Sendo esta a minha
primeira incursão na obra de Pedro Chagas Freitas, e logo a sua maior obra com
cerca de 1400 páginas, não posso dizer que tenha sido um livro que tenha
adorado, que me tenha enchido as medidas ou que tenha não gostado.
Gostei, mas deixo para outras leituras uma opinião mais
realista sobre a sua escrita.
O certo, e isso é inegável desde a primeira
página, é que não é muito fácil ler este livro e temos, de certo modo, estar
“praí virados” para conseguirmos avançar e acabar este calhamaço.
Em todo o caso e desde que ouvi uma
entrevista sua num canal radiofónico, fiquei com curiosidade de ler alguém que
afirma “escrever sem qualquer pretensiosismo aquilo que lhe apetece e como lhe
apetece”, ainda mais um autor que, honestamente, tinha ouvido de leve mas que não
considerava um autor de top e foi com alguma surpresa reparar que é normal os
seus livros estarem precisamente no top.
A obra é dividida entre sete personagens
completamente distintos mas que vão revelando, ao longo da mesma, pontos em
comum que fazem as suas vidas se interligarem. Assente sobretudo em
pensamentos, o autor de facto consegue construir uma teia onde as principais
particularidades (vá lá) da Humanidade estão presentes: sexo, inveja, morte, maledicência,
ódio, preconceito, e outros, que nos vai jogando sistematicamente em torno dos
seus sete principais personagens. Admito que gostei imenso disso e sobretudo do
seu humor, muitas vezes humor negro corrosivo.
Numa escrita irreverente, rude e agressiva, o
autor sabe jogar com as palavras e as situações que constrói e que tem o condão
de nos fazer reflectir sobre a condição humana e em muita “coisa” que nos
rodeia e que nós não damos qualquer importância, no entanto não vou aqui
afirmar que se trata de um autor que me entusiasmou por aí além e que, a partir
de agora, vou ler tudo o que ele escrever.
Repito, gostei mas não adorei, sobretudo
porque o achei algo repetitivo e maçudo, o autor, propositadamente, repete
muitas frases, excertos inteiros, mas enfim, é uma obra diferente daquelas que
eu li até hoje o que, por si só, é digno de realce num mundo, literário, que
pouco se inventa.












