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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Mágico de Auschwitz (O) - José Rodrigues dos Santos

 


Agora que está para sair o 2º volume e, quero aqui expressar o meu desagrado em relação a isso, pois acho uma falta de consideração e chico-espertice isso de editar um romance em dois volumes a preços tão elevados. Algo que, neste autor não é virgem, pois já o fez num outro e, nesse caso, foi ao cúmulo de o ter feito em três volumes, algo que rejeitei, não tendo adquirido nenhum deles.

Mas, e no caso, só me apercebi disso depois de ter adquirido este primeiro volume.

A capa do livro é horrível.

Parece uma daquelas capas dos anos 60 do séc. XX das aventuras do Mandrake. Feia, pirosa e que, acho, afasta muito boa gente. Até porque o interior traz-nos um romance muito interessante, onde o estilo de JSR é aquele que nos tem habituado: pouca qualidade literária, cheia de mariquice, mas com uma vertente informativa muito elevada, que nos agarra desde o início.

Na minha opinião, o que ressalta em todo este primeiro volume, são as terríveis descrições das condições de vida de Auschwitz e das intenções dos nazis.

Obviamente que durante a sua leitura, nós sabemos dos fornos crematórios, da fome, de toda aquela miséria que levou à morte de milhões de pessoas. Porém, o que choca é a atitude dos nazis, sobretudo das SS, da ingenuidade dos judeus e da forma como são convencidos, mesmo diante de uma realidade atroz, que tudo aquilo era um mero campo de trabalhos e que, logo, logo, estaria tudo bem.

E, como referi anteriormente, as descrições são brutais. Recordo-me de uma cena, talvez a que mais me marcou, em que um soldado das SS constata que respira mortos, pois as cinzas no ar eram tantas, que se entranhavam no cabelo, na barba, nas roupas e eram respiradas.

As condições higiénicas são tão reais, que quase conseguimos sentir o fedor das fezes amontoadas em baldes ou no chão, o vómito que cobre o chão onde jazem cadáveres como se fizessem parte desse mesmo vómito.

A condição humana é liminarmente esquecida, reduzidas a um estado abaixo do animalesco, sempre com o beneplácito das tropas alemãs que tinham um objectivo bem estipulado e que obedecia a um plano esotérico. Sim, esotérico.

Algo que muita gente desconhece, mas os nazis acreditavam que descendiam dos atlantes. Isso está por detrás da ideologia do povo supremo, puro, a raça ariana. E, nessa vertente, o autor informa e informa bem.

É esse o principal factor da pretensão de extermínio das raças impuras. Eles acreditavam mesmo nisso e o plano era simples, eliminar os impuros para que a raça dos atlantes, os supremos, pudessem voltar a “reinar” no planeta.

Insano! Mas aconteceu!

sábado, 9 de junho de 2018

Conversas de Escritores – José Rodrigues dos Santos


Pese embora as minhas leituras se centrem no campo do romance, acabo, aqui e ali, por efectuar leituras de outros géneros literários, sendo que as Entrevistas sejam um dos géneros que mais aprecio por diversas razões, sobretudo porque é uma oportunidade de saber, pelo próprio entrevistado, de factos da sua vida que, geralmente, guardo como experiencias, algo que posso retirar para mim próprio para o futuro.

Ou seja, nessas entrevistas, quando realizadas de forma despretensiosa, é sempre possível perceber a pessoa por detrás do “personagem”, do “autor”, do “escritor”, do “actor”, etc. É possível entender o seu trajecto de vida e perceber a sua metodologia de trabalho e várias das suas opiniões sobre diversos assuntos, pois, confesso, é sempre isso que procuro apreender quando realizo a leitura de qualquer entrevista, perceber qual a sua metodologia e a organização mental que o leva a ser quem é.

Posto isto, e depois de há uns anos ter visionado quase todos os programas da “Conversas de Escritores”, realizado por José Rodrigues dos Santos, decidi efectivar a leitura do livro editado em 2010 porque constatei que, neste livro, estavam presentes vários escritores que admiro, alguns já falecidos entretanto, na tentativa de perceber se havia algum ponto em comum entre eles.

As entrevistas são curtas e penso que muito foi cortado pelo José Rodrigues dos Santos, pois os sessenta minutos que durava a entrevista, decerto muito se falou, mas enfim, entendo a lógica em colocar o fulcro do que foi falado. E efectivamente há perguntas que se vão repetindo de entrevistado para entrevistado e constatei que, por exemplo, a metodologia de trabalho de todos é muito semelhante, revelando, na sua grande maioria, uma enorme disciplina quando estão na fase de escrita, algo que tenho percebido ser comum em quase todos os escritores.

Achei curioso que muitos escritores fazem uma espécie de guião na altura de planear e outros começam com uma frase e vão seguindo à sorte, sem qualquer tipo de guião, apenas se deixam levar pela história e pelos personagens, como se esses ganhassem vida própria, desconhecendo inclusivamente os autores do final do livro e alguns até referem ficar surpreendidos como aquele livro acabou. 

Dan Brown, Luis Sepúlveda, Sveva Caseti Modignani, Paulo Coelho, Ian McEwan, Günter Grass, Jeffrey Archer, Isabel Allende, Saramago, Miguel Sousa Tavares, são os dez escritores escolhidos entre outros que originaram uma sequela, mas que, para quem gosta de entender o processo criativo de grandes autores, vale bem a pena a leitura desta obra.


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vaticanum – José Rodrigues dos Santos



Conforme é do conhecimento de muitos, sou um apreciador dos livros de Rodrigues dos Santos. Não pela qualidade literária, porque isso de facto tem muito pouca, mas porque os livros dele preenchem um dos principais requisitos que a meu ver tem de estar contido num livro: entretém. Para além do entretenimento, os livros dele são um manancial de informação que, obviamente, podem agradar mais a uns do que a outros pela temática, mas é facto é que os livros dele possuem sempre muita informação.


Em todo o caso e pese embora já os tenha lido todos, há livros que gostei muito e outros que nem por isso. Confesso que, por exemplo, os últimos livros dele não me têm agarrado por aí além, mas recordo sempre com saudades livros como “A Filha do Capitão”, “Codex 632“ ou “A Fórmula de Deus”, livros, quanto a mim, muito bem conseguidos e que despertaram a minha curiosidade sobre os temas abordados.


Este último volta a colocar em cena o historiador/detective/criptanalista Tomás Noronha que se encontra nas catacumbas do Vaticano a analisar o suposto túmulo de Pedro, o Apóstolo de Jesus Cristo que, segundo a História, deu origem à Igreja Católica, sendo considerado o Primeiro Papa.


O enredo passa-se todo num simples dia, uma aventura vertiginosa que se inicia quando o Papa é raptado por alegados membros do Estado Islâmico e que, segundo estes, será decapitado em directo à meia-noite se os países católicos não se converterem ao Islão ou não pagarem um suposto valor que está referido no alcorão.


Obviamente que depressa Tomás Noronha se vê envolto nos acontecimentos e é vertiginosa toda a acção.


Pese embora o objectivo central do livro seja a corrupção no seio do Vaticano, o livro quanto a mim peca em vários factos que acabam por lhe dar pouca credibilidade, isso na junção entre o enredo ficcional e o verídico. Penso que um dia apenas é muito pouco para 600 páginas de alucinantes correrias. Os diálogos sobre a corrupção são colocados um pouco à força. Poucas horas antes do prazo terminar, Tomás está em amena cavaqueira de dezenas de páginas sobre os meandros mafiosos que abalam o Vaticano. 


Depois no final tudo se desenrola em poucos minutos e, obviamente, o final é o esperado com as habituais “mariquices” que o autor, a meu ver, desnecessariamente, continua a insistir em colocar nas suas histórias.


Em todo o caso e embora tenha gostado do livro, o mesmo não me criou um grande pasmo, pois já li várias obras sobre corrupção no Vaticano, algumas das quais vêm referidas na Nota Final, ou seja e ao contrário de outras obras, Rodrigues dos Santos não nos conta nada de novo, limita-se a limar certos factos amplamente conhecidos e a aproveitar o que muitos já escreveram sobre o tema.


Sinceramente esperava um pouco mais, pese embora, repito, seja um bom livro da Série “Tomás Noronha” que, e isso é algo que quero realçar, se mostra um pouco mais “adulto” em relação a outras aventuras suas.  


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Homem de Constantinopla (O) – José Rodrigues dos Santos

Já aqui referi que gosto de ler os livros de José Rodrigues dos Santos. Longe, muito longe, de serem grandes obras literárias, decerto jamais irá vencer ou perto disso o Nobel da Literatura, o certo é que os seus livros me entretém e têm a capacidade de me despertarem a atenção para outros assuntos que, por diversas vezes, me têm levado a descobrir outros autores e outras obras muito boas.

A presente obra que, vá lá, direi o primeiro volume de dois em que o autor se propõe a narrar a vida de Kaloust Gulbenkian, é pois mais um dessas obras de puro entretenimento, um pouco num estilo cinematográfico, que explana a narrativa de uma forma muito simples e com capítulos muito curtos de uma forma de takes cinematográficos e que nos vai traçando o percurso de Gulbenkian desde quase o seu nascimento até 1913, altura em que se inicia a Primeira Grande Guerra.

No entanto e de todos os livros que já li do autor, e posso dizer que já os li efectivamente todos, este é o mais fraco em todos os aspectos.

A narrativa é muito fraca e algo incoerente. Parece que o autor escreveu o livro imaginando um roteiro de um filme. As situações surgem um pouco desligadas e há outras, que a meu ver mereciam uma maior profundidade, que são narradas de uma forma muito simplista, como e por exemplo a perseguição turca aos arménios. Depois, há situações que são explicadas ou resolvidas de uma forma muito tosca. Ou seja, o autor aborda de facto essa e outras questões mas pouco ou nada a explica, deixando-nos a ideia de um trajecto feito de facilidade quando, sei, não foi bem isso que sucedeu. Para além disso, não gostei igualmente da forma que o autor encontrou para começar a história nem do encadeamento dos episódios da sua vida. Obviamente que sei que se trata de um romance, mas, a meu ver, o autor tem obrigação de fazer um trabalho mais apurado, nem que seja apenas e só devido á sua formação académica.

Tenho já o segundo volume para ler mas, face à enormidade volumosa da obra e ao tempo que demorou a escrever, não acredito que melhore, pois esta é uma obra escrita algo a “martelo” e deve ser mais do mesmo. No entanto nem tudo é mau. Entretém e dá-nos um aspecto, frágil é certo, da vida de Gulbenkian e da forma como granjeou fortuna e fama. Vou ler decerto.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Há dias atrás

recebo uma notícia do lançamento do esperado novo romance de José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei interessado e satisfeito. Independentemente da qualidade de escrita dos seus livros e outras considerações menos abonatórias, o certo é que as histórias de JRS me cativam e entretêm, pelo que costumo, todos os anos, estar presente na apresentação do mais recente livro.

Este ano constato que a apresentação do livro é no próximo sábado cujo título é “O homem de Constantinopla” e que trata da vida de Calouste Gulbenkian. Até aí tudo bem, mas fiquei siderado quando, numa notícia do DN, constato igualmente ser este o 1º volume, de dois, da mesma obra. Ou seja, agora publica-se “O homem de Constantinopla” e, dentro de um mês, publica-se “Um milionário em Lisboa”. Uma obra, dois volumes, 44€ no espaço de um mês. Um jackpot!

Caro José Rodrigues dos Santos, pese embora aprecie os seus romances, desta vez não vou comprar pois sinto-me indignado por essa “chica espertice” de alguém que sabe que vende milhares e que quer fazer render o “peixe” num país atolado numa crise que está a atingir sobretudo a classe que lhe compra os seus livros. Não são os intelectuais, não são os meninos de “bem”, nem são os milhares “Boys” e “Girls” e filhos destes e destas que o fazem, quem lhe compra os livros, na sua maioria, são as pessoas da classe média, precisamente aqueles que mais sofrem com uma crise que não são culpados mas que têm de pagar.


Honestamente, e para não ir mais longe, fiquei decepcionado!

domingo, 4 de novembro de 2012

Mão do Diabo (A) – José Rodrigues dos Santos



Já o referi por diversas vezes que li todos os romances de José Rodrigues dos Santos e que, a sua maioria, me agradou.

Independentemente da qualidade literária dos seus livros, isso é outra história, o certo é que o homem vende que se farta, vende mais do que qualquer outro autor português e inclusive é já nº 1 no Top da Fnac em França, logo a questão que se coloca é: porquê?

Será que os seus livros são assim tão bons ao ponto de baterem as obras dos maiores vultos literários da actualidade?

Será que os milhares de leitores que adquirem os seus livros são assim tão iletrados que só gostam de maus livros ou só adquirem um livro por ano, precisamente o dele?

Ou será que o autor sabe aproveitar o “momento” e, com uma receita tipo, consegue escrever livros onde toca em assuntos melindrosos que interessam ao comum dos mortais?

Mesmo que a resposta não esteja numa destas três questões, o certo é que aprecio os seus livros, pese embora não lhe observar qualquer qualidade literária, aliás, há algo que registo desde logo, os seus livros conseguem, a esse nível, piorar de livro para livro.

Eu aprecio porquê?

Simplesmente porque, quer os da série “Noronha”, quer os outros, têm a capacidade de me informar, de me transmitir informações reais misturadas com uma história de cordel mas que, resulta quer se queira, quer não. Quanto a mim é aí que reside o principal interesse dos livros. Há outro interesse, mas esse guardo-o para mim pois é algo que me entretenho a analisar.

Nesta sua última obra, “A Mão de Deus”, JRS volta ao seu alter-ego, Tomás Noronha, numa nova aventura em busca da verdade. E a receita é a mesmíssima das outras aventuras: um vilão que é uma alta figura da sociedade, os seus jagunços que passam o livro a correr atrás de Tomás, uma moçoila jeitosa que acompanha Tomás na aventura (e não só…) e, obviamente, as habituais situações complicadas que o nosso herói se consegue sempre safar com as habituais piadolas com pouca piada.

Claro que muitos acham este típico trama algo de irritante e muito rebuscado, tipo Dan Brown, o que de facto é, no entanto a principal diferença e aquela que me faz continuar a ler os livros de JRS é que enquanto em Dan Brown as teorias são pura especulação e ficção, nos livros de JRS é precisamente o contrário: tudo é real e, se duvidam, constatem das acusações que lhe vão fazendo quando os livros dele saem e vejam se depois, quem acusa, apresenta provas. Não, acabam por se calar.

Tomás Noronha vê-se assim no meio de mais um imbróglio e, desta vez a braços com a descoberta de um objecto que poderá expor ao mundo os meandros da alta política e os principais obreiros da crise mundial que actualmente sentimos, sobretudo na Europa.

E é dessa forma que o autor vai expondo as diversas facetas de uma crise construída com reais objectivos e que tem a sua explicação em diversos factores com pontos de união entre si.

Chegamos a conclusões terríveis assim como é espantoso perceber como se fazem certos negócios que visam comprar submarinos desnecessários, TGV’s que vão servir para nada e Aeroportos que apenas procuram encher os bolsos de alguns em prejuízo dos contribuinte. Uma teia gigantesca de corrupção com rostos bem conhecidos do presente e do passado, pois que ninguém se iluda, a crise não nasceu ontem, vem sendo criada e alimentada à muitos anos e com os resultados pretendidos.

E é aqui que reside o principal interesse desta obra. Se pretende continuar a seguir as vertiginosas aventuras dos gnomos, bruxas e afins mitológicos ou se busca um livro muito bem escrito que o delicie com as suas descrições literárias, então nem pegue neste. Agora, se se interessa pelo presente, se tem curiosidade em saber como a crise nasceu, quem e porquê a criou e para que se destina, então avance sem medos, pois de certo ficará melhor informado do que a grande maioria das pessoa e sentirá, pelo menos, algum receio pelo futuro que nos espera, isso se não emigrar para bem longe.