Setembro
de 1939 a Agosto de 1945. Um conflito armado envolvendo cerca de cinquenta
nações e que teve como desfecho final, não só uma reorganização no plano
geopolítico mundial, como e principalmente uma imensa dor humana que, setenta
anos depois, ainda se faz sentir.
Nunca
será conhecido com precisão o numero total de vitimas. Têm sido feitos inúmeros
cálculos dos mortos da Segunda Guerra e calcula-se que seis milhões de civis
chineses tenham sucumbido às mãos dos japoneses. A União Soviética teve catorze
milhões de soldados mortos, mais sete milhões de civis, num total de vinte e um
milhões de mortos apenas no lado soviético. Os alemães calculam ter perdido
cerca de quatro milhões de civis e mais três milhões e quinhentos mil soldados.
Os japoneses, dois milhões de civis e um milhão de soldados. Na Polónia
ocupada, seis milhões de civis polacos morreram sob a tirania dos nazis (três
milhões eram judeus) e os judeus, de todas as nacionalidades europeia,
constaram seis milhões de mortos, a grande maioria nos campos de concentração.
No total, calcula-se que morreram cerca de sessenta milhões (70.000.000 !!!) de pessoas nos seis anos de guerra.
Foi
o conflito mais violento de sempre. Cem milhões de soldados foram mobilizados e
muitos perderam a vida ou viram-se seriamente feridos, sem sequer terem entrado
em combate.
Este
livro narra, passo-a-passo e de uma forma muito minuciosa, a guerra desde o seu
inicio até ao seu epilogo e os anos consequentes.
Assente
numa pesquisa exaustiva e em milhares de relatos de testemunhas, Martin Gilbert
realiza um trabalho exemplar e fascinante, descrevendo todos os lados do
conflito e as suas intenções e objectivos, sendo possível perceber-mos quais
eram as motivações dos intervenientes.
Porém,
não consegue ser totalmente imparcial.
Refere
e insiste nas atrocidades cometidas pelos nazis e pelos fanáticos soldados japoneses,
não se escusando de relatar episódios horríveis e macabros de puro terror, no
entanto, sabe-se que os aliados, sobretudo os russos quando entram na Alemanha
em perseguição do exercito alemão. cometeram várias atrocidades contra civis como forma de vingança das atrocidades alemãs,
porém Gilbert omite esses factos. Aqui, os aliados surgem sempre como “os
bons”, os que tratam bem os prisioneiros e que respeitam sempre o inimigo,
enquanto que nazis e japoneses não deixavam ninguém vivo. Sei que parcialmente
é verdade, que os japoneses raramente tinham misericórdia dos prisioneiros e
que os nazis cometeram, talvez, o maior crime contra a Humanidade. No entanto,
do lado aliado também se cometeram muitas barbaridades que nem sequer são aflorados
por Gilbert, pese embora haja um ou outro episódio isolado.
Seja
como for, é doentio ler tanta atrocidade e tanta violência gratuita, num
fanatismo brutal e insano que levou à morte de milhões de seres humanos, muitos
deles crianças que nem sabiam para onde iam. Nem há como classificar essa loucura.
“Não
há duvida, de que se trata provavelmente do maior e mais horrível crime alguma
vez cometido na história da humanidade, sendo praticado, além disso, por meios
científicos e homens considerados civilizados, em nome de um Estado eminente e
de um dos povos mais destacados da Europa. “
Churchill
“Na
alegria entusiástica da vitória, é-nos fácil esquecer os mortos. Os que
partiram não gostariam de ser uma mó de luta pendurada nos nossos pescoços. Mas
entre os vivos há muitos que ficaram para sempre com a imagem, gravada a fogo
nos seus cérebros, de cadáveres arrefecidos, disseminados pelas encostas e
valas, ao longo das ravinas de todo o mundo. Homens mortos em massa, país após
país, mês após mês e ano após ano. Homens que morreram no Inverno e homens que
morreram no Verão. Homens mortos numa promiscuidade tornada tão familiar que
chega a ser monótona. Homens mortos numa série tão monstruosamente alongada que
quase chegamos a ter-lhes ódio”
Esboço
de uma crónica de Ernie Pyle, popular correspondente de guerra, morto pelos
japoneses meses antes do fim da guerra.
