quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Novidades "Bizâncio"



Título: O Messias
Autor: Marek Halter
Colecção: Ilhas Encantadas, 1
Págs.: 448
Preço: 15,00 €
Género: Romance Histórico

Sinopse: «A passagem de Reubeni por Portugal (…) provocou ao que parece conversões ao judaísmo, como a de Diogo Pires que tomaria o nome de Salomão Molco
Maria José Pimenta Ferro Tavares



David Reubeni diz-se general de um exército vindo do deserto, enviado por seu irmão José, o soberano do misterioso reino de Chabor. O seu projecto é arrojado: reunir na Europa um exército judeu que deverá tomar aos turcos a terra de Israel e constituir aí um reino judeu, devolvendo ao ocidente cristão o controlo dos lugares santos de Jerusalém. De olhar sombrio e aparente indiferença perante os clamores que suscita, este homem leva o seu projecto a Veneza; a Roma, à corte do papa Clemente VII; ao rei de Portugal D. João III; a Francisco I de França e até ao imperador Carlos V. Para os milhões de judeus europeus, perseguidos ou dificilmente tolerados, expulsos de Espanha, convertidos à força em Portugal, David Reubeni torna-se o Messias e por todo o lado a exaltação mística alimenta a lenda. Levará a bom termo o seu arrojado projecto? Escapará às apertadas malhas da Inquisição?




Título: O meu nome é Victoria
Subtítulo: História de uma criança roubada pela ditadura argentina
Autor: Victoria Donda
Colecção: Vidas, 32
Preço: 15,00 €
Págs.: 224
Género: Autobiografia

Sinopse: Um testemunho único sobre o destino das crianças desaparecidas na Argentina durante os anos de chumbo da ditadura militar. Durante o período negro da ditadura argentina (1976-1983), os militares torturaram e assassinaram dezenas de milhares de pessoas. Nas prisões, centenas de bebés foram roubados às mães e entregues a simpatizantes do regime. Aos 27 anos, Victoria descobre que é uma dessas crianças. Na altura, dá ainda pelo nome de Analía e desconhece por completo a história trágica do seu nascimento. Não sabe que o seu próprio tio – torcionário e dirigente de um dos mais importantes centros clandestinos de detenção de Buenos Aires – teve mão activa no sequestro e assassínio dos seus pais, entregando-a de seguida, sob um nome falso, a uma família de militares.

Prosseguindo a luta política dos pais, recupera o seu verdadeiro nome e faz-se eleger deputada em 2007.




Título: Gossip Girl 7: Ninguém o faz melhor
Autor: Cecily von Ziegesar
Colecção: Gossip Girl
Págs.: 272
Preço:11,90€
Género: Romance

Sinopse: É Primavera e as nossas vidas renovam-se. Todos nos preparamos para a universidade e é obviamente altura de festas — como se não fosse sempre! Agora que B perdeu finalmente a virgindade com N, mal consegue esperar para repetir uma e outra vez. Mas será que a relação deles tem pernas para andar? E será que B consegue entrar em Yale? Será que N engatará S e ambos deixam B sozinha? Só o tempo o dirá; mas uma coisa é certa, o amor está no ar e cheira imenso a Envy da Gucci.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Alma das Pedras (A) - Paloma Sanchez-Garnica


Eis um excelente romance passado em duas épocas distintas, mas que nos situa em plena Era medieval onde a violência espreitava a cada esquina.

A autora, que de facto consegue recriar de uma forma brilhante aquela época, situa-nos nos sécs. IX e XII. 300 anos separaram os acontecimentos narrados mas o objectivo é único: o túmulo de S. Tiago onde, dizem, está sepultado um dos apóstolos de Jesus.

O romance inicia-se em 824 com a descoberta dos restos mortais do apostolo Tiago, mas como se pode ter a certeza disso se não há sequer nenhuma prova de o apostolo ali ter estado em vida?

Mas isso importa?

É através desse facto que nasce a lenda e a região começa a ganhar notoriedade, pois torna-se num dos lugares de peregrinação da cristandade, ocorrendo ali milhares de peregrinos para rezarem diante do túmulo do apostolo.

Porém, no seio daqueles que criaram o mito, há o arrependimento que corrói e que os leva ao dilema entre a razão e o coração. Nasce assim um documento que narra toda a verdade, no entanto o conhecimento dessa verdade só será efectiva se for a vontade de Deus e esse pergaminho é encerrado algures bem longe… e nasce a lenda que irá ocasionar uma busca por esses pergaminhos.

Independentemente de ter achado a história de fundo algo rebuscada, por vezes forçada e até, em diversas ocasiões, sem grande fundamento e até interesse, o certo é que adorei a forma como a autora recriou a época.

A violência comum está bem vincada, conseguimos sentir as dificuldades das pessoas e até não escapa o sentido de olfacto quando a autora refere o fedor dos corpos e dos ambientes carregados, onde o cheiro a suor se misturava aos de urina e de fezes.

Por mim o romance vale imenso pelo fresco criado, pelas imagens e outros sentidos que a autora consegue transmitir. Não pela história que, repito, é algo rebuscada, não se percebendo bem a obsessão de certos personagens e a forma insistente, quase cega, como perseguem um objectivo, sendo então o final mais do que previsível.

Apreciei também o estilo da escritora. Embora tenha sentido falta de alguma descrição, um certo desenvolvimento descritivo, o estilo é simples e objectivo, as mudanças de épocas bem escolhidas, fazendo com que os factos da história se interliguem.

Um livro que foi best-seller em Espanha e que merece destaque pela qualidade que apresenta.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Verdadeira Peregrinação (A) – Sónia Louro


Sónia Louro é autora de um dos livros mais fracos que alguma vez li.

Viriato – O Filho Rebelde”, é um livro mau, um péssimo início de carreira para Sónia Louro que teve a coragem de continuar, sendo que “Cônsul Desobediente”, onde a autora romanceia a vida de Aristides de Sousa Mendes, é já um livro muito satisfatório onde se nota uma imensa evolução.

“A Verdadeira Peregrinação” é o seu quarto romance histórico e, pese embora não tenha lido “A Vida Secreta de D. Sebastião”, penso que Sónia Louro envereda aqui por um caminho algo perigoso e que lhe pode impedir a boa evolução que atrás referi.

Neste último romance a autora tenta fazer um registo que misture ficção histórica ao thriller, algo como Dan Brown ou José Rodrigues dos Santos, curiosamente ambos os autores mencionados neste livro e onde se nota que Sónia Louro se inspirou.

No entanto, e embora a história de fundo seja muito interessante: a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, no que toca à parte do thriller, a autora denota uma enorme ingenuidade e uma fraca capacidade para construir um trama coerente, lógico e interessante.

A história começa quando Guilherme se desloca ao cemitério para aí levantar os ossos do avô falecido há 7 anos. Junto às ossadas, o coveiro um pingente de prata que entrega a Guilherme. Surpreendido por tal objecto, Guilherme depressa constata que dentro do pingente se encontra um papel dobrado que tem uma frase: “o rir e penar dá graça e é vida. Confiscar”

A partir daí nasce toda uma série de mistérios, perseguições, roubos e agressões em roda de um mistério maior, supostamente encriptado num misterioso volume supostamente escrito por Fernão Mendes Pinto: “ A Verdadeira Peregrinação”.

Gostei da narrativa atribuída a Fernão Mendes Pinto, assim como das considerações de Francisco Fonseca, no entanto no que respeita aos mistérios, cifras e demais enigmas, achei muito fraco e incoerente.

Logo à partida duas questões se colocam: quem colocou o pingente junto ao corpo do avô de Guilherme e porquê? Será que isso é respondido durante a narrativa? Não!

Depois estamos todo o livro à espera do grande mistério que Fernão Mendes Pinto escondeu na obra e no final…

Guilherme, ele próprio, admite que nunca sequer conseguiu resolver umas simples palavras cruzadas, mas, depois, ele e a avó, que apenas leu sobre isso nos tais romances de Brown e Rodrigues dos Santos, são capazes de decifrar cifras e sistemas complicados. Pouco coerente!

Mas há mais. Há todo uma série de incoerências que tornam o texto frágil, pouco credível e até irritante, principalmente quando chegamos ao fim e nos apercebemos que a “montanha pariu um rato”.

Mas pronto, pode ser que a autora evolua nesse aspecto, porém e na minha opinião, fazia melhor em seguir o género romance histórico e deixar de lado o thriller histórico, até porque, face à saturação do mercado, esse género foi chão que já deu uvas.

Farmácia Verde (A) – O Herbário Prático – James A. Duke


Hoje em dia o ser humano procura voltar um pouco atrás no que respeita aos produtos biológicos, fazendo o mesmo no que respeita à saúde, pois, cada vez mais, está-se a redescobrir o uso curativo de centenas de plantas, fruto também de uma apurada análise e investigação das mesmas. Plantas utilizadas durante centenas de anos que, face ao desenvolvimento da medicina, caíram no esquecimento ou então começaram a ser vista como mesinhas antiquadas quando, essas mesmas plantas, estão na origem da maioria dos medicamentos contemporâneos.

James A. Duke efectua um trabalho notável com esta obra que, desde já, aconselho vivamente a todos aqueles que se interessam pelo tema ou que queiram passar a ter.

Ora bem, este senhor passou três décadas, um pouco por todo o mundo, a descobrir, identificar, testar, avaliar, classificar e catalogar centenas de potenciais plantas medicinais. A partir daí, e depois de esquadrinhadas em laboratório, compilou tudo numa base de dados dando origem à presente obra e que muito me surpreendeu.

São centenas de plantas aqui referidas, o que curam, em que malfeitas podem ser utilizadas, como administra-las, as propriedades, dosagens e precauções.

Acreditem, é um manual soberbo, incrivelmente de fácil percepção e, principalmente, constatamos que a maioria das plantas são fáceis de encontrar.

Novas Rubricas

Quando criei este blog (Junho 2007), a minha ideia era de apenas e só colectar num único local as minhas opiniões que fui espalhando por alguns sites da net, assim como por algumas publicações.

Há quase 4 anos que sou fiel ao meu propósito e, exceptuando a apresentação de novidades de algumas editoras, nunca me desviei do objectivo nem sequer senti necessidade de enveredar por outros rumos.

Desde o nascimento do blog nlivros, o mundo bloguista deu um salto enorme. Assisti ao surgimento de inúmeros blogs literários, uns melhores que outros, alguns com uma qualidade enorme e muitos que sobrevivem apenas alguns meses, contudo e independentemente da minha opinião sobre essa qualidade, comecei a sentir necessidade de dar outras abordagens ao meu blog do que as meras opiniões sobre os livros que vou lendo.

Continuando a ser um blog onde vou expondo as minhas percepções sobre as obras que leio, decidi iniciar novas rubricas de interesse da literatura portuguesa. Não vou noticiar agendas, datas de lançamentos ou sessões de autógrafos. Não! Vou apenas tentar espicaçar o interesse e relembrar que a literatura portuguesa nada fica a dever a qualquer outra.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Novidade "Saída Emergência"


Título: VÍnculo de Sangue
Autor: Patricia Briggs
Género: Literatura Fantástica
Páginas: 304
PVP: 17,75€
Data de Lançamento: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: A fantasia urbana tem uma nova heroína: Mercy Thompson.
Ela é forte e independente, mas num mundo repleto de perigos, será isso suficiente?

Mercy tem amigos em lugares estranhos e sombrios. E agora deve um favor a um desses amigos: o vampiro Stefan precisa das capacidades de metamorfose de Mercy para entregar uma mensagem a um vampiro recém-chegado à cidade. O que Mercy não sabe é que este novo vampiro tem um segredo: na verdade é um feiticeiro possuído por um demónio prestes a lançar o caos na cidade. Depois de várias tentativas da comunidade
paranormal para destruir a criatura, Mercy vê-se envolvida na refrega: embora os seus amigos vampiros e lobisomens sejam mais fortes do que ela, são as suas habilidades especiais que poderão salvar a todos. E quando descobre a verdade sobre essas habilidades, Mercy vai aprender muito sobre o seu passado e os lobisomens que a criaram...




Título: Tatuagem
Autor: Melissa Marr
Género: Literatura Fantástica
Páginas: 272
PVP: 17,95 €
Data de Lançamento: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: Leslie, de dezassete anos, não sabe nada sobre fadas nem sobre as suas lutas obscuras pelo poder. Quando se sente atraída por uma tatuagem estranhamente bela, só sabe que tem de a ter, convencendo-se de ter encontrado um símbolo tangível das mudanças de que precisa desesperadamente na sua vida.

A tatuagem traz mesmo mudanças – não do tipo que Leslie sonhou, mas mudanças sinistras e irresistíveis, que ligam Leslie a Irial, um rei das fadas tenebroso e temível que luta pela alma da sua corte.
Aos poucos, Leslie é arrastada cada vez mais para dentro do mundo feérico, incapaz de resistir ao seu fascínio e de compreender os seus perigos…

Melissa Marr dá seguimento aos seus contos de Fadas numa história sombria e arrebatadora de
tentação e consequências, e de heroísmo quando menos se espera.




Título: Nação
Autor: Terry Pratchett
Género: Literatura Fantástica
Páginas: 304
PVP: 18,85€
Data de Lançamento: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: No dia em que o mundo acaba o jovem Mau vai a caminho de casa, vindo da Ilha dos Rapazes. Em breve, será um homem. É então que chega uma onda enorme, ar rastando atrás de si a noite escura e trazendo também um navio, o Doce Judy. Quando a marcha do navio é travada com estrondo, apenas uma alma sobrevive (ou duas, incluindo o papagaio). A aldeia desapareceu. A Nação, tal como a conhecia, desapareceu. Resta apenas o jovem Mau, que não veste quase nada, uma rapariga dos homens-calças, que veste demasiado, e um monte de mal-entendidos. E também grande quantidade de não-saber-o-que-fazer. Ou lá como se diz. Juntos, deverão construir uma nova Nação a partir de fragmentos. E construir uma nova história.

Mas...
QUEM GUARDA A NAÇÃO? ONDE ESTÁ A NOSSA CERVEJA?

...a velha história não se limitará a desaparecer pacificamente,pelo menos enquanto os Avôs tiverem voz. E Mau terá de olhar o passado antes de conseguir encarar o futuro.




Título: Laços de Sangue
Autor: Charlaine Harris
Género: Horror / Lit. Fantástica
Páginas: 288
PVP: 17,85 €
Data de Lançamento: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: Depois do desastre natural do furacão Katrina e do horror criado pelo homem da explosão na cimeira de Vampiros, Sookie Stackhouse vive segura mas atordoada, ansiando que as coisas voltem ao normal. Mas o seu namorado, Quinn, é um dos desaparecidos. E as coisas mudam, quer isso agrade ou não aos lobisomens e aos vampiros do seu canto do Louisiana. Nas batalhas que se seguem, Sookie enfrenta perigo, morte... e, mais uma vez, a traição de alguém que ama. Mesmo que deixe de haver pêlo de lobo no ar e mesmo que o sangue frio dos vampiros deixe de jorrar, o seu mundo não voltará a ser o mesmo...



Chancela "CHÁ DAS CINCO"






Título: Jogos na Noite
Autor: Sherrilyn Kenyon
Género: Literatura Romântica / Paranormal
Páginas: 272
PVP: 18,85€
Data de Lançamento: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: Alguém tão perigoso e atormentado como Vane Kattalakis não é quem parece.

Um Predador do Homem na forma de lobo, ele é um alvo a abater pelos muitos inimigos. Vane não está à procura de uma parceira, mas as Parcas marcaram Bride como sua. Agora tem três semanas para a convencer de que o sobrenatural é real ou perderá o respeito dos seus pares.
Mas como é que um lobo convence uma mulher a confiar-lhe a vida quando tem inimigos na sua peugada? Num mundo tão cruel como o dos Predadores humanos, o amor fará alguma diferença?

Novidades "Esfera dos Livros"


SINOPSE

Três gerações de Borbóns percorrem as páginas deste livro: do malogrado infante D. Alfonso, cuja brutal morte esteve rodeada de detalhes que se contam aqui pela primeira vez, ao nascimento de Leonor, primogénita dos actuais Príncipes das Astúrias, e de Sofia, sua irmã. E entre estas gerações as fascinantes vidas de D. Juan e D. María, Vitória Eugénia, D. Jaime, os actuais reis Juan Carlos e Sofia, as infantas Pilar e Margarida, irmã do monarca, o príncipe Filipe e as infantas Helena e Cristina. Algumas destas histórias foram vividas nos mais variados locais de exílio: Cannes, Roma, Lausana e, por fim, Estoril, o paraíso triste. Analisa ainda as relações entre os seus membros, o ímpeto sexual, tão potente em todos os varões da dinastia, as noivas inconvenientes, as amantes e também o dinheiro, o desperdício ou a falta, que propiciou tantas situações de «glamour» como momentos de extrema pobreza. Uma família que partilha uma mesma paixão: a luta pela sobrevivência da monarquia, a ambição de que haja sempre um Borbón no trono e o desejo legítimo de não voltar a passar fome.


BIOGRAFIA

Pilar Eyre nasceu em Barcelona. Estudou Filosofia e Letras e Ciências da Informação. Foi jornalista, tendo sido colunista, entrevistadora e repórter em vários jornais e revistas como a Hoja del Lunes, Mundo Diario, La Vanguardia, Interviú, El Periódico de Catalunya e El Mundo, entre outros. Colaborou em diversas rádios e televisões. Autora de vários livros, entre os quais destacamos: Dos Borbones en la corte de Franco, e Ricas, famosas y abandonadas — publicados com grande êxito em Espanha. Publicou vários ensaios Vips: todos los secretos de los famosos, Mujeres, veinte años después e Cibersexo; e os romances Todo empezó en el Marbella Club e Callejón del olvido, que foi adaptado ao teatro. A biografía Quico Sabaté, el último guerrillero, foi adaptada ao cinema. O seu primeiro romance histórico Ena, La apasionante historia de Victoria Eugenia, mulher de Alfonso XIII vendeu mais de 50 mil ex. Publicou María La Brava, a biografia da mãe do actual rei de Espanha.

Pilar Eyre estará em Lisboa nos dias 2 e 3 de Fevereiro e estará disponível para conversar com os jornalistas nestas datas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fim do Império Romano (O) – Adrian Goldsworthy


Embora não seja um fã do Império Romano, confessando mesmo que me aborrecem amiúdas vezes os livros que tenho lido sobre o tema, no entanto e conforme já tenho referido aqui e ali, é um império que teve uma enorme influencia na cultura ocidental, sendo também o império que mais anos sobreviveu.

Oficialmente o Império Romano do Ocidente teve o seu colapso em 476 d.C., enquanto o Império Romano do Oriente sobreviveu mais mil anos. No entanto há uma questão que se impõe: como e porquê um império que dominou o mundo conhecido, acaba por desaparecer e, com ele, todo o esplendor de outrora?

Esta pergunta, simples mas de complexa resposta, é aqui analisada ao ínfimo pormenor, completamente dissecada. E as razões assim como as explicações, vão-nos surgindo de uma forma estruturada e em todo o processo vamos sentindo que o ocaso do império era inevitável face a tantos e graves acontecimentos que assolaram o império.

Nesta opinião não é de todo possível, longe disso, referir razões, pese embora e no fundo, as usurpações que levaram a guerras civis que foram enfraquecendo o império, criando dessa forma condições aos inimigos para se afoitarem no interior dos territórios romanos, no entanto muitas outras implicações tiveram influência para fazerem cair toda uma estrutura e uma organização exemplar que, até hoje em dia, mete respeito.

Um livro essencial para entender como um império pode cair de uma forma lenta mas estrondosa.

Ilha do Final do Tempo (A) – Javier González


Conta a lenda de Borodón que, algures no Oceano Atlântico, surge ao longo dos séculos, uma ilha misteriosa que encerra enigmas nunca antes compreendidos e que poucos são aqueles que a viram.

Numa pequena vila espanhola, é descoberto nas ruínas de uma igreja, um corpo mumificado emparedado e, junto dele, um manuscrito, uma pena e uma figura de uma santa há muito dada como desaparecida.

Como foram lá parar?

Quem era essa pessoa, aparentemente um monge, que ali estava emparedado?

Várias questões se colocam e vários mistérios surgem dessas questões interligando lendas com História e Fé.

Classificaria esta obra como fantasia mas com fortes laivos de romance histórico.

Gostei do desenrolar do romance, assim como dos factos históricos que o autor se serve para construir o trama. Achei curiosa as ligações que ele efectua, fazendo também sentido a forma como ele conduz a história, pese embora existam algumas questões de pormenor que ficam sem resposta.

No entanto trata-se de uma obra essencialmente fantástica, chegando a pontos de devaneio que, na minha opinião, lhe retira alguma beleza mas que, de certo, vai proporcionar grandes momentos de prazer aos aficionados do género.

Em todo o caso, este é um livro que se lê muito bem, diverte, entretém e dá-nos alguns conhecimentos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanço Pessoal de 2010

À semelhança do efectuado em 2009, findo 2010 é altura de todos os balanços e, pela segunda vez, vou fazê-lo em relação aos livros lidos em 2010 (nunca senti qualquer curiosidade nesse sentido).

Conforme já transmiti em diversos blogues, nunca dei grande importância à quantidade de livros que leio anualmente. Primeiro porque não vejo grande interesse (muito menos importância) nisso, depois porque gosto de analisar os livros que leio, gosto de analisar o tema antes de iniciar o livro e por variadíssimas ocasiões sinto necessidade de efectuar uma pesquisa histórica após a leitura do livro.

Assim, à semelhança do que fiz o ano passado, resolvi ir apontando o nº de páginas de cada livro, obtendo assim alguns dados bem interessantes: Li mais do que no ano passado, as obras em si foram bem melhores e li também mais páginas, ou seja, um ano bem produtivo.


Livros Lidos: 61
Páginas lidas: 19.856
Média diária (páginas): 56
Média Livros mês: 5
Média Página/Livro: 325


Meu Topo:


O Mais Prazeroso:
Sutree – Cormac McCarthy (adoro todos os livros dele, para mim é talvez o melhor escritor da actualidade)

Mais Divertido
Flashman - George MacDonald Fraser (gargalhadas de principio ao fim de tanta hilaridade. Para além disso, muito bem escrito)

Trabalho a Ler
O Fim do Império Romano - Adrian Goldsworthy (Um livro que de tanta informação, tem de ser usufruído com muita calma. Não pode nem deve ser um livro apenas para consumir)

Decepção
Longe do Meu Coração – Júlio Magalhães (Um Livro claramente feito à pressa com o sentido único de lucro. Efectuei uma entrevista ao autor, já após a minha opinião, que ainda não foi respondida. Compreendo porquê)

Não consegui acabar
Os Thibault – Roger Martind du Gard (Considerado um clássico, mas e pela segunda vez fiquei-me pelo primeiro volume. Uma obra que hoje em dia nada diz)

O Pior
O Simbolo Perdido - Dan Brown (Simplesmente uma fraude, vulgar, sem interesse)

A Revelação
David Soares (Nunca tinha lido nada de David Soares e este ano constatei ter a literatura portuguesa um autor de excelência que, dada a sua juventude, é sinal que a letras portuguesas têm o futuro garantido)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conto Vencedor - Divulgação

Já foi encontrado o vencedor do Concurso de Contos realizado pelo blog: "Que a Estante nos Caia em Cima".


O CARROSSEL - João Manuel da Silva Rogaciano

O recinto da feira fervilhava de vida. Os miúdos e graúdos atropelavam-se na ânsia de percorrerem todas as atracções: o labirinto; os carrosséis; os carrinhos-de-choque; a barraquinha de tiro ao alvo…

- Venham dar uma voltinha no carrossel!... Universo, o melhor carrossel deste recinto!! Meninos e meninas… - gritava o Sr. Humberto, o dono do carrossel Universo. – Estrelas, planetas, cometas, tudo a girar! Venham, meninos e meninas...

Nas bilheteiras do carrossel, onde o Sr. Pereira trocava o dinheiro por fichas, formava-se uma longa fila. Alguns putos, mais descarados, furavam a ordeira linha e passavam à frente dos outros.

Soava a forte campainha, que se fazia ouvir acima da balbúrdia da feira, anunciando que a volta tinha terminado. Os miúdos da próxima volta invadiam o carrossel, como feros índios, em pé-de-guerra, ao ataque. Contrariados, e literalmente expulsos pelos recém-chegados, os catraios da volta anterior saiam dos assentos. Alguns miúdos permaneciam nos seus lugares, segurando de forma visível, na sua mão, a ficha que lhes daria acesso à próxima volta e que evitaria a sua expulsão pelos índios invasores. Os índios ocupavam os lugares livres, soltando gritos de guerra a plenos pulmões. A campainha dava então três toques seguidos, sinal que o carrossel iria iniciar uma nova volta. O filho do Sr. Humberto, um adolescente com ar de fuinha, cabelo rapado, piercings nas sobrancelhas e brincos nas orelhas, dava a sua volta pelos assentos do carrossel e recebia, das mãos dos miúdos, a ficha que lhes permitia efectuar aquela viagem. Rudolfo - assim se chamava o fuinha dos piercings - aproveitava para espetar uns violentos pontapés nos assentos do carrossel. Nunca se percebeu bem porquê: se fazia isso por detestar o seu trabalho, se para assustar os barulhentos putos que ali seguiam na sua volta, ou se era simplesmente por pura maldade. Talvez pelo facto de ser obrigado a passar ali todos os dias da sua juventude, enquanto os outros adolescentes iam à escola e tinham a sua vida social. O fuinha era obrigado a trabalhar de manhã à noite. Se não estava a recolher fichas no carrossel, estava a desmontar o carrossel, a inspeccionar o carrossel, a montar o carrossel, o carrossel, o carrossel, …

Para além dos pontapés de Rudolfo, o carrossel também era atingido pela fúria dos miúdos, que se agarravam aos varões e os abanavam violentamente. Outros, gravavam na madeira dos assentos, as suas iniciais. Alguns, mais velhos, divertiam-se, grafitando os bancos do carrossel, pela calada da noite, quando a feira já tinha sido encerrada. Por vezes, os feirantes apanhavam os artistas e obrigavam-nos a limpar as obras de arte acabadas de fazer e aproveitavam para lhes dar uns sopapos.
E, o que devo eu pensar? Já acompanho este carrossel há cerca de vinte anos, quando o Sr. Humberto o comprou a um feirante espanhol e o remodelou, mudando-lhe o nome de “Los Animales Salvajes”1 para Universo e trocando os bancos com representações de animais - já muito carcomidos e partidos - por novos bancos que representavam estrelas, planetas, cometas, satélites, naves espaciais. A miríade de corpos espaciais foi feita por encomenda, por um carpinteiro amigo do Sr. Humberto.

A pintura ficou a cargo da D. Amélia, a esposa do dono do Universo. E que dotes de pintura a pobre senhora tinha – emprego esta expressão, porque a D. Amélia faleceu há dois anos, deixando todos nós mais pobres.

Mas dizia eu, que nasci há vinte anos, na figura de um belo planeta azul, decorado pela mão da D. Amélia. Aliás, a D. Amélia decorou todo o carrossel com tanta destreza e bom gosto, que eu me sentia extasiado ao ver em roda de mim todo aquele magnífico universo, limpo, bem-cheiroso, que girava, girava…

Já conheci muitos recintos de feiras, muitas pessoas, muitos miúdos. Mas deixem-vos dizer um segredo: quem vê um recinto de feira, vê todos. Quem vê a populaça de uma feira, vê todas. São todos iguais entre si. Corpos amorfos procurando um pouco de alegria artificial, nesta vida rotineira...

Agora, com tanta volta, com tanto barulho todas as noites, com o desmonta aqui, monta ali, os pontapés do fuinha, os grafiti, a sujidade que se acumula e se entranha por mim e pelos restantes corpos espaciais do Universo, sinto-me tão mal, tão agoniado que só me apetece sair daqui. Sair e ir para um local sossegado, relaxante. Longe desta extenuante rotina. Sem fuinhas, sem índios em pé-de-guerra, sem grafiti, sem poluição. Longe do rodopiante e enorme Universo. Gostaria de ingressar num Universo paralelo... Numa realidade alternativa... Tudo seria preferível à vida que levo!...

Apetece-me gritar. Gritar bem alto, acima do barulho da feira, acima da campainha do carrossel, para que todos possam ouvir:

- Sr. Humberto, fuinha, Sr. Pereira…Alguém...Sou eu, o planeta azul… Por favor, parem o Universo. Quero apear-me!

FIM
João Manuel da Silva Rogaciano
jrogaciano@gmail.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Novidades "Publicações Europa-América"

Título: História Concisa de Como Se Faz a Guerra
Autor: General Loureiro dos Santos
Colecção: Estudos e Documentos
Preço: 25.50€
Pp.: 248

Sinopse: No seu novo livro, o General Loureiro dos Santos traça uma súmula da história da guerra ao longo dos tempos, da época pré-clássica à actualidade, condensando informações pertinentes que convertem esta obra num manual ímpar de polemologia.
Abordando metodicamente vários aspectos dos conflitos bélicos, o autor debruça-se em primeiro lugar sobre as influências da técnica na ciência e na arte da guerra e sobre os elementos essenciais de combate.
Em seguida, o autor expõe globalmente a evolução dos sistemas de coacção militar, atendendo às várias épocas históricas, dinâmicas e meios técnicos, culminando na aturada análise de conflitos da actualidade, como a Guerra do Afeganistão e a Guerra do Iraque, e de circunstâncias modernas que condicionam o aparecimento de novos conflitos em peculiares teatros de operações, como a guerra na era da informação .


Título: Por Entre Grãos de Areia
Autora: Josephine Cox
Colecção: Contemporânea
Preço: 25.90€
Pp.: 384

Sinopse: Nos anos 50, em Dorset, duas vidas recomeçam numa vila à beira-mar.
Kathy Wilson tem um sonho: transformar Barden House, a sua casa junto à praia, num ninho de paz e serenidade. E, nesse Verão, ela tem cada vez mais curiosidade no homem solitário que vê passear à beira-mar.
O seu nome é Tom Arnold e West Bay é o seu refúgio de uma vida cruelmente destruída pela tragédia. Atraída por este misterioso homem, Kathy sente que a sua vida vai mudar para sempre.
Mas os segredos e os fantasmas continuam a assombrar Tom e Kathy. Estarão os dois dispostos a aceitar o amor que os une quando o passado ameaça a sua frágil e nova vida?



Título: Uma Ponta de Verdade
Autor: Jeffrey Archer
Colecção: Obras de Jeffrey Archer
Preço: 25.90€
Pp.: 384

Sinopse: Uma Ponta de Verdade é o mais recente livro de Jeffrey Archer, autor que tem deliciado milhões de leitores. Durante seis anos, ao longo das suas viagens pelo mundo, o autor reuniu várias histórias verídicas e inspirou-se também nos seus escritores de contos favoritos (F. Scott Fitzgerald, Maupassant e Somerset Maugham, entre outros) para escrever este livro, sempre com uma ponta de verdade.
Com uma aptidão natural para escrever histórias elegantes, espirituosas e divertidas, Jeffrey Archer é um mestre da caracterização e do suspense e tem um grande talento para reviravoltas inesperadas e surpreendentes.



Título: A Velhice do Padre Eterno
Autor: Guerra Junqueiro
Colecção: Clássicos
Preço: 19.90€
Pp.: 224

Sinopse: Esta obra, que suscitou grande polémica no momento da sua publicação em 1885, é apontada como monumento da crítica anticlerical e como denúncia do farisaísmo. Uma leitura atenta revela a qualidade da combatividade e facilidade de caricaturar de Junqueiro, um estilo que lhe valeu a admiração dos seus contemporâneos.
A Velhice do Padre Eterno é inquestionavelmente um clássico da literatura portuguesa de uma das figuras incontornáveis da nossa literatura.
Esta é uma edição especial com as ilustrações originais de Leal da Câmara. Guerra Junqueiro nasceu em 1850 no seio de uma família abastada. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, acabou por exercer alguns cargos administrativos, tendo sido inclusivamente ministro plenipotenciário de Portugal em Berna, na Suíça (1911-1914). Durante toda a sua vida foi um defensor do liberalismo e desde cedo estreou-se na vida literária, publicando inúmeras obras, na sua maioria poesia. Faleceu em 1923.




Título: A Rainha dos Malditos - II
Autor: Anne Rice
Colecção: Obras de Anne Rice
Preço: 16.65€
Pp.: 260

Sinopse: O segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.
Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.



Título: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos – A Terra dos Gigantes
Autor: Enid Blyton
Ilustrações: Erica-Jane Waters
Colecção: As Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos
Preço: 9.34€
Pp.: 128

Sinopse: A Jessica, o Tiago e o Desejoso vão dar parar à Terra dos Gigantes, onde tudo é… GIGANTE! Até a Cadeira-dos-Desejos.
Mas os Gigantes querem ser os donos da Cadeira-dos-Desejos e os pequenos amigos não querem perdê-la, pois, sem ela, ficarão presos naquela terra enorme e nunca mais voltarão para casa. Como hão-de escapar os três amigos sem serem esmagados por uma pata gigante?
Esta é a quarta das Novas Aventuras da Cadeira-dos-Desejos, criada por Enid Blyton, a autora de personagens tão famosos como "Os Cinco" e o "Noddy".





Título: A Farmácia Verde
Subtítulo: O Herbário Prático
Autor: James A. Duke
Colecção: Diversos
Preço: 19.90€
Pp.: 304

Sinopse: Desde este herbário prático ao seu livro mais vendido, A Farmácia Verde, James A. Duke, Ph. D., uma das maiores autoridades em plantas, revela os factos sobre praticamente todas as plantas que curam e que se encontram hoje disponíveis no mercado: a sua descrição, história, usos terapêuticos, propriedades medicinais, medicamentos de prescrição médica equivalentes, opções de dosagem, avaliação da eficácia e segurança e precauções.
O inimitável tom popular do Dr. Duke e a sua simpatia brilham ao longo de A Farmácia Verde – O Herbário Prático, fazendo desta uma obra de leitura simultaneamente prática e divertida. Este manual, uma das referências mais completas e extensas deste tipo sobre plantas, foi compilado a partir da selecção dos milhares de entradas presentes na base de dados do Dr. Duke, sobre plantas medicinais em todo o mundo. A base de dados, que o Dr. Duke começou a construir durante a sua carreira enquanto botânico chefe no USDA, é um projecto de uma vida e tornou-se um recurso fundamental de referência para os botânicos, especializados em plantas medicinais, em todo o mundo.



Título: Orações para Principiantes
Autor: Richard Webster
Colecção: Portas do Desconhecido
Preço: 17.50€
Pp.: 176

Sinopse: Descubra como falar com a sua alma.
Um guia singular e enriquecedor sobre o imenso poder da oração.

O simples acto da oração pode incentivá-lo e proporcionar-lhe forças em tempos difíceis, responder a perguntas da vida, ajudá-lo a fomentar uma ligação pessoal com um poder mais elevado e encher o seu coração de conforto e paz profundos. Mas como é que muitos de nós fomos ensinados a orar? A arte de orar com eficácia é totalmente explorada, neste guia singular, pelo autor premiado Richard Webster.
Quer se esteja a dirigir a Deus, ao Universo ou ao seu Eu Superior, esta obra oferece-lhe as ferramentas para se ligar ao divino. O autor oferece técnicas fáceis para alcançar um estado de mente que o leve a uma troca espiritual significativa. Também descobrirá como a oração está associada à magia, como reforçar as orações com a energia dos chakras, criar um espaço sagrado, rezar com mandalas e comunicar com os anjos.
Webster também partilha testemunhos fascinantes —-- desde histórias pessoais a experiências científicas comprovadas — que iluminam o imenso poder da oração.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cândido – Voltaire


O Iluminismo ficou marcado pelo “Principio da Razão Suficiente” de Leibniz que considerava as “coisas são como são e não podem ser de outra maneira”. Esta corrente significava que o mundo real é o melhor dos mundos possíveis, logo, não aceitar o que o mundo nos dá é ir contra o poder criativo de Deus.

Em “Cândido”, Voltaire destrói esse principio, expondo-o ao ridículo e aqueles que acreditavam nesse principio ou dele se serviam.

Todo o livro é um ataque cerrado não só a essa corrente, como também a todos os que se serviam do poder para dele abusarem.

Inicia-se com um simples e cândido beijo e a consequente expulsão de Cândido do castelo onde vivia. Começa aí um périplo que o levará a conhecer praticamente todo o mundo civilizado conhecido, sofrendo desgostos, perdas e acidentes, enquanto que à volta dele a natureza se rebela ou o homem se rebela por ela…

É também visível a imensa desilusão com o ser humano. A certa altura, diz Cândido: “julgam possível que os homens sempre se hajam mutuamente massacrados, como o fazem agora e que sempre tenham sido mentirosos, velhacos, pérfidos, ingratos, salteadores, fracos, levianos, cobardes, invejosos, gulosos, bêbados, avaros, ambiciosos, sanguinários, caluniadores, debochados, fanáticos, hipócritas e idiotas?

Mas a paródia continua implacável.

Os países que na altura dominavam o mundo são descritos de uma forma extremamente negativa. Para além de estarem mergulhados no fanatismo religioso, em todos eles sobressai a hipocrisia, a intolerância e a maldade. Portugal é visto como um país onde só se sabe queimar pessoas por tudo e por nada, ao ponto de Cândido se arrepiar quando, mais tarde, navega ao largo da costa portuguesa.

Até a literatura é ferozmente criticada e Voltaire tem a coragem de abordar alguns clássicos da Antiguidade classificando-os como aborrecidos e lixo.

Uma obra monumental, extremamente actual, que sublinha as doenças sociais do ser humano e onde, sinceramente, não vejo grandes diferenças do tempo de Voltaire com o actual. Ou seja, passados quase 300 anos, tudo está na mesma e quer-me parecer que daqui a 2000 anos nada se tenha alterado, pois e conforme se destaca na obra, a natureza humana não presta.

Luz Miserável (A) – David Soares


David Soares é, quanto a mim, um dos melhores escritores portugueses.

Dono de uma forma de escrever que combina História com ficção e fantasia, ele sabe construir mundos e planos completamente antagónicos com a realidade, colocando os seus personagens a agirem nesses planos como se da realidade se tratasse.

Foi assim no excelente “O Evangelho do Enforcado” e na “Conspiração dos Antepassados”, obra na qual, diga-se, David Soares expressa todo o seu génio criativo e, não sendo o livro que mais gostei, é provavelmente o seu melhor livro.

“A Luz Miserável” é um conjunto de três contos, todos sem ligações, que nos situam em ambientes exóticos, profundamente negros e até sádicos e violentos.

Diferente dos registos dos seus romances, estes contos estão cheios de imagens insanas e provocadoras, resultando em sensações de náuseas e nojo, algo que apenas havia sentido na obra do Marquês de Sade.

Difícil dizer se gostei ou não.

Dos três contos, a Luz Miserável foi o que mais gostei. Senti-me atraído pelo ambiente macabro e gótico, pelos três estranhos personagens alucinados, no entanto não gostei dos laivos de fantasia com que todas as histórias terminam. Nesse aspecto achei que o autor deita a perder o que vai construindo. É algo como uma espécie de construção de um plano baseado na realidade que é posteriormente destruído por factos fantasistas. No entanto, questiono, qual o plano real?

Penso que é uma obra destinada a um certo grupo de leitores. Pessoalmente não aprecio o estilo.

Destaco por último a edição. Páginas negras com letras brancas que realcem o tema.


Deuses e Legiões – Michael Curtis Ford


Embora não seja um grande fã do Império Romano, não posso deixar de admitir da imensa influência que o mesmo teve na civilização ocidental, sendo que, ainda hoje e após 1500 anos do fim do império no ocidente, é visível não só vestígios físicos como também uma herança cultural que legaram ao mundo e que proporcionou a evolução do pensamento moderno.

“Deuses e Legiões” conta a história de Juliano (Séc. IV), narrada pelo seu médico e amigo, Cesário.

Para alem da ascensão do imperador, o que torna este livro atraente é por descrever uma época importante sob dois aspectos: a ascensão do cristianismo que via ainda grande resistência nas velhas tradições pagãs e pelas questões políticas que estão por detrás, cerca de 100 anos depois, do declínio e término do império.

No que respeita à narrativa, penso que essa é a grande mais valia, sendo correcta nos factos e na descrição da época, porém o tom é monótono e ao contrário dos outros livros que já li de Curtis Ford, este tem pouca acção, as batalhas são esporádicas e dá pouca importância, quase no fim, das movimentações e razões de Constâncio aquando este pede a Juliano que lhe forneça tropas para combater os persas.

Ou seja, é um livro que se lê bem e que nos descreve muito bem o estado do império no séc. IV, assim como as alterações politicas e os jogos de interesses que estavam por detrás da ascensão e queda de tantos imperadores.

Porem, na minha óptica, falta acção e uma maior descrição no pormenor. Dada ser uma das épocas melhor documentada, o autor tinha a obrigação de ter investido mais nesse aspecto. Sem falar também em alguns factos que o autor refere mas que nunca foram
usados pelos romanos, foram sim criados pela industria de Hollywood.

Por ultimo nota negativa para a tradução que demonstra não ter estudado nem um pouco a época em questão, pois entre outros, traduz “Julian” para “Julião”. Nunca ouve qualquer imperador com esse nome, mas sim Juliano.