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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cruz de Portugal – José Sequeira Gonçalves


O romance inicia-se pouco depois de 1910 e da Implementação da Republica.

Silves, Algarve, um menino, filho único, vive com os pais numa casa de média classe. O seu pai, dono de uma quinta e de uma mercearia, tem rendimentos suficientes para que a família viva com algum conforto.

Pouco depois dá-se a implementação da república e o pai torna-se republicano fanático, aderindo ao partido e acabando mesmo por conseguir um lugar como membro da comissão concelhia do partido republicano.

Tempos difíceis e confusos em que o povo se encontrava dividido entre os apoiantes da monarquia e os da republica, havendo mesmo confrontos em todo o território.

É assim neste contexto que a história tem início e onde o autor desenvolve as alterações politicas ocorridas nessa altura. Às mudanças geopolíticas que deram origem à 1ª Grande Guerra (1914-1918).

E é nesse período que o autor mais se centra.

O nosso rapaz, agora já estudante da escola comercial em Lisboa, vê-se incorporado no exército português com guia de marcha para a Frente.

Nesta fase é clara a intenção do escritor em mostrar o embuste que foi passado aos soldados que se exercitavam em Lisboa e Tancos com vista a defesa da pátria e da humanidade.

Chegados a França, depressa os soldados portugueses viam que aquilo não era nada como tinha sido pintado pelos comandantes e, sempre de bom humor (isso é algo que de facto sucedeu), foram encarando a guerra como algo que não lhes pertencia, onde nunca viram a sua utilidade e muito menos percebendo que sentido fazia estarem ali.

Toda a 2ª parte do livro narra episódios de conflito e das tropas portuguesas.

É depois do ataque de La Lys, em Abril de 1918, que o livro entra noutra fase e, quanto a mim, aquela que melhor exemplifica a monstruosidade da guerra e do quanto sofreram milhares de soldados.

Passado em grande parte num hospital, o autor consegue criar uma metáfora sobre o absurdo do conflito e da capacidade maléfica do ser humano, em simultâneo que vai dando exemplos da extrema humanidade que se verificava quando menos se esperava.

O dilema entre o amor à vida e o amor à pátria, também é explorado pelo autor, assim como achei muito curioso a exploração ou o brincar com o efeito borboleta que o autor leva a cabo.

Um excelente romance histórico que nos dá uma outra perspectiva dos tumultuosos tempos que antecederam a 1ª Grande Guerra e uma outra visão, talvez mais realista, mais crua, das sensações e reacções humanas num conflito militar.

domingo, 30 de maio de 2010

Amanhecer na Rotunda – José Sequeira Gonçalves & João Espada


Neste pequeno grande livro, exemplarmente encadernado e ilustrado com uma série de belíssimas aguarelas da autoria de João Espada, os autores traçam o percurso de algumas pessoas que colocaram fim à Monarquia ou, se quiserem, foi o seu envolvimento que esteve por detrás da implementação da República no dia 05 de Outubro de 1910.

Mas e embora o livro incida nesses personagens que aguentaram na rotunda (Marquês de Pombal) o assalto das tropas fiéis à monarquia, o que mais realço é a forma como é narrado todo o processo da queda da monarquia e o papel desses personagens, alguns completamente desconhecidos até à data.

É um livro de fácil leitura, lê-se num par de horas (literalmente) e no final, para além de sairmos mais ricos, ficamos com a sensação de quem lutou pela república, quem por ela morreu, decerto não lhe passava pela cabeça o estado em que ela se encontra e de quem dela se aproveitou e aproveita. Aliás, há nomes importantes que poucos anos depois, desiludidos com o estado decadente da república, ajudaram a fazê-la cair.

Como curiosidade o comandante Machado Santos escreveu, pelo seu punho a primeira lei da república que constava assim: “todo o indivíduo que seja encontrado a roubar, a assassinar ou a cometer violência contra mulheres e crianças, será imediatamente fuzilado…”.

Tomara termos presentemente leis dessas e por essa lei percebe-se das boas intenções de quem idealizou e lutou pela república, no entanto e embora desde logo a sociedade tivesse dados sinais inequívocos (nada a fazer com o povo português, está no sangue), depois vieram os abutres para dela se encherem que nem...