quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Citações (IV)

Se vissem as coisas tal como elas são… se compreendessem, de uma vez, que o homem é uma besta imunda e que nada há a fazer… todo o regime social está fatalmente condenado a reflectir o que há de irremediavelmente mau na natureza humana…

In "Os Thibault, Roger Martin du Gard"

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Traidor – Bernard Cornwell

Traidor é o segundo volume das Crónicas de Nathaniel Starbuck, uma série que Bernard Cornwell “pega” de vez em quando e que descreve a Guerra Civil Americana. Não tendo apreciado por aí além o primeiro volume,  este 2º volume já me senti transportando para o melhor estilo de Bernard Cornwell que muito admiro, criando toda uma narrativa brutal e cheia de aventuras.

Nathaniel Starbuck, capitão da Companhia K dos Confederados, vê-se numa luta pela sua idoneidade e, como forma de salvar a sua honra, empreende uma viagem às linhas do exército do Norte onde irá encontrar o seu beato irmão e todo um conjunto de lendárias personagens. Em toda esta aventura, cheia de situações violentas, Nathaniel assumirá a sua vontade de lutar por uma causa que abraçou por mero acaso mas que, agora, tem como sua.

Baseado em factos reais, Bernard Cornwell, com este segundo volume, traz-nos de volta um registo à sua imagem: violento, brutal, cheio de descrições de batalhas minuciosas onde os factos são escalpelizados, “Traidor” é um livro que simplesmente adorei, mais um a juntar a enormíssimo leque das obras de Bernard Cornwell.

Situado em 1862 e narrando os acontecimentos da Guerra Civil Americana, o autor cria um romance histórico baseado em factos e personagens reais. Os acontecimentos não são inventados. Nathaniel Starbuck é um personagem que serve para criar o contexto, no entanto a maioria dos personagens são reais assim como os acontecimentos. A batalha de Ball’s Bluff que resultou numa enorme derrota para o Norte, as intrigas políticas e militares e até pequenos pormenores que tiveram influência no desenrolar do sangrento conflito, são aqui referidos de uma forma excitante e meticulosa, dando uma visão clara do rumo da guerra e da sua brutalidade.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vendidos menos 470 mil livros que em 2012

Segundo notícia que li hoje, este ano há uma quebra de 5% nas vendas de livros que não se reflete na receita (quebra de 1%), sinal que os preços dos livros, em vez de baixarem, subiram.

Pois é, e depois é ver os principais intervenientes, autores e editoras, assobiarem para o ar como se a crise fosse ilusão e ainda se dão ao luxo de editar uma obra em dois ou três volumes.

Pessoalmente, este ano, apenas comprei dois (2) livros nas livrarias e mesmo assim aproveitando descontos.

Benditos sites de anúncios classificados...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Passatempo Natal

Embora nada tenha a ver com literatura, quem me conhece, sabe que há algum tempo produzo sabonetes, pelo que vou utilizar este meu espaço literário para divulgar um passatempo que estou a realizar através do facebook.


1º PASSATEMPO DE NATAL

Querem ganhar este lindíssimo cesto de 3 sabonetes de glicerina totalmente artesanal?

Participem, é fácil!

Só têm de efectuares 4 passos. 


Podem ver como, AQUI.

Obrigado!


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Carta de despedida de Gabriel García Marquéz

No ano passado, Jaime García Marquéz, irmão do autor, anunciou ao Mundo que o escritor sofria de uma demência senil. Em jeito de despedida, o Nobel escreveu uma carta.


"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo o que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e disfrutaria de um bom gelado de chocolate.

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida vestiria simplesmente, jorgar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como também a minha alma.

Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saisse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo das suas pétalas.

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida!… Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas: amo-te, amo-te. Convenceria cada mulher e cada homem de que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.

Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.

A uma criança, daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.

Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens… Aprendi que todos querem viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a rampa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do pai, tem-no prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, a mim não poderão servir muito, porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer.”

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Jogada Ilegal – Luís Aguilar

Sou um apreciador do denominado desporto rei, não daqueles que vêm todos os jogos que passam na tv, mas confesso que gosto de assistir a uma boa partida de futebol e nunca perco as maiores competições de clubes e de selecções, sendo a principal, o Campeonato do Mundo que é organizado de quatro em quatro anos.

“Jogada Ilegal” é um livro que se propõe a narrar as muitas jogadas de bastidores e dúbios interesses que orlam em volta das organizações dos Campeonatos dos Mundo pela FIFA.

Assente em variadíssimos documentos que nos são mostrados nas últimas páginas, o jornalista Luís Aguilar deixa antever um mundo monstruoso de corrupção, jogadas de interesses e influências em busca do poder. O objectivo visa o poder e o dinheiro que a FIFA gere. Sendo a segunda maior competição desportiva do planeta, o campeonato do mundo de futebol gera biliões em parcerias, direitos televisivos e outros, que são distribuídos de uma forma pouco clara. Em torno da instituição, gravitam diversos personagens que são mais influentes que qualquer líder político, e isso leva-nos aos jogos de bastidores que se sucedem a fim de chegar aos lugares de dirigentes, não só da FIFA, como também das confederações continentais onde poerão manipular as nações dos seus continentes.

No centro do tufão estão nomes como Blatter ou Platini, como chegaram ao poder, quais as suas ligações e como se têm movimentado neste universo que pouco ou nada tem de ético.

São aqui referidos vários episódios que têm manchado a reputação da FIFA. Casos como os da votação para a Bola de Outro de melhor treinador 2012, as candidaturas para os mundiais e a forma obscura como o Qatar vence, as ligações nada inocentes que daí advêm (ver quem comprou e investiu no Paris S.G.), etc, etc.

Centrado apenas e só na FIFA, tive a oportunidade de falar com o autor na apresentação do livro e, como apreciador de futebol, dei-lhe os parabéns pela coragem demonstrada e pedi-lhe que não perca o ritmo e que se proponha a fazer um livro deste estilo mas sobre o futebol português. São quase 30 anos de sistema que tem destruído o futebol em Portugal sem que haja alguém de coragem que investigue a sério. Os indícios são maiores do que os observados na FIFA, basta dar um pulinho ao youtube e pesquisar um pouco ou então continuar pela net e perder um tempinho para dar de caras com situações nada normais que grassam desde finais dos anos 80 do século passado.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Anatomia do Segredo – Leslie Silbert

Eis que estamos na presença de mais um thriller histórico em que alguém descobre algo tenebroso do passado que vai ter ligações ou mexer com interesses poderosos do presente.

Mais um igual a tantos outros que nos últimos anos pululam nas livrarias. Interessante de início, não digo que não, vai perdendo fulgor e interesse à medida que avançamos na acção entre o presente e o passado, acabando por descambar numa série de clichés e na descoberta do previsível criminoso.

Não escondo que gostei do trama histórico, ou seja, quando a autora construiu um trama utilizando personagens reais da Inglaterra do séc. XVI, no entanto centra-se, na minha opinião, demasiadamente na teia de espionagem deixando para trás todos os outros aspectos que podiam fazer deste romance algo de diferente. Personagens fascinantes como Christopher Marlowe, Francis Walsingham, Walter Raleigh. Robert Cecil e mesmo a rainha Isabel I, surgem aqui com toda a sua influência mas são pouco ou nada explorados, sobrando apenas as suas dúbias contribuições na espionagem.

Enfim, mas um romancezeco que entreteve mas que me ensinou pouco e despertou quase nada para outras questões relacionadas com a época abordada.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Guerreiros Medievais Portugueses - Miguel Gomes Martins

Sendo a Época Medieval aquela que, historicamente, mais me fascina, foi com bastante entusiasmo que empreendi a leitura da obra “Guerreiros Medievais Portugueses” de Miguel Gomes Martins, historiador e autor de outro livro que muito me agradou: “De Ourique a Aljubarrota”.

Abrangendo toda essa época, mais concretamente de 1130 a 1449, são aqui biografados, de uma forma que até considero minuciosa dada a escassez de muitos dados das suas vidas, treze personagens que tiveram um papel importante e fundamental da edificação e manutenção da nossa nação.

Homens como Geraldo, o sem pavor; Gualdim Pais; D. Fernando, senhor de Serpa; Martim Gil de Soverosa; D. Paio Peres Correia; Afonso Peres Farinha; Infante D. Afonso, senhor de Portalegre; Álvaro Gonçalves Pereira; Estêvão Vasques Filipe; Nuno Álvares Pereira; Gonçalo Vasques Coutinho; Antão Vasques e Álvaro Vaz de Almada, têm a vida escalpelizada, dentro das fontes disponíveis, sendo que em várias partes da sua vida o autor tem de se socorrer de pressupostos lógicos de acordo com ligações com outros personagens.

E é impressionante percebermos o quanto audaciosos e aventureiros foram esses homens. Honestamente impressionou-me a obra da maioria deles. Homens que colocavam o seu Rei e o reino acima dos seus interesses, pese embora tenham sempre beneficiado financeiramente com a sua acção, que levaram uma vida cheia de perigos, constantemente metidos nos jogos políticos da corte, comandando centenas de homens e dando porrada nos castelhanos. Grandes Homens!

No entanto o livro sabe a pouco. Gostaria de ter lido mais sobre diversos personagens. Recordo-me de Nuno Álvares Pereira, o personagem que mais apreciei e aquele que, considero, foi um dos Maiores Portugueses de Sempre. Impressionante a influência que ganhou junto de D. João I ao ponto de possuir um enorme exército particular e de se ter dado ao luxo de recusar pedidos de ajuda do rei. Era temido, há episódios de os castelhanos recuarem e abandonar mesmo o campo de batalha assim que sabem que quem estava a comandar a hoste portuguesa era Nuno Álvares Pereira. Foi ele o maior responsável pela vitória em Aljubarrota e saiu vitorioso em outras grandes e violentas batalhas.

E violência sobressai de toda a obra. Foram de factos anos de enorme violência. A justiça cometia-se com as próprias mãos e as quezílias resolviam-se no campo de batalha. Numa época de conquistas aos mouros, tínhamos os castelhanos que, de vez em quando, invadiam Portugal e lá se sucedia nova e violenta batalha com mortos para ambos os lados. Essas batalhas são aqui referidas, algumas mais pormenorizadas que outras, mas deixando sempre clara a violência.


Em suma, uma obra que me deu imenso prazer ler e que me fez conhecer homens de imenso valor e que merecem, pelo menos, uma referência e serem lembrados na nossa História. 300 anos revisitados da História de Portugal, treze homens temerários.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Há dias atrás

recebo uma notícia do lançamento do esperado novo romance de José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei interessado e satisfeito. Independentemente da qualidade de escrita dos seus livros e outras considerações menos abonatórias, o certo é que as histórias de JRS me cativam e entretêm, pelo que costumo, todos os anos, estar presente na apresentação do mais recente livro.

Este ano constato que a apresentação do livro é no próximo sábado cujo título é “O homem de Constantinopla” e que trata da vida de Calouste Gulbenkian. Até aí tudo bem, mas fiquei siderado quando, numa notícia do DN, constato igualmente ser este o 1º volume, de dois, da mesma obra. Ou seja, agora publica-se “O homem de Constantinopla” e, dentro de um mês, publica-se “Um milionário em Lisboa”. Uma obra, dois volumes, 44€ no espaço de um mês. Um jackpot!

Caro José Rodrigues dos Santos, pese embora aprecie os seus romances, desta vez não vou comprar pois sinto-me indignado por essa “chica espertice” de alguém que sabe que vende milhares e que quer fazer render o “peixe” num país atolado numa crise que está a atingir sobretudo a classe que lhe compra os seus livros. Não são os intelectuais, não são os meninos de “bem”, nem são os milhares “Boys” e “Girls” e filhos destes e destas que o fazem, quem lhe compra os livros, na sua maioria, são as pessoas da classe média, precisamente aqueles que mais sofrem com uma crise que não são culpados mas que têm de pagar.


Honestamente, e para não ir mais longe, fiquei decepcionado!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Madrugada Suja – Miguel Sousa Tavares

Este é o terceiro romance de Miguel Sousa Tavares (MST) e, depois do best-seller “Equador” e “Rio das Flores”, MST dá à estampa um romance pouco cativante, monótono que, embora bem escrito, se revela uma desilusão.

A premissa até é apelativa: tudo se inicia numa madrugada. Quatro jovens alcoolizados irão ter uma experiência que os marcará para toda a vida e que, anos depois, irá influenciar a vida de outros.

O primeiro capítulo é a narração deste caso e, de facto, ficamos com água na boca para o que aí vem, sobretudo para quem conhece o “jeito” de MST em narrar uma boa história.

E, confessando que é um livro que se lê bem e que tem momentos de verdadeiro deleite literário, o certo é que a história se mistura com outras histórias sem que percebamos qual o verdadeiro significado daqueles intricados cruzamentos, sucedendo-se alguns episódios incoerentes que, a meu ver, nada vêem acrescentar ao trama e ao destino dos personagens. Até porque rapidamente esse primeiro episódio cai para outro plano e só quase no fim do livro surge com todo o fulgor, acrescentando ainda mais dissonância a todo o contexto. Aliás, confesso que achei muito forçado e até utópico a fase final do livro, coincidências muito ingénuas arranjadas um pouco à pressa por quem, e isso não entendo, pareceu, às tantas, ter pouca paciência para arranjar um fim coerente.

No entanto, para além da história, entendi a mensagem, carregada de ironia, de MST aos políticos, política e seus jogos de influências. Conforme senti nos outros romances, aqui também me parece que MST escreve e constrói personagens com alguém, muitos, no pensamento. Os exemplos de corrupção que constroem a acção do livro, a forma como são trabalhadas, creio, é a de como são feitas em Portugal. Isso já se sabe, no entanto acredito que aquando da construção dos personagens, MST se baseou em pessoas e exemplos reais que, enquanto jornalista, conhece bem. Fico sempre com essa ideia em todos os livros dele e neste isso sobressai na forma como ele “arranja” os partidos políticos e os jogos de “bastidores”.

Um livro bem escrito, que se lê bem mas que está a léguas de “Equador” e de “Rio das Flores”.

Nota final para o elevado preço dos livros de MST, sobretudo este. Com 350 páginas cheias de diálogos, este é um livro que se lê, e pausadamente, em oito horas, pelo que dar 20€ por uma obra que pouco rende e que no fim nem é nada de especial, é algo que devia ser revisto por quem tanto critica, e bem, as medidas de austeridade que têm assaltado o povo português.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Meu Programa de Governo (O) - José Gomes Ferreira


"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito", Eça de Queiróz, 1872.

José Gomes Ferreira, conhecido jornalista que tem efectuado várias e incomodas análises na SIC sobre a crise no mundo e as suas causas, lança-se, com este livro, numa análise mais vasta e global sobre o estado do país, principalmente, abordando também e porque estão interligados, a crise na Europa e no mundo.

Não sendo economista, José Gomes Ferreira revela um profundo conhecimento na abordagem minuciosa que efectua, descobrindo todo um vasto mundo sujo e hipócrita que nos levaram para o estado em que estamos, não se demitindo em criticar todos os quadrantes políticos e sociais, pois e como ele deixa provado, todos temos culpas, não apenas os políticos que, desde 1974, têm desgovernado Portugal.

Mais profunda do que aparenta, a presente crise vem sendo construída há muito tempo de uma forma esquemática e pensada. Ou seja, esta crise foi concebida e destinada a acontecer por políticas neo-liberais intencionais que entregaram todos os quadrantes do país a mercados altamente gananciosos que, em proveito próprio, prejudicaram o país.

Tudo aqui é escalpelizado. As políticas ruinosas e irresponsáveis sempre em prejuízo do povo que ficaram e ficarão sem condenação, os pré-conceitos que os políticos tentam, e conseguem, passar para a opinião pública. Por exemplo, esses políticos não se cansam de afirmar que a Segurança Social dá prejuízo e o melhor seria privatiza-la. É falso! A Segurança Social dá lucro e recomenda-se. A intenção é fazer crer que dá prejuízo de forma a passa-la para os privados e com isso, uma vez mais, prejudicar o povo.

Mas há mais, muito mais. A esquerda irresponsável, sempre tão corrosiva a criticar qualquer política que se faça, é aqui também culpabilizada por defender poderes instituídos, por não ter visão e por estar sempre com a mesma conversa sem reparar que o mundo mudou e que defender a continuação deste sistema, apenas está a defender os mesmos poderes que têm desgovernado e ganho milhões em prejuízo do povo.

O povo irresponsável, que com o seu desligamento, o deixar andar, permitiu aos políticos fazerem o que quiseram até chegar ao presente onde a vergonha e o decoro se perderam por completo.

A direita irresponsável dos lobbies que tem na sua base política o neo-liberalismo desenfreado onde apenas olha a números sem qualquer preocupação social. Que protege grandes grupos económicos que não merecem e que não tem coragem para agir contra esses mesmos grupos que tanto prejuízo têm dado ao país.

Os grandes empresários que passam a vida em conferências e colóquios a criticar e a mandar bitaites sobre a economia e como e estado devia agir, em vez de estar a gerir as suas empresas, que é para isso que são principescamente pagos.

As ruinosas PPP’s que mandaram o país de vez para a valeta, criando uma dívida que vamos estar a pagar até 2040. Hoje em dia, os responsáveis por essas ruinosas parcerias aí estão a pavonear-se, enquanto quem definha e paga é o povo.

Em suma, José Gomes Ferreira aponta o dedo e nomeia culpados, no entanto este não é um livro onde apenas se refere o que de mal, e foi muito, foi feito. É apontado, pasme-se, políticas e acções boas para o país e, sobretudo, o autor dá a sua visão e aponta alternativas válidas que apenas requerem boas intenções e vontade de lutar contra os lobbies que agrilhoam este país, vontade de trabalhar e fazer políticas que criem riqueza em prol do povo, que façam este país sair do estado em que está. Não é difícil, apenas requer vontade e isso é o mais difícil.

Nota final para a forma como a minha perspectiva de Angela Merkel mudou. O autor explica a política e as intenções de Merkel. Faz sentido, sobretudo quando dá exemplos no que de positivo tem feito pelos países em crise e pelo contraste que existe com os Estados Unidos da América. Fiquei elucidado e com a crença que o federalismo é mesmo o melhor para Portugal, pois se formos obrigados a seguir uma política de rigor feita para o povo, não tenho dúvidas que Portugal pode ser um país forte, pois temos um povo fantástico que já deu provas ao longo da História e em qualquer continente.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Um Passo à Frente - Colleen McCullough

Sem grandes expectativas, como em todos os policiais que leio ou tento ler, abracei este romance devido ao nome da autora e à qualidade da sua escrita. Nesse aspecto não posso dizer que foi tempo mal empregue, pois a autora consegue construir um trama bem elaborado numa escrita agradável e ligeira que não nos deixa largar a acção face ao desenrolar dos acontecimentos.

Por outro lado, e como na maioria dos policiais, há um vasto desfile de personagens com a clara intenção de criar na mente do leitor dúvidas sobre o hipotético criminoso, pois todos esses personagens são tidos como suspeitos e todos eles têm factos que os podem indiciar enquanto tal. Assim como há em diversos capítulos, todos eles curtos, diálogos que em nada alteram ou acrescentam à história, tornando em diversas alturas, o livro pastoso e algo monótono.

Em todo o caso a receita é a mesmíssima: um crime, a descoberta de um corpo em condições macabras, o típico detective/polícia divorciado, neste caso não desmazelado, uma equipa policial que está sob as suas ordens, a subsequente investigação, o interrogatório a diversos suspeitos e um criminoso esquivo que continua a cometer crimes sem deixar vestígios que façam avançar a investigação. De uma forma muito resumida, é apenas isto e pouco mais.

Os crimes são horrendos e a sua investigação traz outros enigmas que mais vêm baralhar a polícia, no entanto há sempre uma altura em que surge uma pista e, a partir daí, a relação entre os crimes começa a fazer sentido, acabando-se por chegar ao criminoso que, obviamente, é alguém dentro do lote dos suspeitos.

Foi um livro que me entreteu e que não desgostei. A construção dos personagens, a sua caracterização psicológica está bem elaborada, assim como a sua localização sociocultural que até podia ter sido melhor explorada face ao clima agreste que se vivia na sociedade norte-americana. O pormenor com que a autora descreveu o estado dos corpos é algo que nos consegue criar náuseas face ao realismo pormenorizado da narrativa e que dá a este policial um pouco mais de "sal" em comparação com tantos outros.

domingo, 11 de agosto de 2013

Update

Bom, confesso que não ando muito virado para leituras e as que tenho feito são, na sua maioria, releituras de clássicos e de outras obras que gostei de ler nos últimos tempos.

Cada vez mais me decepciono com as novidades ao ponto de já nem lhes dirigir a minha atenção.

As que me chegam às mãos são uma perda de tempo tal a pouca qualidade que revelam.

Mas enfim.

Em todo o caso lembrei-me de actualizar o Book Bingo.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Na Noite em que Morri - Tiago Gonçalves

Numa qualquer discoteca onde o fumo dos cigarros se mistura com a bebida, uma zaragata estala acabando no homicídio de um jovem.

Impotentes e incapazes de sequer reagir, o grupo de amigos observa o corpo de Miguel a ser transportado e depressa vê crescer a ira de um crime cometido contra um deles.

O narrador, do qual não sabemos o nome, sente-se revoltado e frustrado por saber que, provavelmente, o criminoso, que todos conhecem, não será castigo devidamente nascendo nele uma necessidade de vingança.

Embora seja um conto muito curto, honestamente não gostei da história.

Percebi que a intenção de fundo é sobre o mal que cobre a humanidade e a impunidade que assistimos diariamente em qualquer noticiário, onde criminosos, de colarinho branco principalmente, cometem crimes atrás de crimes sem que os mesmos sejam devidamente castigados. Há depois aquela nossa vontade de fazermos justiça com as próprias mãos, porém isso não passa de uma mera vontade sem determinação.

Desde a morte do jovem, o narrador entra num estado de revolta que o leva a beber e viver obcecado com a vingança. Tudo se passa de uma forma muito rápida, sem grande coerência, pois várias questões se levantam, sendo a principal que, se todos conhecem o assassino, como é que o narrador encontra o assassino em liberdade, aparentemente a passear calmamente?

Confesso não ser um grande apreciador de contos, mas penso que mesmo um conto deve ter um sentido coerente e lógico dos acontecimentos narrados. Neste caso, há um acontecimento violento, infelizmente algo comum, no entanto o desenrolar da narrativa é fraca cujo sentido, embora pense ter captado, não é de todo coeso.