domingo, 25 de novembro de 2012

O Pior Livro - Diário da Tua Ausência – Margarida Rebelo Pinto



Ora bein, esta semana convidei a tonsdeazul, do blog “Tonsdeazul, um dos blogues que eu sigo à mais tempo, não fosse ele mais velho do que o meu. 
E muito simpaticamente aceitou em dar a sua contribuição para o pior livro que leu até à data. Eis o seu texto.

O Pior Livro


Fui convidada para escrever sobre o pior livro que li. Ora considerei à partida que seria uma tarefa complicada. É que sou muito seletiva nos autores e nos livros e até mesmo quando afirmo que não gostei de um ou outro livro, não consigo considerá-lo como “um livro a fugir”, porque na maior parte das vezes reconheço o mérito do autor e da sua escrita. Quando assim acontece, acabo por acreditar que não o li na altura certa, como aconteceu recentemente com Os Anões de Harold Pinter.

Assim, depois de vasculhar bem as minhas estantes encontrei um livro que li há uns bons anos de Margarida Rebelo Pinto, Diário da Tua Ausência. Só de pensar nele até fico indisposta. Ter um livro destes no meu currículo literário é realmente algo arrepiante!

Mesmo antes de ter lido algo de Margarida Rebelo Pinto, nunca simpatizei com a autora, confesso. Isso assim não vale, dizem vocês! Pois não. Mas quis o destino, que o Diário da Tua Ausência chegasse até mim, por intermédio de umas amigas que decidiram oferecer-me este livro tão romântico. Pois imaginem a minha cara quando rasguei o embrulho e vi o livro que me esperava. Sim foi desilusão estampada no rosto, claro está! Mas a contragosto, disse para mim mesma que não o iria trocar por outro na livraria e tiraria assim as teimas em relação à autora e à sua escrita.

Pois é… Foram 132 páginas que não acrescentaram nada aos meus dias e que confirmaram todas as minhas suspeitas e resistências. Definitivamente Margarida Rebelo Pinto não é para continuar. Sempre li diferentes géneros literários, e gosto até bastante de romances, mas este é fastidioso e chega a ser deplorável. A história não passa de uma longa carta de amor, com frases tão “bonitas” como estas:
«Espero por ti porque acho que podes ser o homem da minha vida.», «Se calhar sou doida, sofro da mais antiga enfermidade do ser humano e que ainda nenhum cientista se lembrou de diagnosticar, estudar e classificar como uma patologia: não sei viver sem amor» e «Há o apaixonado que me agarra, me devora e me prende, e o racional que gosta de pensar que somos apenas amigos.»

No final, o pior de tudo mesmo é que quando se termina o livro, fica-se com uma sensação de perda de tempo cruel… Mau por mau, então que tivesse lido Nicholas Sparks!
Raramente me desfaço de um livro, mas este de tão mau, aguarda a sua hora para ser entregue a uma instituição, que todos os anos angaria objetos para quermesses.

Nota: esta opinião está redigida com o novo acordo ortográfico.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Um Novo Projecto e uma Nova Vida

Amigos e amigas bloggers!

Como dizia o poeta, "O sonho comanda a vida" e eis que decidi mudar radicalmente de vida. Muitos pensarão que é um risco, sim é um facto, mas e como todos lemos em tantas aventuras, não será esse risco que dá sal à vida? Por vezes não é o risco que origina novas oportunidades ao herói do "nosso" livro e que lhe proporciona uma nova vida?

E vai daí criei um projecto que, creio intensamente, tem pernas para andar por várias razões: Uma enorme vontade de produzir e fazer algo diferente, crença e porque o que queremos fazer pode ser singular e bastante importante para muitos milhares de pessoas.

Convido-vos a visitar o meu site e a minha página de facebook, assim como o blog que criei para o projecto.




Agradeço o "gosto" no facebook! :)

Acabou de nascer, mas prevejo que vá longe.

Obrigado!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Perfeito Cavalheiro (O) – Imran Ahmad



Se há uns meses me falassem de Imran Ahmad eu iria com certeza responder: “Quem é esse?”. Se me dissessem que o livro auto-biográfico “O Perfeito Cavalheiro” é uma obra notável, muitíssimo bem escrito e que demonstra não só um humor fabuloso como, principalmente, o quanto a religião e a cultura pode influenciar a nossa identidade e a forma como a nossa perspectiva do mundo pode ser tão díspar, eu diria: “hum… ver para crer”. Mas o certo é que esse alguém me estaria a acenar com uma obra espantosa e que, provavelmente iria dar o benefício da dúvida e me lançaria na sua leitura.

E é isso que eu aqui quero transmitir.

Estamos na presença de um dos melhores livros que li nos últimos tempos.

Com um estilo original e de uma honestidade que, por vezes, roça a ingenuidade, Imran Ahmad, paquistanês criado em Londres, narra-nos a sua vida desde que nasceu até, sensivelmente, aos dias de hoje.

Pode não parecer cativante, no entanto, neste relato, Imran choca-nos da forma como coloca questões pertinentes: o racismo e a xenofobia, as diferenças religiosas entre as várias religiões assim como as profundas diferenças culturais entre povos tão diferentes como o inglês (europeu e cristão) e o paquistanês (asiático e islâmico).

Mas não se fica por aí. No seu percurso, Imran vai colocando em causa vários dos dogmas religiosos (de todas as religiões), debatendo e questionando o papel dos líderes e das crenças. Nesse sentido, revela uma enorme coragem, pois e por diversas vezes coloca em causa o próprio islamismo não se recusando a tecer críticas duras a essa religião e a forma como são os próprios lideres a criarem a má imagem que o ocidente tem dela. Essas questões, que abordam também o cristianismo, deve-se ao facto de ele ter sido criado no ocidente e de acordo com a cultura ocidental. Ou seja, mesmo sendo islamita, Imran cresce num meio cristão e é com essa cultura que aprende a pensar e a ver o mundo. Logo, tem uma visão diferente daquela que é imposta nos países muçulmanos, uma visão de fora e, sobretudo, liberdade de pensamento e de acção que se revela muito importante na formação do seu intelecto.

Um livro que adorei e que aconselho a todos. Muito bem escrito, cheio de humor e que nos permite visualizar a sociedade britânica dos anos 70, 80 e 90, mas e acima de tudo, as diferenças entre islão e cristão. Muito curiosas as percepções e as conclusões.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Pior Livro - O Sétimo Selo – José Rodrigues dos Santos

Márcia Balsas, do Blog "Planetamarcia", mais um dos blogues que mais admiro e que sigo diáriamente, aceitou simpaticamente o meu convite para participar nesta rubrica que visa nomear o pior livro que já lêmos, e a sua eleição vai para: O Sétimo Selo de José Rodrigues dos Santos

O Pior Livro


Não me é fácil eleger um livro como o pior que alguma vez li. Simplesmente porque quando um livro não me interessa não o leio, deixo de parte, sem qualquer preocupação ou culpa por não chegar à última página. Pensei em escrever sobre um desses livros inacabados e desinteressantes que tenho vindo a deixar pelo meio, ou por vezes quase no início. Mas não achei certo, comecei a imaginar que um desses livros, umas páginas após o meu abandono, pudesse tornar-se algo fantástico. Seria muito injusto fazer uma má avaliação de um livro que, se eu tivesse insistido, me tivesse maravilhado e surpreendido.

Então, para evitar essas injustiças e possíveis pesos na minha consciência, decidi escrever sobre um livro que não gostei mas que li até ao fim. O esforço foi grande e a desilusão ainda maior.

Já li vários livros do José Rodrigues dos Santos e acho-os todos maus, apesar de alguns me terem proporcionado um certo entretenimento. “O Sétimo Selo” é péssimo; é o meu eleito para esta “cantiga de escárnio e maldizer”.

O meu interesse nesta leitura tem a ver com o tema – o aquecimento global e o futuro do abastecimento energético, e com a promoção que foi feita tendo como cenário a Antártida. Sinceramente achei que toda a ação do livro decorresse na Antártida, pela capa do livro, mas principalmente pela publicidade (enganosa) que foi feita com o próprio autor na Antártida. Lembro-me que, na altura, houve inclusive um suplemento da revista Volta ao Mundo com a viagem que o autor fez a esse ermo gelado para se inspirar na escrita do livro.

A Antártida fascina-me muito e deixei-me levar por essa ideia. Quando me apercebi que apenas seria feita uma curta referência inicial senti-me enganada.

Depois foi ler 500 páginas em que o autor se repete ao ponto de se tornar maçador, coloca informação “científica” de modo descabido – senti-me como se estivesse a dar uma volta num parque e de repente caísse dentro de uma enciclopédia, do nada surge excesso de informação trabalhada à pressa e que só serve para encher.

Não posso deixar de referir os lugares-comuns, o exagero de banalidades e cenas descritas sem a mínima envolvência literária. Um texto cru, sem beleza, que não me proporcionou prazer na leitura.

Há também a referir o personagem deprimente, Tomás Noronha, uma espécie McGyver tótó, que se safa das situações mais insólitas sem que se perceba como, e ainda chateia com os seus problemas pessoais e familiares.

Confesso no entanto a minha admiração pela capacidade de produzir livros de José Rodrigues dos Santos. Penso que tem editado um livro por ano, e todos com centenas de páginas, mantendo em paralelo uma atividade profissional intensa. Há quem diga (quem é mesmo muito mau, muito pior do que eu) que não é ele que os escreve, que existe uma equipa que faz toda a investigação e põe os livros em marcha. Não é descabido se pensarmos um pouco nisso mas sinceramente não me interessa. Não penso voltar a ler livros dele.

Maçador e desinteressante, este “O Sétimo Selo” é possivelmente um dos grandes culpados por eu decidir abandonar algumas leituras. Podem chamar-lhe trauma, mas a verdade é que com tantos livros para ler não vale a pena perder tempo a fazer sacrifícios.


 

domingo, 4 de novembro de 2012

Mão do Diabo (A) – José Rodrigues dos Santos



Já o referi por diversas vezes que li todos os romances de José Rodrigues dos Santos e que, a sua maioria, me agradou.

Independentemente da qualidade literária dos seus livros, isso é outra história, o certo é que o homem vende que se farta, vende mais do que qualquer outro autor português e inclusive é já nº 1 no Top da Fnac em França, logo a questão que se coloca é: porquê?

Será que os seus livros são assim tão bons ao ponto de baterem as obras dos maiores vultos literários da actualidade?

Será que os milhares de leitores que adquirem os seus livros são assim tão iletrados que só gostam de maus livros ou só adquirem um livro por ano, precisamente o dele?

Ou será que o autor sabe aproveitar o “momento” e, com uma receita tipo, consegue escrever livros onde toca em assuntos melindrosos que interessam ao comum dos mortais?

Mesmo que a resposta não esteja numa destas três questões, o certo é que aprecio os seus livros, pese embora não lhe observar qualquer qualidade literária, aliás, há algo que registo desde logo, os seus livros conseguem, a esse nível, piorar de livro para livro.

Eu aprecio porquê?

Simplesmente porque, quer os da série “Noronha”, quer os outros, têm a capacidade de me informar, de me transmitir informações reais misturadas com uma história de cordel mas que, resulta quer se queira, quer não. Quanto a mim é aí que reside o principal interesse dos livros. Há outro interesse, mas esse guardo-o para mim pois é algo que me entretenho a analisar.

Nesta sua última obra, “A Mão de Deus”, JRS volta ao seu alter-ego, Tomás Noronha, numa nova aventura em busca da verdade. E a receita é a mesmíssima das outras aventuras: um vilão que é uma alta figura da sociedade, os seus jagunços que passam o livro a correr atrás de Tomás, uma moçoila jeitosa que acompanha Tomás na aventura (e não só…) e, obviamente, as habituais situações complicadas que o nosso herói se consegue sempre safar com as habituais piadolas com pouca piada.

Claro que muitos acham este típico trama algo de irritante e muito rebuscado, tipo Dan Brown, o que de facto é, no entanto a principal diferença e aquela que me faz continuar a ler os livros de JRS é que enquanto em Dan Brown as teorias são pura especulação e ficção, nos livros de JRS é precisamente o contrário: tudo é real e, se duvidam, constatem das acusações que lhe vão fazendo quando os livros dele saem e vejam se depois, quem acusa, apresenta provas. Não, acabam por se calar.

Tomás Noronha vê-se assim no meio de mais um imbróglio e, desta vez a braços com a descoberta de um objecto que poderá expor ao mundo os meandros da alta política e os principais obreiros da crise mundial que actualmente sentimos, sobretudo na Europa.

E é dessa forma que o autor vai expondo as diversas facetas de uma crise construída com reais objectivos e que tem a sua explicação em diversos factores com pontos de união entre si.

Chegamos a conclusões terríveis assim como é espantoso perceber como se fazem certos negócios que visam comprar submarinos desnecessários, TGV’s que vão servir para nada e Aeroportos que apenas procuram encher os bolsos de alguns em prejuízo dos contribuinte. Uma teia gigantesca de corrupção com rostos bem conhecidos do presente e do passado, pois que ninguém se iluda, a crise não nasceu ontem, vem sendo criada e alimentada à muitos anos e com os resultados pretendidos.

E é aqui que reside o principal interesse desta obra. Se pretende continuar a seguir as vertiginosas aventuras dos gnomos, bruxas e afins mitológicos ou se busca um livro muito bem escrito que o delicie com as suas descrições literárias, então nem pegue neste. Agora, se se interessa pelo presente, se tem curiosidade em saber como a crise nasceu, quem e porquê a criou e para que se destina, então avance sem medos, pois de certo ficará melhor informado do que a grande maioria das pessoa e sentirá, pelo menos, algum receio pelo futuro que nos espera, isso se não emigrar para bem longe.