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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Cruzadas Vistas pelos Árabes (As) – Amin Maalouf


Esta obra trata-se de um ensaio histórico assente em variadíssimos documentos que Amin Maalouf analisou e todos com um ponto em comum, foram escritos por historiadores árabes.

Dessa forma o que Maalouf pretendia era o de dar a conhecer a perspetiva árabe sobre as invasões cristãs iniciadas em 1096 e terminadas em 1272, ou seja, na prática o que o autor quis mostrar foi uma visão completamente diferente daquela que é conhecida no mundo ocidental e a questão é: são assim tão diferentes.

Primeiro e depois de ler o livro, sinceramente, não me parece que as versões sejam assim tão díspares. Há factos antecedentes que o autor se esquece, propositadamente ou não, de narrar. Ele mostra a invasão cristã como algo monstruoso, mas omite as razões e sobretudo os precedentes históricos que estão por detrás dessas invasões.

Depois, salta à vista que efectivamente os árabes tinham um pavor imenso dos Franj (Francos), mas que a principal razão do fácil desbravar dos cristãos, deu-se porque os árabes se fragilizavam entre eles com tricas, e guerras que eram aproveitadas pelos ocidentais. Isso é claríssimo, pois e embora o autor tente criar dois grupos (os árabes e os cristãos), o certo é que no seio dos árabes, haviam variadíssimos povos que se gladiavam entre si. Por esse motivo, cidades caiam face ao poderio dos cristãos, sendo o povo dizimado.

Há também uma tentativa de passar uma má imagem dos cristãos. Pese embora ele admita da sua tenacidade e coragem, o certo é que vai traçando uma imagem depreciativa, abordando a pouca higiene, os modos bruscos, a sede por saques e a ignorância cultural. E isso até achei curioso, pois naquela altura, embora ao nível da medicina os árabes estarem de facto bastante à frente, os anos de ouro da civilização muçulmana já tinham terminado diante de uma religião fanática que chegou até aos nossos dias.

E por falar nisso, para terminar, arrepiou-me em constatar que de facto o Ser Humano não consegue aprender com a História, pois ao ler aqueles episódios, a similaridade com os dias actuais é assustadora, e isso é algo que se retira muito facilmente desta obra.