Baseado
no livro de David Ebershoff, A Rapariga Dinamarquesa narra a história do pintor
Einar Wegener que, após começar a posar como modelo feminino para a sua mulher,
a também pintora Gerda Wegener, se apercebe que tem “dentro dele” uma mulher.
Ou seja, o que começa por uma brincadeira com a criação de uma personagem chamada
Lili Elbe, depressa descamba numa profunda batalha interior e numa certeza que
ele que nasceu homem é, afinal, mulher.
A
história na sua essência é verídica e o livro foi feito a partir dos diários
deixados por Lili Elbe (ou Einar) e mais impressionante é verificar que tal
acontecimento sucedeu nos anos 20 do século passado, sendo que Einar foi
considerado um desviado pela maioria dos médicos que o viram, inclusivamente um
doente mental.
Como
filme tem inúmeros erros históricos e factuais que provavelmente o devem
impedir de arrecadar muitos prémios, no entanto e na minha opinião, o trabalho
de Eddie Redmayne (Einar) é verdadeiramente brutal e não me vou admirar nada
que leve para casa, pelo segundo ano consecutivo, o Óscar de Melhor Actor. O
mesmo sucede com Alicia Vikander (Gerda). Pese embora o filme gire à volta de
Lili, o certo é que Alicia brilha e será injusto que não seja, pelo menos,
nomeada para o Óscar de Melhor Actriz.
De
resto gostei do filme, mas depois de uma análise á vida de Einar e Gerda, apercebi-me
que o filme omite demasiados factos, deixando uma ideia algo errada de quem
foram estas duas pessoas e da obra que deixaram. Inclusivamente os sinais
deixados nos quadros de Gerda são imensos e nem isso foi explorado de forma
satisfatória. Ou seja, o filme podia ser levado por um outro caminho mais
interessante que o elevassem para um nível superior, mas centrou-se demasiado
na mudança de sexo e na relação de “falsos amigos” entre os dois quando foi
muito mais do que isso.
Em
todo o caso, penso que a nomeação para o Óscar de Melhor Actor está garantida,
assim como Melhor Actriz, Filme, Argumento Adaptado e Guarda-Roupa. No entanto
e a meu ver Eddie Redmayne tem altas hipóteses de vencer pelo segundo ano
consecutivo o principal Óscar de Actor.
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