terça-feira, 24 de setembro de 2013

Guerreiros Medievais Portugueses - Miguel Gomes Martins

Sendo a Época Medieval aquela que, historicamente, mais me fascina, foi com bastante entusiasmo que empreendi a leitura da obra “Guerreiros Medievais Portugueses” de Miguel Gomes Martins, historiador e autor de outro livro que muito me agradou: “De Ourique a Aljubarrota”.

Abrangendo toda essa época, mais concretamente de 1130 a 1449, são aqui biografados, de uma forma que até considero minuciosa dada a escassez de muitos dados das suas vidas, treze personagens que tiveram um papel importante e fundamental da edificação e manutenção da nossa nação.

Homens como Geraldo, o sem pavor; Gualdim Pais; D. Fernando, senhor de Serpa; Martim Gil de Soverosa; D. Paio Peres Correia; Afonso Peres Farinha; Infante D. Afonso, senhor de Portalegre; Álvaro Gonçalves Pereira; Estêvão Vasques Filipe; Nuno Álvares Pereira; Gonçalo Vasques Coutinho; Antão Vasques e Álvaro Vaz de Almada, têm a vida escalpelizada, dentro das fontes disponíveis, sendo que em várias partes da sua vida o autor tem de se socorrer de pressupostos lógicos de acordo com ligações com outros personagens.

E é impressionante percebermos o quanto audaciosos e aventureiros foram esses homens. Honestamente impressionou-me a obra da maioria deles. Homens que colocavam o seu Rei e o reino acima dos seus interesses, pese embora tenham sempre beneficiado financeiramente com a sua acção, que levaram uma vida cheia de perigos, constantemente metidos nos jogos políticos da corte, comandando centenas de homens e dando porrada nos castelhanos. Grandes Homens!

No entanto o livro sabe a pouco. Gostaria de ter lido mais sobre diversos personagens. Recordo-me de Nuno Álvares Pereira, o personagem que mais apreciei e aquele que, considero, foi um dos Maiores Portugueses de Sempre. Impressionante a influência que ganhou junto de D. João I ao ponto de possuir um enorme exército particular e de se ter dado ao luxo de recusar pedidos de ajuda do rei. Era temido, há episódios de os castelhanos recuarem e abandonar mesmo o campo de batalha assim que sabem que quem estava a comandar a hoste portuguesa era Nuno Álvares Pereira. Foi ele o maior responsável pela vitória em Aljubarrota e saiu vitorioso em outras grandes e violentas batalhas.

E violência sobressai de toda a obra. Foram de factos anos de enorme violência. A justiça cometia-se com as próprias mãos e as quezílias resolviam-se no campo de batalha. Numa época de conquistas aos mouros, tínhamos os castelhanos que, de vez em quando, invadiam Portugal e lá se sucedia nova e violenta batalha com mortos para ambos os lados. Essas batalhas são aqui referidas, algumas mais pormenorizadas que outras, mas deixando sempre clara a violência.


Em suma, uma obra que me deu imenso prazer ler e que me fez conhecer homens de imenso valor e que merecem, pelo menos, uma referência e serem lembrados na nossa História. 300 anos revisitados da História de Portugal, treze homens temerários.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Há dias atrás

recebo uma notícia do lançamento do esperado novo romance de José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei interessado e satisfeito. Independentemente da qualidade de escrita dos seus livros e outras considerações menos abonatórias, o certo é que as histórias de JRS me cativam e entretêm, pelo que costumo, todos os anos, estar presente na apresentação do mais recente livro.

Este ano constato que a apresentação do livro é no próximo sábado cujo título é “O homem de Constantinopla” e que trata da vida de Calouste Gulbenkian. Até aí tudo bem, mas fiquei siderado quando, numa notícia do DN, constato igualmente ser este o 1º volume, de dois, da mesma obra. Ou seja, agora publica-se “O homem de Constantinopla” e, dentro de um mês, publica-se “Um milionário em Lisboa”. Uma obra, dois volumes, 44€ no espaço de um mês. Um jackpot!

Caro José Rodrigues dos Santos, pese embora aprecie os seus romances, desta vez não vou comprar pois sinto-me indignado por essa “chica espertice” de alguém que sabe que vende milhares e que quer fazer render o “peixe” num país atolado numa crise que está a atingir sobretudo a classe que lhe compra os seus livros. Não são os intelectuais, não são os meninos de “bem”, nem são os milhares “Boys” e “Girls” e filhos destes e destas que o fazem, quem lhe compra os livros, na sua maioria, são as pessoas da classe média, precisamente aqueles que mais sofrem com uma crise que não são culpados mas que têm de pagar.


Honestamente, e para não ir mais longe, fiquei decepcionado!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Madrugada Suja – Miguel Sousa Tavares

Este é o terceiro romance de Miguel Sousa Tavares (MST) e, depois do best-seller “Equador” e “Rio das Flores”, MST dá à estampa um romance pouco cativante, monótono que, embora bem escrito, se revela uma desilusão.

A premissa até é apelativa: tudo se inicia numa madrugada. Quatro jovens alcoolizados irão ter uma experiência que os marcará para toda a vida e que, anos depois, irá influenciar a vida de outros.

O primeiro capítulo é a narração deste caso e, de facto, ficamos com água na boca para o que aí vem, sobretudo para quem conhece o “jeito” de MST em narrar uma boa história.

E, confessando que é um livro que se lê bem e que tem momentos de verdadeiro deleite literário, o certo é que a história se mistura com outras histórias sem que percebamos qual o verdadeiro significado daqueles intricados cruzamentos, sucedendo-se alguns episódios incoerentes que, a meu ver, nada vêem acrescentar ao trama e ao destino dos personagens. Até porque rapidamente esse primeiro episódio cai para outro plano e só quase no fim do livro surge com todo o fulgor, acrescentando ainda mais dissonância a todo o contexto. Aliás, confesso que achei muito forçado e até utópico a fase final do livro, coincidências muito ingénuas arranjadas um pouco à pressa por quem, e isso não entendo, pareceu, às tantas, ter pouca paciência para arranjar um fim coerente.

No entanto, para além da história, entendi a mensagem, carregada de ironia, de MST aos políticos, política e seus jogos de influências. Conforme senti nos outros romances, aqui também me parece que MST escreve e constrói personagens com alguém, muitos, no pensamento. Os exemplos de corrupção que constroem a acção do livro, a forma como são trabalhadas, creio, é a de como são feitas em Portugal. Isso já se sabe, no entanto acredito que aquando da construção dos personagens, MST se baseou em pessoas e exemplos reais que, enquanto jornalista, conhece bem. Fico sempre com essa ideia em todos os livros dele e neste isso sobressai na forma como ele “arranja” os partidos políticos e os jogos de “bastidores”.

Um livro bem escrito, que se lê bem mas que está a léguas de “Equador” e de “Rio das Flores”.

Nota final para o elevado preço dos livros de MST, sobretudo este. Com 350 páginas cheias de diálogos, este é um livro que se lê, e pausadamente, em oito horas, pelo que dar 20€ por uma obra que pouco rende e que no fim nem é nada de especial, é algo que devia ser revisto por quem tanto critica, e bem, as medidas de austeridade que têm assaltado o povo português.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Meu Programa de Governo (O) - José Gomes Ferreira


"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito", Eça de Queiróz, 1872.

José Gomes Ferreira, conhecido jornalista que tem efectuado várias e incomodas análises na SIC sobre a crise no mundo e as suas causas, lança-se, com este livro, numa análise mais vasta e global sobre o estado do país, principalmente, abordando também e porque estão interligados, a crise na Europa e no mundo.

Não sendo economista, José Gomes Ferreira revela um profundo conhecimento na abordagem minuciosa que efectua, descobrindo todo um vasto mundo sujo e hipócrita que nos levaram para o estado em que estamos, não se demitindo em criticar todos os quadrantes políticos e sociais, pois e como ele deixa provado, todos temos culpas, não apenas os políticos que, desde 1974, têm desgovernado Portugal.

Mais profunda do que aparenta, a presente crise vem sendo construída há muito tempo de uma forma esquemática e pensada. Ou seja, esta crise foi concebida e destinada a acontecer por políticas neo-liberais intencionais que entregaram todos os quadrantes do país a mercados altamente gananciosos que, em proveito próprio, prejudicaram o país.

Tudo aqui é escalpelizado. As políticas ruinosas e irresponsáveis sempre em prejuízo do povo que ficaram e ficarão sem condenação, os pré-conceitos que os políticos tentam, e conseguem, passar para a opinião pública. Por exemplo, esses políticos não se cansam de afirmar que a Segurança Social dá prejuízo e o melhor seria privatiza-la. É falso! A Segurança Social dá lucro e recomenda-se. A intenção é fazer crer que dá prejuízo de forma a passa-la para os privados e com isso, uma vez mais, prejudicar o povo.

Mas há mais, muito mais. A esquerda irresponsável, sempre tão corrosiva a criticar qualquer política que se faça, é aqui também culpabilizada por defender poderes instituídos, por não ter visão e por estar sempre com a mesma conversa sem reparar que o mundo mudou e que defender a continuação deste sistema, apenas está a defender os mesmos poderes que têm desgovernado e ganho milhões em prejuízo do povo.

O povo irresponsável, que com o seu desligamento, o deixar andar, permitiu aos políticos fazerem o que quiseram até chegar ao presente onde a vergonha e o decoro se perderam por completo.

A direita irresponsável dos lobbies que tem na sua base política o neo-liberalismo desenfreado onde apenas olha a números sem qualquer preocupação social. Que protege grandes grupos económicos que não merecem e que não tem coragem para agir contra esses mesmos grupos que tanto prejuízo têm dado ao país.

Os grandes empresários que passam a vida em conferências e colóquios a criticar e a mandar bitaites sobre a economia e como e estado devia agir, em vez de estar a gerir as suas empresas, que é para isso que são principescamente pagos.

As ruinosas PPP’s que mandaram o país de vez para a valeta, criando uma dívida que vamos estar a pagar até 2040. Hoje em dia, os responsáveis por essas ruinosas parcerias aí estão a pavonear-se, enquanto quem definha e paga é o povo.

Em suma, José Gomes Ferreira aponta o dedo e nomeia culpados, no entanto este não é um livro onde apenas se refere o que de mal, e foi muito, foi feito. É apontado, pasme-se, políticas e acções boas para o país e, sobretudo, o autor dá a sua visão e aponta alternativas válidas que apenas requerem boas intenções e vontade de lutar contra os lobbies que agrilhoam este país, vontade de trabalhar e fazer políticas que criem riqueza em prol do povo, que façam este país sair do estado em que está. Não é difícil, apenas requer vontade e isso é o mais difícil.

Nota final para a forma como a minha perspectiva de Angela Merkel mudou. O autor explica a política e as intenções de Merkel. Faz sentido, sobretudo quando dá exemplos no que de positivo tem feito pelos países em crise e pelo contraste que existe com os Estados Unidos da América. Fiquei elucidado e com a crença que o federalismo é mesmo o melhor para Portugal, pois se formos obrigados a seguir uma política de rigor feita para o povo, não tenho dúvidas que Portugal pode ser um país forte, pois temos um povo fantástico que já deu provas ao longo da História e em qualquer continente.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Um Passo à Frente - Colleen McCullough

Sem grandes expectativas, como em todos os policiais que leio ou tento ler, abracei este romance devido ao nome da autora e à qualidade da sua escrita. Nesse aspecto não posso dizer que foi tempo mal empregue, pois a autora consegue construir um trama bem elaborado numa escrita agradável e ligeira que não nos deixa largar a acção face ao desenrolar dos acontecimentos.

Por outro lado, e como na maioria dos policiais, há um vasto desfile de personagens com a clara intenção de criar na mente do leitor dúvidas sobre o hipotético criminoso, pois todos esses personagens são tidos como suspeitos e todos eles têm factos que os podem indiciar enquanto tal. Assim como há em diversos capítulos, todos eles curtos, diálogos que em nada alteram ou acrescentam à história, tornando em diversas alturas, o livro pastoso e algo monótono.

Em todo o caso a receita é a mesmíssima: um crime, a descoberta de um corpo em condições macabras, o típico detective/polícia divorciado, neste caso não desmazelado, uma equipa policial que está sob as suas ordens, a subsequente investigação, o interrogatório a diversos suspeitos e um criminoso esquivo que continua a cometer crimes sem deixar vestígios que façam avançar a investigação. De uma forma muito resumida, é apenas isto e pouco mais.

Os crimes são horrendos e a sua investigação traz outros enigmas que mais vêm baralhar a polícia, no entanto há sempre uma altura em que surge uma pista e, a partir daí, a relação entre os crimes começa a fazer sentido, acabando-se por chegar ao criminoso que, obviamente, é alguém dentro do lote dos suspeitos.

Foi um livro que me entreteu e que não desgostei. A construção dos personagens, a sua caracterização psicológica está bem elaborada, assim como a sua localização sociocultural que até podia ter sido melhor explorada face ao clima agreste que se vivia na sociedade norte-americana. O pormenor com que a autora descreveu o estado dos corpos é algo que nos consegue criar náuseas face ao realismo pormenorizado da narrativa e que dá a este policial um pouco mais de "sal" em comparação com tantos outros.

domingo, 11 de agosto de 2013

Update

Bom, confesso que não ando muito virado para leituras e as que tenho feito são, na sua maioria, releituras de clássicos e de outras obras que gostei de ler nos últimos tempos.

Cada vez mais me decepciono com as novidades ao ponto de já nem lhes dirigir a minha atenção.

As que me chegam às mãos são uma perda de tempo tal a pouca qualidade que revelam.

Mas enfim.

Em todo o caso lembrei-me de actualizar o Book Bingo.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Na Noite em que Morri - Tiago Gonçalves

Numa qualquer discoteca onde o fumo dos cigarros se mistura com a bebida, uma zaragata estala acabando no homicídio de um jovem.

Impotentes e incapazes de sequer reagir, o grupo de amigos observa o corpo de Miguel a ser transportado e depressa vê crescer a ira de um crime cometido contra um deles.

O narrador, do qual não sabemos o nome, sente-se revoltado e frustrado por saber que, provavelmente, o criminoso, que todos conhecem, não será castigo devidamente nascendo nele uma necessidade de vingança.

Embora seja um conto muito curto, honestamente não gostei da história.

Percebi que a intenção de fundo é sobre o mal que cobre a humanidade e a impunidade que assistimos diariamente em qualquer noticiário, onde criminosos, de colarinho branco principalmente, cometem crimes atrás de crimes sem que os mesmos sejam devidamente castigados. Há depois aquela nossa vontade de fazermos justiça com as próprias mãos, porém isso não passa de uma mera vontade sem determinação.

Desde a morte do jovem, o narrador entra num estado de revolta que o leva a beber e viver obcecado com a vingança. Tudo se passa de uma forma muito rápida, sem grande coerência, pois várias questões se levantam, sendo a principal que, se todos conhecem o assassino, como é que o narrador encontra o assassino em liberdade, aparentemente a passear calmamente?

Confesso não ser um grande apreciador de contos, mas penso que mesmo um conto deve ter um sentido coerente e lógico dos acontecimentos narrados. Neste caso, há um acontecimento violento, infelizmente algo comum, no entanto o desenrolar da narrativa é fraca cujo sentido, embora pense ter captado, não é de todo coeso.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Antes afirmava que

não havia maus livros.

Hoje em dia tenho uma opinião diferente. Há livros maus, muito maus, horríveis, estúpidos que se fartam, que nos aborrecem de morte e cujo destino é o lixo.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares

Por muito que não o queiramos, é quase impossível não tecermos comparações entre este livro e o best-seller “Equador”, livro excepcional que, até aos dias de hoje, consta na galeria dos meus livros favoritos.

“Rio das Flores” tem alguma coisa de “Equador”.

Primeiro, tem aquela fluência e beleza linguística e narrativa que, honestamente, me faz lembrar Eça de Queirós e que já o havia constatado em “Equador”. Depois, novamente Miguel Sousa Tavares (MST) imprime um ritmo alucinante à narrativa que mal nos deixa respirar, inundando-nos de acontecimentos históricos e de detalhes deliciosos sobre o modo de vida e das situações sociopolítica da época. E, finalmente mas de uma enorme importância, a força e o carácter dos personagens principais, as suas convicções bem enraizadas e fundamentadas que dão ao romance um cunho que ultrapassa o mero romance histórico.

O Portugal rural está aqui bem caracterizado assim como o proprietário abastado, dono de uma vasta propriedade e cuja importância está bem vincada na sociedade local. A república é muito jovem e em Lisboa sucedem-se as confusões que vão dar origem ao Estado Novo e à ditadura. MST faz um belíssimo trabalho na explanação dos acontecimentos, inserindo-os na história da família Ribera Flores.

Ao longo do romance, que li num ápice, vamos descobrindo as razões por detrás das razões de muitas decisões que levaram muitos a exilarem-se, a combater por ideais ou a mudar de barricada conforme as circunstâncias. O autor vai expressando as suas ideias de uma forma clara mas sem influenciar ou omitir os verdadeiros acontecimentos. É verdade que, por vezes, MST se excede um pouco nos adjectivos utilizados para caracterizar certos personagens, no entanto acaba por dizer aquilo que pensamos.

Um romance excepcional que me cativou desde a primeira página. Adorei ler sobre o meio rural português dos anos 20 e 30. Dos ideais políticos e das motivações que transformaram Portugal e a Europa nos anos 30 e da descoberta do verdadeiro Eu do principal personagem da obra que, a meu ver, dão um importante tom humanista a esta obra.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Grandes Esperanças - Charles Dickens

Dado à estampa em folhetins em 1860, Grandes Esperanças é tido como o romance mais sério de Charles Dickens e aquele onde o autor procurou abordar vários temas e estilos. Durante a sua leitura, de facto, constatamos que o autor procura construir uma sátira humorística mesclada de policial que roça, inclusive, o thriller psicológico.

De Charles Dickens já li as suas principais obras e, confesso, esta foi a que menos gostei.

O estilo está lá, a explanação do contexto social da Inglaterra da primeira metade de séc. XIX, a abordagem à essência do Ser Humano e ao comportamento das várias camadas sociais, sobretudo a separação entre as mesmas e as roturas que daí advinham. Isso é especialmente notório em determinadas alturas do livro, pois a história trata da transformação, de um momento para o outro, da vida de um rapazinho que passa de pobre e sem esperança, para muito rico e com grandes esperanças. Mas subentende-se mais durante a leitura desta obra. O eterno conflito entre a ética e a ambição foi algo que mais me marcou neste romance, um pouco como o tinha sentido em “crime e castigo” de Dostoievsky.

A primeira parte do livro é tipicamente Dickensiana. Um pobre rapaz órfão que é criado com a irmã e o cunhado e que se sente sozinho e abandonado. Único amigo, o seu cunhado, também ele um pobre coitado que tem medo da mulher. Assim, Pip, é criado com “mão de ferro” e sente que a sua vida não vai sair daquilo. Até que um dia a vida de Pip muda drasticamente quando recebe a notícia que herdou uma imensa fortuna de um benfeitor misterioso e que lhe vai alterar as suas esperanças para o seu futuro e a partir daí, Pip muda o seu comportamento.

A sua parte do livro é, quanto a mim, a mais aborrecida.

Dickens situa toda a acção em Londres e aborda todas as tentações de uma cidade onde abunda a corrupção e o crime. Cheio de personagens excêntricas, Dickens elabora uma narrativa cheia de humor, é um facto, mas cuja futilidade nos atinge de uma forma violenta, assistindo à evolução de Pip e à perda da sua identidade.

Finalmente, a terceira parte é o culminar da acção e quando Pip se apercebe dos erros que tem cometido. Chega-lhe o arrependimento e as dúvidas morais assaltam-no de uma forma violenta.


O livro não é de fácil leitura, há muitos momentos aborrecidos em que tive dificuldade de entender o significado e o objectivo. O percurso de Pip é interessante e as questões que são levantadas são igualmente interessantes e demonstram, também, que são eternas e que são sempre actuais, no entanto não é um livro que me deixa grandes saudades, pese embora tenha achado os seus personagens muito fortes e de grande carácter algo que também é uma das marcas desse génio da literatura chamado Charles Dickens.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Faz hoje

130 anos que nasceu um dos maiores génios da literatura mundial.

Franz Kafka


Pessoalmente admiro imenso a sua obra e já li as suas principais obras, sendo a "Metamorfose" e o "Processo" aquelas que mais gostei e que mais se adaptam à realidade actual.

Fica aqui a minha homenagem a um escritor que merece estar na galeria dos "monstros sagrados" da literatura.

Que ideia original e interessante.

Como seria Star Wars escrito por Shakespeare?




Eu vou querer ler o livro.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Este é o Reino de Portugal – José Brandão



Ciumentos, vingativos, cobardes, invejosos, frívolos, presunçosos, impostores, vaidosos, arrogantes, velhacos, traiçoeiros e desonestos. Eis alguns dos adjectivos com que alguns visitantes estrangeiros caracterizaram o povo português aquando da sua estadia no nosso país. Porém, nem só disseram mal, do povo português disseram também ser bondoso, de brandos costumes, alegre, leal, dócil, paciente e humilde.

A literatura de viagens esteve muito em voga no séc. XVIII, época em que se assistiu, um pouco por  todo o mundo, ao surgimento de várias obras sobre lugares de estadia e descrição dos povos e seus usos e costumes.

Portugal não escapou a isso e, embora em menor número, são vários os personagens, alguns mais conhecidos que outros, que por cá passaram e que escreveram as suas opiniões do que viram e sentiram.

Obviamente que há muito exagero, alguma ignorância e também a influência de outros relatos pejorativos que circulavam sobre Portugal a partir da restauração da independência. Penso mesmo que alguns dessas descrições foram efectuados sem o mínimo conhecimento de causa, apenas baseados em rumores. Em todo o caso, de todos os relatos deste livro, há aqueles que são nitidamente facciosos e outros em que se nota uma preocupação pela verdade e pelo bom senso.

De notar que há muitos pontos em comum entre todos os relatos. Sobretudo nos relatos efectuados na mesma altura temporal, há criticas ao perfil do povo que são muito semelhantes, levando-nos então a crer que de facto era assim mesmo e isso é deveras interessante pois é possível perceber como se vivia em Portugal e sobretudo Lisboa nessa época.

Curioso também constatar das constantes críticas às entidades políticas, à forma como exploravam e maltratavam o seu povo, ter tanto de semelhante com a actualidade. Ou seja, o que se referia há 250 anos como um dos principais males da nação, continua a ser referido hoje em dia.

Um documento muito interessante que nos leva a conhecer como vivia e comportava o povo português a partir de 1676 e que nos transmite muitos dos defeitos que, mesmo não gostando de admitir, estão por detrás da nossa eterna crise que irá continuar a ser eterna. Não adianta pensar o contrário, está-nos no sangue.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fim das parcerias

Há cerca de três anos iniciei uma série de colaborações com algumas editoras. Tudo começou num pedido meu a uma editora que considero ser uma das melhores editoras nacionais e, pouco depois, recebi vários mails a proporem-me essas cooperações nas mais diversas condições, sendo que a única que vincou e aquela por que me bati foi o de publicitar no meu blog as novidades e, em retribuição, eu solicitaria, dentro dessas novidades, os livros que bem entendesse para posterior opinião no blog e até hipotético passatempo.

Não escondo que correu muito bem nos primeiros tempos. Livros em barda, a maioria, de facto, que considerava interessantes e eu sempre com a preocupação de ler a sua maioria para por fim escrever a opinião. De ressalvar que uma das condições que sempre impus foi o de ser completamente independente das minhas considerações.

No entanto nos últimos tempos, quiçá devido às centenas de blogues que possuem essas colaborações e que se limitam a vomitar publicidade de tudo o que é livro, lançamento, entrevista e afins, apercebi-me de algum cansaço das próprias editoras, pois decerto estão a chegar à conclusão que o retorno dessas cooperações é menor do que aquele que julgavam.

Pessoalmente penso que as editoras são as principais culpadas pela sua falta de critério em atribuir essas parcerias. Bastaria navegar uma vez por semana nos blogues que com elas colaboram para se perceberem qual o verdadeiro objectivo desses bloggers. Blogues vazios, cujo único conteúdo é publicidade, enfim, pergunto: Serve a uma editora um blogue desses que ninguém visita?

Mas adiante.

O certo é que cansei-me destas parcerias. Cansei-me de receber mails das editoras com as novidades, ter de as ler e analisar e depois trabalhá-las para as postar. Cansei-me de, depois desse trabalho, e embora cada vez peça menos livros (há uma editora que não peço livros há quase um ano), esperar uma eternidade para os receber e é quando, mesmo depois desse eternidade, só enviam alguns. E depois há aquelas que simplesmente enviam as novidades, agradecem quando eu as post mas depois não enviam os livros. Semanas depois de eu insistir, dizem que têm muito trabalho e tal.

Por isso cansei-me disto tudo!

Vou deixar de postar qualquer novidade ou notícia de qualquer editora.

Vou voltar às raízes do meu blog e escrever sobre livros que me apetece ler e não, como por vezes acontecia, livros que tinha de ler porque enfim, tinha-me sido oferecidos e faziam parte do acordo.

Quando quiser determinado livro, compro-o ou vou a uma biblioteca.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Inferno nos Açores – Clive Cussler & Graham Brown




Confesso que não sou um grande apreciador de livros de aventuras, tipo James Bond e afins, em todo o caso gosto de ir intercalando as minhas leituras e, durante o ano, acabo por ler livros de géneros muito diferentes. 

O presente livro captou-me a atenção por ver envolvido o nome dos Açores e também porque o nome do autor já me havia despertado alguma curiosidade, decidi então empreender a leitura do livro.

E de facto a acção é estonteante de princípio ao fim, numa aventura cheia de peripécias que mete assassinos contratados por um ditador que anseia dominar o mundo, os bons que, para além de transpirarem charme por todos os poros, têm jeito para tudo, inclusivamente para comediantes, a bela sedutora ao serviço secreto de uma nação que tem interesses no que se está a passar, os habituais norte-americanos e porrada de princípio ao fim, com muitas mortes, atentados e acidentes. Novidade, falar-se várias vezes de Portugal e de portugueses.

Mas, em todo o caso, não pensem que não gostei.

É um livro que entretém, apenas e só, mas cujo tempo não é mal empregue. Gostei da escrita e da forma como a estrutura do livro foi trabalhada, sempre com pequenos capítulos cheios de suspense.

Para quem aprecia o género, penso que encontrará nesta obra uma leitura prazeirosa que o levará a vários cenários, onde a acção, a violência e a intriga andam alegremente de mãos dadas.