segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Não Fomos Nós Dois – Tiago Gonçalves
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Contos de Agora e de Outrora
domingo, 14 de março de 2010
Retalhos da Vida de um Médico – 1º Volume - Fernando Namora

Fernando Namora nasceu em 1919, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, tendo exercido nas regiões da Beira Baixa e Alentejo.
De estilo neo-realista, tem uma obra literária vasta, marcada, quase toda ela, por observações fiéis da realidade (naturalismo) e da sua experiência, e soube explorar algo que me fascina e que está ligado à corrente neo-realista: o indivíduo age conforme o meio que habita e as tradições intrínsecos a esse meio.
Publicado em 1949, este primeiro livro (Fernando Namora publicará um segundo livro em 1963) tem uma estrutura fragmentada (retalhos) onde o narrador e médico efectua um retracto social da primeira metade do séc. XX.
Sem sequência cronológica, uma espécie de contos isolados sem qualquer ligação entre si, estas histórias (verídicas), desenvolvem-se sempre de uma forma dramática em simultâneo irónica e por vezes até surpreendida, em torno da vida de um médico recem formado que se vê colocado numa aldeia no interior do Alentejo, habitado por pessoas desconfiadas e supersticiosas, crentes nas antigas mezinhas medievais e que viam no jovem doutor uma charlatão da cidade com ares de importante.
Sobressai em toda a obra uma espécie de cansaço e desilusão sobre a lorpice do povo e as dificuldades que ele sente em ser aceite e até mesmo a sua adaptação a uma dimensão diferente daquela que está habituado. Por vezes e isso sente-se nas suas palavras, parece que ainda se vive na era medieval e tudo o que é moderno está proibido de entrar. Fernando Namora é assim uma espécie de João Semana que se desloca de burro de terra em terra, socorrendo pessoas que só o chamam em última circunstância e, na maioria das vezes, quando nada há a fazer.
Pessoalmente o que me apaixonou foi a narração daquele Portugal que existia (e ainda existe) escondido, uma espécie de 5ª dimensão, perdido da civilização, onde se vivia de uma forma agreste, com honradez, mas agreste.
Uma grande obra da nossa literatura.
Classificação: 5
quinta-feira, 4 de março de 2010
Entre os Assassinatos – Aravind Adiga

Booker Prize em 2008 com o excepcional “Tigre Branco”, Aravind Adiga tem com este novo título o seu segundo livro que, uma vez mais se revela uma obra digna de figurar, certamente, nos melhores livros de 2010.
“Entre os Assassinatos” não é um romance, mas sim um conjunto de contos onde o elo, o fio condutor é a cidade imaginária de Kittur, situada na costa sudoeste da Índia, algures entre Goa e Calecute.
Para quem leu o “Tigre Branco” vai aqui achar os problemas e as questões que Aravind aponta na sua obra de estreia.
É-nos mostrada uma Índia profundamente desigual, dividida por um sem número de castas que tornam a sua sociedade altamente xenófoba e extremamente desigual. Ou seja, é uma Índia atolada em problemas sociais e religiosos que a enleiam numa teia complexa, ainda por mais atolada num sistema altamente corrupto.
Aravind é, uma vez mais, corrosivo e irónico na forma como nos vais mostrando a realidade sob ficção. O quanto estúpido e insano é o sistema há muito enraizado que apenas protege os mais ricos, os de melhor casta, tornando todos os outros nuns escravos, em lixo.
A questão das castas é simplesmente ridícula, carecendo de uma explicação que nem os indianos são capazes de dar. Obviamente que Adiga é mordaz e emprega essa mordacidade ao criar situações verdadeiramente hilariantes que nos mostram a estupidez dessa tradição. Imagine-se um sistema de castas de A a Z onde A é a casta mais alta e Z a casta mais baixa. As pessoas da casta A são arrogantes e não querem misturas com as pessoas da casta B. é tudo tão ridículo que, às tantas, deparamo-nos com um indivíduo da casta Y (apenas uma casta acima da casta Z) que é rebaixado, humilhado por todas as outras pessoas das castas mais altas. Queixa-se, amaldiçoa, etc. no entanto, logo a seguir, ele próprio humilha um individuo ou tem com ele atitudes de superioridade só porque este é da casta Z. Ridículo, mas pelos vistos representa a realidade da sociedade indiana.
Não tem o condão de surpreender nem criar o impacto do “Tigre Branco”, mas é um relato que nos mostra a verdadeira Índia, um país ancestral, que por detrás do potencial económico, é uma nação cheia de tradições estranhas, com um sistema e mentalidade altamente corrupta e onde, essas mesmas tradições, incentivam crimes contra a humanidade, mas que não vê nisso nada de anormal, sendo que a anormalidade é precisamente essa.
sábado, 30 de agosto de 2008
Fábula de La Fontaine - Jean de La Fontaine
Amigo pessoal de grande vultos da cultura francesa como Moliére e Racine, La Fontaine acaba por conseguir a protecção de Fouquet, poderoso ministro de Luís XIV (Rei Sol). No entanto, e desconhecem-se as razões, acaba por cair em desgraça alguns anos depois, sendo mesmo preso pelos mosqueteiros que tinham a capitaneá-los um tal de D’Artagnan, pelo menos é o que consta na História.
Mas tirando a sua vida pessoal que muito ainda tem para referir, La Fontaine ganhou notoriedade no seu tempo e fama para a posteridade devido às fábulas que escreveu.
Os primeiro livros de fábulas surgem em 1668 inspiradas nos textos de Esopo e Fedro, pois as fábulas remontam à antiguidade grega e até indiana, e é um tipo de narrativa alegórica em verso – ou quase sempre – que põe em evidência certas características humanas, tais como a vaidade, a arrogância, a ganância, a violência, o egoísmo, hipocrisia, etc. assim, as fábulas “pegando” nessas tais características, dão-nos uma lição moral muito simples mas cheia de significado.
E La Fontaine teve a inteligência e o bom senso de as introduzir na literatura ocidental, adaptando alguns contos populares franceses e situações correntes, ele adaptou de uma forma crítica, não raras vezes irónica mas sempre de uma forma inteligente e irreverente, irreverência essa que, curiosamente, lhe valeu o apreço de todas as classes sociais e que ainda hoje são dignas desses apreço. E é curioso analisar-se o porquê desse apreço.
Independentemente de existirem muitas outras informações, entre as quais, e é importante referir, as primeiras fábulas são escritas propositadamente para o Delfim e para as restantes crianças da côrte, La Fontaine serviu-se sempre dos animais para mostrar aos Homens a imagem da virtude, da tolice e outros “vícios” ridículos, assim como vários aspectos da própria sociedade francesa da altura, pois é facilmente perceptível algumas denúncias às misérias e abissais injustiças que pululavam na época.
Mas La Fontaine escreveu muitas fábulas. Algumas delas são bem conhecidas e ainda hoje ocupam um lugar muito especial no imaginário Humano, não apenas pela mensagem moral, como também porque facilmente as podemos empregar no nosso dia-a-dia.: ”O lobo e a raposa”; “A galinha dos ovos de ouro”; “A cigarra e a formiga”; “O leão e o rato”; “A água e a coruja”; “A rã invejosa”; “A vendedora de leite”, entre tantas outras.
Verdadeiro manancial educativo, as Fábulas de La Fontaine, que inclusivamente chegaram a ser traduzidas por Bocage, representam uma forma de sabedoria e conhecimento principalmente para os mais novos que, através de um universo aparentemente idílico, começam a conhecer o mundo e a pérfida natureza humana.
Em todas as suas fábulas podemos tirar conclusões e descobrir o que cada animal representa e o que significa cada acção e cada lógica.
É uma obra que recomendo a todos, principalmente que tiver filhos(as), sobrinhos(as), irmãos, irmãs, netos ou netas, pois assim e de uma forma simples e fácil, as crianças poderão ganhar consciência do mundo e da civilização.”
CITAÇÕES DE LA FONTAINE
”a avareza perde tudo ao pretender tudo ganhar”. “Arriscamo-nos a perder tudo quando queremos ganhar demais”.
“Quem julga caçar é caçado”.
“É um prazer dobrado enganar quem engana”.
“Paciência e tempo dão mais resultado do que força e raiva”.
“Correr não adianta. É preciso partir a tempo”.
“Todo o adulador vive à custa de quem o escuta”.
“Não julguem ninguém apenas pelas aparências”.
Umas das grandes obras literárias de sempre.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
Sabe-se que Carroll quando escreveu “Alice no País das Maravilhas”, o fez com a intenção de ser uma obra de facto dirigida às crianças e em homenagem a Alice Liddell, filha de um amigo. Curioso constatar ser Carroll um muito provável pedófilo, pois sabe-se que adorava fotografar crianças, além de as desenhar nuas cm o consentimento dos pais. É um comportamento bizarro, assim como bizarro é o mundo criado por ele em homenagens a Alice Liddell.
Alice vê passar por si um coelho branco a falar. Segue-o, acabando por entrar numa toca onde cai no vazio, surgindo então numa sala. Começa aí a aventura de Alice no País das Maravilhas onde, para além de várias situações absurdas, conhece personagens bizarras e estranhas.
É claro que Lewis pretendeu criar uma gigantesca metáfora ao mundo dos adultos. Ao mesmo tempo são várias as analogias à infância e sobretudo à fase da adolescência. Por outro lado é claro também a similaridade que existe em algumas personagens com figuras públicas da época vitoriana.
É uma obra com uma forte simbologia. Grande parte dessa simbologia escapou-me claramente, pois é perceptível que o absurdo das situações e das personagens tem algum significado mas, honestamente, desconheço.
Era uma obra que tinha curiosidade em ler, mas que admito, não gostei dada a pouca coerência e irracionalidade que a invadem. Não lhe retiro minimamente o mérito e a importância que teve e tem na literatura, mas enfim, não retirei prazer na leitura nem me ensinou nada de especial.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Meus Problemas (Os) - Miguel Esteves Cardoso

Dono de uma forma de se expressar extremamente mordaz mas bem objectiva, Esteves Cardoso era bastante corrosivo na forma como elaborava as suas análises, quer aquelas proferidas no programa de tv, quer as outras que foi escrevendo para os jornais.
E são precisamente algumas dessas crónicas, nomeadamente algumas publicadas no “Expresso” entre 1986 e 1987, numa coluna chamada “Os meus problemas”, que compõe este livro que tem tanto de brilhante como de hilariante.
Assim, este livro é simplesmente um conjunto de crónicas onde Esteves Cardoso opina sobre a forma de estar, ver e agir do povo português, evidenciando as suas mais carismáticas manias e fobias, sempre num tom irónico e mordaz.
Começando por “Cartas portuguesas”, as “classes automóveis”, “libertação dos maridos”, “a fogueira do ciúme”, “adeus, ó tchau, vai-te embora”, enfim, acreditem é dos livros mais hilariantes que já li e ao mesmo tempo, um livro que toca em vários defeitos do povo português. Pese embora as distâncias, um género de Woody Allen.
E é curioso constatar que não é necessário escrever-se livros sérios, estudos filosóficos do “ser português”, pois qualquer um em a capacidade de análise e de formar opinião, no entanto, Miguel Esteves Cardoso demonstra uma capacidade de análise que vai além dessa simplicidade, ele, para além de evidenciar alguns dos “nossos” defeitos, demonstra o quão ridículo e caricata são muitas das situações que se sucedem dia após dia e, mais importante, a gravidade e importância que se dão a essas situações.
Não sei se me fiz entender…
Demonstrando que não é necessário ser um génio despótico para se imitir qualquer tipo de análises, Esteves Cardoso lega-nos um conjunto de crónicas extremamente bem elaboradas e com alvos bem definidos.
Grandes gargalhadas que se soltam daquelas páginas.
sábado, 12 de abril de 2008
Contos - Hans Christian Andersen

sábado, 6 de outubro de 2007
Natal do sr. Scrooge (O) - Charles Dickens
Scrooge. – Disparate! Feliz Natal? Que razões tens para te sentires feliz? És pobre!..." sábado, 18 de agosto de 2007
Mil e Uma Noites (As) - Vários
As Mil e Uma Noite era daquelas obra que há muito constavam na minha lista de clássicos. No entanto e aproveitando a recente edição do Jornal de Notícias, só agora é que me lancei neste aventura de a ler, porque acreditem que é mesmo uma grande aventura ler este conjunto de contos.



