sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Passatempo "O Que o Dia Deve à Noite”

O blog NLivros, em colaboração com a editoral Bizâncio, tem para oferecer 3 exemplar do livro, sim, três exemplares do excepcional obra "O Que o Dia Deve à Noite" de Yasmina Khadra.

Título: O Que o Dia Deve à Noite
Autor: Yasmina Khadra
Colecção: Montanha Mágica, N.º 45
ISBN: 978-972-53-0417-4
Págs.: 352
Preço: Euros 7,08 / 7,50      
Género: Romance

Sinopse:
«Um livro pleno de força e beleza. A voz de um grande escritor.» Lire
«O meu tio dizia-me: ‘Se uma mulher te amar, e se tiveres a presença de espírito para avaliar a extensão desse privilégio, nenhuma divindade te chegará aos calcanhares.’ Orão sustinha a respiração nessa Primavera de 1962. A guerra iniciava as suas derradeiras loucuras. Eu procurava Émilie. Tinha medo por ela. Tinha necessidade dela. Amava-a e regressava para lho provar. Sentia-me capaz de enfrentar furacões, trovões, todos os anátemas e as misérias do mundo inteiro.»      
Yasmina Khadra oferece-nos neste livro um grande romance da Argélia colonial (entre 1936 e 1962) — uma Argélia torrencial, apaixonada e dolorosa — e lança uma nova luz, numa escrita soberba e com a generosidade que se lhe reconhece, sobre a separação atroz de duas comunidades apaixonadas por um mesmo país.

Yasmina Khadra, cujo verdadeiro nome é Mohammed Moulessehout, nasceu no Saara argelino em 1955. Hoje é uma das vozes mais importantes do mundo árabe e um digno embaixador da língua francesa. Os seus romances estão traduzidos em dezassete países e encontram um interesse crescente. As Andorinhas de Cabul, que John Cullen traduziu nos USA, recebeu o apoio das mais importantes livrarias americanas e canadianas e o San Francisco Chronicle e o Christian Sciences Monitor elegeram-no como o melhor livro do ano nos Estados Unidos. O prémio Nobel J.M. Coetzee vê neste escritor prolífico um romancista de primeira ordem.

Outras Obras



REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:

1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 02 de Março.

2) Só serão aceites participações de Seguidores do blog NLivros.
3) Os vencedores serão sorteado aleatoriamente, sendo o anúncio dos vencedores efectuado por e-mail e publicado no blog.
4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal.

PASSATEMPO ENCERRADO

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Passatempo " Isabel I de Inglaterra e o seu Médico Português”

Quase dois anos após o último passatempo, o blog NLivros, em colaboração com a editora Esfera dos Livros, tem para oferecer 1 exemplar do livro "Isabel I de Inglaterra e o seu Médico Português" de Isabel Machado, já disponível nas livrarias.


Páginas: 512
Colecção:
Romance
Preço: 23,00€

Formato: 16 x 23,5
ISBN:
978-989-626-357-7

Sinopse:

Quando o médico português Rodrigo Lopes chega a Londres, logo após a ascensão ao trono da nova rainha de Inglaterra, estava longe de imaginar que o seu destino se cruzaria com o da poderosa Isabel I. Filha de Henrique VIII e da controversa Ana Bolena, a jovem princesa foi obrigada a percorrer um longo e árduo caminho até ao trono de Inglaterra.

Com a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir e o trono português a ser ocupado por Espanha, os olhos do mundo voltam-se para Portugal. E quem melhor do que Rodrigo Lopes para levar à rainha e aos seus conselheiros privados informações sobre o reino onde tudo se joga. Entre os dois nasce uma enorme cumplicidade, mas cedo o médico judeu se vê envolvido nas teias do poder, da traição e da ambição, e nem a rainha o conseguirá salvar de um destino trágico.

A jornalista Isabel Machado, no seu romance de estreia, leva-nos até à luxuosa corte de Isabel I. A rainha astuta que casou com o seu reino e que muitos garantem que morreu virgem. Sem marido, nem descendência, marcou para sempre a História de Inglaterra ao impor uma Igreja Anglicana moderada e ao conseguir um longo período de paz e prosperidade económica, abrindo o país às artes e ao mundo. Isabel soltou o seu último suspiro aos 69 anos de idade. Melancólica e saudosa de todos os que partiram antes dela. No pensamento, Robert Dudley o homem que amou durante toda a vida…



Isabel Machado é jornalista, nasceu em Lisboa, concluiu o 12º ano nos Estados Unidos e é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

Nos anos 80 venceu o primeiro prémio nacional de um concurso europeu de dissertação, promovido pela Alliance Française de Paris e, em 2003, foi-lhe atribuído um prémio de jornalismo da fundação Roche e da Liga Portuguesa Contra o Cancro, por uma reportagem publicada na revista LuxWoman sobre cancro infantil.

Fez trabalhos de tradução e de interpretação simultânea, leccionou Português e Francês no ensino básico e Português como língua estrangeira. Durante 11 anos foi pivot e jornalista da Televisão de Macau, colaborando regularmente com publicações locais.

Em Portugal, foi pivot do Canal Parlamento desde 2003 até Janeiro de 2011.



REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:
 
1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 28 de Fevereiro.

2) Só serão aceites participações de Seguidores do blog NLivros.
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente, sendo o anúncio do vencedor efectuado por e-mail e publicado no blog.
4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal.

PASSATEMPO ENCERRADO

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Monge que Vendeu o seu Ferrari (O) – Robin S. Sharma



Eis a fábula que é a essência de tudo: “estás sentado no meio de um magnífico jardim, verde e luxuriante. Este jardim está repleto de flores, as flores mais bonitas que já viste em toda a tua vida. O ambiente que te rodeia é de uma serenidade e silêncios absolutos. Saboreia as delícias sensuais deste jardim e sente que tens todo o tempo do mundo para desfrutar deste oásis natural. Quando olhas em volta, vês a meio do mágico jardim um imponente farol encarnado, com seis andares de altura. Subitamente, o silêncio do jardim é quebrado pelo ranger sonoro da porta do farol a abrir-se. De lá, sai um lutador de sumo japonês, com um metro e noventa e quinhentos quilos de peso, que se aproxima descontraidamente do centro do jardim. O lutador de sumo está praticamente nú. Só tem um cabo cor-de-rosa a tapar-lhe as partes privadas. Quando o lutador de sumo começa a percorrer o jardim, encontra um brilhante cronometro dourado, que alguém deixou para trás há muitos anos. Ele põe-no no braço e cai no chão com estrondo. O lutador de sumo está inconsciente e jaz por terra, silencioso e imóvel. Quando pensas que ele morreu, o lutador acorda, porventura, despertado pela fragância de umas rosas amarelas que se encontram junto dele. Cheio de energia, o lutador põe-se rapidamente de pé e olha instintivamente para a esquerda. Fica espantado com o que vê. Através dos arbustros, nos confins do jardim, vê um longo carreiro serpenteado coberto por milhões de diamantes reluzentes. Algo indica ao lutador para seguir aquele carreiro e, para mérito dele, fá-lo. Este carreiro leva-o à estrada da alegria e da bênção eternas.”

Esta fábula, há muito usada pelos Sábios do Sivana, contem sete objectos que definem as sete virtudes intemporais para uma vida esclarecida e bem sucedida.

Confesso que esta obra me surpreendeu imenso pela positiva. De inicio pensei estar diante de mais um livro de auto-ajuda, mas depois de ler esta fábula, seguida pelas explicações iniciais, constatei da sua objectividade e da sua praticabilidade.

Julian Mantle é um advogado bem sucedido. Rico, charmoso, Julian é implacável na sala de tribunal, conseguindo amealhar fama e uma imensa riqueza que o permite comer nos melhores restaurantes, ter uma casa de sonho, 300 milhões na conta bancária e um Ferrari.

No entanto, num dia, cai em plena sala de audiências repleta de gente, vítima de um ataque cardíaco. Refeito do susto, Julian resolve mudar de vida. Para onde? Nessa busca, Julian viaja à Índia e acaba por tomar conhecimento de um grupo místico de sábios que vivem nas alturas dos Himalaias. A sua busca surte efeito e é no seio desse grupo que Julian irá descobrir as virtudes que irão transformar a sua vida e são elas que nos são mencionadas em várias metáforas, fabulas e alegorias.

Domina a tua mente; Cumpre os teus objectivos; Pratica o Kaizen; Vive com disciplina; Respeita o teu tempo; Serve os outros altruisticamente e Vive no presente.

São estas as sete virtudes e, de facto, este livro faz-nos ver quanto é fácil e acessível praticar essas virtudes e das boas consequências que daí advirão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Divulgação

Titulo: Nós Fomos Nós Dois
Autor: Tiago Gonçalves
Edição: Nov/2011
Páginas: 76
Preço: 8.00€
Editora:
Edium
 
 
Sinopse:
O desespero de Júlio empurra-o para Mafalda, uma jovem mas experiente terapeuta habituada a lidar com inquietos desenquadrados sociais. A relação entre eles flui com a natural química de um aparente jogo predestinado, mas as suas convicções são tão diferentes como as suas personalidades.
A afinidade e complementaridade entre ambos é por demais evidente, mas será que os seus caminhos se juntarão ou, pelo contrário, eles nunca se aproximaram?
Nestas páginas não só poderá encontrar a resposta, mas também toda a história entre ambos, que alternam entre si a narração de como tudo se passou.

Tiago Gonçalves, jovem escritor de 25 anos, nasceu e cresceu no Porto, com horizontes abertos e gosto pela literatura desde a sua infância, crescendo à medida que os anos passavam. Licenciou-se em Sociologia na Faculdade de Letras do Porto, apurando o seu sentido crítico e analítica, pois durante toda a vida procurou aprender, conhecer e pensar, por si próprio. Em Novembro de 2010, lançou o seu primeiro livro, um conto, intitulado "De Uma Só Sorte" e um ano depois, foi publicado o seu segundo livro, a novela intitulado “Não Fomos Nós Dois”.
O presente livro pode ser adquirido na livraria WOOK (compra online), nas lojas Book.it, e também a livraria Unicepe (Praça Carlos Alberto, 128-A, Porto), e na livraria Pó dos Livros (Av. Marques de Tomar, 89 A, Lisboa).
Proximamente publicarei a minha opinião sobre a obra.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Se fosse vivo, o que escreveria Charles Dickens?

Comemora-se hoje por todo o mundo o bicentenário do grande escritor britânico, Charles Dickens (1812-1870).

Em Lisboa, esta efeméride é comemorada através de uma exposição patente na Biblioteca Nacional, Sala de Referência, com a mostra das edições portuguesas. Na Hemeroteca Municipal é inaugurada a exposição “Dickens nas Colecções das Bibliotecas Municipais de Lisboa”. De referir que, pelas 18H, na Biblioteca-Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária em Lisboa, o cineasta Lauro António apresentará a palestra “O Universo de Charles Dickens no Cinema”.
Mas este apontamento serve para a questão levantada hoje pelo jornal “O Público”: Se fosse vivo, o que escreveria Charles Dickens?
Li muitos dos romances de Dickens, alguns até mais do que uma vez e cuja opiniões, algumas, poderão ser encontradas no Blog. A  literatura de Dickens fascina-me. Os seus romances são fortes, duros, baseados na sua própria vida e descrevendo a sociedade vitoriana como nenhum outro.
E hoje em dia, o que escreveria Charles Dickens?
Penso que continuaria a mostrar as várias facetas da nossa sociedade. Provavelmente, efectuaria um fresco sobre os anos doirados da União Europeia e o fim dessa Era e o desastre posterior que está a destruir ou a fazer regredir quase tudo o que foi (bem) feito ao nível social no século XX.
Escreveria sobre o facto de as sociedades não conseguirem aprender com o passado e continuar a cometer os mesmos erros.
Escreveria sobre pessoas que passaram de uma vida estável para uma vida de miséria sem que a perspectiva de um futuro minimamente condigno lhe seja apresentado.
Escreveria sobre a destruição propositada das estruturas sociais e da total ausência de sensibilidade e solidariedade entre os Membros da União Europeia.
Escreveria essencialmente sobre pessoas e o que a besta cega do capitalismo está a fazer (mal) nas suas vidas e no futuro da sociedade que não é risonho.
Se calhar, chegaria á conclusão que o Homem é maior praga deste planeta e acabaria por se tornar um eremita numa qualquer floresta em Inglaterra.
Tinha muito que escrever, pois o manancial é rico e um escritor com o génio de Dickens, saberia explorá-lo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sacanas com Lei – Rosa Ramos & Sílvia Caneco


Rosa Ramos e Sílvia Caneco são duas jovens jornalistas que, ao longo de vários meses, frequentaram o Tribunal de Pequena Instância Criminal, onde se depararam com inúmeros pequenos crimes que, neste livro, se propõem a narrar de uma forma humorística.

Nos vários casos que aqui são abordados, e diga-se todos eles muito curtos e de uma forma muito resumida, há de tudo. No entanto sobressai os imensos casos de crimes por taxas alcoolémicas muito superior ao permitido e por conduzir sem carta de condução. Mas há outros curiosos, como aquela que roubou no Centro Comercial, saiu e só foi apanhada porque uma cliente desconfiou e foi fazer queixa. Daquele que depois de pagar a cerveja, se recusou a sair para a ir beber e depois desatou a chamar nomes ao polícia. Do taxista que não sabe se bateu ou lhe bateram. Da viúva ameaçada pelo inquilino. Enfim, histórias mirabolantes, de facto cómicas, ainda por mais quando nos deparamos com as curiosas e imaginativas desculpas dos transgressores.

Foi uma leitura engraçada e igualmente rápida, pois o livro é composto por algumas dezenas de pequenos relatos, semelhantes a crónicas jornalistas, que se lêem bem e que não necessitam de qualquer análises.

No entanto e na maiorias dessas crónicas, sobretudo aquelas em que se refere ser o crime a taxa alcoólica acima do permitido, damos por nós a pensar que até podia ser connosco, pois quem nunca bebeu um pouco mais do que o permitido? Obviamente que isso não significa que após isso vamos conduzir, no entanto não sabemos a vida daquelas pessoas e o que os levou a pegar no carro depois de uns copos com os amigos. Ou seja, nos relatos neste livro expostos, constatamos que a maiorias dessas pessoas não são criminosas e que foram ali parar quase por acaso.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Portugueses e agentes secretos da Coroa?

Fernão de Magalhães e Cristóvão Colombo eram portugueses e cada um teve uma agenda secreta enquanto esteve ao serviço de Espanha. É a tese, polémica, que os irmãos José e António Mattos e Silva apresentam hoje em conferência no Museu do Oriente. Há uma história. E provas? "Estão à espera que haja uma lista de espiões para ser encontrada?"

Há uns tempos, por ocasioão da leitura do Codex 632 de José Rodrigues dos Santos, empreendi um estudo sobre esta temática. Li o livro O Mistério de Colombo Revelado dos Profs. Manuel  da Silva Rosa e Eric J. Steele e fiquei sem dúvidas sobre o facto de Cristovão Colombo não se ter chamado assim e que foi um navegador português ao serviço do rei D. João II.

Hoje em dia isso vale o que vale, porém é impressionante este tipo de estudos, que são sérios e exaustivos, não terem grande repercussão na classe científica e histórica. A questão é, porquê? Interessa a alguém manter a fantochada criada e que continua a figurar nos manuais de História. Alguém acredita que o Colombo, "descobridor da América" foi um tecelão genovês que, poucos anos antes, era analfabeto e pouco depois dominava o latim, matemática e astronomia, tendo acesso à presença dos reis de Portugal e Castela?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cidade e as Serras (A) – Eça de Queirós

Publicado em 1901, um ano após a morte do genial autor, a Cidade e as Serras é considerado por muitos como o seu melhor livro, algo que eu discordo.

Este foi o último livro que Eça escreveu, vindo a falecer quando nem a meio ia na sua revisão, no entanto, Eça deixou-nos um relato onde é claro a sua intenção de reconciliação com o país tão duramente criticado nas suas crónicas e nos seus romances que, na altura, deram brado e tiveram contornos de escândalo, e refiro-me ao "Crime do Padre Amaro" e a "Primo Bazílio".

Nesse aspecto, as Cidade e as Serras é um importante romance no universo queirosiano, e nele sobressai também toda a maturidade do autor, a história, não tendo aquele tom cortante de ironia, é toda ela um hino ao nosso Portugal e à arte de bem escrever, pois e isso admito, Eça, quase como se fosse uma despedida, apruma-se e oferece-nos uma prosa exímia.

A obra coloca frente a frente a civilização, preconizada em Paris, cidade luz e símbolo do charme, do luxo e das ideias positivistas que marcavam a época e a Serra, preconizada em Tormes, no Douro, local perdido nos entranhas de Portugal.

Entre as duas, Eça personifica o Homem civilizado em Jacinto de Tormes que vive rodeado de equipamentos científicos que lhe fazem tudo e pouco deixam para pensar e no Homem simples do campo, representado em Zé Fernandes, que acorda cedo e que vive o seu dia-a-dia preocupado com a lavoura e com pequenos pormenores que o Homem civilizado nem se apercebe que existem.
 
Jacinto representa a elite portuguesa. Vive em Paris rodeado de aparelhos científicos que o despojam de autenticidade, numa vida fútil, cheio de máscaras que, saberemos mais à frente no romance, não o deixam feliz e realizado. Necessita de algo que ele próprio não sabe quantificar.

Representando a vida no campo em Portugal, surge-nos Zé Fernandes. Homem culto, mas habituado à vida no campo,e a gerir as terras e o sustento que as mesmas dão à classe trabalhadora. É ele o narrador da história e aquele que vai mostrar a Jacinto que na serra pode estar a felicidade que a civilização não lhe dava.

Esta é uma obra que tem muito para analisar e que eu o fui fazendo à medida que avançava na sua leitura. Não vou aqui referir o fruto dessas análises, porque, em certa medida, iria abrir demasiado o véu deste belo romance e porque, também, uma opinião quer-se simples e não assemelhar-se a uma resensão, no entanto e entre tantos factos, achei especialmente interessante quando Jacinto se põe a criticar o pessimismo de Schopenhauer.

O romance dá-nos um retracto da vida no campo do Portugal profundo do final do séc. XIX, das suas gentes, da vida dura e da singela simplicidade. Em contraste com a vida numa grande cidade, a mais “in” da Europa, onde a frivolidade andava de mãos dadas com dissimulações, risos falsos e uma vacuidade opressora que transformava as pessoas em escravos. Eça é magnífico na forma como faz sobressair esse contraste, conseguindo transmitir-nos o ambiente, a força e vitalidade dos principais personagens, sejam eles positivos ou negativos, pois há personagens cuja antipatia conseguindo sentir.

Em suma, apreciei imenso esta última obra de Eça, mas não a considero a melhor. Pessoalmente gosto mais do estilo da chamada Segunda Fase de Eça, espelhada em obras como “Os Maias”, “Crime do Padre Amaro” e “O Primo Bazílio”. Gosto mais do seu estilo irónico, mordaz, que fazia sobressair os podres da sociedade portuguesa que teimam em se manter. Esta última fase de Eça, é pós-realista, surge-nos um Eça maduro, reconciliado com Portugal e ciente, na minha opinião, do futuro lugar cimeiro do panorama literário português e querendo deixar para a História, obras exaltando a alma portuguesa e o que de bom Portugal tem.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

D. Dinis – Cristina Torrão


Confesso que conhecia alguma da obra que o tornou D. Dinis num dos principais Reis de Portugal. Fundamentalmente sabia que havia sido ele que cimentou a identidade nacional, que definiu as fronteiras de Portugal com o Tratado de Alcanizes, que procurou povoar todo o território, atribuindo inúmeros forais, que institui a língua portuguesa como o idioma oficial, entre tantos factos que tornam o seu longo reinado de uma riqueza impar.

No entanto desconhecia que estava muito longe de conhecer toda a sua imponência e grandeza e isso, confesso, foi para mim uma enorme e grata surpresa.

Mas vamos por partes.

Primeiro e depois da boa surpresa que foi o livro Afonso Henriques, não esperava menos deste e, minha cara Cristina Torrão, as expectativas estão cada vez mais altas.

Embora eu aprecie a descrição da barbárie das batalhas da Idade Medieval, tenho que reconhecer que esta obra é sublime na descrição da época e na forma como “pinta” os seus protagonistas, a maioria dos quais, para não dizer todos, não se faz ideia de como foram no aspecto físico. No entanto a autora descreve-os, de uma forma geral, e traça-lhes o perfil psicológico e moral de uma forma justa e que, em alguns casos, chega a ser comovedora. Ou seja, a autora é mais uma vez exímia na forma como preenche com ficção os factos Históricos, “pegando” no que se sabe da época e dos personagens, a autora vai tecendo um trama magnífico que se transforma num romance histórico brilhante, de uma excelente qualidade literária.

Logo no início somos colocados diante do acontecimento que vai moldar o carácter de D. Dinis e, a meu ver, ser o principal responsável pela forma como este rei governou e pela sua obra. D. Dinis, então com 5 anos, vai a Toledo conhecer o seu avô, o Rei de Leão e Castela, Afonso X, que ficou conhecido como o “sábio” ou o “astrólogo”, cognomes que denotam a enorme preocupação pela cultura que D. Dinis veio a herdar.

É esse o primeiro capítulo da obra e, com isso, é dado o mote para a acção que a autora vai brilhantemente desenrolando, de uma forma muito cuidada e com todo o vagar, ou seja, ficamos com a sensação de que pouco ou nada ficou por contar, todos os aspectos da vida de D. Dinis são escalpelizados, esmiuçados por vezes de uma forma exaustiva que até se pode tornar um pouco cansativo para quem procura ler de uma forma despreocupada, sem grandes atenções ou cuidados. A meu ver, este é um livro que deve e merece ser lido com muita calma pois a informação é imensa, chega-nos em catadupa e não é fácil assimilar tudo de uma só vez.

Por isso mesmo foi um livro que me demorou mais de um mês a ler. Fui intervalando com outros porque, repito, a informação era muita e achei que este não era apenas mais um livro, mas sim um livro que devia ser apreciado com deleite.

No entanto não foi só aspectos positivos que constatei.

Embora seja um romance histórico no qual a autora pretendeu traçar a vida e a obra de 63 anos de vida e 46 anos de reinado, o livro, em alguns capítulos, torna-se maçudo face às constantes estratégias e interesses políticos. Pessoalmente gosto de mais acção. Conforme referi, gosto das descrições das batalhas. E embora D. Dinis não fosse um rei guerreiro, o certo é que durante o seu reinado houve algumas guerras e muitas quezílias que são aqui aflorados e pouco mais. Por outro lado, confesso que cheguei a achar um pouco enfadonho as descrições das intrigas políticas que, a meu ver, bem exprimidas, eram quase sempre as mesmas, sendo D. Dinis confrontado na maioria das vezes com os mesmos problemas. Aliás, a certa altura o próprio D. Dinis se mostra aborrecido pelas repetidas intrigas. Dessa forma, o livro chega a parecer-se com um compêndio de História, fugindo um pouco do romance histórico. Com isso quero dizer que pode afugentar muitos leitores que procuram mais o entretenimento em prol da informação.

No entanto isso não deslustra a imensa qualidade do romance e a forma honesta e minuciosa como a autora investigou e pesquisou, o que, por si só, é de louvar, pois, com isso, temos a certeza de estar diante de uma história com contornos verídicos de um dos reis mais importantes da História de Portugal.

Um livro que aconselho a todos aqueles que gostam de se deleitar com uma histórias bem contadas e de escrita de qualidade.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Apóstolos da Fénix (Os) – Lynn Sholes e Joe Moore


Uma tradição cristã refere que no caminho de Jesus Cristo para o calvário, uma mulher enxugou o rosto de Cristo num pequeno pano e que a imagem de Jesus teria ficado gravada nesse pano.

Essa tradição, ou relíquia, obviamente que nunca foi comprovada, sendo ao longo dos séculos alvo de várias especulações sobre a sua autenticidade e destino. Hoje em dia, julga-se, ou assim o Vaticano afirma, encontrar-se no santuário do Santo Rosto de Manoppello, a cerca de 200 km de Roma.

Conhecida como o “Véu de Verónica” (deformação do nome “vera ícona”, “verdadeiro ícone”), ou na antiguidade como “a mãe de todos os ícones”, trata-se de um véu ou um fino pano de 17x24 cm, que mostra, de uma forma vaga, a imagem de uma face.

Verdade, mentira? Depende da fé de cada um, em todo o caso, Os Apóstolos da Fénix, gira em torno desta relíquia.

Já o referi em diversas ocasiões, que um dos principais propósitos de um livro é o de entreter. De nada adianta ler um livro erudito, se o mesmo só nos traz longos e intermináveis bocejos e a sua interrupção se revela a melhor parte face a tanto aborrecimento. Ou seja, já li livros, alguns apenas tentei, considerados “obras excepcionais”, “clássicos”, “de leitura imprescindível”, mas que se revelaram enfadonhos, nada prazeirosos e imensamente chatos. Digam o que quiserem os pseudo iluminados intelectuais da nossa praça, mas eu dou muito valor a um livro que me entretém e que me diverte.

Pois bem, Os Apóstolos da Fénix é um desses casos e, confesso, que a sua leitura me deu muito gozo, tornando-se até, em alguns capítulos, viciante.

Aprender, enfim, pouco aprendi, até porque isso é uma das falhas dos autores que podiam explorar um pouco mais o campo que utilizaram, no entanto o livro tem um ritmo alucinante num estilo que nos dá aquela ânsia de querer virar página a página até ao seu epílogo.

Uma equipa de arqueólogos encontra-se a escavar junto ao túmulo de Montezuma II, na Cidade do México, quando se depara com algo muito misterioso no interior do túmulo. Pouco depois, uma violenta explosão mata toda a equipa, excepto uma jornalista que ali estava a acompanhar as escavações.

É o início de uma aventura que nos irá levar a vários pontos do planeta, acompanhando não só essa jornalista, como também um estranho personagem que se intitula o novo Messias e afirma saber como salvar o Mundo da eminente catástrofe prevista para o dia 21 de Dezembro de 2012.

Um livro muito interessante, cheio de ficção a até alguns clichés, é certo, mas que entretém bastante e coloca no mesmo campo de acção o passado da civilização Asteca com a clonagem humana e a tão desejada imortalidade que o Homem sempre buscou, a eterna busca da Fonte da Juventude.

Gostei do livro, pese embora a ficção da imortalidade seja algo difícil de digerir, porém, os autores souberam colar muito bem a história e, julgo, construir todo um trama que daria um belíssimo filme.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Felicidade Conjugal (A) - Leon Tolstói


Para 2012 prometi a mesmo mim voltar aos clássicos. Não ler unicamente clássicos, mas ler clássicos que ainda não li e, quiçá, reler alguns que me marcaram e que há muito tenciono reler.

Dessa forma, foi propositado que o primeiro livro lido em 2012 fosse precisamente de um dos meus escritores preferidos, alguém que tão bem soube caracterizar a sua sociedade e o próprio ser humano, alguém que pouco oiço mencionar pelos vários blogs que frequento e muito menos leio opiniões sobre as suas obras. Um escritor impar, para mim, um escritor que irá figurar sempre nos melhores escritores de sempre: Leon Tolstói.

A Felicidade Conjugal, escrito em 1858, é o livro que podemos considerar que prefigura o portentoso “Ana Karenina” ou, se quisermos e pessoalmente assim o considero, o livro que serve de preparação a Karenina, uma espécie de ensaio a uma das obras maiores da literatura universal.

Refiro isso porque são perfeitamente perceptíveis as semelhanças entre as duas obras. Não só no aspecto narrativo, o que é normal, mas e principalmente, no aspecto de análise e do próprio contexto e da abordagem temática.

María Alexandrovna acaba de ficar órfã e vê entrar na sua vida, Serguei Mikhailovitch, o administrador da família que havia sido um grande amigo do seu pai e que a tinha visto crescer. Vivendo com Kátia, sua perceptora e Sónia sua irmã mais nova, as três levam uma vida isolada numa enorme casa algures numa aldeia russa, longe da civilização, longe de tudo.

É nesse contexto que entra nas suas vidas Serguei que, como administrador, toma conta dos negócios da família e começa a visitá-las amiúde. De início apenas para as colocar a par do estado do património da família, para depois começar a visitá-las como outro interesse: Maria.

Neste ponto Tolstói mostra o seu génio. Não esqueçamos o contexto, uma Rússia rural em finais da década de 50 do século XIX. Um país a lamber as feridas da Guerra da Crimeia que iriam manter-se por muitas décadas e que estariam no embrião da Revolução Russa. Longe de pensar na Revolução, Tolstoi consegue transmitir a imensa tristeza de um país que tentava erguer-se. Como? Utilizando um cenário macambúzio, cheio de imagens cinzentas, iniciando o romance com uma morte e com duas órfãs que ficam um pouco por sua conta, um género de metáfora à Mãe Russa que ficou mortalmente ferida na Guerra da Crimeia.

Mas o romance persegue.

Maria Alexandrovna vive numa espécie de Alegoria da Caverna que Tolstói persegue e tenta explorar.

Serguei Mikhailovitch é o único homem que Maria conhece e por ele começa a ter sentimentos que uma jovem é normal ter. Apaixona-se e sonha por uma vida edílica, cheia de amor ao lado de Serguei. No entanto, ele é bem mais velho e, ao se aperceber dos sentimentos de Maria, tem algumas reservas porque, sendo mais experiente, se apercebe que aquela pode ser um sentimento nascido da solidão e por não conhecer mais homem nenhum. Em todo o caso acabam-se por casar e inicia-se aí a segunda parte da obra.

A história é curta mas muita rica em termos narrativos e na abordagem a várias temáticas que, hoje em dia, são perfeitamente actuais.

O amor inicial, que se tem por fogoso, intenso e até feroz, vai-se transformando num amor mais sólido, mais pacífico e suave, muitas vezes até confundido com amizade. Tolstói explora isso e acerta na mouche. À medida que o romance avança, vamos observando que Seguei se transforma mais num pai do que num amante, e principalmente isso é visível, quando Tolstoi lança uma das suas atordoadas a um dos seus objectos preferidos: A Sociedade, pois é essa sociedade, hipócrita, que vive de aparências, supérflua, que vai ameaçar e transformar o casamento de Maria e Serguei. Nesse aspecto ficou claro para mim a intenção do autor em explorar a Alegoria da Caverna, pois Maria ao conhecer a sociedade de São Petersburgo, sai da caverna e conhece o mundo e a natureza, percebendo assim que a sua realidade estava longe da realidade dos outros.

Um romance genial de um autor genial que, quase 200 anos depois da sua escrita, não perdeu a actualidade e que nos ajuda a perceber o ser humano e o que o move. Um romance que li num ápice e me trouxe a alegria dos grandes clássicos e uma visão que o Tempo passa, mas o ser humano não muda, nem um milímetro.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço Pessoal de 2011

À semelhança do efectuado nos dois últimos anos, esta é a altura de todos os balanços e, como este é um blog dedicado à literatura, vou fazê-lo em relação aos livros que li em 2011.

Este ano li menos do que o ano passado. Confesso que não dediquei tanto tempo à leitura como o fiz no passado, mas enfim, sempre fui lendo e acabei por ler livros interessantes e outros menos, alguns, que nem os considero como leitura, desisti a meio ou pouco depois de os começar. De observar que este foi um ano algo pobre em livros que me empolgassem, daqueles que deixam saudades, que planeamos reler algum tempo depois. Um pouco por culpa própria, pois insisti muito em obras novas em prejuízo de alguns clássicos que continuam na pilha, algo que penso modificar em 2012.



Livros Lidos: 52
Páginas lidas: 17406
Média diária (páginas): 48
Média Livros mês: 4
Média Página/Livro: 334



Meu Top:


1 - A Selva










O Mais Prazeroso:

A SelvaFerreira de Castro: 2011 foi o ano que descobri Ferreira de Castro, autor que foi durante muitos anos o autor português mais traduzido e aquele que esteve muito perto do Nobel, ou pelo menos falava-se sempre nele como possível vencedor. Esta obra é excepcional, é um grito de revolta sobre a vida escrava dos seringueiros, mas é simultaneamente um documento sobre o Ser Humano e uma autobiografia do autor. Uma obra de leitura obrigatória para quem se considera um leitor.


Mais Divertido:

Opereta dos VadiosFrancisco Moita Flores: Entre a seca e a diversão, foi um livro que me aborreceu mas que, de entre os 52 lidos, o que mais me fez rir. Uma obra que diria actual, mas vale a pena ironizar com a javardice governamental quando já nem o povo lhe acha piada?


Trabalho a Ler:

A insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera: Um livro denso, profundo, onde demorei bastante tempo a entrar na escrita e no universo do escritor. Muito bem escrito, mas que me decepcionou face à imensa fama que tem, mas que não me despertou grande interesse. Nem me apeteceu escrever a opinião.



Decepção:

As cruzadas vistas pelos Árabes - Amin Maalouf: Outro livro muito afamado de um autor que é sempre mencionado para o Nobel da literatura, mas que se trata unicamente de um amontoado de informação histórica pinçalgado por ficção. Não gostei. Para além disso encontrei várias inverdades Históricas no livro, o que, por si só, é grave. Outro livro que nem me dei ao trabalho de pensar e escrever uma opinião.


Não consegui acabar:

Não vou referir nenhum, porque não me recordo de nenhum título em especial.


O Pior:

Por ti ResistireiJúlio Magalhães: Uma fraude, sem interesse, sem ritmo, sem nada. Uma nulidade, um autor construído pela sua imagem pública que não consegue cativar e que demonstra não saber pesquisar. O assunto deste livro dava “pano para mangas”, mas deparamo-nos com uma história de amor simplista, mal escrita, cheio de clichés. O ano passado considerei o livro “Longe do Meu Coração” como a decepção. Este ano considero a pior leitura de 2011.


A Revelação:

João Paulo Oliveira e Costa e Cristina Torrão: A literatura portuguesa tem óptimos autores e este ano constatei estes dois nomes que me empolgaram. São dois estilos diferentes, mas semelhantes na forma excelente como construem os romances Históricos e como nos situam no contexto e na época.


Em relação ao blog, quero agradecer as visitas diárias e as mensagens de apoio e trocas de ideias sobre livros. É para isso que eu iniciei esta aventura na blogosfera, e, embora possa por vezes parecer que estou ausente ou desinteressado, a realidade é que todos os dias dou uma espreitadela e sempre que posso, escrevo opiniões e outros artigos. Um bem haja a todos.

Como devem também ter notado, acabei com os passatempos e com as promoções a novos livros. Sem me dar conta, estava a transformar o meu blog num espaço quase gratuito para as editoras promoverem os seus livros. Para além do trabalho que tinha em estruturar essas promoções, ainda tinha de aturar certas exigências, sobretudo no que respeita aos passatempos. Para além disso, e respeitando quem o faça, não aprecio tantos passatempos que inundam a blogosfera e, constatei também, que surgiram muitos blogs apenas com o intuito de sacar livros às editoras. O meu blog é um espaço pessoal, onde escrevo, filosofo e divago sobre as obras que leio, um espaço de trocas de opiniões e, decidi, que não pode ser tomado por alguém que tem como intenção o lucro comercial, esquecendo muitas vezes os leitores.

Para todos os ilustres amigos e amigas que ajudam a crescer o NLivros, um forte abraço e:



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Marquesa de Alorna – Maria João Lopo de Carvalho


Antes de mais, é sempre um enorme prazer ler bons romances históricos, o meu género preferido. Num bom romance histórico, para além de nos ser dado a conhecer a época abordada, o autor consegue-nos situar e quase que interagir com os personagens, uma espécie de relacionamento à distância, como se de facto conhecêssemos as pessoas, fossem nossas amigas e só a distância física nos impede de estarmos e falarmos com eles.

Pois bem, Maria João Lopo de Carvalho, consegue, com este seu primeiro romance histórico, precisamente isso, conseguindo mais, empolga-nos na forma como descreve, não só a vida fascinante de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, como consegue também, através de pormenores e imensas curiosidades, trazer os séculos XVIII e XIX para o nosso seio, tornando-os vivos.

Ou seja, resumindo tudo o que vou adiante escrever, estamos na presença de um romance histórico fabuloso, um dos melhores que li nos últimos anos.

Leonor de Almeida Portugal, 4ª Marquesa de Alorna, 8ª Condessa de Assumar, foi uma mulher fascinante assim como fascinante foi a sua vida.

Nasce em 1750, neta de dos Marqueses de Távora que em 1758 iriam ser alvos de um processo que levou à ruína da família, tem no terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, a sua primeira recordação que irá marcar a sua vida. Não só pelo acontecimento em si, como também porque, quase no seguimento, vê os seus avós Távoras encarcerados e mortos no cadafalso. No seguimento desse célebre processo movido pelo Marquês de Pombal, um dos ódios de estimação da Marquesa, que ordena a prisão de toda a sua família. As mulheres no convento de Chelas e seu pai, na Torre de Belém e posteriormente no forte da Junqueira.

É lá que Leonor irá passar 18 anos. Imaginem o que quase duas décadas de prisão, por um crime que nem sequer existiu, fizeram na mente daquela família.

No entanto, é no cárcere que Leonor constrói a sua personalidade. Começa desde muito nova a escrever ao seu pai e, como ele gostava de poesia, Leonor entretém-se a escrever poemas que os envia ao pai. Curiosa e muito inteligente, entrega-se ao estudo das obras de Rousseau, Voltaire, Diderot, Bayle, entre outros. É o início de uma actividade que lhe irá trazer fama no futuro e o cognome de Alcipe.

Tudo isto e a restante da sua vida fascinante, Maria João Lopo de Carvalho narra brilhantemente. A liberdade e reencontro da família, a luta por limpar o nome dos Távoras, o seu casamento, o nascimento dos filhos, a estadia na corte de Viena onde conheceu Mozart, Salieri, o arquiduque da Áustria José II, entre tantos episódios e acontecimentos que fizeram de Leonor uma mulher do seu tempo mas com uma mentalidade muito além do seu tempo.

Um livro volumoso, mas que se lê num sopro, face à qualidade da escrita, simples e objectiva, e à forma estruturada como a autora coloca os acontecimentos. Sem qualquer pressa, sem pular épocas, tudo está devidamente organizado e facilmente seguimos o percurso da marquesa desde a sua infância até à sua morte em 1839.

Um livro altamente aconselhável, que me deu imenso gozo a ler e que me permitiu ter um conhecimento algo diferente desses dois séculos, sobretudo a segunda metade do século XVIII. Uma época marcada pela Revolução francesa que teve um impacto decisivo no rumo das sociedades.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Solitude, Pequenas Histórias de Grandes Viagens – Sérgio Brota


Confesso que quando iniciei este livro de Viagens, pretendia efectuar uma pequena análise etapa a etapa das viagens descrita. Assim o fiz nos primeiros capítulos, nomeadamente em “Japão – O Estranho Império” e “Transberiano – A Estação do Frio”. Depois, acabei por deixar um pouco de lado o livro e, quando dei por mim, havia-o terminado sem que tivesse voltado a escrever.

Desta forma, vou optar por efectuar uma pequena análise ao conjunto da obra.

Conforme referi nas duas análises anteriores, gostei do estilo de Sérgio Brota. É objectivo e narra, não só o que vai observando, como tem a capacidade de efectuar considerações que nos dão uma imagem pessoal do observado. Ou seja, o autor à medida que se vai deslocando, visitando locais, vai-nos dizendo o que vê, no entanto dá-nos também a sua opinião pessoal em simultâneo que nos enquadra, não só nem termos de espaço-tempo, como também em relação à História do local e do país em questão. Importante realçar a interacção com os locais e a vontade e curiosidade nos costumes e na alimentação.

Diria, no sentido de perceberem o que quero dizer, que Sérgio Brota utiliza uma linguagem cinematográfica. A descrição é efectuada dessa forma, pingada aqui e ali com as tais considerações pessoais que, a meu ver, enriquecem muito a obra porque nos dão uma imagem mais realista do local visitado. E por falar em imagens, nota para as várias fotografias, do autor, a preto e branco que nos ajudam a situar e a visualizar aquilo que o autor observa.

Nota final para a edição da chancela da Papiro Editora. Passe o paleio da editora no seu site, a qualidade desta edição, que deduzo seja daquelas que o autor suporta a maioria das despesas, e refiro-me à encadernação, é talvez o pior que vi até hoje. Folhas individuais, cortadas e coladas a quente. Quando iniciei a leitura, umas 20 páginas depois, já todas estavam soltas. Imaginem como ficou no final. Uma salganhada incrível de folhas soltas. Tive de utilizar cola de encadernador para que o livro ficasse digno de figurar na estante, no entanto e numa análise mais detalhada, este é um exemplar que dificilmente poderá ser lido sem que a mesma cena se repita. Publiquem barato, mas não abusem, pois há aí tanta bosta a ser publicada com encadernações de luxo, que obras de facto com o valor que Solitude tem, merecia uma melhor atenção.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amigas para Sempre – Fátima Lopes


Quatro amigas encontram-se num restaurante para festejar os anos de uma delas.

À medida que o jantar vai avançando, começam as revelações pessoais de cada uma e onde são revelados segredos guardados nos seus íntimos que muito surpreenderão as restantes.

Cada uma delas acaba por ser um pouco o espelho da nossa sociedade, no aspecto em que revelam o medo da vergonha, o medo de ser julgada ou criticada, de mostrar que o que temos não é bem aquilo que mostramos, ou seja, as falsas aparências.

São mulheres com habilitações superiores, bem sucedidas profissionalmente mas que, porém, no aspecto pessoal, têm uma vida vazia, vivem das aparências, vivem para a sociedade.

As revelações são surpreendentes e, através do desabafo que vão tendo, onde exprimem as suas dificuldades, complexos e problemas, assistimos a um transformar da vida de cada uma delas, demonstrando que a verdadeira amizade pode transformar vidas.

De uma escrita muito simples e directa, o livro é curto e face ao tamanho das letras diria que, bem exprimido, faria um livro de umas 100 páginas, Fátima Lopes escreve uma história banal e sem qualquer necessidade de pesquisa, ou seja, para escrever uma história destas, bastou sentar-se e narrar um casual encontro de amigas onde mencionados os dramas de cada uma, tipo numa conversa enquanto é servido um chazinho com bolinhos.

Nada de especial, é agradável, lê-se bem e num ápice (qualquer coisa como umas 4 horas e com intervalos), e faz-nos ver que por muito que as coisas estejam, podem sempre melhorar, basta a gente querer. No entanto é por livros destes que muitos leitores recusam ler livros escritos por jornalistas num aparente aproveitamento da sua figura pública. Há autores e autores. Fátima Lopes é banal na forma como escreve. Nada nos ensina, apenas nos entretém e de notar que esta história de interesse tem pouco, mas enfim, comparar este livro mo qualquer livro de José Rodrigues dos Santos ou Miguel Sousa Tavares, é a mesma coisa em comparar Lagosta com berbigão. Nada a ver!

Um livro que pode até ser de leitura importante para quem esteja por baixo e com pouca esperança na sua vida pessoal.