quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Vida Sexual de Catherine M. - Catherine Millet


Embora não sendo um apreciador de romances eróticos, este ”A vida sexual de Catherine M.” chegou-me às mãos de uma forma muito curiosa, parecendo ser uma daquelas situações ocasionais do destino que me colocaram nas mãos um livro que poderia ser interessante analisar e perceber até onde teria ido essa tal Catherine M., sobretudo depois de saber que este livro criou um grande impacto em França.

Do livro, uma questão fulcral se levanta: ”O que leva uma conhecida crítica de arte, ainda por mais, directora de uma prestigiada revista de arte, descrever, de uma forma nua e crua, toda a sua vida sexual?”

Honestamente não sei! Sobretudo depois de ler o livro.

O livro tem pouco para analisar ou a contar, pois é simplesmente um desfilar de recordações misturadas com factos imaginários a partir da altura em que Catherine Millet perde, aos 18 anos, a virgindade.

Pertencente à geração que defendia a liberdade sexual, Catherine lança-se numa promiscuidade sem regras, numa selvajaria sexual sem limites, sem cuidados e sem fronteiras. Catherine pratica sexo puro e duro da mesma forma que respira, algo intrínseco à sua pessoa, à sua personalidade. Pode-se dizer mesmo que o sexo ocupa o seus pensamentos e actos 24 horas por dia, com centenas de homens, em lugares privados, clubes, automóveis, no campo, casas particulares. Com conhecidos e desconhecidos. Amontoados de corpos onde ele mergulha, onde se entrega sem qualquer tipo de preliminares, apenas sexo por sexo, um cavalgar incessante, violento e sem ponta de sentimento. Ela própria afirma que não sabe a quantidade de parceiros que teve, alguns sem rosto, todos eles onde apenas o falo tinha importância e a forma como a usavam até à saturação física, a perfuravam violentamente, uns atrás dos outros, em catadupa, pela frente, por detrás... violento? Apenas tento transmitir a aberração do relato dela.

É um livro muito cansativo que usa e abusa de uma linguagem vernácula, ostensivamente chocante. Catherine narra sem qualquer pudor toda uma vida dedicada à prática sexual sem limites, um exibicionismo admitido, uma prática animal sem freio, pouco ou nada erótica e sim altamente doentia, paranóica, pois a diferença que separa o ser humano dos animais é aqui completamente diluída nos actos dementes desta mulher.

Muitos podem gostar, achar erótico e até excitarem-se com as descrições, inclusivamente surpreendeu-me Eduardo Prado Coelho afirmar: ”ler este livro é uma experiência de leitura poderosa e inesquecível”. Poderosa em que aspecto? Inesquecível é de facto tal a javardice e promiscuidade relatada.

Agora o livro valerá alguma coisa?

Certamente que sim, pois sabe-se que o narrado por Catherine, por muito que possa ser chocante, é algo que cada vez mais é algo comum nas sociedades contemporâneas e muito comum nas sociedades antigas. Ou seja, o livro poderá valer pela análise das situações num contexto social alargado, no entanto e para além de certamente agradar aos vouyeristas, não estou a ver alguém que tire especial prazer das situações narradas e muito menos que aprenda alguma coisa com elas.

Obviamente que sendo ainda um tabu na sociedade contemporânea, cada um de nós vê e pensa o sexo à sua maneira, no entanto considero as experiências relatadas por Catherine Millet, doentias, nada eróticas, explicitamente pornográficas e, ao contrário do que ela afirma, nada têm a ver com a liberdade, pois ela acaba por ficar presa naquele mundo, um mundo onde centenas de homens apenas a viam, ou vêm, como uma gaja que abria as pernas a qualquer um e sugava qualquer pénis.

Isso é liberdade?

Peço desculpa por algumas das palavras aqueles mais susceptíveis, mas tentei apenas descrever um pouco da brutalidade dos factos.

6 comentários:

Pedro disse...

lol fartei-me de rir com as várias expressões irónicas que escreves! xD

Não me fascina nem um bocadinho. Quer dizer, além de ser um livro erótico, até parece que não tem quase enredo nenhum! Talvez a autora tivesse inspirada no momento para passr x páginas a falar nada mais do que centenas de orgasmos.
Erotismo é algo... mas pornografia, pelo menos no meu entender, não tem comparação!
Gostos são gostos. Ao princípio esquisitos, mas pronto: um livro que nunca lerei.

Livros em 2ª Mão disse...

O título, mesmo sem conhecer o conteúdo, já não me fascinava, mas depois de ler a tua crítica, consolidou o primeiro instinto.
É como em tudo, não de pode agradar a todos...

Iceman disse...

OLá Pedro!

Sim, compreendo que os teus interesses literários estão virados para outros campos, mas acredita que é bom ler vários géneros e acredita que, um dia, vais acabar por pegar num livro deste tipo.

Este livro foi escrito para chocar a sociedade francesa, isso é clarissimo! A autora é uma pessoa do jet-st francês, no entanto e conforme eu refiro, penso que ela vai demasiado longe, pois o que ela escreve é mais semelhante com uma doença do que propriamente com um gosto.

Mas enfim.

Iceman disse...

Esse é uma das magias da literatura: nenhum livro é concensual. De D. Quixote, a Guerra e Paz, passando por um qualquer livro de, sei lá, Paulo Coelho, há sempre aqueles que adoram e há outros que odeiam.

Mónica Colaço disse...

Confesso que esse livro já esteve na minha lista de livros a comprar só que, como entretanto deixei de o ver à venda retirei. Confesso que aprecio uma boa leitura erótica mas com classe. Tudo o que é baixo nível dispenso.
Depois de ler esta tua crítica fico contente por não o ter comprado HEHEHE

Iceman disse...

Sinceramente nunca li nenhum livro erótico que me agradasse.

Embora se possa ocnsiderar erótico, li quase todos os livros do Marquês de Sade, Memórias de uma Prostitua e mais um ou outro e, sinceramente, nenhum me agradou.

Este aqui, enfim...