Já no ano passado me senti tentado a participar neste bingo literário. No entanto fui espreitando ao longo do ano e para 2013 decidi-me a participar. Este é o cartão que me calhou em sorte de entre os temas que eu escolhi:
domingo, 30 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Última Duquesa (A) – Daisy Goodwin
A
síntese deste romance da britânica Daisy Goodwin agradou-me e levou-me a crer
tratar-se de um romance, embora não declarado, histórico, visto que a acção se
passa nos finais do século XIX e fala-nos de uma rica família norte-americana
que procura casar a sua única filha com um nobre inglês, juntando assim o
dinheiro do novo mundo a um nome de família antigo e aristocrático.
Eu
sabia que isso foi algo que de facto sucedeu na segunda metade do séc. XIX nos
Estados Unidos. Famílias ricas, mas com pouca ou nenhuma História, procuravam,
através do casamento, unir o dinheiro à tradição. Era algo muito chique e digno
de inveja por aquelas moçoilas que não arranjavam um duque ou um visconde com
brasão e um passado familiar que provinha das origens da Inglaterra.
E
foi com essa ideia que iniciei o romance, pois julguei tratar-se de algo que me
narrasse a lógica dessas uniões, abordando também a mentalidade da época e a forma
como esses casamentos eram “arranjados”.
Em
certa parte não posso dizer que as minhas pretensões saíram defraudadas, pois a
autora consegue situar bem a acção, explicando de uma forma coerente as
motivações dessas famílias do novo mundo.
No
entanto este romance está longe de ser histórico, pois a autora preocupa-se em
nos narrar o trajecto da principal personagem feminina que é completamente
controlada pela sua obsessiva mãe que se preocupa unicamente com o estatuto da
família e o que os outros vão pensar ou dizer. Embora considere o romance
agradável, é tão só uma narrativa em que a acção é simplesmente fútil,
deslocando-se de acontecimento em acontecimento com pouco conteúdo
interessante.
Obviamente
que isso é uma opinião pessoal, porém a trama desenvolve-se de uma forma algo
lenta e previsível, pois e a partir de certa altura, conseguimos adivinhar que
o personagem masculino tem um qualquer mistérios que a nossa heroína começa a
descobrir aos poucos, desaguando numa história que ensombra o passado do “seu”
aristocrático inglês.
Entretém,
é indesmentível, mas está muito longe de ser uma história que fica,
revelando-se mais uma daquelas narrativas lights próprias para ler antes de
dormir ou então num belo dia de férias.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
O Pior Livro - Orgulho e Preconceito e Zombies de Seth Grahame-Smith
Esta semana a convidada foi a Canochinha, a jovem mamã do blog "Estante dos Livros", um dos blogues mais conhecidos da comunidade e que acompanho e vi crescer desde o início.
"Quando o Iceman me convidou para escrever sobre o “Pior Livro” que li, tentei, em primeiro lugar, perceber o que significa, neste contexto, a palavra “pior”. Já li livros considerados clássicos de qualidade inegável de que não gostei (“Anna Karenina” ou “O Nome da Rosa” vêm-me de imediato à memória). Também já li livros que não primam exatamente pela enorme qualidade da prosa ou do enredo mas que me proporcionaram momentos de leitura muito agradáveis. É por esse motivo que classifico as minhas leituras de acordo com uma escala de gosto pessoal, e por isso vou escolher um livro de que não gostei mesmo, independentemente de algumas qualidades que possa ter.
Orgulho e Preconceito e Zombies, de Seth Grahame-Smith, começou uma moda de pegar em clássicos e fazer remakes que incluem seres sobrenaturais - a que se lhe seguiram Sense and Sensibility and Sea Monsters ou Little Women and Werewolves, por exemplo. Até em Portugal se tentou publicar algo do género - Viagens na Minha Terra com Vampiros, mas tenho a sensação que não foram muitas as pessoas que leram isto.
Confesso que até achei uma certa piada à ideia do remake, porque gosto bastante da história original e pensei que uma nova abordagem pudesse refrescá-la de forma interessante. No entanto, achei a execução muito pobre. Em vez de reescrever a história, Seth Grahame-Smith limitou-se a fazer um trabalho de “corta e cola”, retirando algumas partes do texto original para inserir vários parágrafos que introduzem na história o flagelo dos zombies e dos seus ataques. É bastante evidente quem escreveu que partes, o que torna o texto muito estranho e incongruente, pela mistura descuidada de uma prosa clássica e elaborada com uma prosa moderna e simplista.
Não tenho grandes elogios a fazer a este livro, para além de achar a ideia inicial original. As únicas partes de que gostei foram as escritas por Jane Austen, mas para isso mais valia ter relido o livro original. Uma completa perda de tempo."
Orgulho e Preconceito e Zombies, de Seth Grahame-Smith, começou uma moda de pegar em clássicos e fazer remakes que incluem seres sobrenaturais - a que se lhe seguiram Sense and Sensibility and Sea Monsters ou Little Women and Werewolves, por exemplo. Até em Portugal se tentou publicar algo do género - Viagens na Minha Terra com Vampiros, mas tenho a sensação que não foram muitas as pessoas que leram isto.
Confesso que até achei uma certa piada à ideia do remake, porque gosto bastante da história original e pensei que uma nova abordagem pudesse refrescá-la de forma interessante. No entanto, achei a execução muito pobre. Em vez de reescrever a história, Seth Grahame-Smith limitou-se a fazer um trabalho de “corta e cola”, retirando algumas partes do texto original para inserir vários parágrafos que introduzem na história o flagelo dos zombies e dos seus ataques. É bastante evidente quem escreveu que partes, o que torna o texto muito estranho e incongruente, pela mistura descuidada de uma prosa clássica e elaborada com uma prosa moderna e simplista.
Não tenho grandes elogios a fazer a este livro, para além de achar a ideia inicial original. As únicas partes de que gostei foram as escritas por Jane Austen, mas para isso mais valia ter relido o livro original. Uma completa perda de tempo."
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Resultados do Passatempo "Short Customizado + Livro Jogos Secretos”
O Blog NLivros e o NCoisas em 2ª Mão agradecessem a todos os participantes do passatempo “Short Customizado + Livro Jogos Secretos”, que
decorreu do dia 06 de Dezembro até às 23:59 do dia 20 de Dezembro.
A Vencedora é:
Cátia Martins - Alcobaça
Parabéns à vencedora
e ficamos a aguardar umas fotos com os shorts.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Kill Obama – Francisco Montanha Rebello
Este
pequeno livro, literalmente, pois tem 130 páginas e foi lido em cerca de duas
horas, narra a história de um atentado ao presidente norte-americano em
Portugal.
Em
simultâneo que o autor vai traçando numa linha temporal os acontecimentos no
mundo desde os atentados do dia 11 de Setembro de 2001, várias personagens são
lançadas de forma a servirem de sustentáculo ao trama criado.
Se
por um lado temos a jovem Camila, que depois de apanhar o marido a drogar-se, se dedica por inteiro ao
trabalho, temos, por outro, Onésimo José dos Santos, moçambicano, descendente
de paquistaneses e homem muito crente na sua religião que defende com “unhas e
dentes”. Fora mais um ou outro personagem, é entre estes dois que vai rodar a
história que culmina, como referi antes, num atentado em Lisboa ao presidente
Barak Obama.
De
notar as várias considerações e trocas de opiniões entre as religiões
muçulmanas e católica, incidindo sobretudo na religião muçulmana. A certa altura deu a
sensação que o autor procurava uma desculpa para sustentar os atentados, sobretudo quando
refere as cruzadas no séc. XI. Achei no entanto isso interessante.
É
pois um livro muito pequeno mas que se lê bem. Numa escrita fluida, com
capítulos muito curtos, rapidamente se chega ao epílogo sem que se encontre
qualquer densidade na escrita nem nos personagens. É daqueles livros que costumo chamar de "fast book", ou seja, uma narrativa de fácil e rápida leitura que se lê sem esforço e que não nos oferece nada de especial.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
O Pior Livro - Rua dos Anjos de Vítor Burity da Silva
Esta semana convidei o meu amigo Pedro do blog "O Cantinho do Bookaholic", não só um dos blogues que eu sigo como também um dos melhores amigos que a blogosfera me proporcionou e uma das pessoas que mais respeito e o Pedro sabe disso porque já lho disse. Grande Pedro! :)
Eis a sua opinião sobre o Pior Livro que leu até à data.
"O pior livro que já li foi “Rua dos Anjos”, de Vítor Burity da Silva. Não posso dizer que este livro tenha sido um completo desperdício de tempo e que me tenha arrependido de pegar nele, porque felizmente demorei menos de duas horas a lê-lo.
Entrei nesta leitura com alguma expectativa. Parecia-me algo triste, mas poético. A própria capa, que adoro, transmite-me isso.
Eis a sua opinião sobre o Pior Livro que leu até à data.
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| O Pior Livro |
"O pior livro que já li foi “Rua dos Anjos”, de Vítor Burity da Silva. Não posso dizer que este livro tenha sido um completo desperdício de tempo e que me tenha arrependido de pegar nele, porque felizmente demorei menos de duas horas a lê-lo.
Entrei nesta leitura com alguma expectativa. Parecia-me algo triste, mas poético. A própria capa, que adoro, transmite-me isso.
Mas, à medida que ia avançando as páginas, apenas uma coisa me vinha a cabeça: quem achou interesse algum em publicar este livro?
Começa por ser a história de um sem-abrigo bastante sonhador mas, poucas páginas depois, nem se percebe do que se está a falar. Este parece-me ser um exemplo típico de escrita muito bonita, muito floreada, com todo o tipo de expressões muito poéticas e palavras muito pensadas, mas absolutamente oco, sem dizer absolutamente nada. É como deitar cá para fora um montão de palavras e ordená-las de forma a fazer sentido nenhum. Não sei, sinceramente, qual o interesse em ler 70 páginas disto. “Mas que poético, que profundo”, dirão alguns, quando na verdade não há rigorosamente nada a apontar.
Um livro não se faz apenas por pegar em palavras e ordená-las de forma muito bonita. Mesmo que não seja objectivo do livro debruçar-se sobre uma história em concreto, é preciso uma ideia, um sentido, por muito surreal que seja. E aqui não há nada disso.
Todo o livro é uma espécie de divagação (do sem-abrigo, que entretanto começa a falar com uma mulher bastante enigmática também), que alterna entre a realidade e o sonho. Mas infelizmente parece que não traz consigo qualquer significado de seja o que for. Se se começa a desenvolver uma ideia, nunca se chega a acabá-la, pouco depois está-se a contradizê-la, e assim se desenvolve uma discussão… que nada discute.
É um livro absurdo, sem qualquer sentido. Quando o acabei de ler, ainda considerei relê-lo e tentar apreciar melhor. Tentei e a conclusão é simples: nunca mais."
Todo o livro é uma espécie de divagação (do sem-abrigo, que entretanto começa a falar com uma mulher bastante enigmática também), que alterna entre a realidade e o sonho. Mas infelizmente parece que não traz consigo qualquer significado de seja o que for. Se se começa a desenvolver uma ideia, nunca se chega a acabá-la, pouco depois está-se a contradizê-la, e assim se desenvolve uma discussão… que nada discute.
É um livro absurdo, sem qualquer sentido. Quando o acabei de ler, ainda considerei relê-lo e tentar apreciar melhor. Tentei e a conclusão é simples: nunca mais."
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Passatempo Short Customizado + Livro Jogos Secretos
O Blog NLivros em parceria com o site Online NCoisas em 2ª Mão tem para oferecer 1 (um) short customizado (de acordo com a imagem) + 1 (um) exemplar do livro "Jogos Secretos" de Jill Mansell.
![]() |
| REFª: V30
Nº 170 (Boston Style) (38 a 40) |
Podem visualizar toda a roupa customizada, assim como outros produtos no site do NCoisas em 2ª Mão.
Para se poderem habilitar a este short + livro, basta fazerem o seguinte:
1) Ir à página do facebook do NCoisas em 2ª Mão e clicarem "Gosto";
2) Enviarem um e-mail para: ncoisasem2mao@gmail.com, dando uma ideia de customização de short, ou seja, como gostariam de ter um destes calções;
3) No mesmo e-mail indicam o nome completo, e-mail, morada, código postal e nick name do facebook.
3) No mesmo e-mail indicam o nome completo, e-mail, morada, código postal e nick name do facebook.
REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:
1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 20 de Dezembro;
2) O vencedor será sorteado aleatoriamente de entre aqueles que cumprirem com o estipulado,
sendo o anúncio do(a) contemplado(a) será efectuado por e-mail e publicado na página do facebook do NCoisas em 2ª Mão;
3) Por motivos
logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal.
No futuro irá acontecer vários passatempos do género com roupa customizada ou outros objectos, inclusivé prémios para quem efectue compras através do site.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Natal também é Fado
Eis aqui um livro que me despertou a atenção e em boa hora,
aliás bastou 10 minutos, o li, pois gostei bastante da história, da ideia e das
ilustrações.
Com texto de Alexandra Graça e ilustrações de José Francisco,
esta singela história procura narrar a conhecida história do nascimento de
Jesus que origina o presépio e eis que, numa versão bem diferente daquela que
todos conhecemos, José e Maria, mais o burro Pacheco, mas sem vacas pelo meio,
se poem a caminho de Belém.
No entanto o temporal aumenta, enquanto o Pacheco enfrenta,
com coragem e destemor, uma vil ventania e chuva e o nevoeiro aterrador.
E depois de tantas dificuldades, ali está Belém com a sua
torre que afaga Lisboa, local onde a sardinha é boa e se canta o fado.
Em poesia, uma história encantadora que, com as suas belas
ilustrações, agregam o Natal e o Fado numa altura em que o mesmo comemora um
ano como Património
Imaterial da Humanidade.
Natal também é fado!
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Cozinha Confidencial – Anthony Bourdain
Anthony Bourdain é um chef mundialmente conhecido pelo seu programa “No Reservations“ que, tendo sido iniciado em Julho de 2005, vai actualmente na 8ª temporada e é já um programa de culto para a maioria dos amantes da cozinha.
Em 2000 lança Kitchen Confidential, best-seller da lista do New York Times e que desde logo cria celeuma devido ao facto de, supostamente, mostrar ou relatar o lado oculto e obscuro do mundo das cozinhas profissionais e, sobretudo, das cozinhas dos grandes restaurantes. É dessa forma que o livro se tornou conhecido e a editora em Portugal ainda carregou nessa ideia, colocando rótulos como: “Bourdain é hilariante quando nos aconselha sobre o que devemos pedir em restaurantes e quando o fazer. Por exemplo, aprendemos que nunca devemos comer peixe às segundas-feiras, evitar o brunch de domingo e nunca pedir qualquer tipo de carne bem-passada. E se algum dia virmos um cartaz que diga «Desconto Sushi», devemos, se formos inteligentes, fugir para o lado oposto o mais rápido que conseguirmos.”
De facto é verdade que Bourdain, logo no início escreve essa frase, em todo o caso querer rotular toda uma obra como sendo algo que vai “partir” ou “desmascarar” a suposta javardice das grandes cozinhas, é algo que para além de ser falso, revela má edição e um aproveitamento de uma ideia para rotular o livro de principio ao fim, pois é inegável que o compramos julgando que Bourdain nos vai narrar episódios macabros e obscuros no mundo da restauração, quando, na realidade, ele apenas nos narra as memórias de parte da sua vida pessoal e profissional.
E são nessas memórias, que ele, de facto num tom mordaz e hilariante, conta como surgiu a sua paixão pela cozinha, como começou e como cresceu e evoluiu na profissão ao ponto de se tornar um chef executivo. Nada de mais.
Obviamente que no decorrer dessas memórias surgem histórias hilariantes e algo escuras sobre o submundo da restauração, onde ele até dá conselhos a quem quer se iniciar nessa profissão. Um mundo muito duro, sem qualquer tipo de consideração ou compaixão por ideiais humanos, onde a objectivo é, única e exclusivamente, cozinhar bem, com qualidade, maximizando todos os recursos disponíveis.
Pessoalmente gostei bastante e até me surpreendeu a qualidade de escrita de Bourdain (partindo do principio que foi ele que escreveu o livro). A histórias são de facto cativantes, pese embora, confesse, que se lido continuadamente, fique um pouco monótono, pois as histórias acabam por ser semelhantes entre si.
Nota final para a imensa coragem de Bourdain ao admitir a sua dependência do álcool e da droga na altura em que foi chef. Dependência essa que o iam atirando para fora da profissão mas que, ele próprio o refere, o ajudaram a suportar o imenso stress que a profissão de chef executivo exige.
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