Os Anjos Morrem das Nossas Feridas.
Simplesmente fantástico!
sábado, 30 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Inimigo – Crónicas de Starbuck (III) - Bernard Cornwell
Neste 3º volume, Bernard Cornwell
continua-nos a descrever a Guerra de Secessão (1861-1865) e a movimentação do exército confederado do Sul e do exército dos Estados Unidos do Norte e a devastação que ambos provocam um no outro.
Situando-nos no Verão de 1862 e no típico estilo de Cornwell, que
muito admiro, o autor vai-nos narrando o dia a dia dos dois exércitos e
sobretudo de Nathaniel Starbuck que combate pelo Sul. Cheio de
intrigas e de situações verdadeiramente horripilantes, são aqui referidas
situações reais de uma guerra civil que abalou os fundamentos dos Estados
Unidos da América, situações brutais de uma violência inolvidável que colocou
irmão contra irmão, pai contra filho.
E
o autor é exímio na forma como dirige a narrativa.
Nathaniel
Starbuck serve como referência, o habitual herói que “vira” grande
guerreiro e que a tudo sobrevive, vivenciando factos violentíssimos, muito bem
descritos e de uma realidade que nunca me deixa de surpreender.
Os
relatos das batalhas são assim vivos, intensos e muito reais. Os gritos dos
homens confundem-se com as explosões e o som cavo das balas a perfurar a carne.
Os cheiros a pólvora misturam-se com os cheiros de corpos de homens e animais
em decomposição, e os actos de heroísmo e de loucura se misturam numa confusa imagem
que nos dão uma verdadeira perspectiva das batalhas. Muito interessante também a forma como o autor nos vai situando acerca do modo de vida dos soldados. Nas batalhas são muitas as descrições do processo de carregamentos dos rifles, no entanto o que mais admirei foi a descrição das precárias condições em que viviam os soldados. Homens que roubavam roupa e botas dos mortos para substituir pelas suas que ou estavam completamente rotas ou sem sequer existiam, a comida que era má e insuficiente e uma constante luta pela sobrevivência.
Em todo o caso gostei mais do anterior
volume.
Neste volume actual a acção passa-se sempre
por detrás das linhas, ou do Sul ou do Norte, o autor vai-nos dando as duas
perspectivas, e vamos assistindo à ascensão de Nathaniel na escala hierárquica
do batalhão. A meu ver falta neste volume o condimento de suspense que tão bem
foi explorado no anterior volume quando Nathaniel Starbuck teve de
se deslocar para as linhas do Norte. Aí ficámos sempre na expectativa que podia
ser descoberto a qualquer momento, enquanto que neste actual volume é centrado
quase em exclusivo nas várias batalhas.
Em
todo o caso gostei bastante e fico expectante para a continuação das aventuras
de Nathaniel Starbuck que, como o volume “Herói” tem o seu 4º e último
volume até à data, pois Cornwell, pelo que sei, deixou esta série pendente, um
pouco ao estilo do seu Sharpe.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
E eis que soube
hoje que vai ser editado o novo livro de Yasmina Khadra.
Poucos autores me entusiasmam actualmente como Yasmina me entusiasma.
Oba!
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Thibault (Os) – Roger Martin du Gard
“Os Thibault”, obra grande de
Roger Martin du Gard e um dos meus grandes objectivos literários para 2013,
cumprido ao longo de quase dois meses.
Escrito entre 1922 e 1940, este é
um dos clássicos que há muito fazia tenção de ler. Adquirida num alfarrabista
há vários anos atrás, numa edição velhinha da Livros do Brasil e dividida em
três volumes, tentei, desde essa altura, ler esta obra por duas vezes (a última
há 3 anos), sendo que acabei sempre por desistir antes de atingir a página 200
do 1º volume. Mas, desta vez fiz “tripas, coração” e resolvi forçar a leitura
da obra (algo que muito raramente faço), mesmo em períodos de longos bocejos e
até intercalando com outros livros, mas acabei por conseguir e, no fim, posso
dizer que gostei mas que está longe de ser daquelas obras que me deixa
saudades, daquelas obras que penso um dia reler. Li, analisei a obra durante a
sua leitura, deliciei-me com certos diálogos fenomenais, apaixonei-me por alguns,
poucos, personagens, mas pouco me deu enquanto obra de referência, exceptuando
uma soberba análise do antes e durante a Primeira Grande Guerra.
Dividido entre duas famílias, Du
Gard desenha-nos o panorama de uma micro sociedade burguesa clerical e protestante.
De um lado a família Thibault chefiada pelo seu opressivo pai que procura criar os filhos com mão de ferro,
do outro a família Fontanin, protestante, mais livre e cujas relações pessoais
são menos formais.
É entre estas duas famílias que o
romance é desenhado, saltando de família em família, de personagem em personagem,
delineando os seus carácteres tão diferentes mas que nos vão dar uma imagem da
sociedade francesa da primeira década do séc. XX.
Durante essa fase e embora possa
admitir algum interesse, perguntava-me a mim próprio que interesse teria eu em
ler sobre essas relações pessoais. O percurso de Jacques e Daniel é muito
interessante. Duas crianças rebeldes que fogem às famílias e que acabam pela
sanção de uma delas enquanto a outra é recebida com carinho, é algo que vai ter
alguma repercussão no futuro, sobretudo no que respeita ao mais rebelde. Depois
temos Antoine, jovem médico, ateu e com um feitio completamente diferente do
irmão, o personagem que mais me cativou, aquele que mais me deslumbrou com as
suas teses, aliás uma das grandes características deste livro são as muitas mensagens
simbólicas que, à época, fazia todo o sentido.
Actualmente, e embora muitas das
teses sejam perfeitamente actuais, o romance perde interesse em diversos
momentos, caindo numa monotonia sonolenta sem que entendamos bem qual o
objectivo do autor, não digo que os “caminhos” seguidos não dêm em nada, mas
fiquei com a sensação de que o caminho traçado não teve grande significado
objectivo, uma espécie de alguma palha. São alguns os exemplos que são
explanados nas mais de 1500 páginas, no entanto a minha percepção da obra mudou
no último terço do terceiro volume. Somos assaltados por uma guerra brutal e pela
constatação de uma realidade que vai matar o sonho a milhões de seres humanos
em tudo o mundo. Confesso que fiquei fascinado com esta fase e, sobretudo, com
a enorme qualidade da escrita de Du Gard, esta qualidade que, diga-se, abrange
toda a obra. Belíssimos diálogos, dissertações que nos fazem meditar na
essência do Ser Humano e no desenrolar da sua História, fabulosas meditações que
marcam esta obra, que ditam o destino, não só dos personagens, como da própria
civilização.
Uma obra que valeu o Nobel a
Martin Du Gard e que merecia uma reedição de uma editora, em vez de tanta obra
de qualidade duvidosa que expelem mensalmente.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Citações (IV)
Se vissem as coisas tal como elas são… se compreendessem, de uma vez, que o homem é uma besta
imunda e que nada há a fazer… todo o regime social está fatalmente condenado a
reflectir o que há de irremediavelmente mau na natureza humana…
In "Os Thibault, Roger Martin du Gard"
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Traidor – Bernard Cornwell
Traidor é o segundo volume das Crónicas de Nathaniel
Starbuck, uma série que Bernard Cornwell “pega” de vez em quando e que descreve
a Guerra Civil Americana. Não tendo apreciado por aí além o primeiro volume, este 2º volume já me senti transportando para
o melhor estilo de Bernard Cornwell que muito admiro, criando toda uma
narrativa brutal e cheia de aventuras.
Nathaniel Starbuck, capitão da Companhia K dos Confederados,
vê-se numa luta pela sua idoneidade e, como forma de salvar a sua honra,
empreende uma viagem às linhas do exército do Norte onde irá encontrar o seu
beato irmão e todo um conjunto de lendárias personagens. Em toda esta aventura,
cheia de situações violentas, Nathaniel assumirá a sua vontade de lutar por uma
causa que abraçou por mero acaso mas que, agora, tem como sua.
Baseado em factos reais, Bernard Cornwell, com este segundo
volume, traz-nos de volta um registo à sua imagem: violento, brutal, cheio de
descrições de batalhas minuciosas onde os factos são escalpelizados, “Traidor”
é um livro que simplesmente adorei, mais um a juntar a enormíssimo leque das
obras de Bernard Cornwell.
Situado em 1862 e narrando os acontecimentos da Guerra Civil
Americana, o autor cria um romance histórico baseado em factos e personagens
reais. Os acontecimentos não são inventados. Nathaniel Starbuck é um personagem
que serve para criar o contexto, no entanto a maioria dos personagens são reais
assim como os acontecimentos. A batalha de Ball’s Bluff que resultou numa
enorme derrota para o Norte, as intrigas políticas e militares e até pequenos pormenores
que tiveram influência no desenrolar do sangrento conflito, são aqui referidos
de uma forma excitante e meticulosa, dando uma visão clara do rumo da guerra e
da sua brutalidade.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Vendidos menos 470 mil livros que em 2012
Segundo notícia que li hoje, este ano há uma quebra de 5% nas vendas de livros que não se reflete na receita (quebra de 1%), sinal que os preços dos livros, em vez de baixarem, subiram.
Pois é, e depois é ver os principais intervenientes, autores e editoras, assobiarem para o ar como se a crise fosse ilusão e ainda se dão ao luxo de editar uma obra em dois ou três volumes.
Pessoalmente, este ano, apenas comprei dois (2) livros nas livrarias e mesmo assim aproveitando descontos.
Benditos sites de anúncios classificados...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Passatempo Natal
Embora nada tenha a ver com literatura, quem me conhece, sabe que há algum tempo produzo sabonetes, pelo que vou utilizar este meu espaço literário para divulgar um passatempo que estou a realizar através do facebook.
1º PASSATEMPO DE NATAL
Querem ganhar este lindíssimo cesto de 3 sabonetes de glicerina totalmente artesanal?
Participem, é fácil!
Só têm de efectuares 4 passos.
Podem ver como, AQUI.
Obrigado!
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Carta de despedida de Gabriel García Marquéz
No ano passado, Jaime García Marquéz, irmão do autor, anunciou ao Mundo que o escritor sofria de uma demência senil. Em jeito de despedida, o Nobel escreveu uma carta.
"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo o que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e disfrutaria de um bom gelado de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida vestiria simplesmente, jorgar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como também a minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saisse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo das suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida!… Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas: amo-te, amo-te. Convenceria cada mulher e cada homem de que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens… Aprendi que todos querem viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a rampa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do pai, tem-no prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, a mim não poderão servir muito, porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer.”
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Jogada Ilegal – Luís Aguilar
Sou um apreciador do denominado desporto rei, não daqueles que vêm todos os jogos que passam na tv, mas confesso que gosto de assistir a uma boa partida de futebol e nunca perco as maiores competições de clubes e de selecções, sendo a principal, o Campeonato do Mundo que é organizado de quatro em quatro anos.
“Jogada Ilegal” é um livro que se propõe a narrar as muitas jogadas de bastidores e dúbios interesses que orlam em volta das organizações dos Campeonatos dos Mundo pela FIFA.
Assente em variadíssimos documentos que nos são mostrados nas últimas páginas, o jornalista Luís Aguilar deixa antever um mundo monstruoso de corrupção, jogadas de interesses e influências em busca do poder. O objectivo visa o poder e o dinheiro que a FIFA gere. Sendo a segunda maior competição desportiva do planeta, o campeonato do mundo de futebol gera biliões em parcerias, direitos televisivos e outros, que são distribuídos de uma forma pouco clara. Em torno da instituição, gravitam diversos personagens que são mais influentes que qualquer líder político, e isso leva-nos aos jogos de bastidores que se sucedem a fim de chegar aos lugares de dirigentes, não só da FIFA, como também das confederações continentais onde poerão manipular as nações dos seus continentes.
No centro do tufão estão nomes como Blatter ou Platini, como chegaram ao poder, quais as suas ligações e como se têm movimentado neste universo que pouco ou nada tem de ético.
São aqui referidos vários episódios que têm manchado a reputação da FIFA. Casos como os da votação para a Bola de Outro de melhor treinador 2012, as candidaturas para os mundiais e a forma obscura como o Qatar vence, as ligações nada inocentes que daí advêm (ver quem comprou e investiu no Paris S.G.), etc, etc.
Centrado apenas e só na FIFA, tive a oportunidade de falar com o autor na apresentação do livro e, como apreciador de futebol, dei-lhe os parabéns pela coragem demonstrada e pedi-lhe que não perca o ritmo e que se proponha a fazer um livro deste estilo mas sobre o futebol português. São quase 30 anos de sistema que tem destruído o futebol em Portugal sem que haja alguém de coragem que investigue a sério. Os indícios são maiores do que os observados na FIFA, basta dar um pulinho ao youtube e pesquisar um pouco ou então continuar pela net e perder um tempinho para dar de caras com situações nada normais que grassam desde finais dos anos 80 do século passado.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Anatomia do Segredo – Leslie Silbert
Eis que estamos na presença de mais um thriller histórico em que alguém descobre algo tenebroso do passado que vai ter ligações ou mexer com interesses poderosos do presente.
Mais um igual a tantos outros que nos últimos anos pululam nas livrarias. Interessante de início, não digo que não, vai perdendo fulgor e interesse à medida que avançamos na acção entre o presente e o passado, acabando por descambar numa série de clichés e na descoberta do previsível criminoso.
Não escondo que gostei do trama histórico, ou seja, quando a autora construiu um trama utilizando personagens reais da Inglaterra do séc. XVI, no entanto centra-se, na minha opinião, demasiadamente na teia de espionagem deixando para trás todos os outros aspectos que podiam fazer deste romance algo de diferente. Personagens fascinantes como Christopher Marlowe, Francis Walsingham, Walter Raleigh. Robert Cecil e mesmo a rainha Isabel I, surgem aqui com toda a sua influência mas são pouco ou nada explorados, sobrando apenas as suas dúbias contribuições na espionagem.
Enfim, mas um romancezeco que entreteve mas que me ensinou pouco e despertou quase nada para outras questões relacionadas com a época abordada.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Guerreiros Medievais Portugueses - Miguel Gomes Martins
Sendo a Época Medieval aquela que, historicamente, mais me
fascina, foi com bastante entusiasmo que empreendi a leitura da obra “Guerreiros
Medievais Portugueses” de Miguel Gomes Martins, historiador e autor de outro
livro que muito me agradou: “De Ourique a Aljubarrota”.
Abrangendo toda essa época, mais concretamente de 1130 a
1449, são aqui biografados, de uma forma que até considero minuciosa dada a
escassez de muitos dados das suas vidas, treze personagens que tiveram um papel
importante e fundamental da edificação e manutenção da nossa nação.
Homens como Geraldo, o sem pavor; Gualdim Pais; D. Fernando,
senhor de Serpa; Martim Gil de Soverosa; D. Paio Peres Correia; Afonso Peres
Farinha; Infante D. Afonso, senhor de Portalegre; Álvaro Gonçalves Pereira;
Estêvão Vasques Filipe; Nuno Álvares Pereira; Gonçalo Vasques Coutinho; Antão
Vasques e Álvaro Vaz de Almada, têm a vida escalpelizada, dentro das fontes
disponíveis, sendo que em várias partes da sua vida o autor tem de se socorrer
de pressupostos lógicos de acordo com ligações com outros personagens.
E é impressionante percebermos o quanto audaciosos e
aventureiros foram esses homens. Honestamente impressionou-me a obra da maioria
deles. Homens que colocavam o seu Rei e o reino acima dos seus interesses, pese
embora tenham sempre beneficiado financeiramente com a sua acção, que levaram
uma vida cheia de perigos, constantemente metidos nos jogos políticos da corte,
comandando centenas de homens e dando porrada nos castelhanos. Grandes Homens!
No entanto o livro sabe a pouco. Gostaria de ter lido mais
sobre diversos personagens. Recordo-me de Nuno Álvares Pereira, o personagem
que mais apreciei e aquele que, considero, foi um dos Maiores Portugueses de
Sempre. Impressionante a influência que ganhou junto de D. João I ao ponto de
possuir um enorme exército particular e de se ter dado ao luxo de recusar
pedidos de ajuda do rei. Era temido, há episódios de os castelhanos recuarem e
abandonar mesmo o campo de batalha assim que sabem que quem estava a comandar a
hoste portuguesa era Nuno Álvares Pereira. Foi ele o maior responsável pela
vitória em Aljubarrota e saiu vitorioso em outras grandes e violentas batalhas.
E violência sobressai de toda a obra. Foram de factos anos
de enorme violência. A justiça cometia-se com as próprias mãos e as quezílias
resolviam-se no campo de batalha. Numa época de conquistas aos mouros, tínhamos
os castelhanos que, de vez em quando, invadiam Portugal e lá se sucedia nova e
violenta batalha com mortos para ambos os lados. Essas batalhas são aqui
referidas, algumas mais pormenorizadas que outras, mas deixando sempre clara a
violência.
Em suma, uma obra que me deu imenso prazer ler e que me fez
conhecer homens de imenso valor e que merecem, pelo menos, uma referência e
serem lembrados na nossa História. 300 anos revisitados da História de
Portugal, treze homens temerários.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Há dias atrás
recebo uma notícia do lançamento do esperado
novo romance de José Rodrigues dos Santos.
Confesso que fiquei interessado e satisfeito.
Independentemente da qualidade de escrita dos seus livros e outras
considerações menos abonatórias, o certo é que as histórias de JRS me cativam e
entretêm, pelo que costumo, todos os anos, estar presente na apresentação do
mais recente livro.
Este ano constato que a apresentação do livro é no próximo
sábado cujo título é “O homem de Constantinopla” e que trata da vida de
Calouste Gulbenkian. Até aí tudo bem, mas fiquei siderado quando, numa notícia
do DN, constato igualmente ser este o 1º volume, de dois, da mesma obra. Ou seja,
agora publica-se “O homem de Constantinopla” e, dentro de um mês, publica-se “Um
milionário em Lisboa”. Uma obra, dois volumes, 44€ no espaço de um mês. Um jackpot!
Caro José Rodrigues dos Santos, pese embora aprecie os seus
romances, desta vez não vou comprar pois sinto-me indignado por essa “chica
espertice” de alguém que sabe que vende milhares e que quer fazer render o “peixe”
num país atolado numa crise que está a atingir sobretudo a classe que lhe
compra os seus livros. Não são os intelectuais, não são os meninos de “bem”,
nem são os milhares “Boys” e “Girls” e filhos destes e destas que o fazem, quem lhe
compra os livros, na sua maioria, são as pessoas da classe média, precisamente
aqueles que mais sofrem com uma crise que não são culpados mas que têm de
pagar.
Honestamente, e para não ir mais longe, fiquei decepcionado!
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Madrugada Suja – Miguel Sousa Tavares
Este é o terceiro romance de
Miguel Sousa Tavares (MST) e, depois do best-seller “Equador” e “Rio das Flores”,
MST dá à estampa um romance pouco cativante, monótono que, embora bem escrito,
se revela uma desilusão.
A premissa até é apelativa: tudo se
inicia numa madrugada. Quatro jovens alcoolizados irão ter uma experiência que
os marcará para toda a vida e que, anos depois, irá influenciar a vida de
outros.
O primeiro capítulo é a narração
deste caso e, de facto, ficamos com água na boca para o que aí vem, sobretudo
para quem conhece o “jeito” de MST em narrar uma boa história.
E, confessando que é um livro que
se lê bem e que tem momentos de verdadeiro deleite literário, o certo é que a
história se mistura com outras histórias sem que percebamos qual o verdadeiro
significado daqueles intricados cruzamentos, sucedendo-se alguns episódios
incoerentes que, a meu ver, nada vêem acrescentar ao trama e ao destino dos
personagens. Até porque rapidamente esse primeiro episódio cai para outro plano
e só quase no fim do livro surge com todo o fulgor, acrescentando ainda mais dissonância
a todo o contexto. Aliás, confesso que achei muito forçado e até utópico a fase
final do livro, coincidências muito ingénuas arranjadas um pouco à pressa por
quem, e isso não entendo, pareceu, às tantas, ter pouca paciência para arranjar
um fim coerente.
No entanto, para além da
história, entendi a mensagem, carregada de ironia, de MST aos políticos,
política e seus jogos de influências. Conforme senti nos outros romances, aqui
também me parece que MST escreve e constrói personagens com alguém, muitos, no
pensamento. Os exemplos de corrupção que constroem a acção do livro, a forma
como são trabalhadas, creio, é a de como são feitas em Portugal. Isso já se
sabe, no entanto acredito que aquando da construção dos personagens, MST se
baseou em pessoas e exemplos reais que, enquanto jornalista, conhece bem. Fico
sempre com essa ideia em todos os livros dele e neste isso sobressai na forma
como ele “arranja” os partidos políticos e os jogos de “bastidores”.
Um livro bem escrito, que se lê
bem mas que está a léguas de “Equador” e de “Rio das Flores”.
Nota final para o elevado preço
dos livros de MST, sobretudo este. Com 350 páginas cheias de diálogos, este é
um livro que se lê, e pausadamente, em oito horas, pelo que dar 20€ por uma
obra que pouco rende e que no fim nem é nada de especial, é algo que devia ser
revisto por quem tanto critica, e bem, as medidas de austeridade que têm
assaltado o povo português.
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