sexta-feira, 12 de junho de 2015

Lisboa é linda!



Agora que está a chegar os santos populares em Lisboa, a minha Lisboa, a minha cidade que, agora que moro fora vejo que está muito enraizada no meu Ser, faz parte da minha essência, mas enfim, saudosismos à parte e agora que está a chegar a noite de Santo António, questiono: porquê que as televisões só mostram Alfama quando falam nos Santos populares de Lisboa?

Não me venham com tretas dizendo que é o bairro mais popular, Há outros bairros onde se festeja os santos e não ficam nada a perder para Alfama.

Pode ser considerado, de facto, o bairro mais antigo de Lisboa (eu discordo), mas e os bairros da Graça (o meu bairro), Mouraria, Castelo, Alcântara (vivi lá três anos), Alto Pina, São Vicente de Fora e outros?

Adoro sobretudo Lisboa no seu conjunto, para mim não há bairrismos. Sinto-me bem assim que me aproximo de qualquer das pontes e entro em Lisboa e sinto-me triste quando saio.
Lisboa é linda e única. 

Agora percebo quando se diz que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. Por muito que custe, é assim mesmo e só vivendo lá se compreende isso.

Lisboa é linda e o Santo António a sua festa por excelência!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

In Sexus Veritas - Pedro Chagas Freitas


Sendo esta a minha primeira incursão na obra de Pedro Chagas Freitas, e logo a sua maior obra com cerca de 1400 páginas, não posso dizer que tenha sido um livro que tenha adorado, que me tenha enchido as medidas ou que tenha não gostado.

Gostei, mas deixo para outras leituras uma opinião mais realista sobre a sua escrita.

O certo, e isso é inegável desde a primeira página, é que não é muito fácil ler este livro e temos, de certo modo, estar “praí virados” para conseguirmos avançar e acabar este calhamaço.

Em todo o caso e desde que ouvi uma entrevista sua num canal radiofónico, fiquei com curiosidade de ler alguém que afirma “escrever sem qualquer pretensiosismo aquilo que lhe apetece e como lhe apetece”, ainda mais um autor que, honestamente, tinha ouvido de leve mas que não considerava um autor de top e foi com alguma surpresa reparar que é normal os seus livros estarem precisamente no top.

A obra é dividida entre sete personagens completamente distintos mas que vão revelando, ao longo da mesma, pontos em comum que fazem as suas vidas se interligarem. Assente sobretudo em pensamentos, o autor de facto consegue construir uma teia onde as principais particularidades (vá lá) da Humanidade estão presentes: sexo, inveja, morte, maledicência, ódio, preconceito, e outros, que nos vai jogando sistematicamente em torno dos seus sete principais personagens. Admito que gostei imenso disso e sobretudo do seu humor, muitas vezes humor negro corrosivo.

Numa escrita irreverente, rude e agressiva, o autor sabe jogar com as palavras e as situações que constrói e que tem o condão de nos fazer reflectir sobre a condição humana e em muita “coisa” que nos rodeia e que nós não damos qualquer importância, no entanto não vou aqui afirmar que se trata de um autor que me entusiasmou por aí além e que, a partir de agora, vou ler tudo o que ele escrever. 

Repito, gostei mas não adorei, sobretudo porque o achei algo repetitivo e maçudo, o autor, propositadamente, repete muitas frases, excertos inteiros, mas enfim, é uma obra diferente daquelas que eu li até hoje o que, por si só, é digno de realce num mundo, literário, que pouco se inventa.

sábado, 18 de abril de 2015

Maze Runner: Correr ou Morrer

Baseado no primeiro volume da saga de James Dashner, com o mesmo título, este é um filme que comecei a ver por acaso e que no final, pese embora tenha achado aqui e ou ali uma série de defeitos, posso afirmar que gostei bastante.

Classifico-o como ficção, algo como género distópico, o filme, realizado em 2014 por Wes Ball, começa num elevador que sobe, tendo no seu interior um miúdo meio adormecido e completamente alienado do que se passa e onde se encontra.

Quando a porta se abre, vê-se observado por algumas dezenas de outros miúdos que lhe dão as boas vindas à clareira. Ele tem a mínima percepção de quem é e que local é aquele. Apenas observa uma vasta clareira rodeada por altíssimos muros em betão.

Obviamente com o tempo ele começa a investigar o estranho local onde se encontra, sucedendo-se toda uma série de "aventuras" que vão ficando, a maior parte delas, sem resposta, mas que torna claro ser uma estranha comunidade que se encontra presa num labirinto sem que nenhum deles saiba do porquê.

Foi um filme que me surpreendeu pela positiva. Tem efeitos visuais surpreendentes que nos catapultam para aquela estranha comunidade. A perspectiva do labirinto então é algo que só mesmo o cinema conseguiria produzir. Pessoalmente gosto imenso de distopias e foi essa percepção que me levou a continuar a ver o filme. Pese embora seja "pintado" por laivos de fantasia e até ficção-científica, foi um filme que me levou a pesquisar sobre a obra e ter acesso aos restantes livros já disponíveis no mercado português.

Posso afirmar que já os li e que aguardo ansiosamente pela edição dos restantes volumes já disponíveis em inglês.

Para quem não conhece, fica aqui o trailer.
 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Voltei!



Pois é meus amigos e amigas, depois de um ano ausente, eis que me resolvi a voltar.

Num ano a minha vida mudou muito. Saí de um emprego que me sufocava e resolvi-me a trabalhar por conta própria num projecto que, continuo a considerar, ter grande potencialidade.

O caminho não tem sido fácil nem eu esperava que o fosse.

Mudei de cidade. Saí da minha Lisboa e rumei a Évora, cidade património Mundial, em busca de uma vida mais calma e estável para mim e para a minha família. Não estou arrependido, mas tem sido um caminho sinuoso. Mas nada na vida é fácil e temos consigo adaptar-nos e levado para diante o nosso negócio.

Continuo a ler, pese embora não com a mesma cadência que o fazia. Enquanto antes lia uns dois livros por semana, agora leio um, vá lá, dois livros por mês e mesmo assim nos melhores meses, pois depende do trabalho.

Depois de um ano ausente, o bichinho começou a roer e resolvi-me regressar às lides da escrita. Vamos lá ver em que moldes, pois e estou certo de não querer continuar a escrever opiniões por escrever. Confesso que fiquei um pouco saturado disso e já não é isso que me move.

Sei lá. talvez artigos de considerações literárias e não só. Pese embora queira continuar no registo literário, é normal que comecem a surgir posts de opinião sobre outros assuntos e sobretudo opiniões de opinião sobre factos.

Sei lá. Vamos ver. O que sei é que senti a necessidade de voltar a escrever e de não deixar morrer algo que me levou tanto tempo a conseguir, algo que já tem mais de seis anos.

O meu bem aja para todos aqueles que, neste ano, não deixaram de me seguir.

Obrigado!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Há autores

que, se calhar de uma forma inconsciente, possuímos um sentimento de antipatia derivado de várias factos ocorridos ao longo do tempo, quer sejam entrevistas, posições políticas, de opinião, etc.

Eu, já o admiti em diversos locais, há um autor cuja minha antipatia é imensa, só de olhar para o homem vem-me logo o fel à boca tal a embirração que sinto por tal ser. Aquela postura abestalhada fumante lunático, parecendo, em cada entrevista que lhe vi ou li, estar a gozar com os leitores, a sua postura face aos outros autores que, aqui e ali, vai menorizando como se fosse ele o único escritor de qualidade à face da Terra, é algo que acho asqueroso e, obviamente, isso tem repercussões na minha postura face aos livros desse autor, pois e embora já o tenha tentado por diversas vezes, não consigo ler qualquer obra sua, aliás, nem consigo chegar à página 100.

Nestes últimos dias tentei pela enésima vez.

Peguei o “Cú de Judas” do execrável António Lobo Antunes e não consegui avançar para além da página 50 tal a insanidade de texto. Perdoem-me a imensa legião de fãs do autor, mas acho o homem um péssimo ser humano. Não o conheço de lado nenhum, apenas faço esta constatação pelas entrevistas que já li e vi e pela sua postura face aos outros autores. Aliás, foi o único escritor que um dia vi dizer que tal livro de tal escritor era lixo. Mas a sua escrita densa, feita de descrições vagas, de analogias figurativas e labirínticas que nos enviam de um lado para o outro, por vezes sem grande coerência, é algo que me aborrece. 

No entanto, admito, a minha postura é mais pela embirração que sinto pelo homem.

Até arrepia!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Águia e os Lobos (A) – Simon Scarrow

Neste 4º volume das aventuras de Macro e Cato, série que Simon Scarrow dedica ao império romano na sua Série Águia, a localização da acção situasse nas ilhas britânicas no ano 44 d.C. quando, no segundo verão da campanha para a conquista da Britânia, Cato e Macro vêm-se no papel de comandantes de duas coortes de guerreiros locais aliados de Roma, os Atrébates.

O imperador Cláudio havia nomeado no anterior o General Aulo Pláucio que, com o apoio do rei dos Atrébates, Vérica, conquistasse e pacificasse toda a ilha. Os seus vizinhos, os Catuvelauni comandados por Carátaco, fazem obviamente oposição cerrada, originando daí uma série de batalhas pela conquista da ilha que vão acabar em enormes combates corpo a corpo e as correspondentes chacinas.

De notar que quase todas as personagens são reais. Excluindo Macro e Cato, o autor utiliza os personagens para desenhar a época e narrar os primeiros anos da conquista da Britânia. O resultado são batalhas formidáveis de uma violência inaudita.

Pessoalmente foi o melhor livro que li desta série. Tinha lido os anteriores três e embora tenha gostado, sempre me pareceram um pouco fracos, com situações muito forçadas. Não no aspecto da explanação da situação histórica, mas sempre um pouco sem sal no aspecto da realidade quotidiana, sobretudo na forma como Cato, com apenas 18 anos se desenvencilha de formidáveis oponentes nas batalhas. Mas enfim, confesso que desta vez gostei imenso das descrições e as narrativas das batalhas são bastantes reais, emocionantes e brutais. As páginas finais são de uma impressionante violência, num ritmo alucinante que nos tira o folego face às situações que surgem em catadupa.

Confesso que fiquei mais entusiasmado com em ler o 5º volume do que com este, que há uns dois anos estava na “pilha”.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Crónicas do Sul – Luis Sepúlveda

É sempre um enorme prazer voltar a ler autores que admiramos, não só pela sua qualidade literária como também pelo papel que desempenham em expor ao mundo situações ou estados da sua nação.

Luis Sepúlveda é um desses autores.

Chileno, exilado há muitos anos em Espanha, não hesita em apontar o dedo às mais variadas situações que grassam no Chile, sobretudo nos terríveis anos em que Pinochet governou.

“Crónicas do Sul”, é um conjunto de crónicas escritos em 2005 e 2006, em que Supúlveda se debruça sobre uma enorme galeria de acontecimentos que marcaram os anos de horror de Pinochet.

Exercício de liberdade, grito de revolta, uma espécie de autor incómodo para os neoliberais de todo o mundo, o autor vai dissertando sobre vários episódios do seu Chile e também um pouco do resto do mundo. É inegável o seu asco ao neoliberalismo que demonstra, com exemplos claros, funcionar sempre contra o povo em prol das classes mais ricas.

E, mesmo sabendo que a intenção de Sepúlveda é o de narrar e expor as vis políticas e accões de Pinochet e dos seus compinchas, é arrepiante ver na situações descritas exemplos do que está a acontecer em Portugal.

Veja-se este exemplo: “Enquanto as bases da economia, da cultura e da história social do Chile eram destruídas através de privatizações dos bens nacionais que incluíram a saúde e a educação, qualquer tentativa de oposição era esmagada por meio de assassínios, tortura e desaparecimentos ou exílio. Isto é tudo o que Pinochet deixa, um país falido e sem futuro, um país onde os direitos elementares , como o contrato de trabalho, a informação, a saúde publica e a educação, são quimeras mais difíceis de alcançar.” Ou ainda “… que aceitaram sem contestar as tropelias impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial, interessados em fazer parte dessa «realidade económica global» que apenas consegue miséria e êxodos maciços de população

Pois é, a política neoliberal segue um pensamento ideológico bem organizado que opera sempre da mesma forma em beneficio da alta finança e que traz a reboque a corrupção e o trafego de influências e, em muitos casos, como no Chile, governos ditatoriais ao serviço desses interesses.

Isto não vos soa a algo familiar?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Há casos que me fascinam!

Alguns pelo mistério que encerram, outros pelos factos que estão por detrás desses casos, as atitudes que levaram ao surgimento desses casos, aos motivos.

Um desses é o caso do Assassino do Aqueduto, um caso ocorrido em Lisboa na década de 30 do século XIX. Nessa altura várias pessoas foram assassinadas por um misterioso que, no escuro do Aqueduto das Águas Livres, se aproximava sorrateiramente por detrás e, depois as assaltar e para ninguém o denunciar, as atirava de cima do Aqueduto. Eram 65 metros em queda livre e, de manhã, aparecia o corpo estilhaçado no Vale de Alcântara, hoje zona da Av. Ceuta.



Muito se falou na época sobre esse desconhecido que, embora não oficialmente, fez mais de setenta vítimas.

A agitação causada na cidade foi tão grande, que as autoridades encerraram o Aqueduto o que obrigou o assassino a mudar de esquema, tendo sido finalmente apanhado por outros crimes e condenado à morte em 1841, pondo fim à sua enorme carreira criminosa. Para além dos crimes do Aqueduto, o que torna este caso mais relevante é o facto do criminoso, Diogo Alves, ter sido o último condenado à morte em Portugal e com o pormenor da sua cabeça ter sido conservada em formol na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se encontra até hoje.



Eis que agora surge uma obra que me cativou e que se predispõe a narrar, sobre a forma de romance histórico, este caso que aterrorizou Lisboa: “O Assassino do Aqueduto”, escrito por Anabela Natário, sob a chancela da Esfera dos Livros.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Se Isto é um Homem – Primo Levi

Eu: “Terrível. Depois de ter lido a Segunda Guerra Mundial de Martin Gilbert, quis reler "Se Isto é Um Homem" de Primo Levi, autor que esteve em Auschwitz desde Janeiro de 1944 até Janeiro de 1945, altura em que os russos chegam ao campo.”

O Outro: “Já ouvi falar desse livro. É mais um relato de um prisioneiro nos campos de extermínio nazi”

Eu: “Mas não é MAIS UM! Não é justo considera-lo dessa forma, pois o livro é, acima de tudo, ou pelo menos é o que sobressai desde as primeiras páginas, uma reflexão sobre a condição humana”.

O Outro: “Ok, mas o livro não narra o dia-a-dia dos prisioneiros durante esse ano?”

Eu: “Sim, mas é mais profundo. Escrito logo depois de ter sido libertado, Levi narra a forma como foi apanhado e extraditado para Auschwitz que, na altura, era um nome como qualquer outro, sem qualquer tipo de conotação. Com ele ia milhares de pessoas que, um ano depois, apenas duas dezenas estavam vivas. Logo à chegada ele narra a selecção e o desaparecimento das mulheres, crianças e doentes.”

O Outro: “Mas na altura eles sabiam para onde iam essas mulheres e crianças?”

Eu: “Não… quer dizer, logo desconfiaram, embora e isso é algo intrínseco à condição humana, quiseram acreditar que essas mulheres e crianças estavam bem.”

O Outro: “sim... continua…”

Eu: “Bom, logo aí ele descreve os primeiros aviltamentos. Todos se despiam e ficavam nus à espera de coisa nenhuma. E a partir desse dia, era apenas fome, maus tratos, trabalho violento e a sombra da morte que pairava constantemente”

O Outro: “E como é o dia-a-dia desses prisioneiros?”

Eu: “Como deves calcular, uma miséria humana. A luta pela sobrevivência aguçava o engenho e ele descreve a forma como a pouca comida tinha cotação. Ou seja, roubava-se e trocava-se vários instrumentos pelo pouco pão que tinham direito. As doenças minavam o campo e, de vez em quando, lá vinha a selecção. É brutal a forma como ele explica o processo. Bastava o simples gesto do oficial das SS para que centenas de homens fossem parar ao gás, e eles sabiam que era esse o seu derradeiro destino.”

O Outro: “Sim, deve ser impressionante. Sobretudo tentar perceber como foi possível homens terem sujeitado outros homens a tão cruel e vil destino”

Eu: “Exacto e essa questão está latente em toda a obra. Levi questiona-se constantemente sobre isso, sobre os aspectos da alma humana, até que ponto um homem deixa de ser um homem diante de outros homens. O mal absoluto sem piedade pela condição humana. É assustador ver que o ser humano pode perder facilmente a sua consciência, tornando-se numa besta maléfica. E curioso perceber que, ao longo de toda a obra, ele vai colando alguns dos episódios, ou efectuando analogias, ao Inferno de Dante”

O Outro: “De facto. A História da Humanidade está cheia de episódios macabros em que a condição humana é esquecida, onde a natureza humana acaba por se mostrar como é violenta e sádica”

Eu: “E curioso constatar que, depois de ele escrever o livro, o mesmo foi recusado pelas grandes editoras italianas.

O Outro: “Estás a brincar!”

Eu: “Não, a sério! Devia ser ainda resquícios da ideologia fascista que inundou a Itália e que levou o país a unir-se aos nazis na Guerra Mundial. Mas o certo é que o seu relato pungente, objectivo e sereno sobre o dia-a-dia em Auschwitz, foi considerado sem interesse.

O Outro: “Poderá um homem sobreviver depois de sobreviver a Auschwitz?”

Eu: “Bela questão, pessoalmente acho que não!”

Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um Homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios olhos e frio o regaço
Como uma rã de inverno.

Meditai que isto aconteceu.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Homem de Constantinopla (O) – José Rodrigues dos Santos

Já aqui referi que gosto de ler os livros de José Rodrigues dos Santos. Longe, muito longe, de serem grandes obras literárias, decerto jamais irá vencer ou perto disso o Nobel da Literatura, o certo é que os seus livros me entretém e têm a capacidade de me despertarem a atenção para outros assuntos que, por diversas vezes, me têm levado a descobrir outros autores e outras obras muito boas.

A presente obra que, vá lá, direi o primeiro volume de dois em que o autor se propõe a narrar a vida de Kaloust Gulbenkian, é pois mais um dessas obras de puro entretenimento, um pouco num estilo cinematográfico, que explana a narrativa de uma forma muito simples e com capítulos muito curtos de uma forma de takes cinematográficos e que nos vai traçando o percurso de Gulbenkian desde quase o seu nascimento até 1913, altura em que se inicia a Primeira Grande Guerra.

No entanto e de todos os livros que já li do autor, e posso dizer que já os li efectivamente todos, este é o mais fraco em todos os aspectos.

A narrativa é muito fraca e algo incoerente. Parece que o autor escreveu o livro imaginando um roteiro de um filme. As situações surgem um pouco desligadas e há outras, que a meu ver mereciam uma maior profundidade, que são narradas de uma forma muito simplista, como e por exemplo a perseguição turca aos arménios. Depois, há situações que são explicadas ou resolvidas de uma forma muito tosca. Ou seja, o autor aborda de facto essa e outras questões mas pouco ou nada a explica, deixando-nos a ideia de um trajecto feito de facilidade quando, sei, não foi bem isso que sucedeu. Para além disso, não gostei igualmente da forma que o autor encontrou para começar a história nem do encadeamento dos episódios da sua vida. Obviamente que sei que se trata de um romance, mas, a meu ver, o autor tem obrigação de fazer um trabalho mais apurado, nem que seja apenas e só devido á sua formação académica.

Tenho já o segundo volume para ler mas, face à enormidade volumosa da obra e ao tempo que demorou a escrever, não acredito que melhore, pois esta é uma obra escrita algo a “martelo” e deve ser mais do mesmo. No entanto nem tudo é mau. Entretém e dá-nos um aspecto, frágil é certo, da vida de Gulbenkian e da forma como granjeou fortuna e fama. Vou ler decerto.