, da mentalidade e da forma como as pessoas agiam naquele “mundo” tão fechado de regras sociais, com conceitos tradicionais tão imbuídos ainda dos ares medievais. Esse é, sem dúvida, uma das mais valias do livro.

Uma boa obra, sem dúvida, mas longe de ser, hoje em dia, uma obra que catalogue como “obrigatória”.

Classificação: 3

terça-feira, 21 de julho de 2009

Drácula - Bram Stoker


Publicado em 1897 por Bram Stoker, que tem nesta obra a sua mais importante criação, Drácula depressa se tornou um sucesso literário, verdadeiro embrião de um género que, desde essa altura, teve dezenas de seguidores e milhões de adeptos.

Gostei da estrutura do livro. Em forma de diários escrito por diversos intervenientes, cartas e noticias de jornais. Dessa forma percebemos a percepção, a viva voz, de todos os participantes, excepto da figura principal: Drácula.

Baseado numa figura real, Vlad Tepes, consta-se que Bram Stoker estudou a fundo a História e o folclore da região da Valáquia de modo a criar o seu monstro. Porém nasce aqui a minha decepção, pois e tirando as primeiras páginas, a figura de Drácula é uma figura ténue, quase invisível, pese embora subentenda-se a sua presença ao longo de toda a história. Para além dessa fraca figura, Stoker não consegue, de todo, mostrar ao leitor quem foi ou de onde nasce Drácula, o tal Vlad Tepes. Aqui e ali, já perto do fim, avança com uns lá-mi-rés, no entanto tudo muito insonso, sem grande interessa e nunca lhe dando o carisma que, digo eu, era obrigatório ter dado.

A história até que começa bem, com ritmo, mistério, suspense e algum terror.

O leitor fica com água na boca tal o ritmo que Stoker emprega.

Até à viagem de Drácula, considero que o livro é excelente, porém a partir do momento que Drácula viaja para Inglaterra, parece que deixa ficar na Transilvânia todo o horror que era suposto ter.

A partir daí a história arrasta-se num misto de incoerências, algumas absurdas, factos omitidos, mal explicados ou nem sequer explicados. Reconheço que isso me irritou especialmente, sobretudo pela forma ingénua como me apercebi que Stoker quis levar a história denotando, e isso sou eu a pensar na época em que foi escrito, que a partir de certa altura passou a escrever para um público feminino tipicamente vitoriano.

As personagens também nunca foram capazes de me convencer. De início gostei muito de Jonathan Harker e do próprio Drácula, porém depressa se esvaziaram, se perderam na história. Drácula, conforme já o referi, desaparece, o mesmo acontecendo com Jonathan. Os personagens que depois tomam conta da história jamais conseguem ter o carisma destes dois. E Van Helsing? Faço a pergunta que me fiz desde que ele surge. Quem é Van Helsing? Não sabemos! Á semelhança de tantos outros factos, Bram Stoker não se digna a dar-nos uma explicação. Aliás, Stoker não nos dá nenhuma explicação acerca de nenhum personagem, nunca aprofunda nenhum personagem e há aqueles que surgem, que parecem ter um grande papel na história e depois... nada!
Classificação: 3

domingo, 5 de julho de 2009

Cinzas de Ângela (As) - Frank McCourt



Tal como escrevi há tempos sobre um determinado livro, há títulos que me chegam às mãos não só por mero acaso, como também como uma espécie de dádiva que qualquer ser celestial resolve oferecer-me.

Este “As Cinzas de Ângela”, de Frank McCourt é um desses títulos.

Um livro que, curiosamente, cada vez que ia à Biblioteca me parecia gritar: “Leva-me!”. No entanto a pequena descrição no verso do livro nunca me despertou especial atenção e, não sei dizer porquê, um dia senti-me como que seduzido e resolvi requisitá-lo.

Que obra extraordinária!

As Cinzas de Ângela” narra a infância miserável e decadente de Frank McCourt, ele próprio, o autor do livro que, diga-se, venceu o Prêmio Pulitzer e o National Book Award com este livro.

Por voz própria, McCourt vai-nos descrevendo a sua deplorável infância na sua Irlanda. Uma vida em condições sub-humanas na companhia dos pais e irmãos. Vamos assim conhecendo uma cidade de Limerick dos anos quarenta que ainda vive sob os espectros da guerra civil e das atrocidades centenárias dos ingleses. Atrocidades que cimentam velhos rancores e profundos complexos nos irlandeses.

Numa época em que a Europa e parte do Mundo estão mergulhados na guerra, McCourt, sempre em tom irónico e sem qualquer tipo de medos, descreve a sua comunidade. Uma comunidade profundamente egoísta, marcada por superstições ancestrais, assente numa mentalidade submissa mas, ao mesmo tempo, guerreira, enérgica e muito, muito religiosa.

Uma história de vida trágica, mas onde a dignidade, a coragem e a força de vontade vão vencendo as duras vicissitudes de uma vida negra, dando a cada uma dessas vidas, não um significado (ali poucas vidas têm algum sentido e significado), mas um contributo para um conjunto de memórias que tornam este livro num hino à vida, à coragem e ao próprio povo irlandês.

Classificação: 5

domingo, 28 de junho de 2009

Espada de Átila (A) - Michael Curtis Ford



História

Em 450 DC, o Império Romano do Ocidente estava a perder, de uma forma gradual, o poderio militar assim como o controlo das suas províncias, entre as quais a Gália, a Bretanha, a Lusitânia, entre outras.

De Oeste uma nova e poderosa força, alicerçada em alianças de povos que odiavam os romanos, os Hunos, liderados por Atila, avançam sobre Roma com um exército de 1 milhão de homens, algo nunca visto em toda a Europa.

A liderar o exército romano estava o general Flávio Aécio que, de acordo com documentos da época, comandava um exército de 500.000 homens, exército composto pelas legiões romanas e por povos que se mantinham fiéis a Roma, os Visigodos, os Francos e os Alanos. No entanto deixo aqui a ressalva acerca destes números, pois há historiadores que avançam com cerca de 300.000 homens para cada lado.

Entre Flávio e Atila um pormenor sobressaia: eram amigos de infância.

Flávio, por causa da política da altura do Império Romano, havia sido entregue como refém aos Hunos e aí criado durante 14 anos (409-425). Atila, através da mesma política, esteve entre os romanos pelo menos período. Tornam-se amigos no período (409) onde convivem durante alguns meses.

Esse período, obviamente, irá moldar o carácter desses dois homens. Ambos aprendem a conhecer o povo com quem vivem, mas ambos vão mais longe, ambos aprendem os costumes e tradições desses povos e, sobretudo, aprendem a pensar como um deles. Isso acontece principalmente com Aécio.
Esses factos vão ter uma preponderância sublime nos acontecimentos futuros. Ambos conhecem a mentalidade do inimigo e ambos tiram disso vantagem.


Opinião

O livro está sublime!

Michael Curtis Ford, como nos tem habituado, efectua um trabalho de pesquisa história soberbo.

Os acontecimentos acima narrados são todos escalpelizados.

O livro inicia-se com a infância destes dois homens e aborda o seu crescimento. Centra-se mais em Aécio simplesmente porque de Atila sabe-se pouco, pois os Hunos não deixaram documentos e a sua civilização quase que não deixou vestígios. De Atila conhece-se alguma coisa mas isso deve-se a historiados romanos.

Dessa forma, Curtis Ford, com o pouco que tem, é sublime na forma como retracta os costumes e tradições dos Hunos. Mitos, histórias e modos de vida são-nos dados a conhecer, um povo “bárbaro” que dizimava à sua passagem.

As tricas e alianças, até a justificação de Atila em atacar os romanos, quando entre os romanos e os hunos existia um pacto de não agressão, está bem encaixada e de acordo com a História.

A culminar está a Batalha dos Campos Catalaúnicos ou a Batalha de Chalons.

A descrição da mesma é terrível, de uma violência inolvidável.

Nessa batalha, travada a 20 Junho de 451, pereceram mais de 1/3 do exército de ambos os lados. “Pilhas de Mortos”, “à sua frente, o chão estava coberto de cavalos e de homens, montes de corpos…”, “estavam empilhados casualmente em muralhas improvisadas e contorcidas no local onde tinham caído…”

Durante um dia inteiro e parte da noite, os exércitos digladiam-se de uma forma brutal, insana, para além do racional. Na confusão tudo é permitido, a brutalidade dessa batalha, que irá ter uma importância enorme no futuro da Europa, é soberba e excitantemente bem escrita por Michael Curtis Ford, dando-nos não só uma real percepção dos acontecimentos como, também, nos faz quase participar nessa mesma batalha e nos acontecimentos anteriores à mesma.

Um livro excepcional!

Classificação: 5

domingo, 31 de maio de 2009

Tigre Branco (O) – Aravind Adiga




Ao longo de sete noites, Balram Halwai (ele próprio o Tigre Branco), através de cartas por ele escritas ao Primeiro Ministro chinês Wen Jiabao que se prepara para visitar a Índia, empreende uma narrativa da sociedade indiana, de uma Índia desconhecida, atolada em desigualdades que, como ele refere, se divide em duas: a da Luz e uma outra, denominada de Escuridão.

Assim, num monólogo ou diálogo imaginário, Balram começa por narrar a sua infância marcada pela extrema pobreza e condições verdadeiramente sobre-humanas que lhe começam a moldar o carácter. Nascido numa das castas mais baixas (isso das castas é chocante), expõe de uma forma nua e crua uma Índia violenta, cheia de preconceitos, onde os pobres são sempre pobres, tratados como animais, criados e onde tudo é corrompido, literalmente tudo, sobretudo no campo político.

Nesta brutal obra, Aravind foca os grandes e eternos problemas da Índia. Sob o manto fictício da modernidade, do milagre económico, pinta-nos um retracto assombroso e medonho de um país profundamente desigual, dividido por tradições xenófobas que ninguém sabe a sua origem e por um sistema político corrupto que pisa tudo e todos, que não age em defesa do povo mas sim dos seus interesses pessoais.

É um livro corrosivo. A realidade é-nos disposta à frente sem dó nem piedade. Acham que a Índia é aquele país dos filmes de Bollywood? Essa Índia existe de facto, mas a Índia profunda, a Índia onde vive e sobrevive a maioria do seu povo, é uma Índia monstruosa, assustadoramente monstruosa.

Até o Rio Ganges é aqui desmistificado “sr. Jiabao, eu aconselho-o a não mergulhar no Ganges, a menos que queira ficar com a boca cheia de fezes, de palha, de bocados encharcados de cadáveres humanos, de carne putrefacta de búfalo, para além de sete tipos diferentes de ácidos industriais”.

O tom irónico, mordaz e corrosivo como toda a narrativa é conduzida, demonstra um profundo desencanto e desilusão de Aravind. Diria que este livro é quase um grito de desespero ao mundo e note-se que não é por acaso que é referido inúmeras vezes, de uma forma lírica, Mahatma Gandhi, homem que procurou lutar contra um sistema que, ao contrário que muitos defendem, não mudou em nada.

Um livro que me chocou dada a brutalidade daquela sociedade desigual. Desconhecia essa realidade, porém, confesso que me senti incomodado quando me deparei com o sistema corrupto, pois e pelo que sabemos da sociedade portuguesa, sobretudo ao nível dos meandros do futebol, se calhar “somos” mais parecidos com os indianos do que propriamente com os europeus.

Um livro soberbo, poderoso, a par de "A Estrada", é o melhor que li nesta década e que, afirmo eu, está destinado a ser um clássico da literatura.

Um livro que a par do filme “Slumdog Millionaire” deve ser um incómodo para o governo e outras estruturas políticas e sociais da Índia.


Classificação: 6

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Saga de um Pensador (A) – Augusto Cury




Um livro belíssimo, fascinante.

Na sala de anatomia, um grupo de caloiros fica chocado quando, na sua primeira aula, se depara com um conjunto de corpos sem identificação prontos para serem estudados por esses futuros médicos. Estes corpos são de ninguém, sem abrigos, indigentes da sociedade, corpos sem história, corpos sem interesse.

Mas será mesmo assim?

Um dos estudantes, Marco Pólo, questiona, sob gozo geral, inclusive dos professores, a identidade daquelas pessoas que ali jazem no mármore. Quem são essas pessoas, que histórias têm para contar, quem amaram, tiveram família?

Esta é a premissa para uma saga fascinante que nos faz reflectir sobre a simplicidade da vida e das relações humanas sempre tão pouco valorizadas, mas que nos permitem uma riqueza interior muito mais valiosa do qualquer riqueza material.

Um jovem sonhador que se torna um pensador, um “vendedor de sonhos”. Marco Pólo vai dissertando sobre saúde mental, acerca dos normais e anormais da sociedade, solidariedade, compreensão, amor, fé e tolerância. O livro é atravessado, do início ao fim, por uma corrente positiva que nos faz acreditar, aliás, que nos faz ter a certeza da capacidade do ser humano e no porquê de grande parte das pessoas não viverem felizes.

Uma obra que questiona o sentido da vida e a sua qualidade, que questiona e demonstra a hipocrisia da sociedade e a insistência desta em criar máscaras sociais que aprisionam as pessoas, impedindo-as de serem elas.

Um hino à sabedoria que está inserida em todos os seres humanos, mas que, infelizmente, poucos se apercebem.

Todos somos caminhantes da vida, todos temos um caminho a percorrer.

Curioso o Princípio da Co-Responsabilidade Inevitável que faz todo o sentido. Cada ser humano influencia e é influenciado… descubra este principio, é genial, maravilhoso.

Um livro que considero de leitura obrigatória.

Se não brincares com a vida, a vida zangar-se-à contigo”.

Um dia a maioria das pessoas têm de juntar os seus pedaços e reescrever a sua história. Pois muitos passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser

A maioria das pessoas vive porque respira. Já não perguntam quem são e o que são. Estão entorpecidas pelo sistema”.



Classificação: 5

Fantástica Aventura dos Anões da Lua (A) – Catarina Coelho



Uma vez mais confesso que o género fantasia não é, de todo, o meu género predilecto, nem sequer é um género que procure ler. E digo mais, geralmente só pelo facto de o livro ser de fantasia, é o bastante para não lhe tocar.

Este “A Fantástica Aventura dos Anões da Lua” foi-me simpaticamente oferecido pela sua autora, ilustre Membro do Fórum “Estante de Livros”, fórum onde orgulhosamente participo.

Posto isto, por respeito e consideração à autora, empreendi a leitura do livro com toda a boa vontade, tentando, dessa forma, apreciar a leitura, a escrita e, sem simultâneo, efectuar a análise da obra.

Era uma vez uma comunidade de anões que viviam em harmonia. Desconhecendo o mundo que os rodeava, essa comunidade vivia num micro mundo que foi violentamente invadido por alguns homens com o sentido de raptarem o feiticeiro da comunidade a fim de obterem a magia dos anões.

Aterrados por tal ataque e, sobretudo, pela visão de estranhos objectos que tinham o poder de magoar (armas), os anões nem se defendem, deixando assim o seu feiticeiro ser sequestrado.

Decidem então nomear um conjunto de anões a fim de libertar o seu feiticeiro, iniciando-se uma perigosa viagem que os irá colocar frente a curiosos e grotescos seres, assim como, por situações radicais.

Na minha opinião, são claras as semelhanças e influências, ao longo de todo o livro, de alguns autores que conheço: A viagem e até a comunidade fez-me recordar a saga do “Senhor dos Anéis” e, muitos factos, “Harry Potter”. No entanto, à parte dessas influências, este livro é nitidamente uma obra de índole juvenil, pois é mais um género de conto de fadas, cheio de seres fantásticos.

A eterna luta entre o bem e o mal, a suprema certeza ou, diria, a insistência em demonstrar aspectos morais acerca da verdade, da amizade, companheirismo, coragem e amor. Tudo isso é perceptível, penso mesmo que a intenção da autora foi essa, demonstrar ao seu público alvo que, mesmo diante do mal, das dificuldades, há sempre lugar para valores éticos e morais onde, obviamente, o bem acaba por vencer.

Algo de muito positivo que destaco é o mundo criado pela Catarina. Quase de raiz. A maior parte dos seres, a alimentação e até alguma linguagem (expressões). Aí o trabalho criativo é excelente.

Como aspectos negativos, sobressaem os monstros. Corpo de Urso, Cabeça de Crocodilo e Cauda de Escorpião… e ainda por cima com o cérebro de um dos anões… enfim, pode ser que os amantes do género apreciem, mas eu não consigo visualizar semelhantes monstros, não lhes consigo dar credibilidade. Outro aspecto é a escrita por vezes ingénua, um pouco superficial, parecendo preocupada em explicar, á luz das nossas expressões e cultura, o significado de expressões criadas. Compreendo essa escrita face ao publico a quem se destina, no entanto não deixa de ser estranho.

Em suma, este é um livro destinado a um público juvenil, mas que se lê bem, porém admito que os amantes do género fantástico possam apreciá-lo melhor do que eu, pois, uma vez mais, não é sequer um género que leie amiúdas vezes, razão pela qual, também, atribuo uma nota de apenas Razoável.

Classificação: 3

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pequenas Memórias (As) - José Saramago


Em as “Pequenas Memórias”, o “nosso” Nobel da Literatura faz desfilar de uma forma séria, mas e ao mesmo tempo humorística, sempre num tom melancólico que é ditado pela saudade e também por alguns fantasmas que, note-se, Saramago vai exorcizando, as suas memórias, mas memórias da sua infância, particularidade que é responsável pelo título da obra: “pequenas”, porque são memórias de quando foi criança.

Situando-se nas décadas de 20 e 30, ora na Azinhaga, a aldeia onde nasceu, ora em Lisboa, para onde veio viver com os pais ainda bebé, vamos conhecendo o lado humano do escritor, as suas raízes e vivências, as suas mais profundas recordações, traumas e até aventuras e desventuras de um menino igual a tantos outros que, ele próprio o admite, teve uma infância feliz.

Mas é inegável o acerto de contas com algumas das suas memórias, sobretudo no que respeita a memórias familiares.

Este é um livro que, admito, deve interessar mais aos “amantes” de José Saramago como é o meu caso. O estilo está lá todo, assim como os jogos de analogias que ele tanto aprecia (eu também), sempre mordaz, irónico, por vezes bruto, mas transpirando amor e uma imensa saudade. Bem pode desmentir isso, mas é notória a saudade por um tempo há muito guardado na sua mente.

Não sei se ele projecta uma continuação, mas e pessoalmente adoraria. Até figo mais, Saramago deveria escrever as suas memórias, todas, ou pelo menos a que entender.


Classificação: 4

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Mulheres de Mozart (As) - Stephanie Cowell



Este romance baseia-se em acontecimentos reais da juventude de Mozart.

1842, Salzburgo, Vincent Novello visita Sofia Weber para lhe fazer uma série de entrevista a fim de puder escrever uma biografia sobre Mozart. Sofia era a mais nova das irmãs Weber e a única que estava ainda viva.

“As mulheres de Mozart” é um belíssimo romance histórico que apresenta um conjunto de mulheres que, dada a sua íntima ligação com Mozart, foram peças importantes, servindo mesmo de inspiração para várias composições e óperas do maior compositor de todos os tempos, para além dessa inspiração, são igualmente conhecidas várias peças escritas por ele para serem cantadas por Aloisa e Josefa, que foram conhecidas cantoras líricas da altura e também várias peças onde ele brincava com o nome de Constanza e Sofia, as duas irmãs que mais conviveram com ele.

Os Weber eram uma família da média/baixa classe que viviam em Mannheim, Alemanha, cujo pai, Fridolin Weber era um músico com alguma qualidade, dando educação musical às suas quatro filhas que, assim, cresceram num ambiente onde diversos músicos faziam parte das suas relações.

E é precisamente nesse circulo que, certo dia, surge um jovem austríaco desconhecido, mas já tido como sendo um grande talento, chamado Wolfgang Amadeus Mozart, que depressa entra no íntimo circulo de amigos da família, começando também a relacionar-se com todas as jovens, sempre de uma forma muito respeitosa.

Este romance descreve sobretudo a vida dessa família, dando especial enfoque à vida das quatro raparigas – Josefa, Aloisia, Constanza e Sofia – e o “contributo” que elas deram na obra de Mozart.

Mozart é aqui também peça chave, revelando-se um jovem ciente do seu valor e, ao mesmo tempo, zangado com a sociedade que teimava em não lhe atribuir o valor que ele batalhava por merecer. É também esse percurso que nos é dado a conhecer. As ânsias do jovem Mozart sempre em luta consigo próprio e com aqueles que o rodeavam. As suas excentricidade, sendo que numa delas chega mesmo a ser expulso fisicamente da mansão do Arcebispo Colloredo de Salzburgo, só porque foi lá em pessoa dizer ao arcebispo para meter os favores no cú.

Obviamente para quem conheça um pouco da vida de Mozart, ou mesmo para quem viu o filme “Amadeus”, recordar-se-á que Constanza Weber foi sua mulher e mãe dos seus filhos. Só por aí se poderá medir um pouco da enorme importância que teve esta família na obra de Mozart. Mas não foi, de entre as quatro, a única paixão de Mozart, no entanto isso deixo para que descubram por vós próprios.

Foi um romance que me deu um enorme prazer ler sobretudo porque admiro imenso a obra de Mozart, considerando-o não apenas um génio, como também um ser humano que estava desfasado no seu tempo, alguém que mesmo hoje em dia iria sobressair pelas suas qualidades.


Classificação: 4

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Shalimar o Palhaço - Salman Rushdie



1993, no dia do 24º aniversário da sua filha, Max Ophuls é assassinado de uma forma monstruosa pelo seu motorista, Shalimar, parecendo tratar-se de um assassinato por razões políticas, pois Ophuls havia sido embaixador americano na India e dono também de um passado ligado à resistência francesa e responsável pela morte de vários oficiais alemães.

Em estado de choque, pois o crime é cometido praticamente à sua frente, India Ophuls, a filha, não entende como é que um homem tão bom como era o seu pai pode ter sido assassinado daquela forma bárbara. O que India desconhece é que o passado do pai está ensombrado por acontecimentos escandalosos que estão interligados com o seu próprio passado, nomeadamente o caso que o seu pai teve como a sua mãe, que ela nunca conheceu, aquando do mandato do pai na Índia.

Essa é a premissa para uma narrativa algo complexa sobre o passado de Max Ophuls, passado esse que, por ser longo, abrange seis décadas do século XX, logo acontecimentos muito importantes como a 2ª Grande Guerra, a guerra da Caxemira entre a India e o Paquistão, centralizando uma ideia base que acaba por se sentir em todos esses adventos, o radicalismo.

Sendo o primeiro livro que leio de Salman Rushdie, não posso afirmar que a escrita dele me encantou, até porque, e isso é uma ressalva que faço, achei essa escrita algo parecida com a de Garcia Marquez, e mesmo o estilo, esse realismo fantástico está presente em toda a narrativa, dando-lhe efectivamente um tom mágico e até algo épico, pois Rushdie, para além de abordar uma série de eventos históricos, é useiro em dados e curiosidades históricas e culturais, mencionado outras obras literárias.

No entanto o livro também não me desagradou e houve capítulos, diga-se de passagem que todos os capítulos são muito extensos, que me agradaram imenso. Por outro lado e não sendo eu um curioso sobre a História da India, a abordagem de Rushdie à cultura e religião Indu, aborreceram-me. A forma como Rushdie traça o trama também é bastante interessante. O primeiro capítulo é bastante motivador, ficando nós com a ideia que esse crime é por motivos políticos. Rushdie deixa-nos ir pensando nisso até certo ponto para, de repente, traçar uma outra linha condutora, misturando então tudo e, digamos, voltar a dar.
Pode parecer algo confuso, mas a história segue-se bem e com interesse, no entanto e na minha opinião, há períodos aborrecidos mas que não chegam para deslustrar um bom livro.

Classificação: 3

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Viriato - O Filho Rebelde - Sónia Louro


Que livro horrível!

É com livros destes que questiono: como é possível editarem-se textos de tão fraca qualidade, como é possível uma editora, embora neste caso seja uma editora desconhecida, deixar passar um livro tão mau, tão mal escrito?

A história em si até è apelativa. Parece ser um romance histórico sobre Viriato, sobre uma das raizes do nosso povo, os lusitanos.

No entanto a autora - uma tal de Sónia Louro que tem neste livro a sua primeira experiência, simplesmente não consegue encadear a história. Pouca coisa faz sentido, o trama está tão mal formado que depressa o interesse se esvai, até porque nota-se que dos vários episódios que a autora deve ter lido em vários manuais de História, são colocados de uma forma desconexa, tentando com isso construir o trajecto de Viriato, ou algo parecido. Mas fica muito, mas mesmo muito longe de o conseguir, pois ela nem sequer consegue efectuar uma clara descrição do ambiente da época, e note-se que a época em causa é o séc. II A.C.. Nem ambiente, nem usos, costumes, etc. Uma nulidade enquanto romance histórico.

E depois sucedem-se “coisas” hilariantes de tão ridículas que são. O Beltane, que na realidade era o Sabbat Beltane e que era uma festa pagã realizada no primeiro dia de Maio, também conhecida como a “Festa da Primavera” e que celebrava a união da Deusa, sendo também um festival da fertilidade. E o Semhain que, por sua vez, era realizado no Solstício de Inverno e que hoje é conhecido pelo Halloween ou Dia das Bruxas que era também uma festa pagã, como até era natural na altura, mas, para além de ela simplesmente não explicar que acontecimentos eram aqueles, o porquê dos mesmos, que alimentos utilizados, etc, ainda tem o descaramento de os abordar como se fossem uma coisa corriqueira, tipo uma festa de pijamas realizados com meia dúzia de bons compinchas, todos eles em busca de sexo leviano e desenfreado. E curioso também a forma como salta de festa para festa em meia dúzia de páginas. Aliás, basta ver que a certa altura Viriato vai de viagem com uns primos, viagem essa que demora 3 anos mas que em páginas decorre em cerca de 3 ou 4 páginas.

E mais, há tanta coisa sem sentido que tornam o livro numa amálgama putrefacta (eis uma das suas palavras preferidas), sem qualidade nenhuma, quer seja literária, Histórica ou até como simples romance de cordel.

A história?

A história começa com o casamento de Aurelur e Silara, que devia ter sido conforme os hábitos lusitanos. Não sei como eram os casamentos entre os lusitanos, nem fiquei a saber. Depois piram-se os dois e têm uma noite de sexo que é descrito num parágrafo de 3 ou 4 linhas. Depois de manhã, Aurelur, que é um simples pastor, vai para a guerra onde combate ferozmente e fica gravemente ferido. Enquanto está inconsciente, tem a visão de uma bela moçoila que lhe dá uma coisa qualquer para beber e, pasme-se, o tipo possui-a ali mesmo, ganda maluco. E depois acorda. Após a batalha, e tendo ficado com graves perturbações psicológicas, não consegue ter relações com a sua jovem e bonita mulher (não se riam) e anda nisto seis anos que são descritos numa página. E ó depois aparece-lhe uma deusa que lhe diz que essa tal moçoila que lhe havia surgido quando estava ferido, era, ao fim e ao cabo, uma deusa que estava prometida a Cernunnos, o Senhor da Floresta e dos animais, que por causa de ter perdido a virgindade, a moçoila e não o Cernunnos, e ainda por cima ter ficado grávida, irá agora, o Cernunnos, possuir a mulher de Aurelur, sendo que nessa altura seria concebido um bebé... zzzzzzzz, e ó depois Viriato nasce e já é grande.

Antes deste livro sabia pouco sobre os lusitanos e Viriato. Depois desta trampa, fiquei a saber exactamente o mesmo que sabia com a mais valia de saber, agora, que Sónia Louro nunca mais.

Classificação: 1