Este
é um daqueles livros que nunca mais nos vai sair da
memória.
Para
além de estar muito bem escrito num texto harmonioso, Roth consegue criar um
cenário que, se tivesse sucedido, iria alterar muito muito a filosofia cultural norte americana, num total contrassenso com a sua ideologia que o seu povo tanto se orgulha.
Nesta obra, Philip Roth cria um cenário de História alternativa completamente
contrária ao que se passou nos anos 30 e 40.
Aqui,
Charles A. Lindbergh vence as eleições presidenciais a Roosevelt e coloca em
marcha nos Estados Unidos uma política de proximidade com a Alemanha nazi e o
seu carismático e odiado líder: Adolf Hitler.
Os
judeus ficam em polvorosa e completamente apavorados. É só uma questão de tempo
até a questão judaica ser levantada e começa-se a criar a hipótese de acontecer
nos Estados Unidos o que está a acontecer na Europa, onde os campos de
trabalho e concentração surgem em massa e os judeus são expropriados.
Como
narrador encontramos Philip Roth, com os seus 10 anos, que tem uma visão algo
distorcida da realidade mas que se limita a narrar os terríveis acontecimentos tal
como eles são. Porém, nem tudo o que parece é e uma reviravolta se vai dar nas
suas vidas.
Um
livro apaixonante que mostra o quanto a História pode mudar dependendo de
alguns pormenores que influenciam o seu trajecto. Basta escrever sim em
vez de não, para que as coisas possam ser muito diferentes e, com isso, alterar a
vida a milhões de pessoas, assim como o futuro de nações inteiras. Um pouco como o fascinante “efeito borboleta”, é
precisamente isso que Roth nos oferece e é fascinante a forma como constrói
todo um cenário fictício mas que tem muitos pontos verídicos.
Gostei
bastante do livro e da sua escrita. Não é de difícil leitura e o encandeamento
da leitura é entusiasmante, pois damos por nós dentro de um cenário que podia
de facto ter acontecido e isso é algo que me surpreendeu, pois estava longe de
imaginar que podia mesmo ter acontecido.
Uma
obra surpreendente.

