terça-feira, 9 de julho de 2019

10 Bons Livros para Ler num dia


Até há bem pouco tempo, gostava de ler apenas livros cuja quantidade de páginas fosse considerável. Ou seja, quanto mais extenso fosse o livro, mais eu o apreciava, pois adorava aquela sensação da “douração da pílula” e passar longas temporadas na companhia “daquela” obra.


Aos poucos isso foi mudando porque mudando foi também a minha paciência para ler histórias extensas, até porque comecei a aperceber-me que havia muita “palha”, situações desnecessárias com a intenção de prolongar o livro e que, bem espremido, não lhe acrescentavam nada.


E vai daí, comecei a descobrir pequenas obras que se revelaram Grandes e que se liam em poucas horas.


Escolho então 10 obras que se leem em poucas horas, perfeitamente possível num dia.





Cântico de Natal – Charles Dickens (184 Págs)


“Disparate! Feliz Natal? Que razões tens para te sentires feliz? És pobre!...".


Já muito se disse e escreveu sobre esta tocante e portentosa obra literária do mestre Dickens.

A obra nasceu na mente de Dickens com a intenção de valorizar a época natalícia que Dickens adorava. Tinha 5 filhos e era profundamente dedicada à família e a época, considera Dickens, era sinónimo de família, paz e fraternidade.

Assim, decidiu escrever este conto e publicá-lo a expensas próprias, vendendo-o posteriormente nas ruas a um preço simbólico.

O sucesso foi tão grande, que é a partir daí que a tradição do Natal se volta a impor, primeiro em Inglaterra, alastrando-se depois por toda a Europa e mundo ocidental.

É um livro que se lê em meia dúzia de horas. É um conto extraordinário que nos encanta e demonstra o verdadeiro espírito do natal.






A Morte de Ivan Ilitch – Léon Tolstoi (84 Págs)


Tolstoi é um dos maiores escritores de todos os tempos. Conhecido essencialmente pela sua fenomenal obra “Guerra e Paz”, Tolstoi foi um escritor com uma obra extensa, cujos títulos são, hoje em dia, motivo de exaustivos estudos.

Uma dessas obras é a Morte de Ivan Ilitch que aborda o tema da morte e o sentido da vida.

Percebendo que a morte se aproxima, Ivan Ilitch efectua uma retrospectiva da sua vida e principalmente questiona e reflecte sobre a vida e seu desígnio. Nasce assim um vasto exercício sobre o porquê da vida e qual o seu sentido.

É daqueles livros que aconselho quando me questionam de qual a melhor obra para se iniciar nos clássicos russos. Lê-se em poucas horas e o impacto é enorme.






A Metamorfose – Franz Kafka (96 Págs)


Mais um clássico da literatura.

O que dizer desta portentosa de Kafka?

Kafka cria uma metáfora sobre a escravatura do ser humano face ao trabalho, a sua alienação em prol de um mundo cada vez mais capitalista e egoísta, onde as relações humanas estão assentes em interesses mútuos, fazendo com que as relações humanas sejam cada vez mais supérfluas e vazias. Nessa metáfora, Kafka analisa e critica igualmente as relações familiares deixando antever a enorme injustiça que é não termos qualquer culpa da família no qual nascemos.

Como protagonista, Kafka cria Gregor Samsa que, um dia de manhã, ao acordar, constata que se tinha metamorfoseado em Barata, um ser que para os humanos, representa a imundice, o nojo, a impureza, o lixo.

Impressionante como em tão poucas páginas se constrói algo tão grandioso. É a tal questão essencial: O pouco é mais.

Mesmo sendo uma leitura que se deva fazer devagar, umas 3, 4 horas chegam para ler e entender esta pérola da literatura universal.






As Dez Figuras Negras - Agatha Christie (192 págs)


Pese embora não seja um grande fã de policiais, li muitos livros de Agatha Christie e aquele que mais me entusiasmou foi, sem dúvida, As Dez Figuras Negras.

E porquê?

Primeiro porque é um dos poucos livros de Christie em que não há um daqueles detectives que, embora perspicazes, tornam as histórias um pouco semelhantes. E depois, porque existe muitos laivos de terror.

Dez desconhecidos são convidados para passar uns dias numa mansão numa ilha. O convite parte do proprietário da mansão e os convidados, aparentemente, não têm qualquer relacionamento entre si. Aos poucos, todos eles se vão apercebendo que há um facto comum a todos: Ninguém conhece pessoalmente o proprietário que, curiosamente, não se encontra presente.

Durante o jantar, ouve-se a voz do anfitrião que acusa todos eles de esconderem um acto criminoso…

É um excelente livro que se lê de rajada, face também ao clima de tensão crescente e à forma clara a concisa como Agatha Christie escrevia.






As Rosas de Atacama - Luis Sepúlveda (144 Págs)


O título deste pequeno/grande livro, nasce da visita de Sepúlveda ao campo de concentração de Bergen Belsen (Alemanha), quando se deparou com a inscrição numa pedra: “Eu estive aqui e ninguém contará a minha história”.

Essa frase trouxe-lhe à memória muitas pessoas que havia conhecido que mereciam que a sua história fosse conhecida. Dessa forma, nasce um livro com histórias isoladas, onde a defesa da dignidade humana tem um papel fortíssimo.

É um livro encantador que se lê em poucas horas.






Memória das Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márquez (107 Págs)


Garcia Marquez é, reconhecidamente, um dos maiores génios da literatura.

Conhecido principalmente pelo seu romance “Cem Anos de Solidão”, é autor de uma vasta obra, desde romances, contos, peças de teatro, crónicas, etc.

Uma das suas últimas obras, é este “Memória das Minhas Putas Tristes”, pequeno livro onde se pode desfrutar de todo o génio de Marquez.

Essencialmente o livro representa uma reflexão sobre a velhice e sente-se que é também uma espécie de autobiografia de Garcia Marquez.

É um livro que se lê facilmente num par de horas.






O Rapaz do Pijama às Riscas – John Boyne (192 Págs)
 

Este foi um dos livros que mais me tocou.

Explora, de uma forma magistral, a inocência infantil face à estupidez dos adultos.

Todo o livro é narrado do ponto de vista de uma criança que não compreende porquê que se tem de mudar da sua confortável mansão para uma casa localizada em nenhures. Mais estranho é o facto de ali não existirem crianças com quem ele possa brincar, excepto um menino que ele conhece que vive do outro lado da vedação de arame farpado. Estranhamente, esse menino, bem como todas as outras pessoas que vivem desse lado da vedação, usam um pijama às riscas.

É uma história comovente e tocante que tem um epílogo desconcertante que nos demonstra o quão terrível, cruel e absurdo foram os campos de concentração nazis.

Um livro que li numa manhã, pois é de leitura compulsiva.






O Rei de Havana – Pedro Juan Gutiérrez (200 Págs)


Um dos meus autores preferidos é o cubano Pedro Juan Gutiérrez. Dono de uma narrativa crua e extremamente visual, Pedro Juan não se coíbe em descrever a realidade de Cuba e principalmente a “sua” Havana durante a ditadura de Fidel Castro

Dessa forma escreveu um conjunto de romances que, na minha opinião, têm o auge da Qualidade através do livro “Trilogia Suja de Havana”.

Neste “O Rei de Havana”, que é uma espécie de continuação da “Trilogia”, o autor apresenta-nos páginas cruas, por vezes violentas, do quotidiano dos cubanos, onde a fome a miséria andam de mãos dadas. Pedro Juan narra o dia-a-dia de Reynaldo, que depois de assistir à morte da família, é encerrado numa instituição onde aprende a desenrascar-se, algo que para os cubanos, é um desporto nacional.

É um livro delicioso que se lê perfeitamente num dia, pois é escrito numa linguagem simples e directa e os episódios narrados têm o condão de agarrar o leitor.







A Noite dos Mortos-Vivos – John Russo (136 Págs)


Decidi colocar este livro nesta lista pela razão de ter sido um dos primeiros livros de terror que li e porque o mesmo está na origem dessa moda do género "apocalipse zumbie" que há décadas invadiram o mundo ocidental.

Este pequeno livro, intenso, terrorífico e cheio de sangue, é o livro que posteriormente é adaptado ao cinema por George Romero em 1968 e que hoje é considerado um clássico do género. No entanto por detrás do filme, está a obra de John Russo que, sabe-se, foi escrita precisamente já a pensar no filme, longe estando eles de pensar que estariam a criar um clássico da literatura e do cinema.

Intenso e assustador, é um livro que se lê em poucas horas, pese embora seja um livro cheio de situações fortes, absurdas e altamente sangrentas.







A Herança de Eszter – Sandor Marai


A minha primeira experiência na literatura de Sandor Marai foi este “A Herança de Eszter” e confesso que adorei o livro que li em poucas horas.

A estrutura do livro é simples e muito objectiva.

Eszter viveu durante anos uma existência pacífica e monótona. Até que um dia recebe um telegrama de Lajos, o seu grande amor, que a informa que dentro de dias chegará a sua casa para a visitar.

A partir daí desenrola-se uma série de acontecimentos que irão evidenciar a personalidade manipuladora e canalha de Lajos, simultaneamente que são narrados factos do passado.

É um livro inquietante e perturbador que se lê em duas, três horas sem qualquer esforço.

 

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vamos criar um Clube de Leitura?

A Anabela, do Blog "Livros & Saltos", lançou o desafio para se criar um Clube de Leitura.

Parece-me uma excelente iniciativa.

Tomo a liberdade de divulgar a iniciativa, aproveitando igualmente para endereçar o convite a quem quiser participar.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Origem (A) – Dan Brown


Já aqui tenho referido da minha saturação por thrillers onde questões religiosas se misturam com factos históricos, originado teorias de conspirações seculares, descobertas em pormenores visualizados em quadros, estátuas, monumentos, sei lá, em qualquer coisa que tenha sido criada em séculos passados.

E digo mais, sem dúvida que o “Código Da Vinci” foi um livro que fez imenso furor, porque soube, de uma forma muito bem delineada, explorar a História e a Arte, gerando um enredo bem pensado e coerente que teve o condão de criar celeuma em várias áreas da sociedade, sobretudo criou um imenso debate sobre o papel da Arte e da Religião e como as duas se interligavam. A partir daí foram centenas de títulos que pretenderam aproveitar a maré, a maioria sem qualquer qualidade e que, na minha opinião, acabou por saturar o mercado. Tenho a certeza que hoje em dia este género de livros não vende tanto e perdeu aquele toque de surpresa.

Pois bem, o novo livro de Dan Brown é exactamente do mesmíssimo género, o que, por si só, já se torna algo aborrecido. Ou seja, confesso que as minhas expectativas não eram muito altas e só me decidi na sua leitura porque se tratava de Dan Brown, se fosse outro autor qualquer, garanto que não lhe pegava.

As questões iniciais e que acompanham todo o enredo é: “De onde viemos?” e, “para onde vamos?”

E, obviamente, como seria expectável, teria de haver uma situação estrondosa no início. Temos assim um cientista que afirma ter uma descoberta que irá revolucionar a religião e a ciência e que, quando se souber, será bombástica e criará o pânico, o horror, o desespero na população mundial.

Depois, como expectável, existe alguém que quer matar esse cientista, que por acaso (só por acaso), é amigo pessoal de Robert Langdon e que, com a ajuda de uma menina (o que seria expectável, pois há sempre uma menina na molhada que mesmo em situações de perigo manda umas larachas), são perseguidos por esse assassino religioso fundamentalista, com um bispo à mistura, uma seita anti-católica que tem de meter sempre o bedelho, polícias, jornalistas, enfim, o costume. Ah, vá lá, para ser algo diferente, temos um príncipe e o rei de Espanha ao barulho.

Depois, tiros, mortes, quedas, helicópteros, super computadores que falam, porrada de criar piolho, complôs, códigos criptados, códigos sem ser criptados, códigos simples, complexos que se tornam simples, uma sopa primordial que vai desaguar na sopa primordial que responderá, de uma forma algo caricata, quem somos e para onde vamos, querendo colocar-nos uma questão ética mas que, na minha opinião, é algo rebuscada e exagerada, pois, sinceramente que essa revelação fosse capaz de destruir a crença em qualquer religião ou em qualquer Deus é algo excessiva.

É um livro que entretém, isso é um facto o que, por si só já é de realçar, porém e embora contenha várias informações interessantes, a sua acção acaba por aborrecer visto ser mais do mesmo, com situações muito similares com anteriores romances de Brown.

Para quem pretender uma leitura leve, valerá sempre a pena, nem que seja por descobrir algumas informações interessantes. Mas para quem pretenda algo explosivo, que irá revelar algo bombástico, então esqueça, pois irá sentir-se desiludido.