Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Curtis Ford. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Curtis Ford. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de dezembro de 2010

Deuses e Legiões – Michael Curtis Ford


Embora não seja um grande fã do Império Romano, não posso deixar de admitir da imensa influência que o mesmo teve na civilização ocidental, sendo que, ainda hoje e após 1500 anos do fim do império no ocidente, é visível não só vestígios físicos como também uma herança cultural que legaram ao mundo e que proporcionou a evolução do pensamento moderno.

“Deuses e Legiões” conta a história de Juliano (Séc. IV), narrada pelo seu médico e amigo, Cesário.

Para alem da ascensão do imperador, o que torna este livro atraente é por descrever uma época importante sob dois aspectos: a ascensão do cristianismo que via ainda grande resistência nas velhas tradições pagãs e pelas questões políticas que estão por detrás, cerca de 100 anos depois, do declínio e término do império.

No que respeita à narrativa, penso que essa é a grande mais valia, sendo correcta nos factos e na descrição da época, porém o tom é monótono e ao contrário dos outros livros que já li de Curtis Ford, este tem pouca acção, as batalhas são esporádicas e dá pouca importância, quase no fim, das movimentações e razões de Constâncio aquando este pede a Juliano que lhe forneça tropas para combater os persas.

Ou seja, é um livro que se lê bem e que nos descreve muito bem o estado do império no séc. IV, assim como as alterações politicas e os jogos de interesses que estavam por detrás da ascensão e queda de tantos imperadores.

Porem, na minha óptica, falta acção e uma maior descrição no pormenor. Dada ser uma das épocas melhor documentada, o autor tinha a obrigação de ter investido mais nesse aspecto. Sem falar também em alguns factos que o autor refere mas que nunca foram
usados pelos romanos, foram sim criados pela industria de Hollywood.

Por ultimo nota negativa para a tradução que demonstra não ter estudado nem um pouco a época em questão, pois entre outros, traduz “Julian” para “Julião”. Nunca ouve qualquer imperador com esse nome, mas sim Juliano.

domingo, 28 de junho de 2009

Espada de Átila (A) - Michael Curtis Ford



História

Em 450 DC, o Império Romano do Ocidente estava a perder, de uma forma gradual, o poderio militar assim como o controlo das suas províncias, entre as quais a Gália, a Bretanha, a Lusitânia, entre outras.

De Oeste uma nova e poderosa força, alicerçada em alianças de povos que odiavam os romanos, os Hunos, liderados por Atila, avançam sobre Roma com um exército de 1 milhão de homens, algo nunca visto em toda a Europa.

A liderar o exército romano estava o general Flávio Aécio que, de acordo com documentos da época, comandava um exército de 500.000 homens, exército composto pelas legiões romanas e por povos que se mantinham fiéis a Roma, os Visigodos, os Francos e os Alanos. No entanto deixo aqui a ressalva acerca destes números, pois há historiadores que avançam com cerca de 300.000 homens para cada lado.

Entre Flávio e Atila um pormenor sobressaia: eram amigos de infância.

Flávio, por causa da política da altura do Império Romano, havia sido entregue como refém aos Hunos e aí criado durante 14 anos (409-425). Atila, através da mesma política, esteve entre os romanos pelo menos período. Tornam-se amigos no período (409) onde convivem durante alguns meses.

Esse período, obviamente, irá moldar o carácter desses dois homens. Ambos aprendem a conhecer o povo com quem vivem, mas ambos vão mais longe, ambos aprendem os costumes e tradições desses povos e, sobretudo, aprendem a pensar como um deles. Isso acontece principalmente com Aécio.
Esses factos vão ter uma preponderância sublime nos acontecimentos futuros. Ambos conhecem a mentalidade do inimigo e ambos tiram disso vantagem.


Opinião

O livro está sublime!

Michael Curtis Ford, como nos tem habituado, efectua um trabalho de pesquisa história soberbo.

Os acontecimentos acima narrados são todos escalpelizados.

O livro inicia-se com a infância destes dois homens e aborda o seu crescimento. Centra-se mais em Aécio simplesmente porque de Atila sabe-se pouco, pois os Hunos não deixaram documentos e a sua civilização quase que não deixou vestígios. De Atila conhece-se alguma coisa mas isso deve-se a historiados romanos.

Dessa forma, Curtis Ford, com o pouco que tem, é sublime na forma como retracta os costumes e tradições dos Hunos. Mitos, histórias e modos de vida são-nos dados a conhecer, um povo “bárbaro” que dizimava à sua passagem.

As tricas e alianças, até a justificação de Atila em atacar os romanos, quando entre os romanos e os hunos existia um pacto de não agressão, está bem encaixada e de acordo com a História.

A culminar está a Batalha dos Campos Catalaúnicos ou a Batalha de Chalons.

A descrição da mesma é terrível, de uma violência inolvidável.

Nessa batalha, travada a 20 Junho de 451, pereceram mais de 1/3 do exército de ambos os lados. “Pilhas de Mortos”, “à sua frente, o chão estava coberto de cavalos e de homens, montes de corpos…”, “estavam empilhados casualmente em muralhas improvisadas e contorcidas no local onde tinham caído…”

Durante um dia inteiro e parte da noite, os exércitos digladiam-se de uma forma brutal, insana, para além do racional. Na confusão tudo é permitido, a brutalidade dessa batalha, que irá ter uma importância enorme no futuro da Europa, é soberba e excitantemente bem escrita por Michael Curtis Ford, dando-nos não só uma real percepção dos acontecimentos como, também, nos faz quase participar nessa mesma batalha e nos acontecimentos anteriores à mesma.

Um livro excepcional!

Classificação: 5