"Quando encontrei o amor, disse para comigo, é isso, passo da existência à vida, e prometi a mim mesmo zelar para que a alegria nunca me abandonasse. A minha presença na terra descobria um sentido e uma vocação, e eu uma singularidade. "
In "Cada Dia é Um Milagre", Yasmina Khadra, pág. 9
quinta-feira, 12 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Passatempo "A Brisa do Oriente"
O blog NLivros, em colaboração com a editora Saída de
Emergência, tem para oferecer 2 exemplares da excepcional obra (2 volumes)
"A Brisa do Oriente” de Paloma Sanchez-Garnica.
Título: A Brisa do
Oriente (Vol 1 e Vol. 2)
Autor: Paloma
Sanchez-Garnica
ISBN: 9789896374112 + 9789896374235
Págs.: 384 (Vol. 1) +
384 (Vol. 2)
Preço: 17,08€ + 17,08€
Género: Romance
Histórico
Sinopse
Em 1204, acompanhando o seu abade,
Umberto de Quéribus, um jovem monge de Cister, inicia uma viagem que o levará a
Constantinopla. A partir desse momento, arrastado para perigos e situações
extremas, em que perde a candura infantil, a sua vida muda completamente.
Durante a viagem de regresso ao mosteiro, conhece a insensatez da guerra, a
violência desmedida e a imoralidade da avareza. Toma igualmente consciência das
verdadeiras consequências da obediência cega e da enorme incerteza na destrinça
do que está bem e do que está mal, imerso numa luta constante entre o que lhe
ensinaram e o que de facto sente. É atingido pela flecha do amor indomável e
adolescente e descobre o desassossego provocado pelo sentimento de culpa, o
ferrão do ressentimento e, sobretudo, o sentido mais profundo da amizade,
encarnada no cavaleiro Esteban de Clary e no monge Roger, com quem aprenderá o
significado da cultura, a importância do que se escreve e a influência e o
poder do copista ao manejar, alterar ou mudar completamente o texto escrito. A
sua aproximação inconsciente à heresia acaba por colocá-lo em perigo, ao ponto
de se ver obrigado a abandonar o mosteiro depois de ver a catástrofe semeada à
sua volta.
REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:
1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 23 de Julho.
2) Só é aceite uma participação por pessoa. Participações duplicadas serão desqualificadas sem aviso.
3) Os vencedores serão sorteado aleatoriamente pela editora,
sendo o anúncio dos vencedores efectuado por e-mail e publicado no blog.
4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de
residentes em Portugal.
MUITO IMPORTANTE: As Respostas para as questões APENAS podem ser
encontradas neste excerto
PASSATEMPO ENCERRADO
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Estejam Atentos!
Nos próximos dias, em parceira com a Saída de Emergência, o Blog NLivros irá abrir um passatempo que
contempla a oferta dos dois volumes da excepcional obra “A Brisa do Oriente” de
Paloma Sanchez-Garnica.
Já li os dois volumes e considero
ser um dos melhores romances históricos que alguma vez li.
Podem ler as opiniões do Volume I
e Volume II.
Aconselho também a leitura do
Excerto da Obra, pois as questões vão sair daqui.
Fiquem Atentos!
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Aventuras Extraordinárias do sr. Pickwick – Charles Dickens
Publicado
mensalmente em folhetins a partir de 1836, as aventuras extraordinárias do sr. Pickwick
(Pickwick Papers) tornaram-se num evento extremamente
popular em Inglaterra, chegando ao ponto do jornal se esgotar poucas horas
depois de ter saído.
Os
contos, quase todos eles autónomos entre si, narram as aventuras e desventuras
de quatro membros do clube Pickwick que é criado com a intensão de investigar e
observar o quotidiano da Inglaterra do séc. XIX, resultando numa série de
contos onde a comédia, a par da sátira, se sente na forma como essas aventuras,
e desventuras, vão sucedendo.
Esses
quatro membro, o sr. Pickwick (o presidente), o sr. Tupman, o sr. Snograss e o
sr. Winkle, vagueiam assim por uma Inglaterra bem diferente daquela que
habitualmente vêmos representada na Londres vitoriana. Viajam pelo interior do
país, observando os seus costumes e a forma como as pessoas se comportam, e é
aí que está o grande interesse desta primeira obra de Charles Dickens.
Iniciada
a sua escrita quando Dickens tinha 24 anos, esta obra, escrita sob o pseudónimo
de Boz, supostamente narra as aventuras reais de quatro homens que pertencem ao
clube Pickwick. Foi assim que a obra foi lançada e foi assim que os seus fãs a
viam, pois julgava-se que eram de facto histórias reais retiradas de um suposto
diário pertencente ao sr. Pickwick. Por si só foi uma genial jogada de
marketing de Dickens que, dessa forma, ganhou nome e se lançou numa
carreira de sucesso.
Nestes
contos, podemos já constar das várias características que traçaram o estilo de
Dickens. A análise ao comportamento do ser humano é aquela que mais se
evidencia, pois, para mim, é a grande marca de Dickens. Porém, a sátira
declarada, uma espécie de critica social que mais tarde e noutras obras seria
mais evidente, também lá estão. A religião, a classe política, a magistradura,
os burgueses (um dos alvos de sempre de Dickens), o sistema de justiça que
apenas protegia os poderosos, enfim, são aqui satirizados de uma forma
humorística, colocando a nú e evidenciando as falhas do sistema da época. É
compreensível que os fãs de Pickwick fossem maioritariamente da classe média,
pois viam nesses contos uma espécie de revolta aos poderes instituídos e à sua
impotência para mudar esse mesmo sistema (tão actual que ainda é). Mas há mais
críticas e, nas aventuras desse grupo de quatro, não podemos de rir de várias
situações verdadeiramente hilariantes e absurdas, face também ao espírito da
época.
No
entanto não posso dizer que apreciei tanto o livro ao ponto de o considerar uma
grande obra. É um clássico, sem dúvida, e é a primeira grande obra de Dickens.
Pessoalmente, e já li a maior parte da sua obra, este é o menos conseguido.
Sim, claro que Dickens pode expressar a sua sociedade, pode representar uma
Inglaterra há muito desaparecida e tão diferente da Inglaterra de Londres, mas,
e embora os primeiros capítulos os tenha lido com muito agrado, sensivelmente a partir do
meio do livro foi-me algo penoso continuar, pois as situações arrastam-se, são algo repetitivas e
torna-se monótono o humor e a sátira.
Quer-me
parecer que Dickens quando se apercebeu do sucesso da obra, e como era
publicada periodicamente e por capítulos, quis espremer até dar, o que resultou
numa obra extensa e que, partir de
determinada altura, pouco traz de novo e pouco prazer dá a ler. Mas isso são suposições, pois não tenho dados concretos para defender essa tese.
Em
todo o caso é um livro que se lê muito bem e onde constamos do nascimento
desse peso pesado da literatura mundial que dá pelo nome de Charles Dickens.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
6 Anos de Blogosfera
Fez
ontem precisamente 6 anos que iniciei este blog. Sem grandes pretensões nem
planos, a minha ideia era ter um local onde pudesse explanar publicamente as
várias opiniões que já tinha escrito e editado em vários sites e até em algumas
publicações. Um pouco no seguimento do que já fazia num célebre
site de opiniões, onde, inclusive, tínhamos uma espécie de fórum onde se
opinava sobre tudo.
Na
altura a blogosfera era algo ainda muito indefinida. Blogues literários não
existiam na quantidade que se verifica hoje em dia e a maioria dos bloggers
eram apenas uns meros curiosos que viam os blogues como uma espécie de
passatempo, longe de imaginar o quão trabalhoso dá ter e manter um blogue.
Essa
foi a principal razão do rápido desaparecimento desses blogues, alguns
continham meia dúzia de posts e acabavam por esmorecer até ao seu
desaparecimento. Em todo o caso, fui mantendo o NLivros, editando mais de 400
posts ao longo destes 6 anos, 284 opiniões de livros, postando de forma regular
e mantendo-me fiel ao meu propósito inicial: transmitir as minhas percepções
das obras que vou lendo.
Hoje
em dia sou dos bloggers mais “antigos”. Não me vanglorio por isso, mas é
curioso verificar o quanto a blogosfera evoluiu e ganhou importância e respeito
junto das editoras, e o quanto, hoje em dia, é expectável evoluir, quiçá para
um nível profissional. A ver vamos.
Um
bem-haja a todos os que seguem e visitam o NLivros.
sábado, 23 de junho de 2012
D. Maria II, Tudo por Um Reino – Isabel Stilwell
Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da
Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de
Bragança, nasceu no Rio de Janeiro no dia 04 de Abril de 1819. Filha
primogénita do Imperador D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) e da Arquiduquesa
D. Leopoldina da Áustria, Maria nasceu para ocupar um trono: Rainha de
Portugal.
Cognominada
de “A Educadora” ou “A Boa Mãe”, Maria foi uma criança meiga cuja educação fugiu ao padrões convencionais
(entre a realeza) da altura. Sendo educada no Brasil, Maria cresceu em
liberdade e com uma mentalidade que a tornou uma rainha diferente daquela que a
tradição exigia. Em todo o caso, são as suas infantis observações da conturbada
relação dos seus pais, que irão criar a sua forte personalidade. Rainha de
Portugal aos 7 anos, Maria desde muito cedo compreende do papel que lhe está destinado por
Deus. Com a ajuda da sua amada mãe, que vem a falecer muito precocemente, e com
aqueles que estão nomeadas para a educar, ela vai desenvolvendo uma sagacidade
muito pouco comum, diria até, extraordinária, face à sua tenra idade.
Embarcando para a Europa em 1828, com pouco mais de 9 anos, a rainha, que
recorde-se é ainda uma criança, sabe que tem um longo caminho a percorrer até
ser reconhecida como Rainha de Portugal.
O país, em 1828, envolve-se numa fratricida
guerra civil entre os apoiantes de D. Miguel, tio de Maria que se havia
proclamado rei absoluto de Portugal no dia 25 de Junho e os apoiantes de D.
Maria, encabeçados pelo próprio imperador do Brasil. Começavam aí as Guerras
Liberais entre D. Miguel e D. Pedro, que se prolongariam até 1834, ano em que
Maria foi recolocada no trono e o seu tio ser exilado para a Alemanha.
Inicia-se aí o reinado de D. Maria II até ao
ano de 1853, quando Maria, com apenas 34 anos, expira após longas treze horas
de parto, deixando para trás 19 anos de reinado e 8 filhos, entre os quais o
seu primogénito e futuro rei, D. Pedro V e D. Luis, rei após a morte do irmão e
pai de D. Carlos.
Obviamente que tracei de uma forma muito
simplista e directa, uma vida cheia e preenchida de uma mulher que, confesso,
conhecia apenas pelo nome, mas que estava muito longe de conhecer a sua obra e,
principalmente a sua personalidade.
E apaixonou-me o relato, uma vez mais, vivo,
de Isabel Stilwell.
Este é o terceiro romance histórico que leio
de Stilwell. Li “Filipa de Lencastre” e “D. Amélia”, e , após a leitura deste,
só posso desejar que Stilwell continue a sua saga pelas rainhas de Portugal,
pois, para além de nos dar a conhecer a vida e obra dessas mulheres que muito contribuíram
para a Nossa História, é um prazer ler as suas prosas, pois ela sabe escrever,
envolvendo-nos, como por magia, na vida dessas personagens e daquelas que
giravam em volta delas.
Obviamente que aqui as principais
personagens são femininas. Em D. Maria II é possível percebermos a força mas
também a desilusão que foi D. Pedro I do Brasil, D. Fernando de
Saxe-Coburgo-Gotha, o seu amado marido que erigiu o meu amado Palácio da Pena,
e vários outros personagens masculinos que, existiram de facto, e que
demonstraram e tiveram uma imensa influencia na conduta da rainha. Em todo o
caso, são femininas as personagens que mais sobressaem na personalidade de D.
Leopoldina: a amada mamãe, Lurdinhas, Rosa, a sua Florica, mana Xica, Leonor da
Câmara, Marquesa de Aguiar e, principalmente, a poderosa rainha do império
britânico, a Rainha D. Vitória, prima e amiga de D. Maria, que com ela terá uma
imensa e intensa amizade, alicerçada em centenas de cartas entre ambas que são
o pilar deste fabuloso romance histórico.
Ou seja, Stilwell faz um trabalho exemplar
de pesquisa e investigação ao basear este romance nas cartas trocadas entre as
primas. Nelas, vai traçando, não só o quotidiano das famílias britânicas e
portuguesas (Maria e Vitória eram primas, assim como Fernando e Alberto primos
eram), como também a situação política do país. E é através dessas missivas,
que vamos seguindo o estado do país e a forma como Maria reinava.
Um romance extraordinário que nos permite
conhecer uma época conturbada em toda a Europa e onde é possível perceber os
ventos que já sopravam e que seriam os responsáveis pela queda de várias
monarquias, entre elas a Portuguesa que se daria com o regicídio do neto de D.
Maria II. Para além disso, e face aos documentos que a autora pesquisou, é
possível conhecer a mentalidade da época e uma Lisboa muito diferente daquela
que hoje em dia conhecemos, pese embora haja, e ainda bem, vários locais e
monumentos que se mantêm, como, por exemplo, o Palácio das Necessidades, onde
D. Maria II viveu, teve os seus filhos e faleceu. Local onde passo todos os
dias e que tem actualmente outro significado para mim.
Uma leitura altamente aconselhável.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Hora da Liberdade (A) – Joana Pontes, Rodrigo de Sousa e Castro, Aniceto Afonso
Emitido
pela SIC em 1999, para comemorar os 25 anos da queda da ditadura, “A Hora da
Liberdade” é um filme-documentário que retracta os diversos acontecimentos
horas antes e após o golpe militar de 25 de Abril de 1974.
Por
detrás deste filme, Joana Pontes efectuou dezenas de entrevistas aos envolvidos
no golpe militar de forma a puderem recriar os acontecimentos de forma
realista. Essas entrevistas foram registadas em fita e a transcrição dessas
entrevistas que é composto a presente obra o que, a torna, um documento
importante e valioso desse dia que repôs a democracia em Portugal.
E é
pela voz dos próprios protagonistas que vemos como nasceu e desenvolveu os
eventos que desencadearam na revolução dos cravos. Impressionante perceber o
quanto aqueles homens arriscaram. Não apenas por si, como e principalmente
pelas suas famílias caso o golpe militar falha-se.
Um
documento único que me comoveu, pois passando Portugal presentemente por uma
crise sem precedentes, quando se percebe que o país foi “vendido” aos
interesses económicos por essa gentalha que se denominam políticos, é comovente
perceber que o esforço dos homens que pensaram e agiram para fazer cair a
ditadura, veio apenas dar lugar a uma cambada de pulhas que não respeitam a
História do país, nem o esforço e memória de quem por ele combateu, desde
sempre.
Em
todo o caso é um documento que deve ser lido e analisado, pois, quiçá, pode
estar aí a raiz da próxima revolução tão necessária.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Carl Sagan Vida e Obra – Keay Davidson
Como
qualquer biografia, a presente tem como objectivo traçar a vida pessoal e
profissional de um homem que foi um dos maiores cientistas de sempre e alguém
que esteve por detrás, um visionário da Era Espacial.
Escrito
três anos após a sua prematura morte, esta obra é extensa e analisa muitíssimo
bem a vida profissional de Sagan.
Desde
o seu nascimento em 1934 até à sua morte em 1996, o autor começa por narrar
factos da vida dos pais de Sagan. Desde a sua ida para os Estados Unidos, até
ao seu casamento. Sagan, desde muito cedo se interessa pelo espaço e logo com 5
anos questiona a mãe do que eram aquelas luzinhas no céu. É o início de uma
mente brilhante, várias vezes controversa, arrogante mas genial, que elevou a
Física e a Astronomia a patamares nunca dantes próximos quando os tornou
palpáveis ao público com o seu mega sucesso Cosmos.
Pelo
facto de eu ser da geração desse brilhante programa, empreendi a leitura atenta
desta biografia correndo o risco de me desiludir com um cientista que mais me
fascinou e que continua a viver no meu imaginário.
E
dificilmente isso sucederia porque o autor foi muito inteligente na forma como
construiu esta obra. Teve o cuidado de abordar a vida de Carl Sagan de uma
forma muito delicada. Assentando o seu texto em entrevistas com as ex-mulheres,
viúva, filhos e amigos, mostrou-nos um homem viciado no trabalho, com a
consciência que o seu tempo na Terra seria muito curto para o que queria fazer
o que, percebe-se, veio a influenciar negativamente a sua vida pessoal. Porém e
isso é um ponto negativo que dou a esta obra, a vida pessoal de Sagan foi pouco
aflorada e, depois de terminado o livro, enquanto fiquei com a visão clara da
sua importância no campo da exploração espacial, essa visão ficou quase na
mesma no aspecto da sua vida pessoal.
Em
todo o caso, gostei de perceber da sua fixação em vida no universo que se
preocupava em demonstrar a sua probabilidade. Um homem de contradições e
paixões que sabia apimentar discussões e que não tinha qualquer problema em
exprimir o seu ponto de vista. Muito eloquente e apaixonado desde criança por
ficção cientifica, foi também um grande escritor, deixando-nos obras de cariz cientifica
e filosófica que pretenderam atingir a consciência dos leitores para o
incomensurável universo que nos rodeia.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Arte de Álvaro Costa na Sement'eira
Há
dias, deambulando por Alfama no meio da fumarada da sardinha assada, coiratos e
bifanas, ouvindo uma explosão musical de estilo brejeira, popular e fado,
desviando-me de turistas curiosos e jovens com a sua litrosa na mão, eis que me
deparo com uma lojinha que, confesso, desconhecia completamente e apenas um
acaso ma fez descobrir.
Situada
em pleno bairro de Alfama, a “Sement’eira” é um espaço cultural que passa
completamente despercebido, sobretudo num ambiente de festa popular onde o
nosso interesse está centrado num polo quase oposto ao da cultura. Em todo o
caso, repito, o acaso me fez lá entrar e dei de caras com uma expressão
artística que me fascinou e que quero aqui dar conhecimento, ou alertar para
que seja visitada, ainda por mais quando o artista em questão é português.
A
“Sement’eira” é um espaço aberto a todos os que fazem a sua arte sem pressas,
com o seu tempo e sabedoria particular de forma autêntica. Ali, é possível
adquirir doces, licores, vinhos, queijos, conservas e pinturas, esculturas,
livros, etc. Um espaço onde há exposições de variadíssimas expressões
artísticas, onde se pode beber um café e provar um dos licores, enfim, um
espaço que me apaixonou.
E
foi na “Sement’eira” que vi a exposição de Álvaro Costa. Depois de a apreciar,
mais surpreendido fiquei ao constatar que o próprio artista se encontrava
presente e dei início a uma conversa que levou o talentoso artífice a contar-me
o início da sua arte, como a descobriu, como a efectua, onde já expôs e o tema
e o sentido de cada um dos quadros expostos. Simplesmente fabuloso, Álvaro
Costa descobriu a sua própria arte, uma nova forma de arte.
Fica
aqui o endereço do site de Álvaro Costa: http://www.alcosta.pt.vu/
e aqui podem ler uma breve entrevista: alcosta.web44.net/entrevistas/Criador%20Arte.pdf
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Brisa do Oriente (A) (Vol. 2) – Paloma Sanchez-Garnica
Conforme referi na opinião do
primeiro volume, aqui, A Brisa do Oriente” situa-nos em pleno séc. XIII, numa
Europa Medieval extremamente violenta e onde os ventos da intolerância
religiosa sopravam em todo o seu esplendor e a Inquisição varria quem se
atravesse a questionar qualquer crença ou doutrina do catolicismo.
Este Volume 2 é simplesmente a continuação do volume anterior
(no original esta obra é composta por um só volume e em formato de bolso), sendo
que continuamos a acompanhar Umberto de Quéribus, agora já homem que se compromete
com a sua consciência e parte em busca do sentido para a sua vida, à medida que
nos vais descrevendo o seu quotidiano e uma época que tem tanto de fascinante
como de aterradora.
Nesta segunda parte a autora foca-se mais na questão
herética que abalou a Europa e que levou a uma cega e intolerante perseguição
aos Cátaros e a todos aqueles que ousavam questionar algumas atitudes menos
correctas por parte da igreja católica. E é brutal percebermos quantas
injustiças e quão duro e horrendo seria a vida naquela altura, sempre sob o
jugo da igreja que tudo podia, que tudo ordenava em prol de uma ideologia, de
um fanatismo absurdo que colocou a Europa, durante centenas de anos, nas trevas.
E a autora é exímia na reconstrução história da época.
Como era de esperar, assistimos a perseguições de
pessoas que nada fizeram, excepto serem vistas como inimigas pelos poderosos
que, usando do seu poder e influência, exerciam contra elas toda a violência de
forma a eliminá-los. E isso é assustador porque sabemos que isso sucedeu mesmo.
Devia ser horrível saber que se não nos vergássemos à vontade dos poderosos,
que em nome de deus, abusavam da sua posição de forma a humilhar aqueles que
lhes prestavam vassalagem, éramos acusados de heresia e, depois de um
julgamento de fantochada, o destino seria a morte pelo fogo numa agonia que
tinha espectadores ávidos e divertidos com a visão. Eram esses homens que se
proclamavam os juízes de deus, os seus representantes, aqueles que tornaram a
igreja católica na poderosa instituição que dominou a Europa durante centenas e
centenas de anos.
E é cativante a forma como a
autora interliga esses terríveis acontecimentos com a vida de Umberto. Intensa a
sua escrita, levando-nos a sentir a época. Os personagens são trabalhados de
forma a que nos relacionemos de uma forma, diria, fraternal, ou seja, a maioria
dos personagens são-nos apresentados e com eles construímos uma espécie de
amizade, mesmo aqueles que são os vilões, não deixamos de nutrir por eles uma
amizade que nos permite quase participar na acção e vê-los como seres reais.
Em todo o caso esta obra não
é perfeita.
Pese embora a autora consiga
construir todo um argumento onde a veracidade Histórica está bem misturada com
a ficção, a meu ver, a autora força várias situações, tornando o desfecho algo previsível
quando tinha muito espaço, que ela própria construiu, para avançar por outros
caminhos. Embora ela esclareça os casos que havia deixado pendentes, há situações
também um pouco atabalhoadas que chegam a ser incoerentes e que me levaram a
considerar menos esta obra como tinha considerado aquando da leitura do volume
1º.
No entanto essas considerações
não chegam para não o avaliar como um excelente romance histórico, cheio de
situações verdadeiramente empolgantes e onde a autora nos situa, de uma forma
brilhante, numa época negra mas que admiro, envolvendo-nos em todo o trama de
uma forma muito intensa.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Viagens de Gulliver (As) – Jonathan Swift
Há clássicos que são tidos
como literatura juvenil mas que estão muito longe de o ser, aliás, é-me difícil
perceber quem são os iluminados que rotulam certas obras sem considerarem a
época e o contexto da sua criação.
As Viagens de Gulliver é
mais um destes casos. Considerada como literatura juvenil, é vista por muitos
leitores como literatura menor, onde alguém narra as aventuras de um
aventureiro que se vai deparando com mundos fantásticos e cheios de impossíveis
num século muito longínquo.
Muito longe da verdade está
quem assim julga, pois estamos perante uma narrativa que analisa a sociedade
inglesa do séc. XVII, sobretudo a vida social e política, de uma forma mordaz e
altamente critica.
Publicado em 1726, o livro
descreve as supostas verdadeiras e fantásticas viagens de Lemwel Gulliver, o
narrador-protagonista, a várias ilhas que o ser humano desconhecia e que tem em
Gulliver o seu primeiro visitante. Após um naufrágio tão comum na época, Gulliver
alcança uma praia desconhecida. Quando acorda deparara-se com dezenas de
criaturas minúsculas. Acaba de chegar a Lilliput onde conhece uma sociedade
composta por pessoas que não ultrapassam os 15 cm, em constante conflito por
futilidades, nessa ilha ele é um gigante. Depois, aporta em Brobdingnag, onde
sucede precisamente o contrário. Ali o povo é composto por gigantes, sendo
Gulliver um ser minúsculo. Posteriormente o terceiro cenário torna-se a Ilha flutuante
de Laputa onde se depara com habitantes que se entretêm com conspirações
enquanto a sua sociedade se dirige alegremente para o abismo e, no último
cenário, ele conhece os Houyhnhnms, cavalos falantes que dirigem o seu país,
enquanto, no lado oposto há os Yahoos, seres semelhantes aos humanos mas com
inteligência de animais… irracionais.
Por aqui se pode ver que é estúpido
considerar esta obra como literatura juvenil, pois basta atentar à actividade
profissional de Swift (secretário de relações públicas), e à natureza do
próprio autor (sabe-se que ele odiava crianças e considerava a estupidez humana
como o causador de todos os males sociais),para rapidamente compreendemos que
havia mais substância e intenção do que aquela que é tida, pois vejamos:
Nesta obra o protagonista
visita quatro sociedades completamente distintas. Nelas, é possível perceber analogias
comportamentais dos seres humanos. A sociedade corrupta, fútil, cheia de vícios
e más atitudes, é aqui expressa de uma forma satírica mas, diria, directa e
clara. Swift consegue criar expectativa no leitor nas viagens que vai
imaginando, critica ferozmente a estrutura social e política e os vícios, as
hipocrisias e os podres que lhe são inerentes, diria, até aos nossos dias (e no futuro também). Mas
vai mais longe, a própria religião é censurada na sua falsa virtude, assim
como, e isso é claro, ridiculiza vários personagens conhecidos na época que,
actualmente, confesso ser muito difícil identificar. Mas a análise contínua
imparável, a exploração dos mais ricos aos pobres, vivendo estes miseravelmente
enquanto os ricos se banqueteiam e ostentam sem qualquer tipo de pejo, o
abandono dos idosos, toda a irracionalidade da raça humana.
Não sendo uma obra de
leitura muito fácil, dada a análise cuidada que é necessário ser efectuada,
percebe-se que o objectivo de Swift era claramente o de criticar todas as
franjas da sociedade, os vícios da corte e do regime que permitiam tanta
desigualdade. O autor expressa o seu desânimo e decepção face à situação social
e política e também face à natureza pérfida do ser humano, e isso não passou
despercebido na altura, provocando incómodo e alguns debates em torno desta
excelente obra.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Pecado e a Honra – Maria João da Câmara
Há
livros que nos transportam para outras épocas de tal forma que damos connosco a
pensar nas personagens e nos acontecimentos como se fossem algo palpável, real,
tal a forma como o livro está escrito e sobretudo como o autor(a) nos consegue
situar e tornar a época descrita como se fosse a actual, como se, de facto, a vivêssemos.
Este
“Pecado e a Honra”, primeiro romance histórico de Maria João da Câmara, é um
livro belíssimo que nos transporta para a época de ouro de Portugal e nos
permite viver, sentir, cheirar e tocar uma era em que Portugal foi a maior
potência do Mundo, onde a riqueza e a opulência eram comuns, onde Portugal era gerido
e pensado, a bem de um povo, de uma nação, de um império.
Pese
embora o romance se inicie ainda no reinado de D. João II e se estenda pelos
reinados de D. Manuel I, D. João III e D. Sebastião, ou seja, nos melhores dos
reis e no seu pior, o que aqui sobressai é a saga familiar que a autora
constrói ao longo de 100 anos. Iniciada ainda na juventude do duque de Viseu,
futuro rei D. Manuel, a autora oferece-nos um fresco histórico admirável, que
nos narra o modo de viver e mentalidade medieval à medida que o país vai
crescendo e descobrindo novos territórios.
Não
se julgue porém que o romance assenta nessa vertente. De facto temos como pano
de fundo a corte e os acontecimentos que vão moldando a História. No entanto o
trabalho da autora assenta numa família e no seu quotidiano que, obviamente, se
liga aos reis e às intrigas e políticas. Assistimos ao crescimento dessa
família, com as suas alegrias e tristezas, mas, acima disso, vamos descobrindo
o íntimo de uma nação que se abria ao mundo com as suas virtudes e defeitos.
Para
além das imensas particularidades sociais e culturais que a autora nos vai
narrando, vamos também percebendo o porquê de certas atitudes que tiveram
impacto politico e que ainda hoje são a razão, a raiz de muito do que somos e
de como agimos. Por outro lado, quero aqui sublinhar e saudar o estilo
narrativo e a própria estrutura do texto. Primeiro, a autora escreve todo um
romance utilizando uma linguagem semelhante à falada naquela altura, o que, por
si só, dá uma enorme beleza ao texto e ajuda imenso na credibilidade e na
localização. Depois, é objectiva, não se perdendo em grandes rodeios e
descrições, intervala com capítulos relativamente curtos que não nos deixa
perder o fio à meada.
Em
suma, uma obra brilhante que me deu enorme prazer ler, em que aprendi imenso e
que me transportou para uma época brilhante da nossa História, fazendo-me
sentir em casa e entre amigos. O melhor que posso dizer é que, depois de
terminado, senti um vazio, um sentimento de perda pelos amigos que deixei
naquelas páginas.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Feira do Livro de Lisboa 2012
Mais
uma Feira do Livro de Lisboa chega ao fim e, conforme tem sido habitué desde há
vários anos, a principal ilacção que tiro é: Mais uma moedinha, mais uma
voltinha!
Tenho
ido à feira desde sempre que me lembro ser gente. Pelas minhas contas, esta foi
a minha 28ª feira do livro e há muitos anos que não a vejo como o sítio para
adquirir livros ao melhor preço, mas sim um local onde se pode encontrar
algumas oportunidades interessantes, por isso é que são os alfarrabistas o meu
local de maior interesse.
Este
ano, uma vez mais dois grupos editoriais sobressaíram. Muito show off e pouco
sumo resultaram num amontoado de choças com n de colaboradores sorridentes e
vigilantes, pese embora as habituais portadas sonoras dos alarmes guardadas por
seguranças privados. Esses grupos, serviram-me apenas como ponto de passagem,
pois o meu interesse por esse show é nulo e nem os concertos de jazz me fizeram
lá estar por muito tempo. É impressionante a forma hostil como esses grupos
tratam as restantes editoras. Ali, quais todos poderosos representando a alta
burguesia, enquanto a ralé se encontra à parte, parecendo até ser uma feira
independente (e é).
No
entanto, confesso que este ano bati o recorde de idas no mesmo ano. Fui em
cinco ocasiões (a primeira logo no primeiro dia), quatro delas à noite. Muitíssimo mais
agradável e sossegado à noite. Está bem que não temos as vedetas autografadoras
e sorridentes, mas, em compensação, o clima é mais ameno, anda-se melhor e,
mais importante, temos tempo e espaço para folhear os livros e até conversar
com alguns colaboradores sobre livros e não só.
Mas
foi no espaço alfarrabista que encontrei os livros que acabei por comprar.
Antes, um pequeno à parte para a concertação que este ano houve entre eles. À descarada,
todos tinham os mesmos livros e, praticamente, ao mesmo preço. Coincidência não
foi com certeza. Em todo o caso acabei por adquirir as “Aventuras do senhor Pickwick” de Charles
Dickens (edição de 1962), a “Ratazana” de Gunter Grass, “A Ilha Debaixo do Mar”
de Isabel Allende e a trilogia “A Árvore do Céu” de Edith Pargeter (neste caso
na própria editora e a um preço de facto excepcional).
De
resto, andar para cima e para baixo acompanhado por farturas, ginjas de Óbidos
e gelados. Enfim, percebo que se trata da festa do livro e eu próprio comungo do
entusiamo que esta feira cria em todos aqueles que amam os livros, mas já não
me deixo levar pelo show off das editoras nem pelos supostas mega promoções que
a Hora H tanto apregoa, pois e este ano vi muitos livros em promoção na Hora H
que estavam mais caros que em algumas livrarias e nos alfarrabistas.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
A Brisa Oriente (A) – Paloma Sanchez-Garnica
Dividido em dois volumes, o contexto
de ”A Brisa do Oriente” situa-nos em 1204 na altura precisa em que a Quarta
Cruzada toma e saqueia Constantinopla aos muçulmanos. Nessa cruzada, vai
Umberto de Quéribus, jovem monge de Cister que acompanha o seu abade na suposta
envangelização dessa cidade infiel.
A descrição dessa invasão é impressionante
pela crueldade. A cidade é saqueada durante 3 dias. A matança é perturbadora,
assim como as violações que sucedem em qualquer lado e sem qualquer tipo de
pejo. Matam e destroem monumentos, estátuas e mosaicos antiquíssimos, enquanto pilham
tesouros e relíquias de uma forma insaciável sem qualquer tipo de respeito pela
suposta filosofia que antecede o apelo dessa Cruzada em 1198, tornando-se numa
vergonha para os cristãos. Nunca mais esta fabulosa cidade da Antiguidade se
conseguiu recompor.
Umberto vê-se no meio dessa
loucura e fica extremamente desiludido pela acção dos cristãos e,
principalmente, pela crueldade e ganância do seu Abade que ele considerava imaculado.
Nasce aí uma nova percepção do mundo que o rodeia.
Antes de mais, quero exprimir o
meu fascínio pela escrita de Paloma Sanchez-Garnica. Li o seu primeiro, e penso
que até agora único livro “A Alma das Pedras” e fiquei encantado pela forma
viva como a autora conseguiu construir a época e neste livro repete a dose.
Pese embora esteja a gostar
imenso do percurso de Umberto, confesso que é a época que a autora consegue
criar que me cativa. Uma época marcada pela violência, ausência de valores
éticos e morais, onde as pessoas pertenciam aos seus senhores que tinham sobre
elas o poder da vida e da morte e onde o clero subjugava e ameaçava tudo e
todos. A autora desenha-nos um quotidiano muito intenso, ao ponto de quase
sentirmos os sons e os cheiros. É exímia na descrição dos factos. Sem ser muito
minuciosa e descritiva (o suficiente), relaciona os acontecimentos de uma forma
diria natural, sem qualquer elemento forçado e isso foi algo que notei uma
clara evolução, pois enquanto no seu anterior romance achei a história ou
elementos da história um pouco forçados, aqui isso diminui imenso e há apenas
alguns casos que carecem de alguma justificação ou, se quiserem, de melhor explicação.
No entanto este é o primeiro
volume de dois e aguardo ansiosamente o segundo de forma a saber o que será
feito de Umberto e se o mesmo atingirá os seus objectivos
Um livro excelente que me deu
imenso prazer ler e que me fez sentir presente numa época que muito admiro,
algo que raramente acontece nos muitos romances históricos que li.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O valor dos Blogues
Isto foi um dos assuntos
abordados na tertúlia do passado dia 19 de Abril e que despoletou uma discussão
muito interessante com diversos pontos de vista.
Pessoalmente considero que as
editoras ainda não se aperceberam do imenso poder dos blogues na promoção e
divulgação dos livros. Continuam agarradas a velhos conceitos, entretidas a
bajular críticos literários ou entertainments televisivos.
Contudo, a blogosfera pode ser um
local muito interessante para os seus interesses, todas elas não possuem indicadores nem se
preocupam em medir o impacto dos blogues, satisfazendo-se com as meras e
repetitivas divulgações das novidades e passatempos. Basta navegarmos uns
momentos pelos muitos blogues que existem, alguns deles nascidos com pretensões
claras, para que percebamos não existir critérios em relação às parcerias, pois
é facilmente constatável a fraca qualidade da maioria dos blogues literários
que se entretêm em serem uns meros veículos de publicidade editorial em troca
de livros de borla.
A meu ver, a grande mais valia
que os blogues podem oferecer às editoras são as suas opiniões sinceras e despretensiosas,
despidas de obrigações facciosas. Mas notem que refiro opiniões e não sinopses
melhoradas ou maquilhadas como tanto por aí pulula. Dessa forma a editora
poderá medir o possível impacto natural daquela(s) obra(s) e o consequente
promoção do(s) autor(s), pois é aí que reside a força e o interesse do blogue a
par da interacção dos próprios bloggers.
Ora bem, foi precisamente de
encontro a este pensamento que a Paula, do blogue Viajar pela Leitura, me alertou
para um post que achei muito interessante e que dou aqui conhecimento de forma
a pensarem no valor que têm em mãos.
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