quinta-feira, 4 de abril de 2013

Moby Dick – Herman Melville




Há muito na pilha de livros “a ler”, Moby Dick é unanimemente considerado um dos clássicos da literatura universal e, depois de tantos planos sempre adiados, eis que me resolvi a empreender a leitura desta imortal obra do norte americano Herman Melville.

Publicado em três fascículos em 1851, o livro narra de uma forma muitíssimo pormenorizada a pesca da baleia e do funcionamento e vida nos barcos baleeiros, assim como, e talvez mais importante, o livro, mais do que uma simples história, é ele um manual de pesca e, principalmente, um registo das apuradas reflexões pessoais do autor que roçam, na minha opinião, o exagero e tornam a obra algo maçadora.

Contendo enorme trechos de não-ficção, a obra narra tudo, mas mesmo tudo ao pormenor, da arte desaparecida da pesca à baleia. Neste livro saberemos como funcionava o método da pesca, as diversas espécies de cetáceos, a vida dos marinheiros no mar, os diversos objectos de pesca, como se fazia a vigia, tudo até à exaustão, até a cor branca de Moby Dick é aqui escalpelizada.

Considerada como uma das obras fundamentais da literatura, Moby Dick é baseada em acontecimentos reais e o que Melville vai narrando de facto existia na época, ou seja, todos aqueles pormenores são verídicos assim como a narração da acção piscatória.

Podemos considerar que esta obra tem diversas mensagens sobretudo no que respeita à amizade a às consequências dos nossos actos, porém não nos podemos esquecer que esta é também uma obra do seu tempo e que espelha a mentalidade reinante na época e as próprias crenças religiosas de Melville. Crítico da religião cristã, Melville coloca sempre um tom de fatalismo na acção e é claro que o barco Pequod acaba por ser a “barca” onde várias pessoas, de várias crenças, rumam no oceano do desconhecido.

Mas o mais fascinante em toda a obra é a criatura Moby Dick.

Misteriosa, poderosa, silenciosa, vigilante e inteligente, um ser quase divino que reina nos mares e que impõe temor a todos.

Que nos faz lembrar com estes adjectivos? Não será o próprio Deus? Não teria querido Melville expressar em Moby Dick a figura de Deus? Não será a famosa baleia branca uma metáfora de Deus?

E essa metáfora, na minha opinião, sobressai no capitulo final quando Moby Dick é alvo da caça do capitão Ahab. Símbolo da divindade, Moby Dick destrói o navio e mata os seus tripulantes menos o narrador, Ismael, que regressa para contar a história ao mundo. Uma história que narra de como um ser quase sobrenatural, branco (até a cor ajuda na metáfora), vence sempre o ser humano, de como é inútil lutar contra o divino.

Um livro excepcional que deve ser lido com atenção, pois não se trata de um romance de aventuras ou de viagens, trata-se sim de um romance que cria uma metáfora sobre a vida, a morte e Deus, que tenta provar a inutilidade da religião e que, todos nós, acabamos sempre por receber as consequências dos nossos actos.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Passatempo "Crónicas de Nathaniel Starbuck"


O Blog NLivros, em parceria com a Editora Saída de Emergência, tem o prazer de oferecer os dois primeiros volumes de uma nova saga que chega a Portugal sob a chancela da Saída de Emergência. Refiro-me às “Crónicas de Nathaniel Starbuck” de Bernard Cornwell, o meu autor preferido de romances históricos.


O 1º volume: “Rebelde, no original “Rebel”;

O 2º volume: “Traidor”, no original “Copperhead”.


Sinopse:

Americano contra americano. Irmão contra irmão. Numa guerra civil tão cruel como a americana há heróis, vilões e... um rebelde.

No verão de 1861 os exércitos do Norte e do Sul estão à beira de iniciar a Guerra Civil Americana, precipitando também a epopeia de um rapaz do Norte, chamado Nathaniel Starbuck, e de como acabou por lutar a favor dos sulistas. Rejeitado pela rapariga que ama e incompreendido pela sua família, Starbuck chega a Richmond, Virgínia, capital da Confederação Sulista. É salvo por Washington Faulconer, um milionário excêntrico que está a criar o seu próprio regime de elite para lutar contra os Yankees. Starbuck alista-se na Legião Faulconer, mesmo sabendo que isso poderá implicar lutar contra o seu próprio povo. Mas não é apenas Starbuck que enfrenta semelhantes dilemas e cedo toda a América terá de se render ao caos e à dramática violência que fratura o país em dois.




Para se poderem habilitar a receber este livro só têm de fazer o seguinte:



1) Ser seguidor do blog NLivros;
2) Clicarem "Gosto" na página do facebook do NLivros;
3) Clicarem "Gosto" na página do facebook da Saída de Emergência;
4) Enviarem um e-mail para: blog.nlivros@gmail.com, indicando o vosso nome, morada,  nick name do facebook e respondendo à seguinte questão: Em que ano foi publicado originalmente o 2º volume “traidor”?








REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:


1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 11 de Abril;
2) O vencedor será sorteado aleatoriamente de entre aqueles que cumprirem com o estipulado, sendo o anúncio do(a) contemplado(a) efectuado por e-mail e publicado no Blog e na página do facebook do NLivros;
3) Cada pessoa só pode concorrer em seu nome uma (1) vez. Pode é enviar indicação de outros nomes com o mesmo e-mail, desde que essas pessoas sejam seguidoras do blog, e estejam entre as seguidoras das páginas do facebook do NLivros e da Editora;
4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal. 

PASSATEMPO ENCERRADO

terça-feira, 26 de março de 2013

Resultado do passatempo "Dia do Pai"

A vencedora do passatempo "Dia do Pai" foi:

Inês Abadesso
 
Parabéns à vencedora e continuação de boas leituras.

sábado, 23 de março de 2013

D. Manuel II, O Último Rei de Portugal – Ricardo Mateos Sáinz de Medrano


A forma como muitas vezes nos contam os últimos episódios da monarquia em Portugal, faz crer que a monarquia acabou no dia 1 de Fevereiro de 1908 aquando do regicídio que vitimou o rei D. Carlos e o seu primogénito, D. Luís Filipe.

Porém, e como muitos decerto sabem, a monarquia apenas caiu no dia 5 de Outubro de 1910, logo, desde o assassinato de D. Carlos passaram-se 32 meses em que o rei de Portugal, e último, foi D. Manuel, segundo filho de D. Carlos e de D. Amélia.

Forçado ao exílio depois da queda da monarquia, D. Manuel II foi viver para Inglaterra, iniciando um trajecto muito peculiar que teve sempre como maior propósito honrar Portugal e a sua casa dinástica, tendo sempre a esperança de voltar e ocupar o trono. Porém, o tempo foi passando e D. Manuel começou a agir de forma algo incongruente, revelando-se um homem impreparado para ser quem era.

Porém D. Manuel II foi sempre um grande português e um grande patriota e toda a sua trajectória, após o exílio, está muito bem explicado nesta obra e ressalva uma série de pormenores totalmente desconhecidos dos portugueses, sobretudo e isso foi algo que entendi na parte final, o rei foi mal compreendido pelos monárquicos e a sua atitude, muitas vezes de aparente desinteresse, foram sempre em prol da nação.

Em todo o caso o livro explica quem foi D. Manuel II e a sua obra.

É um livro muito bem elaborado e estruturado. Tem diversas fotografia de diversos capítulos de um rei que morreu jovem, com 42 anos, e de uma forma estúpida, até para a época.

terça-feira, 19 de março de 2013

Eu juro

que bem tento. Juro que pego nos livros desse género e que começo a sua leitura de uma forma muito atenta e com vontade mesmo de ir em frente, mas, quando dou por isso, estou a pensar em outras coisas e muito longe da acção, aliás, nem me lembro de nada.

Não consigo mesmo ler livros de fantasia, não há nada a fazer,

O último caso foi hoje quando iniciei o Dragões de um Crepúsculo de Outono. Na página 20 já não entendia nada.

Passatempo "Dia do Pai"

O Blog NLivros em parceria com a Alphabetum Editora, para comemorar o Dia do Pai, tem para oferecer um (1) exemplar do livro de crónicas "O Mistério das Coisas Erradas" de Fátima Marinho.

Sinopse: 
A crónica serve de âncora a relatos sobre a infância. Relatos fiéis cuja crueldade e a ternura ferem até as palavras. São memórias da infância captadas pela surpresa de quem guarda muitas crianças por dentro e à flor da pele. O quotidiano escolar serve de chão ao desafio de espreitar o mundo infinitamente sábio da meninice.

Podem ouvir um excerto, AQUI



Para se poderem habilitar a receber este livro só têm de fazer o seguinte:


1) Ser seguidor do blog NLivros;

2) Clicarem "Gosto" na página do facebook do NLivros;

3) Clicarem "Gosto" na página do facebook da Alphabetum Editora;

4) Enviarem um e-mail para: blog.nlivros@gmail.com, indicando o vosso nome, morada e nick name do facebook e no assunto referem "Passatempo Dia do Pai".



REGRAS DE PARTICIPAÇÃO:


1) O passatempo decorre a partir de hoje até às 23h59 do dia 24 de Março;
2) O vencedor será sorteado aleatoriamente de entre aqueles que cumprirem com o estipulado, sendo o anúncio do(a) contemplado(a) efectuado por e-mail e publicado no Blog e na página do facebook do NLivros;
3) Cada pessoa só pode concorrer em seu nome uma (1) vez. Pode é enviar indicação de outros nomes com o mesmo e-mail, desde que essas pessoas sejam seguidoras do blog, e estejam entre as seguidoras das páginas do facebook do NLivros e da Editora;
4) Por motivos logísticos só serão aceites participações de residentes em Portugal.  



PASSATEMPO ENCERRADO

quinta-feira, 14 de março de 2013

Segunda Guerra Mundial (A) – Martin Gilbert



Setembro de 1939 a Agosto de 1945. Um conflito armado envolvendo cerca de cinquenta nações e que teve como desfecho final, não só uma reorganização no plano geopolítico mundial, como e principalmente uma imensa dor humana que, setenta anos depois, ainda se faz sentir.

Nunca será conhecido com precisão o numero total de vitimas. Têm sido feitos inúmeros cálculos dos mortos da Segunda Guerra e calcula-se que seis milhões de civis chineses tenham sucumbido às mãos dos japoneses. A União Soviética teve catorze milhões de soldados mortos, mais sete milhões de civis, num total de vinte e um milhões de mortos apenas no lado soviético. Os alemães calculam ter perdido cerca de quatro milhões de civis e mais três milhões e quinhentos mil soldados. Os japoneses, dois milhões de civis e um milhão de soldados. Na Polónia ocupada, seis milhões de civis polacos morreram sob a tirania dos nazis (três milhões eram judeus) e os judeus, de todas as nacionalidades europeia, constaram seis milhões de mortos, a grande maioria nos campos de concentração. No total, calcula-se que morreram cerca de sessenta milhões (70.000.000 !!!) de pessoas nos seis anos de guerra.

Foi o conflito mais violento de sempre. Cem milhões de soldados foram mobilizados e muitos perderam a vida ou viram-se seriamente feridos, sem sequer terem entrado em combate.

Este livro narra, passo-a-passo e de uma forma muito minuciosa, a guerra desde o seu inicio até ao seu epilogo e os anos consequentes.

Assente numa pesquisa exaustiva e em milhares de relatos de testemunhas, Martin Gilbert realiza um trabalho exemplar e fascinante, descrevendo todos os lados do conflito e as suas intenções e objectivos, sendo possível perceber-mos quais eram as motivações dos intervenientes. 

Porém, não consegue ser totalmente imparcial.

Refere e insiste nas atrocidades cometidas pelos nazis e pelos fanáticos soldados japoneses, não se escusando de relatar episódios horríveis e macabros de puro terror, no entanto, sabe-se que os aliados, sobretudo os russos quando entram na Alemanha em perseguição do exercito alemão. cometeram várias atrocidades contra civis como forma de vingança das atrocidades alemãs, porém Gilbert omite esses factos. Aqui, os aliados surgem sempre como “os bons”, os que tratam bem os prisioneiros e que respeitam sempre o inimigo, enquanto que nazis e japoneses não deixavam ninguém vivo. Sei que parcialmente é verdade, que os japoneses raramente tinham misericórdia dos prisioneiros e que os nazis cometeram, talvez, o maior crime contra a Humanidade. No entanto, do lado aliado também se cometeram muitas barbaridades que nem sequer são aflorados por Gilbert, pese embora haja um ou outro episódio isolado.

Seja como for, é doentio ler tanta atrocidade e tanta violência gratuita, num fanatismo brutal e insano que levou à morte de milhões de seres humanos, muitos deles crianças que nem sabiam para onde iam. Nem há como classificar essa loucura.

Não há duvida, de que se trata provavelmente do maior e mais horrível crime alguma vez cometido na história da humanidade, sendo praticado, além disso, por meios científicos e homens considerados civilizados, em nome de um Estado eminente e de um dos povos mais destacados da Europa. “ 
Churchill

“Na alegria entusiástica da vitória, é-nos fácil esquecer os mortos. Os que partiram não gostariam de ser uma mó de luta pendurada nos nossos pescoços. Mas entre os vivos há muitos que ficaram para sempre com a imagem, gravada a fogo nos seus cérebros, de cadáveres arrefecidos, disseminados pelas encostas e valas, ao longo das ravinas de todo o mundo. Homens mortos em massa, país após país, mês após mês e ano após ano. Homens que morreram no Inverno e homens que morreram no Verão. Homens mortos numa promiscuidade tornada tão familiar que chega a ser monótona. Homens mortos numa série tão monstruosamente alongada que quase chegamos a ter-lhes ódio  
Esboço de uma crónica de Ernie Pyle, popular correspondente de guerra, morto pelos japoneses meses antes do fim da guerra.