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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sputnik, Meu Amor - Haruki Murakami



A história é narrada por K., um jovem professor primário.

K. vive apaixonado por Sumire, uma jovem mulher que vive na perspectiva de vir a ser escritora de renome, porém Sumire não escreve nada de palpável criando uma ilusão ou um sonho.

K. ama Sumire, mas Sumire vê em K. apenas um amigo, porém, entre os dois nasce uma intimidade cheia de inconfidências, segredos próprios de amantes.

Entre os dois intromete-se Miu, uma mulher madura, frígida assumida, que contrata Sumire como secretária pessoal.

Sumire apaixona-se perdidamente por Miu, uma paixão entre o platónico e o puramente sexual, tornando K. confidente desse amor.

É neste estranho triângulo que, numa viagem à Grécia de Miu e Sumire, esta última desaparece. Miu, assustada, chama K. para ajudar nas investigações e é a partir daí que se começa a desvendar o mundo destas três personagens.

Adorei este romance, diria mesmo que foi dos poucos que me comoveu e que me tocou bem fundo.

Neste livro Murakami traça de uma forma magistral e ao mesmo tempo nua e crua, um retacto da solidão, uma reflexão apurada sobre o ser humano e essa solidão que insiste em o envolver.

São brilhantes as dissertações acerca dos sonhos e das necessidades que temos em pertencer, em ser, viver, sentir, amar e ser amado.

Murakami constrói três personagens que se interligam em todas essas vertentes. Constrói um mundo onírico, uma espécie de 2ª Dimensão, um outro lado do espelho em que estas três personagens se complementam.

Revi-me em muitos momentos desta narração.

Em vários momentos comoveu-me o pensar de K., os sonhos e desejos de Sumire e o sofrimento de Miu.

As reflexões de K., quando na Grécia, mostram-nos um mundo das fragilidades humanas.

O Melhor livro de Murakami e um dos melhores livros que li nos últimos tempos.

“Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta gente, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?”

Um livro espantoso que me apaixonou.

Classificação: 5

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Kafka à Beira-Mar - Haruki Murakami

Em “Kafka à beira-mar” a história de um jovem de 15 anos que foge de casa interliga-se com a história de um velho cuja vida foi toda ela marcada por um estranho acontecimento na sua juventude que lhe retirou a capacidade de inteligência.

Ao longo destas duas histórias interligadas por pontos comuns que se vão fortalecendo ao longo do livro, Kafka Tamura, o rapaz de 15 anos, inicia a descoberta do seu Eu e consequentemente da sua sexualidade e do seu passado. Abandonado pela mãe quando tinha 4 anos, Kafka fica a viver com um pai ausente, criando assim um carácter hermético, habitando num mundo paralelo onde o seu único amigo é um rapaz chamado Corvo que serve também de consciência.

Nakata é alguém que vive num plano paralelo à sociedade. Vítima ainda em criança de um estranho acontecimento durante a 2ª Guerra Mundial que nunca ficou clarificado, Nakata perde aí a inteligência ao ponto de nem sequer saber ler. Com uma mente vazia, Nakata, porém, tem outras capacidades estranhas, como por exemplo falar com os gatos.

É pois estes dois personagens que servem de contraponto para a construção de um mundo absolutamente fantástico (na verdadeira acepção da palavra) que serve também como metáfora de variadíssimas sensações humanas como a solidão, a amizade, o ódio, a angústia, o amor, a luxúria e capacidade de compreender e ter compaixão pelo semelhante.

Não é um romance fácil de ler nem sequer daqueles livros que cativam pela história. Todavia é um livro com um estranho efeito magnetizador. Agarra-nos. A escrita é extremamente inteligente. O autor cria um início alicerçado na angústia de uma criança que foge do seu presente para tentar descobrir o seu passado. E começa então o desenrolar do fio de um argumento num estilo poético, diria mesmo clássico, ou seja, passei todo o livro com a sensação de estar na presença de uma composição de Beethoven, Mozart ou Hyden, sobretudo porque as palavras fluem como um sonho, como uma pauta musical que flutua na nossa imaginação.

Uma gigantesca metáfora de sensações e também de analogias a factos históricos do Japão com vários pontos cheios de ironia sobre uma sociedade que, parece, tende a esquecer o seu passado.

Para se apreciar o livro, pese embora admita que é um pouco extenso, impõe-se um espírito aberto, uma motivação para o estilo e uma total dedicação à obra, pois, para além de estar repleto de enigmas e de pontas soltas que, pouco a pouco, se vão juntando, é ele também um romance bastante longe do arquétipo de um outro romance. Reminiscências, a meu ver, talvez apenas com a “Margarita e o Mestre” de Bulgakov.

Já agora espreitem o site do Murakami... fantástico.