segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Antes afirmava que

não havia maus livros.

Hoje em dia tenho uma opinião diferente. Há livros maus, muito maus, horríveis, estúpidos que se fartam, que nos aborrecem de morte e cujo destino é o lixo.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares

Por muito que não o queiramos, é quase impossível não tecermos comparações entre este livro e o best-seller “Equador”, livro excepcional que, até aos dias de hoje, consta na galeria dos meus livros favoritos.

“Rio das Flores” tem alguma coisa de “Equador”.

Primeiro, tem aquela fluência e beleza linguística e narrativa que, honestamente, me faz lembrar Eça de Queirós e que já o havia constatado em “Equador”. Depois, novamente Miguel Sousa Tavares (MST) imprime um ritmo alucinante à narrativa que mal nos deixa respirar, inundando-nos de acontecimentos históricos e de detalhes deliciosos sobre o modo de vida e das situações sociopolítica da época. E, finalmente mas de uma enorme importância, a força e o carácter dos personagens principais, as suas convicções bem enraizadas e fundamentadas que dão ao romance um cunho que ultrapassa o mero romance histórico.

O Portugal rural está aqui bem caracterizado assim como o proprietário abastado, dono de uma vasta propriedade e cuja importância está bem vincada na sociedade local. A república é muito jovem e em Lisboa sucedem-se as confusões que vão dar origem ao Estado Novo e à ditadura. MST faz um belíssimo trabalho na explanação dos acontecimentos, inserindo-os na história da família Ribera Flores.

Ao longo do romance, que li num ápice, vamos descobrindo as razões por detrás das razões de muitas decisões que levaram muitos a exilarem-se, a combater por ideais ou a mudar de barricada conforme as circunstâncias. O autor vai expressando as suas ideias de uma forma clara mas sem influenciar ou omitir os verdadeiros acontecimentos. É verdade que, por vezes, MST se excede um pouco nos adjectivos utilizados para caracterizar certos personagens, no entanto acaba por dizer aquilo que pensamos.

Um romance excepcional que me cativou desde a primeira página. Adorei ler sobre o meio rural português dos anos 20 e 30. Dos ideais políticos e das motivações que transformaram Portugal e a Europa nos anos 30 e da descoberta do verdadeiro Eu do principal personagem da obra que, a meu ver, dão um importante tom humanista a esta obra.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Grandes Esperanças - Charles Dickens

Dado à estampa em folhetins em 1860, Grandes Esperanças é tido como o romance mais sério de Charles Dickens e aquele onde o autor procurou abordar vários temas e estilos. Durante a sua leitura, de facto, constatamos que o autor procura construir uma sátira humorística mesclada de policial que roça, inclusive, o thriller psicológico.

De Charles Dickens já li as suas principais obras e, confesso, esta foi a que menos gostei.

O estilo está lá, a explanação do contexto social da Inglaterra da primeira metade de séc. XIX, a abordagem à essência do Ser Humano e ao comportamento das várias camadas sociais, sobretudo a separação entre as mesmas e as roturas que daí advinham. Isso é especialmente notório em determinadas alturas do livro, pois a história trata da transformação, de um momento para o outro, da vida de um rapazinho que passa de pobre e sem esperança, para muito rico e com grandes esperanças. Mas subentende-se mais durante a leitura desta obra. O eterno conflito entre a ética e a ambição foi algo que mais me marcou neste romance, um pouco como o tinha sentido em “crime e castigo” de Dostoievsky.

A primeira parte do livro é tipicamente Dickensiana. Um pobre rapaz órfão que é criado com a irmã e o cunhado e que se sente sozinho e abandonado. Único amigo, o seu cunhado, também ele um pobre coitado que tem medo da mulher. Assim, Pip, é criado com “mão de ferro” e sente que a sua vida não vai sair daquilo. Até que um dia a vida de Pip muda drasticamente quando recebe a notícia que herdou uma imensa fortuna de um benfeitor misterioso e que lhe vai alterar as suas esperanças para o seu futuro e a partir daí, Pip muda o seu comportamento.

A sua parte do livro é, quanto a mim, a mais aborrecida.

Dickens situa toda a acção em Londres e aborda todas as tentações de uma cidade onde abunda a corrupção e o crime. Cheio de personagens excêntricas, Dickens elabora uma narrativa cheia de humor, é um facto, mas cuja futilidade nos atinge de uma forma violenta, assistindo à evolução de Pip e à perda da sua identidade.

Finalmente, a terceira parte é o culminar da acção e quando Pip se apercebe dos erros que tem cometido. Chega-lhe o arrependimento e as dúvidas morais assaltam-no de uma forma violenta.


O livro não é de fácil leitura, há muitos momentos aborrecidos em que tive dificuldade de entender o significado e o objectivo. O percurso de Pip é interessante e as questões que são levantadas são igualmente interessantes e demonstram, também, que são eternas e que são sempre actuais, no entanto não é um livro que me deixa grandes saudades, pese embora tenha achado os seus personagens muito fortes e de grande carácter algo que também é uma das marcas desse génio da literatura chamado Charles Dickens.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Faz hoje

130 anos que nasceu um dos maiores génios da literatura mundial.

Franz Kafka


Pessoalmente admiro imenso a sua obra e já li as suas principais obras, sendo a "Metamorfose" e o "Processo" aquelas que mais gostei e que mais se adaptam à realidade actual.

Fica aqui a minha homenagem a um escritor que merece estar na galeria dos "monstros sagrados" da literatura.

Que ideia original e interessante.

Como seria Star Wars escrito por Shakespeare?




Eu vou querer ler o livro.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Este é o Reino de Portugal – José Brandão



Ciumentos, vingativos, cobardes, invejosos, frívolos, presunçosos, impostores, vaidosos, arrogantes, velhacos, traiçoeiros e desonestos. Eis alguns dos adjectivos com que alguns visitantes estrangeiros caracterizaram o povo português aquando da sua estadia no nosso país. Porém, nem só disseram mal, do povo português disseram também ser bondoso, de brandos costumes, alegre, leal, dócil, paciente e humilde.

A literatura de viagens esteve muito em voga no séc. XVIII, época em que se assistiu, um pouco por  todo o mundo, ao surgimento de várias obras sobre lugares de estadia e descrição dos povos e seus usos e costumes.

Portugal não escapou a isso e, embora em menor número, são vários os personagens, alguns mais conhecidos que outros, que por cá passaram e que escreveram as suas opiniões do que viram e sentiram.

Obviamente que há muito exagero, alguma ignorância e também a influência de outros relatos pejorativos que circulavam sobre Portugal a partir da restauração da independência. Penso mesmo que alguns dessas descrições foram efectuados sem o mínimo conhecimento de causa, apenas baseados em rumores. Em todo o caso, de todos os relatos deste livro, há aqueles que são nitidamente facciosos e outros em que se nota uma preocupação pela verdade e pelo bom senso.

De notar que há muitos pontos em comum entre todos os relatos. Sobretudo nos relatos efectuados na mesma altura temporal, há criticas ao perfil do povo que são muito semelhantes, levando-nos então a crer que de facto era assim mesmo e isso é deveras interessante pois é possível perceber como se vivia em Portugal e sobretudo Lisboa nessa época.

Curioso também constatar das constantes críticas às entidades políticas, à forma como exploravam e maltratavam o seu povo, ter tanto de semelhante com a actualidade. Ou seja, o que se referia há 250 anos como um dos principais males da nação, continua a ser referido hoje em dia.

Um documento muito interessante que nos leva a conhecer como vivia e comportava o povo português a partir de 1676 e que nos transmite muitos dos defeitos que, mesmo não gostando de admitir, estão por detrás da nossa eterna crise que irá continuar a ser eterna. Não adianta pensar o contrário, está-nos no sangue.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fim das parcerias

Há cerca de três anos iniciei uma série de colaborações com algumas editoras. Tudo começou num pedido meu a uma editora que considero ser uma das melhores editoras nacionais e, pouco depois, recebi vários mails a proporem-me essas cooperações nas mais diversas condições, sendo que a única que vincou e aquela por que me bati foi o de publicitar no meu blog as novidades e, em retribuição, eu solicitaria, dentro dessas novidades, os livros que bem entendesse para posterior opinião no blog e até hipotético passatempo.

Não escondo que correu muito bem nos primeiros tempos. Livros em barda, a maioria, de facto, que considerava interessantes e eu sempre com a preocupação de ler a sua maioria para por fim escrever a opinião. De ressalvar que uma das condições que sempre impus foi o de ser completamente independente das minhas considerações.

No entanto nos últimos tempos, quiçá devido às centenas de blogues que possuem essas colaborações e que se limitam a vomitar publicidade de tudo o que é livro, lançamento, entrevista e afins, apercebi-me de algum cansaço das próprias editoras, pois decerto estão a chegar à conclusão que o retorno dessas cooperações é menor do que aquele que julgavam.

Pessoalmente penso que as editoras são as principais culpadas pela sua falta de critério em atribuir essas parcerias. Bastaria navegar uma vez por semana nos blogues que com elas colaboram para se perceberem qual o verdadeiro objectivo desses bloggers. Blogues vazios, cujo único conteúdo é publicidade, enfim, pergunto: Serve a uma editora um blogue desses que ninguém visita?

Mas adiante.

O certo é que cansei-me destas parcerias. Cansei-me de receber mails das editoras com as novidades, ter de as ler e analisar e depois trabalhá-las para as postar. Cansei-me de, depois desse trabalho, e embora cada vez peça menos livros (há uma editora que não peço livros há quase um ano), esperar uma eternidade para os receber e é quando, mesmo depois desse eternidade, só enviam alguns. E depois há aquelas que simplesmente enviam as novidades, agradecem quando eu as post mas depois não enviam os livros. Semanas depois de eu insistir, dizem que têm muito trabalho e tal.

Por isso cansei-me disto tudo!

Vou deixar de postar qualquer novidade ou notícia de qualquer editora.

Vou voltar às raízes do meu blog e escrever sobre livros que me apetece ler e não, como por vezes acontecia, livros que tinha de ler porque enfim, tinha-me sido oferecidos e faziam parte do acordo.

Quando quiser determinado livro, compro-o ou vou a uma biblioteca.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Inferno nos Açores – Clive Cussler & Graham Brown




Confesso que não sou um grande apreciador de livros de aventuras, tipo James Bond e afins, em todo o caso gosto de ir intercalando as minhas leituras e, durante o ano, acabo por ler livros de géneros muito diferentes. 

O presente livro captou-me a atenção por ver envolvido o nome dos Açores e também porque o nome do autor já me havia despertado alguma curiosidade, decidi então empreender a leitura do livro.

E de facto a acção é estonteante de princípio ao fim, numa aventura cheia de peripécias que mete assassinos contratados por um ditador que anseia dominar o mundo, os bons que, para além de transpirarem charme por todos os poros, têm jeito para tudo, inclusivamente para comediantes, a bela sedutora ao serviço secreto de uma nação que tem interesses no que se está a passar, os habituais norte-americanos e porrada de princípio ao fim, com muitas mortes, atentados e acidentes. Novidade, falar-se várias vezes de Portugal e de portugueses.

Mas, em todo o caso, não pensem que não gostei.

É um livro que entretém, apenas e só, mas cujo tempo não é mal empregue. Gostei da escrita e da forma como a estrutura do livro foi trabalhada, sempre com pequenos capítulos cheios de suspense.

Para quem aprecia o género, penso que encontrará nesta obra uma leitura prazeirosa que o levará a vários cenários, onde a acção, a violência e a intriga andam alegremente de mãos dadas.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Jardins de Canela – Shyam Selvadurai

Eis aqui uma obra que me encantou e cuja existência, até do autor, era para mim totalmente desconhecida.

De uma sensibilidade marcante, Selvadurai oferece-nos um livro magnífico que nos emociona, que nos envolve numa teia de sentimentos arrebatadores e que, por fim, nos permite ver que a vida nem sempre é o que queremos que seja, ou, se quiserem, que a vida dá voltas e voltas levando-nos por caminhos que nem sempre são aquilo que desejamos.

A escrita de Shyam é poderosa, cativante, poética.

É dos tais que tem o “dom” da escrita, sabe contar uma história, interligando factos e personagens de uma forma coerente, nunca deixando pontas soltas ou pormenores por explicar.

Neste romance, para além da história, temos o contexto social que o autor sabe situar e explorar, criando personagens fascinantes que se transformam em nossos amigos íntimos, camaradas e companheiros de uma jornada que, quando termina, nos deixa tristes e saudosistas.

Não vou aqui revelar nada da história porque este é um livro que merece ser lido e apreciado de uma forma calma. Não leiam esta obra para ser apenas mais um a juntar á pilha anual, não merece ser tratado assim. Merece ser apreciado, degustado como se de uma garrafa do melhor vinho se tratasse.


Até agora, o melhor livro que li este ano.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Uma Noite em Lisboa – Erich Maria Remarque



Uma Noite em Lisboa é o último trabalho de um grande escritor alemão que, exilado em 1933 devido ao regime nacional-socialismo, viu os seus livros serem atirados para a fogueira por um regime que o via como um incomodo e que dizia ser ele descente de judeus, algo que nunca se comprovou. 

Erich Maria Remarque é autor de uma fabuloso livro, “A Oeste Nada de Novo”, onde narra o dia a dia de um soldado alemão nas trincheiras da Grande Guerra. Livro auto-biográfico, pois Remarque lutou nas trincheiras e foi ferido por diversas vezes, aborda a dureza da guerra e o fim das expectativas e da crença que levaram milhares de soldados a lutar por um ideal utópico que levou a Alemanha a um pós guerra caótico e que esteve na base do surgimento do regime nazi.

Este presente livro situa-se nos primeiros anos da 2ª Guerra.

Lisboa, um homem olha demoradamente um navio que está prestes a embarcar para o El Dorado, para o único local onde a salvação é possível: Estados Unidos.

Sem esperanças de um visto e sem dinheiro para o bilhete, este homem sabe que a sua vida depende de poder ou não embarcar. Sentindo-se vigiado , começa a afastar-se do cais e apercebe-se que é seguido por outro homem, iniciando-se aí uma narrativa pungente que aborda o amor de um homem pela sua mulher e uma Europa devastada pela hipocrisia e pelo medo.

Não vou dizer que achei o livro fenomenal. Lê-se muito bem porque, de facto, Remarque foi um escritor de excepção, no entanto o relato aborda um assunto muito debatido e escrito, existindo milhares de relatos semelhantes e com centenas de protagonistas.
Gostei mas não adorei.