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domingo, 25 de setembro de 2016

Grandes Vidas Breves – José Jorge Letria



Nem eu sei porque continuo a escrever opiniões se ninguém as lê, pois todos estão entretidos com pokemons e facebooks, mas… ah, já sei, escrevo porque faço assim um exercício de escrita esperançado que me sirva, de algum modo, de treino para voos mais altos, mas adiante.

E de entre os vários livros que tenho lido não é que findei em dois dias este livro de biografias sobre vários personagens que deixaram marcas?

Uau, irão por certo dizer muitos”… “hum”, outros que nem sequer sabem o que são livros, mas e digo eu, pois é verdade caríssimos leitores bonecos fantasmas, aliás, esqueçam, irei falar com o meu alter ego, que vem do latim “o outro eu”, que é de facto o mais acertado.

“E porque leste este livro com quase 300 páginas?”

“Olha, porque gosto de biografias, não despendi dinheiro nenhum e porque sou um extraterrestre porque leio no mínimo 60 livros por ano, mais do que a maioria das pessoas lê em toda a sua vida.”

“Mas não tens mais nada do que fazer?”

“Ter tenho, mas leio rápido e cerca de duas horas por dia, isso é o suficiente para ler um livro de 300 páginas em dois dias. Conheço quem leia um livro de 500 páginas por dia, mas enfim, esses vêm de galáxias longínquas e não são mortais.”

“Ok chavalo, então conta lá o que achaste do livro.”

“Pois bem é um livro que narra pequeníssimas biografias de gente de vários campos que ficaram nos anais da História. Um simples ponto em comum entre todos eles, morreram todos eles antes de chegar aos 45 anos. Uns tinham 45 anos, outros 41, outros 40 e assim sucessivamente até casos em que quando faleceram tinham 19 anos.”

“Brutal chavalo!... o que são biografias?”

“… adiante, e depois, até porque o autor é português, há vários casos de portugueses que deixaram obra feita numa idade muito curta, e imagine-se, deparei-me com um caso em que fui até amigo dele e que era apenas uns anitos mais velho que eu.”

Quem, quem?”

“Jack London…”

“Foste amigo do Jack London?”

“Fui, conheci-o em 1896...”

"Ena pah, não sabia, mas quem foi o Jack Londres?”

“Esquece, vou nomear alguns nomes que surgem no livro: Jack London, Rodolfo Velentino, F. Scott Fitzgerald, Marilyn Monroe, James Dean, Elvis Presley, Elis Regina, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, António Nobre, Manuel Larenjeira, Carolina Beatriz Angelo, Kafka, Amadeo de Souza-Cardoso, Carlos Gardel, Garcia Lorca, Némirovski, Jean Vigo, Carlos Queirós, Pedro Infante, Borin Vian, Mário Lanza, Che Guevara, Carlos Paião, João Aguardela, Bernardo Sassetti, Daniel Faria, Janis Joplin, Jim Morrison, Miguel Rovisco, entre tantos outros, são no total 61 personagens cuja vida foi curta mas suficiente para deixar rasto, algo que 99% dos mortais não irão deixar. Mas não penses que este livro é grande coisa, as biografias são tão curtas, tão curtas que até tu conseguias fazer igual, bastando pesquisares na wikipédia, por exemplo?”

“zzzzzzzz… ah sim, o que é a wikipédia?”

“pois, para além disso muito interessante perceber que na cidade onde vivo viveram personagens Grandes, que me dá alento.”

“talento para quê?”

“Alento, imbecil. Alento. Para ser o maior jogador de sueca de todos os tempos. Já reparaste que há maiores do mundo para tudo, mas ninguém fala nesse jogo tão intelectual com nome de fêmea nórdica?”

“Pois é, onde posso fazer um like?”


domingo, 24 de junho de 2007

Novos Mistérios de Sintra (Os) - Vários

Um dos factos que marcou, em certa medida, o ano de 2005 no panorama literário português, foi o lançamento de uma obra assinada por sete ilustres escritores(as) da nossa praça que, um pouco à semelhança do feito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão com o seu “Mistério da Estrada de Sintra”, tentavam ou tinham a pretensão de escrever uma história entre eles.

A premissa era simples: juntar um grupo de escritores (José Fanha, José Jorge Letria, João Aguiar, Luísa Beltrão, Mário Zambujal, Rosa Lobato Faria) que se disponibilizassem a colaborar em grupo no sentido de escreverem os novos mistérios de Sintra, sendo que e numa primeira fase existiu uma reunião para se estabelecer que género de história ou mistério se iria criar, depois, cada um escreveria um capítulo, outro continuaria e assim sucessivamente.

Interessante, no mínimo!

A história é, acima de tudo, sobre Sintra e o Palácio da Vila.Sendo uma história de mistério, ou seja, onde começa por acontecer algo de misterioso no palácio, começa por ser engendrado todo um trama rico em pormenores históricos e outros de cariz policial. Obviamente que nos apercebemos de vários estilos de escrita, pois essa acaba também por ser um dos objectivos da obra.

No entanto este é um livro que me decepcionou imenso.

Primeiro porque a coerência da história e a consistência da mesma tem imensas falhas, gralhas gritantes e personagens cujas personalidades vão sendo alteradas capítulo a capítulo e, quando se olha para os nomes dos escritores, não se percebe do porquê dessas incoerências (nem nada justifica), mesmo de falta de qualidade, saltando também à vista que eles não fizeram “pontos de situação” ao longo da obra.

Outro factor que não gostei foi o de, capítulo para capítulo, novos e mais enigmáticos pormenores vão surgindo, dando a clara sensação que um escritor queria deixar a sua marca com mais um condimento. Assim e às tantas, percebe-se a imensa dificuldade em começar a explicar factos e, para borrar ainda mais, muitos desses factos são estupidamente explicados, outros são socorridos de uma forma, digamos, sui-generis, outros ainda nem explicados são. E no final, parece que eles não se entenderam com o fim e resolveram escrever quatro finais, cada um mais ridículo que o outro, um grande disparate.

Penso que este tipo de exercício se torna engraçado e até seria bastante útil esta “troca” de escrita entre escritores, mas meus amigos, tem que haver alguma consistência nas intrigas criadas, tem de haver algum trabalho de revisão por parte de todos eles, e não de qualquer maneira, dando a sensação que o que interessava era publicar o livro, que a simples menção do nome destes escritores seria o bastante para vender e ser um sucesso. Não é, e penso mesmo que este é um projecto falhado e por culpa dos escritores e do editor.