quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanço Pessoal de 2010

À semelhança do efectuado em 2009, findo 2010 é altura de todos os balanços e, pela segunda vez, vou fazê-lo em relação aos livros lidos em 2010 (nunca senti qualquer curiosidade nesse sentido).

Conforme já transmiti em diversos blogues, nunca dei grande importância à quantidade de livros que leio anualmente. Primeiro porque não vejo grande interesse (muito menos importância) nisso, depois porque gosto de analisar os livros que leio, gosto de analisar o tema antes de iniciar o livro e por variadíssimas ocasiões sinto necessidade de efectuar uma pesquisa histórica após a leitura do livro.

Assim, à semelhança do que fiz o ano passado, resolvi ir apontando o nº de páginas de cada livro, obtendo assim alguns dados bem interessantes: Li mais do que no ano passado, as obras em si foram bem melhores e li também mais páginas, ou seja, um ano bem produtivo.


Livros Lidos: 61
Páginas lidas: 19.856
Média diária (páginas): 56
Média Livros mês: 5
Média Página/Livro: 325


Meu Topo:


O Mais Prazeroso:
Sutree – Cormac McCarthy (adoro todos os livros dele, para mim é talvez o melhor escritor da actualidade)

Mais Divertido
Flashman - George MacDonald Fraser (gargalhadas de principio ao fim de tanta hilaridade. Para além disso, muito bem escrito)

Trabalho a Ler
O Fim do Império Romano - Adrian Goldsworthy (Um livro que de tanta informação, tem de ser usufruído com muita calma. Não pode nem deve ser um livro apenas para consumir)

Decepção
Longe do Meu Coração – Júlio Magalhães (Um Livro claramente feito à pressa com o sentido único de lucro. Efectuei uma entrevista ao autor, já após a minha opinião, que ainda não foi respondida. Compreendo porquê)

Não consegui acabar
Os Thibault – Roger Martind du Gard (Considerado um clássico, mas e pela segunda vez fiquei-me pelo primeiro volume. Uma obra que hoje em dia nada diz)

O Pior
O Simbolo Perdido - Dan Brown (Simplesmente uma fraude, vulgar, sem interesse)

A Revelação
David Soares (Nunca tinha lido nada de David Soares e este ano constatei ter a literatura portuguesa um autor de excelência que, dada a sua juventude, é sinal que a letras portuguesas têm o futuro garantido)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conto Vencedor - Divulgação

Já foi encontrado o vencedor do Concurso de Contos realizado pelo blog: "Que a Estante nos Caia em Cima".


O CARROSSEL - João Manuel da Silva Rogaciano

O recinto da feira fervilhava de vida. Os miúdos e graúdos atropelavam-se na ânsia de percorrerem todas as atracções: o labirinto; os carrosséis; os carrinhos-de-choque; a barraquinha de tiro ao alvo…

- Venham dar uma voltinha no carrossel!... Universo, o melhor carrossel deste recinto!! Meninos e meninas… - gritava o Sr. Humberto, o dono do carrossel Universo. – Estrelas, planetas, cometas, tudo a girar! Venham, meninos e meninas...

Nas bilheteiras do carrossel, onde o Sr. Pereira trocava o dinheiro por fichas, formava-se uma longa fila. Alguns putos, mais descarados, furavam a ordeira linha e passavam à frente dos outros.

Soava a forte campainha, que se fazia ouvir acima da balbúrdia da feira, anunciando que a volta tinha terminado. Os miúdos da próxima volta invadiam o carrossel, como feros índios, em pé-de-guerra, ao ataque. Contrariados, e literalmente expulsos pelos recém-chegados, os catraios da volta anterior saiam dos assentos. Alguns miúdos permaneciam nos seus lugares, segurando de forma visível, na sua mão, a ficha que lhes daria acesso à próxima volta e que evitaria a sua expulsão pelos índios invasores. Os índios ocupavam os lugares livres, soltando gritos de guerra a plenos pulmões. A campainha dava então três toques seguidos, sinal que o carrossel iria iniciar uma nova volta. O filho do Sr. Humberto, um adolescente com ar de fuinha, cabelo rapado, piercings nas sobrancelhas e brincos nas orelhas, dava a sua volta pelos assentos do carrossel e recebia, das mãos dos miúdos, a ficha que lhes permitia efectuar aquela viagem. Rudolfo - assim se chamava o fuinha dos piercings - aproveitava para espetar uns violentos pontapés nos assentos do carrossel. Nunca se percebeu bem porquê: se fazia isso por detestar o seu trabalho, se para assustar os barulhentos putos que ali seguiam na sua volta, ou se era simplesmente por pura maldade. Talvez pelo facto de ser obrigado a passar ali todos os dias da sua juventude, enquanto os outros adolescentes iam à escola e tinham a sua vida social. O fuinha era obrigado a trabalhar de manhã à noite. Se não estava a recolher fichas no carrossel, estava a desmontar o carrossel, a inspeccionar o carrossel, a montar o carrossel, o carrossel, o carrossel, …

Para além dos pontapés de Rudolfo, o carrossel também era atingido pela fúria dos miúdos, que se agarravam aos varões e os abanavam violentamente. Outros, gravavam na madeira dos assentos, as suas iniciais. Alguns, mais velhos, divertiam-se, grafitando os bancos do carrossel, pela calada da noite, quando a feira já tinha sido encerrada. Por vezes, os feirantes apanhavam os artistas e obrigavam-nos a limpar as obras de arte acabadas de fazer e aproveitavam para lhes dar uns sopapos.
E, o que devo eu pensar? Já acompanho este carrossel há cerca de vinte anos, quando o Sr. Humberto o comprou a um feirante espanhol e o remodelou, mudando-lhe o nome de “Los Animales Salvajes”1 para Universo e trocando os bancos com representações de animais - já muito carcomidos e partidos - por novos bancos que representavam estrelas, planetas, cometas, satélites, naves espaciais. A miríade de corpos espaciais foi feita por encomenda, por um carpinteiro amigo do Sr. Humberto.

A pintura ficou a cargo da D. Amélia, a esposa do dono do Universo. E que dotes de pintura a pobre senhora tinha – emprego esta expressão, porque a D. Amélia faleceu há dois anos, deixando todos nós mais pobres.

Mas dizia eu, que nasci há vinte anos, na figura de um belo planeta azul, decorado pela mão da D. Amélia. Aliás, a D. Amélia decorou todo o carrossel com tanta destreza e bom gosto, que eu me sentia extasiado ao ver em roda de mim todo aquele magnífico universo, limpo, bem-cheiroso, que girava, girava…

Já conheci muitos recintos de feiras, muitas pessoas, muitos miúdos. Mas deixem-vos dizer um segredo: quem vê um recinto de feira, vê todos. Quem vê a populaça de uma feira, vê todas. São todos iguais entre si. Corpos amorfos procurando um pouco de alegria artificial, nesta vida rotineira...

Agora, com tanta volta, com tanto barulho todas as noites, com o desmonta aqui, monta ali, os pontapés do fuinha, os grafiti, a sujidade que se acumula e se entranha por mim e pelos restantes corpos espaciais do Universo, sinto-me tão mal, tão agoniado que só me apetece sair daqui. Sair e ir para um local sossegado, relaxante. Longe desta extenuante rotina. Sem fuinhas, sem índios em pé-de-guerra, sem grafiti, sem poluição. Longe do rodopiante e enorme Universo. Gostaria de ingressar num Universo paralelo... Numa realidade alternativa... Tudo seria preferível à vida que levo!...

Apetece-me gritar. Gritar bem alto, acima do barulho da feira, acima da campainha do carrossel, para que todos possam ouvir:

- Sr. Humberto, fuinha, Sr. Pereira…Alguém...Sou eu, o planeta azul… Por favor, parem o Universo. Quero apear-me!

FIM
João Manuel da Silva Rogaciano
jrogaciano@gmail.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Novidades "Publicações Europa-América"

Título: História Concisa de Como Se Faz a Guerra
Autor: General Loureiro dos Santos
Colecção: Estudos e Documentos
Preço: 25.50€
Pp.: 248

Sinopse: No seu novo livro, o General Loureiro dos Santos traça uma súmula da história da guerra ao longo dos tempos, da época pré-clássica à actualidade, condensando informações pertinentes que convertem esta obra num manual ímpar de polemologia.
Abordando metodicamente vários aspectos dos conflitos bélicos, o autor debruça-se em primeiro lugar sobre as influências da técnica na ciência e na arte da guerra e sobre os elementos essenciais de combate.
Em seguida, o autor expõe globalmente a evolução dos sistemas de coacção militar, atendendo às várias épocas históricas, dinâmicas e meios técnicos, culminando na aturada análise de conflitos da actualidade, como a Guerra do Afeganistão e a Guerra do Iraque, e de circunstâncias modernas que condicionam o aparecimento de novos conflitos em peculiares teatros de operações, como a guerra na era da informação .


Título: Por Entre Grãos de Areia
Autora: Josephine Cox
Colecção: Contemporânea
Preço: 25.90€
Pp.: 384

Sinopse: Nos anos 50, em Dorset, duas vidas recomeçam numa vila à beira-mar.
Kathy Wilson tem um sonho: transformar Barden House, a sua casa junto à praia, num ninho de paz e serenidade. E, nesse Verão, ela tem cada vez mais curiosidade no homem solitário que vê passear à beira-mar.
O seu nome é Tom Arnold e West Bay é o seu refúgio de uma vida cruelmente destruída pela tragédia. Atraída por este misterioso homem, Kathy sente que a sua vida vai mudar para sempre.
Mas os segredos e os fantasmas continuam a assombrar Tom e Kathy. Estarão os dois dispostos a aceitar o amor que os une quando o passado ameaça a sua frágil e nova vida?



Título: Uma Ponta de Verdade
Autor: Jeffrey Archer
Colecção: Obras de Jeffrey Archer
Preço: 25.90€
Pp.: 384

Sinopse: Uma Ponta de Verdade é o mais recente livro de Jeffrey Archer, autor que tem deliciado milhões de leitores. Durante seis anos, ao longo das suas viagens pelo mundo, o autor reuniu várias histórias verídicas e inspirou-se também nos seus escritores de contos favoritos (F. Scott Fitzgerald, Maupassant e Somerset Maugham, entre outros) para escrever este livro, sempre com uma ponta de verdade.
Com uma aptidão natural para escrever histórias elegantes, espirituosas e divertidas, Jeffrey Archer é um mestre da caracterização e do suspense e tem um grande talento para reviravoltas inesperadas e surpreendentes.



Título: A Velhice do Padre Eterno
Autor: Guerra Junqueiro
Colecção: Clássicos
Preço: 19.90€
Pp.: 224

Sinopse: Esta obra, que suscitou grande polémica no momento da sua publicação em 1885, é apontada como monumento da crítica anticlerical e como denúncia do farisaísmo. Uma leitura atenta revela a qualidade da combatividade e facilidade de caricaturar de Junqueiro, um estilo que lhe valeu a admiração dos seus contemporâneos.
A Velhice do Padre Eterno é inquestionavelmente um clássico da literatura portuguesa de uma das figuras incontornáveis da nossa literatura.
Esta é uma edição especial com as ilustrações originais de Leal da Câmara. Guerra Junqueiro nasceu em 1850 no seio de uma família abastada. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, acabou por exercer alguns cargos administrativos, tendo sido inclusivamente ministro plenipotenciário de Portugal em Berna, na Suíça (1911-1914). Durante toda a sua vida foi um defensor do liberalismo e desde cedo estreou-se na vida literária, publicando inúmeras obras, na sua maioria poesia. Faleceu em 1923.




Título: A Rainha dos Malditos - II
Autor: Anne Rice
Colecção: Obras de Anne Rice
Preço: 16.65€
Pp.: 260

Sinopse: O segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.
Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.



Título: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos – A Terra dos Gigantes
Autor: Enid Blyton
Ilustrações: Erica-Jane Waters
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos
Preço: 9.34€
Pp.: 128

Sinopse: A Jessica, o Tiago e o Desejoso vão dar parar à Terra dos Gigantes, onde tudo é… GIGANTE! Até a Cadeira-dos-Desejos.
Mas os Gigantes querem ser os donos da Cadeira-dos-Desejos e os pequenos amigos não querem perdê-la, pois, sem ela, ficarão presos naquela terra enorme e nunca mais voltarão para casa. Como hão-de escapar os três amigos sem serem esmagados por uma pata gigante?
Esta é a quarta das Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos, criada por Enid Blyton, a autora de personagens tão famosos como "Os Cinco" e o "Noddy".





Título: A Farmácia Verde
Subtítulo: O Herbário Prático
Autor: James A. Duke
Colecção: Diversos
Preço: 19.90€
Pp.: 304

Sinopse: Desde este herbário prático ao seu livro mais vendido, A Farmácia Verde, James A. Duke, Ph. D., uma das maiores autoridades em plantas, revela os factos sobre praticamente todas as plantas que curam e que se encontram hoje disponíveis no mercado: a sua descrição, história, usos terapêuticos, propriedades medicinais, medicamentos de prescrição médica equivalentes, opções de dosagem, avaliação da eficácia e segurança e precauções.
O inimitável tom popular do Dr. Duke e a sua simpatia brilham ao longo de A Farmácia Verde – O Herbário Prático, fazendo desta uma obra de leitura simultaneamente prática e divertida. Este manual, uma das referências mais completas e extensas deste tipo sobre plantas, foi compilado a partir da selecção dos milhares de entradas presentes na base de dados do Dr. Duke, sobre plantas medicinais em todo o mundo. A base de dados, que o Dr. Duke começou a construir durante a sua carreira enquanto botânico chefe no USDA, é um projecto de uma vida e tornou-se um recurso fundamental de referência para os botânicos, especializados em plantas medicinais, em todo o mundo.



Título: Orações para Principiantes
Autor: Richard Webster
Colecção: Portas do Desconhecido
Preço: 17.50€
Pp.: 176

Sinopse: Descubra como falar com a sua alma.
Um guia singular e enriquecedor sobre o imenso poder da oração.

O simples acto da oração pode incentivá-lo e proporcionar-lhe forças em tempos difíceis, responder a perguntas da vida, ajudá-lo a fomentar uma ligação pessoal com um poder mais elevado e encher o seu coração de conforto e paz profundos. Mas como é que muitos de nós fomos ensinados a orar? A arte de orar com eficácia é totalmente explorada, neste guia singular, pelo autor premiado Richard Webster.
Quer se esteja a dirigir a Deus, ao Universo ou ao seu Eu Superior, esta obra oferece-lhe as ferramentas para se ligar ao divino. O autor oferece técnicas fáceis para alcançar um estado de mente que o leve a uma troca espiritual significativa. Também descobrirá como a oração está associada à magia, como reforçar as orações com a energia dos chakras, criar um espaço sagrado, rezar com mandalas e comunicar com os anjos.
Webster também partilha testemunhos fascinantes —-- desde histórias pessoais a experiências científicas comprovadas — que iluminam o imenso poder da oração.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cândido – Voltaire


O Iluminismo ficou marcado pelo “Principio da Razão Suficiente” de Leibniz que considerava as “coisas são como são e não podem ser de outra maneira”. Esta corrente significava que o mundo real é o melhor dos mundos possíveis, logo, não aceitar o que o mundo nos dá é ir contra o poder criativo de Deus.

Em “Cândido”, Voltaire destrói esse principio, expondo-o ao ridículo e aqueles que acreditavam nesse principio ou dele se serviam.

Todo o livro é um ataque cerrado não só a essa corrente, como também a todos os que se serviam do poder para dele abusarem.

Inicia-se com um simples e cândido beijo e a consequente expulsão de Cândido do castelo onde vivia. Começa aí um périplo que o levará a conhecer praticamente todo o mundo civilizado conhecido, sofrendo desgostos, perdas e acidentes, enquanto que à volta dele a natureza se rebela ou o homem se rebela por ela…

É também visível a imensa desilusão com o ser humano. A certa altura, diz Cândido: “julgam possível que os homens sempre se hajam mutuamente massacrados, como o fazem agora e que sempre tenham sido mentirosos, velhacos, pérfidos, ingratos, salteadores, fracos, levianos, cobardes, invejosos, gulosos, bêbados, avaros, ambiciosos, sanguinários, caluniadores, debochados, fanáticos, hipócritas e idiotas?

Mas a paródia continua implacável.

Os países que na altura dominavam o mundo são descritos de uma forma extremamente negativa. Para além de estarem mergulhados no fanatismo religioso, em todos eles sobressai a hipocrisia, a intolerância e a maldade. Portugal é visto como um país onde só se sabe queimar pessoas por tudo e por nada, ao ponto de Cândido se arrepiar quando, mais tarde, navega ao largo da costa portuguesa.

Até a literatura é ferozmente criticada e Voltaire tem a coragem de abordar alguns clássicos da Antiguidade classificando-os como aborrecidos e lixo.

Uma obra monumental, extremamente actual, que sublinha as doenças sociais do ser humano e onde, sinceramente, não vejo grandes diferenças do tempo de Voltaire com o actual. Ou seja, passados quase 300 anos, tudo está na mesma e quer-me parecer que daqui a 2000 anos nada se tenha alterado, pois e conforme se destaca na obra, a natureza humana não presta.

Luz Miserável (A) – David Soares


David Soares é, quanto a mim, um dos melhores escritores portugueses.

Dono de uma forma de escrever que combina História com ficção e fantasia, ele sabe construir mundos e planos completamente antagónicos com a realidade, colocando os seus personagens a agirem nesses planos como se da realidade se tratasse.

Foi assim no excelente “O Evangelho do Enforcado” e na “Conspiração dos Antepassados”, obra na qual, diga-se, David Soares expressa todo o seu génio criativo e, não sendo o livro que mais gostei, é provavelmente o seu melhor livro.

“A Luz Miserável” é um conjunto de três contos, todos sem ligações, que nos situam em ambientes exóticos, profundamente negros e até sádicos e violentos.

Diferente dos registos dos seus romances, estes contos estão cheios de imagens insanas e provocadoras, resultando em sensações de náuseas e nojo, algo que apenas havia sentido na obra do Marquês de Sade.

Difícil dizer se gostei ou não.

Dos três contos, a Luz Miserável foi o que mais gostei. Senti-me atraído pelo ambiente macabro e gótico, pelos três estranhos personagens alucinados, no entanto não gostei dos laivos de fantasia com que todas as histórias terminam. Nesse aspecto achei que o autor deita a perder o que vai construindo. É algo como uma espécie de construção de um plano baseado na realidade que é posteriormente destruído por factos fantasistas. No entanto, questiono, qual o plano real?

Penso que é uma obra destinada a um certo grupo de leitores. Pessoalmente não aprecio o estilo.

Destaco por último a edição. Páginas negras com letras brancas que realcem o tema.


Deuses e Legiões – Michael Curtis Ford


Embora não seja um grande fã do Império Romano, não posso deixar de admitir da imensa influência que o mesmo teve na civilização ocidental, sendo que, ainda hoje e após 1500 anos do fim do império no ocidente, é visível não só vestígios físicos como também uma herança cultural que legaram ao mundo e que proporcionou a evolução do pensamento moderno.

“Deuses e Legiões” conta a história de Juliano (Séc. IV), narrada pelo seu médico e amigo, Cesário.

Para alem da ascensão do imperador, o que torna este livro atraente é por descrever uma época importante sob dois aspectos: a ascensão do cristianismo que via ainda grande resistência nas velhas tradições pagãs e pelas questões políticas que estão por detrás, cerca de 100 anos depois, do declínio e término do império.

No que respeita à narrativa, penso que essa é a grande mais valia, sendo correcta nos factos e na descrição da época, porém o tom é monótono e ao contrário dos outros livros que já li de Curtis Ford, este tem pouca acção, as batalhas são esporádicas e dá pouca importância, quase no fim, das movimentações e razões de Constâncio aquando este pede a Juliano que lhe forneça tropas para combater os persas.

Ou seja, é um livro que se lê bem e que nos descreve muito bem o estado do império no séc. IV, assim como as alterações politicas e os jogos de interesses que estavam por detrás da ascensão e queda de tantos imperadores.

Porem, na minha óptica, falta acção e uma maior descrição no pormenor. Dada ser uma das épocas melhor documentada, o autor tinha a obrigação de ter investido mais nesse aspecto. Sem falar também em alguns factos que o autor refere mas que nunca foram
usados pelos romanos, foram sim criados pela industria de Hollywood.

Por ultimo nota negativa para a tradução que demonstra não ter estudado nem um pouco a época em questão, pois entre outros, traduz “Julian” para “Julião”. Nunca ouve qualquer imperador com esse nome, mas sim Juliano.

domingo, 28 de novembro de 2010

Livro de Cale (O) – Carlos Cordeiro


Carlos Cordeiro tenta reconstruir os primórdios de Portugal e os acontecimentos que, em certa altura, estiveram por detrás da fundação da nação.

A família Mendes é uma das famílias notáveis de Portucale, condado pertencente a Castela e motivo de preocupação por parte do soberano castelhano, Afonso VI, devido às constante incursões mouras.

Nuno Mendes havia sido o último conde de Portucale. Morto em 1071 na batalha de Pedroso, acaba com Nuno Mendes a tentativa de conseguir mais autonomia junto a Castela e começa ai também toda uma movimentação de várias famílias notáveis de Portucale e Galiza onde interesses opostos davam a estes dois condados uma situação de instabilidade.

Bernardo Mendes, filho de Nuno Mendes, envolve-se com a filha do poderoso Mendes Pais, abade de Santo Alberico, que aproveita o facto para acusar Bernardo de violação e obrigar a família Mendes a encerrá-lo no Mosteiro de Vallado.

É aí nesse mosteiro que Bernardo, enquanto copista, toma conhecimento de um documento que coloca em causa o futuro do condado, mediante uma intriga tendo em vista a tomada do mesmo.

Embora tenha apreciado o trabalho de reconstrução histórica, este romance não me preencheu as medidas.

O autor pega numa premissa válida: um documento secreto. E desenvolve todo um trama que, bem esprimido, não dá em quase nada ou, se quisermos, podia ter sido melhor aproveitado. Ou seja, por um lado temos as descrições da época, o fundo histórico verídico, que são de facto muito bem referidos, por outro lado, a entrada em cena desse documento e depois a acção que se desenrola em torno do mesmo, vai perdendo gás e fazendo com que o interesse da época se vá esvaziando assim como o interesse das verdadeiras razões que estão por detrás desse documento. Pareceu-me também que o escritor pretendeu efectuar algumas encruzilhadas que depois desata mal, é pouco credível na forma como o faz. Por exemplo, recordo-me da forma como Bernardo acha o Livro de Cale ou até na entrada em cena no jantar no Mosteiro de Santo Alberico.

É um livro razoável, que nos dá uma visão correcta daqueles tempos. Lê-se bem e está escrito de uma forma muito agradável respeitando a forma de falar medieval.

Peca, na minha opinião, por ter um trama rebuscado e pouco credível, chegando a ser mesmo sensaborão na forma como a história é construído e dirigida, tornando-se por vezes chato, mas que nos faz sentir, de facto, o ambiente do séc. IX.


Médico de Córdova (O) – Herbert le Porrier


Moisés Maimónides foi um médico judeu nascido em 1135 em Córdova, que ficou para a História por ter sido, não apenas médico e amigo do sultão Saladino, como e principalmente pela obra que deixou, uma obra filosófica, cientifica e teológica que serviu de estudo e influência a todo o Ocidente.

Filho de um famoso erudito, desde criança sentiu estar na ciência o seu percurso de vida e o estudo da filosofia e teologia fez dele uma dos maiores figuras do seu tempo, pois entre outros factos, procurou conciliar os princípios religiosos, algo verdadeiramente inovador.

Viveu numa época conturbada e, após a invasão dos muçulmanos, viu-se obrigado a abandonar a sua Córdova, deambulando por vários locais onde se registam locais como Marrocos, Palestina, até se fixar definitivamente no Cairo, onde veio a falecer em 1204.

Está sepultado próximo do Mar da Galileia e o seu túmulo é ainda hoje lugar de peregrinação para o povo judeu.

Herbert Le Porrier faz um trabalho notável de reconstituição da vida deste homem, descrevendo muitíssimo bem a época, como todo o percurso de Moisés, sobretudo, e toda a obra foca isso, a evolução do seu pensamento e as influências de outros na sua obra.

Descreve Córdova como admirável centro cultural que contava com uma biblioteca que albergava setecentos mil volumes, a maioria manuscritos únicos, biblioteca totalmente queimada em 1148 pelos conquistadores.

Um livro que adorei ler, não só pelas descrições da época, como também por me ver confrontado com o nascimento de ideias que estão por detrás da filosofia de grandes personagens, eles mesmos, na origem do pensamento moderno.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ciência no Tempo dos nossos Avós – Ciência a Brincar 10



Este pequeno livro, pelo titulo facilmente se constata tratar-se de um livro destinado a um público mais juvenil, traz-nos algumas tradições do nosso país explicadas através de um conjunto de actividades experimentais explicadas de uma forma muito simples.

Ou seja, são aqui apresentados objectos presentes na vida portuguesa há mais de 40 anos e até alimentos como o caso de como preparar queijo usando o cardo ou salgar a carne.

Com ilustrações de crianças de 6, 7 e 8 anos, as experiencias, algumas das quais necessitam de materiais difíceis de arranjar, são explicadas passo a passo tendo como objectivo serem realizadas em casa com a ajuda dos pais.

Um livro muito interessante para despertar a curiosidade das crianças para a ciência.

Ciência Horrível – Planeta em Perigo – Nick Arnold


Antes de mais sublinho o trabalho da editora Europa-América ao publicar esta colecção “Ciência Horrível” que tenho vindo a acompanhar.

De uma forma extremamente divertida, sempre acompanhada de ilustrações de Tony de Saules, a ciência é aqui explicada a miúdos e graúdos de uma forma simples assente em números. Ou seja, os exemplos são sempre quantificados dentro de uma dimensão e comparados de forma que sintamos o impacto do que nos está a ser explicado.

Por outro lado, estes livros procuram sempre dar exemplos algo, vá lá, horríveis, até mesmo nojentos.

Incide também em várias experiencias que dão como exemplos casos imensuráveis, como “atreve-te a descobrir como derreter a Gronelândia“, ou “como destruir a civilização em 8 ½ passos fáceis”.

Concretamente o livro fala-nos essencialmente do clima e do impacto nos seres humanos. Como era há milhares de anos e como será dentro de alguns anos.

Uma colecção a reter para os mais jovens mas que não faz mal ser lida pelos mais velhos, pois assim, se calhar, irão constatar que o que anda a acontecer no planeta e com isso fazê-los pensar no futuro que o planeta nos reserva.

Tratado de Vampirologia de dr. Abraham Van Helsing – Edouard Brasey


Há muito que sou um apaixonado pelas lendas e folclore que o rodeia a vampirologia, confessando ser “Drácula de Bram Stoker” um dos meus filmes favoritos e de ter sentido um grande deleite aquando da realização da leitura conjunta da obra de Stoker.

Infelizmente o vampirismo tornou-se moda na literatura e no cinema e, desde há uns anos, tem-se assistido à banalização do tema, surgindo como cogumelos, para todos os gostos, chegando ao ponto de se desvirtuar algumas das características que estão associados a estes caminhantes das trevas.

Fiquei interessado neste “Tratado de Vampirologia” quando me apercebi que não era mais um livro de vampiros, mas sim um livro que aborda o tema numa vertente mais de estudo das crenças e tradições, e estava certo.

Obviamente que a figura de Van Helsing é ficcional, mas o que o autor empregar foi um tom de seriedade que é suposto alguém ter quando é a maior sumidade no assunto. Ou seja, “pegou” no maior caçador-cientista de vampiros e, “servindo-se” dele como narrador, tratou de elaborar um compêndio de História do Vampirismo desde os primeiros relatos conhecidos (Babilónia) até ao final do séc. XIX.

Sabiam que eram as mulheres que estavam, nos primórdios, associadas ao vampirismo? E que, como não podia deixar de ser, a igreja está por detrás do ressurgimento dos mitos na Idade Medieval aproveitando-se das superstições pagãs que abundavam entre a classe camponesa, toda ela analfabeta?

Este livro aborda todos os aspectos do assunto, enriquecendo-o com histórias de casos supostamente verídicos mas que tomavam ares de lendas.

Mas vai mais longe.

Refere os sinais que identificam aqueles que são vampiros, classifica os vários tipos de vampiros (desconhecia existir tantos tipos diferentes) e ensina até a caça-los.

Muito longe de ser um romance com vampiros metrosexuais e namoradas enjoadas, este tratado dá-nos uma visão das lendas que povoam certas regiões do planeta que nos ajudam a compreender o fenómeno e o mito por detrás da História.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Queda dos Gigantes (A) – Ken Follett


Trata-se de um romance, histórico, mas não deixa de ser um romance.

No entanto o autor, no final nas secções “agradecimentos” e “personagens históricos”, refere que teve um consultor histórico que o “poupou a muitos erros”, deixando claro que as personagens ficcionais são testemunhas de acontecimentos verídicos e que “a cena aconteceu, ou poderia ter acontecido, ou as afirmações foram feitas, ou poderiam ter sido feitas. "

Fica assim claro que é um romance em que os acontecimentos são verídicos.

Mas não deixa de ser um romance e vou tentar não me esquecer disso.

Esta obra gigantesca de Ken Follett, que tem com “A Queda dos Gigantes” o seu primeiro volume de uma trilogia que é suposto abranger todo o século XX, revela-se um objectivo muito ambicioso, diria até, algo utópico face aos inúmeros acontecimentos desse século, porém compreendo que o autor queira centrar a obra na sua cultura, porém é na mesma muito ambicioso.

Confesso que foi com muita curiosidade que iniciei a leitura desta obra. Não tanto por ser um apreciador do autor, mas sobretudo por ter lido ser esta obra comparável a “Guerra e Paz”.

Quanto a essa comparação só é possível se quantificarmos o nº de páginas porque, quanto ao resto, é como compararmos um colar de diamantes e rubis a um colar de missangas feito na hora na Rua Augusta, isso sendo o colar de diamantes Guerra e Paz. Assim quanto a essa possível comparação dou o assunto por fechado.

Ken Follett procura explorar o ponto de vista político de vários povos e culturas, penso que esse é o dado que sobressai no início da narrativa. Aliás, toda a narrativa é bastante centrada nas questões políticas e estratégicas nos bastidores da Guerra.

Desde logo traça-nos a sociedade da altura (1914), a diferença entre burguesia e povo, sendo curioso verificar que seja na Alemanha, seja na Rússia, as diferenças são mínimas.

Neste contexto, o autor aborda muitíssimo bem o estado dos impérios, deixando antever as alterações sociais e políticas que estavam em marcha, sublinhando o início do Movimento Sufragista feminino e a Revolução russa que, mais à frente, terá um tratamento cuidado por parte do autor.

Ou seja, Ken Follett é exímio na forma como coloca as situações e as vai explicando. Consegue situar o leitor e passar para o mesmo o cenário num estilo muito cinematográfico.

Desta forma é perfeitamente perceptível as razões que levaram à Grande Guerra, surpreendendo pela positiva a forma como o autor consegue interligar a História com ficção, recordando-me da narrativa de algumas das batalhas mais sangrentas do conflito que Ken Follett brilhantemente descreve, embora, na minha óptica tinha campo para explorar melhor, sobretudo no que respeita às dificuldade e misérias dos soldados nas trincheiras (a vida nas trincheiras).

No entanto e embora seja um romance que, compreendo pretenda narrar e centrar-se nas principais potências, falha estrondosamente ao omitir factos históricos que tiveram uma influência vital no desenrolar do conflito.

A 1ª Guerra Mundial opôs dois campos distintos aliados entre si por diversos acordos. Por um lado estava o Tríplice Entente (os aliados) liderados pelo Império Britânico, França e Império Russo mas onde participaram mais 30 nações, entre elas, Portugal (1917). Do outro lado as Potências Centrais composta pelos Impérios Alemão, Austo-Hungaro, Turco-Otomano e Bulgária.

Ou seja, cerca de 40 nações estavam em guerra e o autor referencia apenas 8: Inglaterra, País Gales (compreende-se dado que é o país do autor), França (aparentemente só deram as trincheiras), Alemanha, Rússia, Estados Unidos e, na fase inicial, Áustria e Sérvia.

Lamentável a forma como o autor sonega a participação de outras nações, sobretudo aquelas que estiveram presentes nas trincheiras e que tiveram milhares de mortos entre os milhões de soldados mortos na guerra das trincheiras.

Nessa terrível guerra das trincheiras, segundo Ken Follett, apenas estiveram presentes tropas britânicas e alemãs. Os franceses andam por ali a pastar não se sabendo bem a fazer o quê, mas enfim, e os norte-americanos acabam por entrar na guerra quando se apercebem que aquilo começava a pender para o lado alemão e se os alemães vencessem a guerra, lá se ia o pagamento das armas que haviam vendido aos restantes aliados.

Depois esquece-se que é nesse conflito que surgem pela primeira vez os bombardeamentos aéreos. não contei nenhuma alusão a sequer um avião. Os gases tóxicos são mencionados mas de uma forma muito ligeira quando, na verdade, eram um dos terrores dos soldados de ambos os lados. Assim como menciona uma ou duas vezes o uso dos tanques quando tais veículos foram usados por diversas vezes, sobretudos pelos alemães.

Algo que também não gostei foi o fraco aproveitamento da Revolução Russa.

Então o homem até consegue narrar muito bem o percurso e as razões que estão por detrás da revolução mas esquece-se de, sequer mencionar o assassinato do Czar e da sua família, perdendo-se em quezílias entre os bolcheviques e os mencheviques?

Compreendo que essas quezílias, as diferenças de políticas pós revolução, as modificações operadas fossem mais importantes para o desenrolar da história, mas entre casos entre lençóis o autor não arranjava um buraquinho para colocar o assassinato ordenado por Lenin e levado a cabo no dia 17 Julho de 1918, não seria uma mais valia?

Mas enfim.

Embora o livro tenha sido escrito de uma forma muito comercial tendo em vista o mercado a quem se destina (é notório o graxismo aos britânicos e norte-americanos), a escrita é simples e objectiva não se perdendo em descrições, sendo concisa nas suas explicações políticas e extremamente prático na descrição da sociedade da altura e do modo de vida das pessoas.

Não tendo achado nenhuma obra prima, considero ser este um bom livro e confesso que vou seguir a trilogia, pois estou interessado em saber o que vai suceder a algumas personagens assim como ao desenrolar da situações política e social da Europa e resto do Mundo, pese embora e pela amostra, não seja muito difícil perceber o que aí vem.

Novidades "Editorial Bizâncio"


Título: Como Observar as Pessoas
Autor: Janine Driver
Colecção: Pequenos Livros, 53
Págs.: 320
Preço: 15,00€
Género: Auto-ajuda

Sinopse: Gostava de ser «à-prova-de-bala» no trabalho e de se sentir seguro nos seus relacionamentos? Gostava de sentir-se satisfeito na sua pele? Então, é fundamental ter a noção do que o seu corpo anda a dizer ao mundo. Com graça e «olho clínico», Janine Driver – que trabalhou com o conceituado psicólogo Paul Eckerman, consultor da série da Fox Lie to Me — ensina-lhe os truques que lhe permitirão estar em vantagem na sua vida diária. O seu «Plano em 7 Dias» e as suas «Soluções em 7 Segundos» ensinar-lhe-ão dezenas de «dicas» de linguagem corporal capazes de resolver a seu favor qualquer situação interpessoal. Este livro revelar-lhe-á também métodos que outros especialistas se recusam a partilhar com o grande público, desmantelando grandes mitos da linguagem corporal. Numa época em que todas as vantagens contam — e as primeiras impressões contam mais do que nunca — este é o livro que realmente o ajudará a transmitir a sua mensagem.



Título: Baby Blues 27: Emboscados na Sala de Estar!
Autor: Rick Kirkman e Jerry Scott
Colecção: Banda Desenhada, 51
Preço: 12,61€
Págs.: 132
Género: Banda Desenhada

Com 3 crianças em casa, Zoe, Hammie e Wren, não há muitos cantos onde Wanda e Darryl se possam esconder. Ou participam nas brincadeiras dos manos, ou… participam.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Novidades "Esfera dos Livros"


Título: Álvaro Cunhal - Retrato Pessoal e Íntimo
Autor: Adelino Cunha
Colecção: Biografia
P.V.P: 30 €
Páginas: 632 + 24 extratextos
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: Álvaro Cunhal era um pai dedicado. Os montes de neve retirados dos passeios durante os frios Invernos de Moscovo serviam para fazer a sua filha Ana, deslizar com um pequeno trenó. A alegria e o companheirismo ficavam registados em fotografias que ele próprio revelava em casa.
Estes e outros pormenores de um lado desconhecido do líder histórico do PCP são desvendados na primeira biografia de Álvaro Cunhal. Adelino Cunha traça um retrato completo do homem e do político. Da infância em Seia à entrada no PCP, do seu envolvimento na Guerra Civil de Espanha, às três detenções e à histórica fuga do Forte de Peniche, contada aqui pelos protagonistas que o acompanharam.
Numa pesquisa de mais de três anos, que levou o autor até Madrid, para falar com o histórico líder comunista espanhol Santiago Carrillo, e a Moscovo, onde reconstituiu o quotidiano de Álvaro Cunhal e recolheu documentos inéditos dos arquivos russos, o jornalista Adelino Cunha ouviu testemunhos únicos de pessoas próximas do líder, como Cândida Ventura, Sofia Ferreira, Margarida Tengarrinha, Carlos Costa, Joaquim Gomes, Aurélio Santos, a sua ex-companheira Isaura Moreira e a filha Ana Cunhal, que revelaram facetas e factos até agora pouco conhecidos da vida de Álvaro Cunhal.
Uma biografia fundamental sobre uma figura central da História contemporânea portuguesa.



Título: O Inimigo nº 1 de Salazar
Autor: Pedro Jorge Castro
Colecção: História Divulgativa
P.V.P: 24 €
Páginas: 408 + 16 extratextos
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: Na manhã daquele domingo, 22 de Janeiro de 1961, os passageiros do paquete Santa Maria apercebem-se de que algo está errado quando encontram marcas de sangue no chão. Um homem armado impede-lhes o acesso ao convés superior. Os empregados fazem correr a notícia: «Uns rebeldes tomaram conta do navio.» A liderá-los está o capitão Henrique Galvão, o inimigo número um de Salazar.
Fervoroso salazarista, Galvão começa a desiludir-se e a afastar-se dos ideais defendidos pelo Estado Novo. A ruptura é assumida quando afronta o regime na Assembleia Nacional, onde denuncia a escravatura e vários negócios promíscuos que envolvem a Administração de Angola. Está aberta a porta para o confronto entre os dois homens. Segue-se uma tentativa falhada de atentar contra a vida do presidente do Conselho, em 1951, a prisão, uma espectacular fuga do Hospital de Santa Maria e o exílio. Salazar terá desabafado na altura: «Vamos arrepender-nos mil vezes. É muito mais perigoso que [Humberto] Delgado.»
O ditador não estava enganado. Galvão prepara a «Operação Dulcineia», que ocupa as primeiras páginas da imprensa internacional e expõe o regime português como nunca antes tinha acontecido. Segue-se o sequestro de um avião da TAP de onde são lançados cem mil panfletos a apelar à revolução, e o depoimento contra Portugal na sede das Nações Unidas.
Com base em documentos, na maioria inéditos, de oito arquivos nacionais e do arquivo particular do capitão, e em testemunhos dos seus principais cúmplices, o jornalista Pedro Castro desvenda a vida de Henrique Galvão, num livro único, com uma narrativa empolgante onde não falta acção e intriga.


Título: Rainhas Medievais de Portugal
Autor: Ana Rodrigues Oliveira
Colecção: História
P.V.P: 30 €
Páginas: 678 + 16 extratextos
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: De D. Teresa de Leão e Castela que, embora filha de rei e mãe de rei, foi casada com um conde e um condado governou, passando por D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, D. Inês de Castro, falecida antes da entronização do seu amado D. Pedro I, a D. Filipa de Lencastre, mãe da Ínclita Geração, até D. Leonor, mulher do rei D. João II, a historiadora Ana Rodrigues Oliveira traça o retrato das 17 rainhas medievais de Portugal.
Numa época em que as fontes escasseiam, os silêncios e as omissões são frequentes e em que as mulheres, mesmo sendo rainhas, eram vistas através, e em função, dos seus maridos, os reis, Ana Rodrigues Oliveira, baseada numa pesquisa exaustiva e numa investigação rigorosa, consegue trazer-nos as biografias destas mulheres, desvendando o seu papel, a sua acção, o seu sentir e a sua voz no fluir dos acontecimentos da sua família, da sua corte, dos seus reinos de nascimento e de casamento.
Nesta obra original e única, ficamos a conhecer estas mulheres que deixaram marcas no imaginário dos Portugueses, e através delas viajamos ao longo de quatro séculos de um período fascinante da História de Portugal.



Título: Deus Existe, Eu Encontrei-o
Autor: André Frossard
Colecção: Religião
P.V.P: 15 €
Páginas: 160
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: «Tendo entrado às dezassete horas e dez numa capela do Quartier Latin em busca de um amigo, saí de lá às dezassete horas e quinze na companhia de uma amizade que não era terrena.»

André Frossard tinha 20 anos, era um céptico ateu de extrema-esquerda, de origens judaicas, quando encontrou bruscamente, de forma fortuita, mas instantânea, a verdade cristã, «numa silenciosa e serena explosão de luz». Sem qualquer tipo de evolução intelectual, de inquietação, sem percorrer um longo caminho para chegar até ela, sem procurar nada.
Deus Existe, Eu Encontrei-O é um testemunho pessoal e emocionante da forma como André Frossard encontrou a sua fé. Um acontecimento que operou em si uma alteração na sua forma de ver, de sentir, de pensar e uma transformação do seu carácter. Num tom intimista, o autor, membro da prestigiada Academia Francesa, traz-nos um relato raro e único que se tornou, em todo o mundo, num clássico da espiritualidade.

«Ora, acontece que eu sei, de modo extraordinário, a verdade sobre a mais disputada das causas e o antigo dos processos: Deus existe.»



Título:
Curso de Cozinha
Autor: Henrique Sá Pessoa
Colecção: Manuais e Guias
P.V.P: 20 €
Páginas: 192 + 32 extratextos
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: Comecemos pelas ferramentas do ofício. Conheça tudo o que precisa de saber sobre carne, legumes, peixe, massas, molhos, etc. Arregace as mangas e comece a experimentar as receitas simples e que resultam. Aprenda a fazer arroz cozido, refogado e ovos mexidos... Ultrapassada a primeira aventura culinária, está apto para dar asas ao seu «espírito aventureiro» na cozinha e servir pratos como Massa de tinta de choco com camarão e chilli ou Bife com puré de batata e manteiga de queijo Roquefort. Parabéns! Já ultrapassou os dois primeiros níveis deste Curso de Cozinha de Henrique Sá Pessoa. Tirou as suas dúvidas, aprendeu truques essenciais e impressionou familiares e amigos. Mas para obter o diploma ainda tem de completar mais duas etapas. A fasquia fica mais elevada, os ingredientes vão puxar pela sua imaginação. O chef sugere Lombo de tamboril com crosta de especiarias ou Mousse de lima com framboesas. Não se preocupe, está pronto para assumir o comando por completo da sua cozinha e fazer receitas que mais ninguém faz. O diploma está à vista. Arrisque um Escalope de foie gras com puré de abóbora e chocolate preto, ou um Risoto de cepes com filete de pregado assado e creme de castanhas.


Título: Amor e Sexo no Tempo de Salazar
Autor: Isabel Freire
Colecção: História divulgativa
P.V.P: 26 €
Páginas: 308 + 16 extratextos
Data de lançamento: Novembro

Sinopse: A mulher deveria ser perfeita. Uma dona de casa exemplar, sempre atenta ao marido e aos filhos, esmerada nas artes da cozinha e do bordado, com comportamento aprumado e decente. Nos anos 50, e sobre o olhar atento, conservador e católico de Salazar, o amor e o sexo eram temas tabus. Prevalecia a moral e os bons costumes.
A jornalista Isabel Freire, autora de Fantasias Eróticas, afasta a cortina espessa e pesada que rodeou o amor e a sexualidade nos anos 50 e traz-nos um livro original onde desvenda o mundo dos sentimentos no tempo de Salazar. Um mundo recheado de valores puritanos, de vexame, opressão, tirania e recalcamento sobretudo para o sexo feminino. Durante esta década, os direitos das mulheres portuguesas foram abafados e diminuídos. Forçadas à submissão de género, à dependência económica e afectiva, bem como ao apagamento sexual.
Através de uma pesquisa cuidada e de uma série de entrevistas a especialistas e a pessoas que viveram esta época, Isabel Freire conta-nos como se namorava nos anos 50, do flirt ao beijo na boca, explica-nos que a «mão na mão» dava direito a uma multa no valor de 2$50, já a «mão naquilo» valia 15$ de coima, fala-nos da vida boémia dos bordéis de Lisboa, dos partos em casa e dos abortos clandestinos, das expectativas e ansiedade dos noivos na noite de núpcias, das famílias felizes e da peste que era o divórcio.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mulheres que Amaram Demais – Helena Sacadura Cabral


Helena Sacadura Cabral regressa às biografias com algumas personagens femininas que tiveram impacto no séc. XX e que, segundo a autora, amaram demais a actividade por que ficaram conhecidas.

Numa análise mais vasta, penso que o título não é de todo o mais apropriado, pois o “demais” deixa transparecer alguém que apenas se dedicou a algo ou que se dedicou demasiado a algo e com isso atingiu o sucesso ou a ruína, e neste caso o que se constata é um conjunto de mulheres que sobressaíram, é um facto, mas que tiveram uma vida cheia de outras coisas e não apenas aquilo.

Algo que também me chamou a atenção foi a forma abrangente como a autora procurou distribuir essas personagens pelas várias áreas. Da ciência à arte, do social è moda, da religião à política, passando pelo cinema e política, temos aqui representadas praticamente todas as área de actividade.

A estrutura de cada biografia é simples.

De uma forma breve, há casos que a autora admite pouco se conhecer sobre a vida pessoal da biografada em questão, a autora narra o que se sabe da infância e juventude, o seu percurso na vida, as suas ligações, o que fizeram de importante e a forma como acabaram os seus dias. Vai traçando, aqui e ali e de uma forma subtil, algumas considerações pessoais, até porque há casos em que a autora tem memória.

Pessoalmente achei isso muito interessante. Não se limita a escrever o que já é conhecido, ela vai construindo um perfil mediante a sua visão e memória dessa mulher.

É um livro que se lê muito bem e que narra a vida de algumas das mulheres mais importantes do séc. XX.