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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Principezinho (O) – Antoine de Saint-Exupéry


Quem é que nunca ouviu falar do “Principezinho” de Saint-Exupéry?
Decerto, mesmo aqueles que não têm hábitos literários, já ouviram falar deste livro.

Daqueles que possuem esses hábitos, quais aqueles que leram e, principalmente, conseguiram escrutinar o significado deste pequeno livro?

Tenho a certeza que alguns mas e devido ao facto de ser um livro considerado infantil, muitos quando o leram, na sua infância, juventude, não conseguiram captar a essência da obra.

O livro é muito pequeno. Pouco mais de 90 páginas e muitas das quais são apenas desenhos do próprio Saint-Exupéry. Publicado em 1943 pouco tempo antes do desaparecimento em combate de Saint-Exupéry, de uma forma muito concisa, narra a história de um menino que vive num asteróide e que um dia “cai” na terra onde conhece um adulto que se encontra no deserto a reparar o motor de um avião. Desse encontro, nascem diálogos em que a solidão e o amor são as chaves de uma fábula que, na essência, refere: “o essencial é aquilo que não se vê, é invisível aos nossos olhos”. 

Ou seja, neste pequeno mas grandioso livro, somos confrontados com o olhar de uma criança que não entende o mundo dos adultos. Um mundo subjugado pelas aparências, onde a ganância, a soberba, a vaidade, a inveja e outros adjectivos, do mundo dos adultos, são elevados a uma potência que nos toca o coração, pois são diálogos tão simples e inocentes que é impossível não fazermos uma retrospectiva e questionar: “Onde está a criança que outrora fui?”, ou, “quando foi que me transformei neste adulto sem sonhos?

E é assim que o principezinho narra as suas aventuras de asteróides em asteróides, todos eles numerados porque só assim os adultos tomam atenção, ele conhece personagens solitárias mas que exemplificam os adultos actuais: Um Rei que não tinha nenhum súbdito, era rei de ele próprio mas que pensava que reinava sobre todo o universo; Um Vaidoso que só entendia a linguagem dos elogios; Um Bêbado que bebia para esquecer que era bêbado; Um Homem de Negócios que não tinha tempo para nada, só contava, contava estrelas; Um Candeeiro de rua e um acendedor de candeeiros que não tinham qualquer utilidade; Um Ancião que escrevia pesados calhamaços de geografia, enfim, em todos os planetas, há fábulas que efectuam analogias entre o quotidiano humano e a moral e sobretudo nessa estranha capacidade que o ser humano tem em rapidamente “matar” a criança que um dia foi e, mais perigoso, impedir os seus filhos de serem crianças.

O que o autor quis efectuar com este pequeno, grande livro, foi consciencializar os adultos do constante afastamento em olharmos para as coisas simples da vida, aquilo que nos dá verdadeiramente prazer. Daqueles conceitos elitistas que nós temos bem interiorizados que nos levam a comportar-nos como seres insanos em buscas de algo que, nós próprios, nem conseguimos verbalizar. A perda da ingenuidade enquanto criança, as barreiras que nos vão sendo colocadas ao longo da vida sem que tenhamos consciência que são apenas barreiras ignóbeis e que só lá estão porque as aceitamos, a constante fuga ao prazer de pequenas coisas como, por exemplo, beber um copo de água com sede ou de ver um pôr do Sol, a sociedade preconceituosa onde vivemos e onde nos atolamos.

No fundo, o que o autor queria alertar, é o facto de não deixarmos nunca “morrer” aquela criança que um dia fomos, não impedir os nossos filhos de serem crianças, condenando-os a uma vida sem sentido, onde apenas aquilo que somos capazes de fazer conta, as aparências.

E no fim, a estocada final: Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ciência no Tempo dos nossos Avós – Ciência a Brincar 10



Este pequeno livro, pelo titulo facilmente se constata tratar-se de um livro destinado a um público mais juvenil, traz-nos algumas tradições do nosso país explicadas através de um conjunto de actividades experimentais explicadas de uma forma muito simples.

Ou seja, são aqui apresentados objectos presentes na vida portuguesa há mais de 40 anos e até alimentos como o caso de como preparar queijo usando o cardo ou salgar a carne.

Com ilustrações de crianças de 6, 7 e 8 anos, as experiencias, algumas das quais necessitam de materiais difíceis de arranjar, são explicadas passo a passo tendo como objectivo serem realizadas em casa com a ajuda dos pais.

Um livro muito interessante para despertar a curiosidade das crianças para a ciência.

Ciência Horrível – Planeta em Perigo – Nick Arnold


Antes de mais sublinho o trabalho da editora Europa-América ao publicar esta colecção “Ciência Horrível” que tenho vindo a acompanhar.

De uma forma extremamente divertida, sempre acompanhada de ilustrações de Tony de Saules, a ciência é aqui explicada a miúdos e graúdos de uma forma simples assente em números. Ou seja, os exemplos são sempre quantificados dentro de uma dimensão e comparados de forma que sintamos o impacto do que nos está a ser explicado.

Por outro lado, estes livros procuram sempre dar exemplos algo, vá lá, horríveis, até mesmo nojentos.

Incide também em várias experiencias que dão como exemplos casos imensuráveis, como “atreve-te a descobrir como derreter a Gronelândia“, ou “como destruir a civilização em 8 ½ passos fáceis”.

Concretamente o livro fala-nos essencialmente do clima e do impacto nos seres humanos. Como era há milhares de anos e como será dentro de alguns anos.

Uma colecção a reter para os mais jovens mas que não faz mal ser lida pelos mais velhos, pois assim, se calhar, irão constatar que o que anda a acontecer no planeta e com isso fazê-los pensar no futuro que o planeta nos reserva.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As Aventuras da Cadeira dos Desejos - Enid Blyton


Editora: Publicações Europa-América
Edição: 1ª Edição, Outubro 2009
Colecção: As Aventuras da Cadeira dos Desejos

As Publicações Europa-América lançam em Portugal uma colecção infanto-juvenil da autoria da multifacetada escritora britânica Enid Blyton (Os Cinco, Os Sete, Noddy) intitulada: “As Aventuras da Cadeira dos Desejos”, editando logo de início três títulos: “A Ilha das Surpresas”, “A Terra das Criaturas Míticas” e “O Mundo dos Feitiços”.

No primeiro volume da colecção “A Ilha das Surpresas”, naturalmente é-nos contado como tudo começa, como se iniciam as aventuras. Jessica e Tiago são dois irmãos, com oito e sete anos respectivamente, que acabam de mudar da cidade para uma aldeia chamada Fimundo. Aborrecidos, entretêm-se a pesquisar o jardim de casa, descobrindo, nos confins do mesmo, um velho barracão. Entram a medo e, fascinados, descobrem aquele estar cheio de objectos muito velhos e poeirentos, entre eles, uma velha cadeira de baloiço. Quando a começam a limpar, constatam estar desenhos escondidos pelo pó e é desta forma que acabam por libertar um duende chamado Desejoso que, confessa, estar desejoso de regressar a casa e à companhia do seu amigo: o criador de brinquedos.

É assim que se inicia uma aventura destinada a um público infantil, digo eu, propícia a crianças entre os 7 e os 10 anos, tendo assim uma primeira e muito interessante incursão na literatura na sua mais pura e inocente essência: a liberdade de imaginação e as imagens mágicas que esta obra proporciona.

No segundo volume, “A Terra das Criaturas Míticas”, os três amigos vão a uma estranha terra habitada por criaturas míticas, onde interagem com unicórnios, grifos e dragões. Aí são confrontados com uma doença que atinge todos os animais…

No terceiro volume, “O Mundo dos Feitiços”, os três amigos buscam nesse mundo um feitiço que ajude as rosas da sua vizinha, Mollie. Aí conhecem uma nova aventura e, no fim, são surpreendidos pela estranha história dessa vizinha…

Uns excelentes livros para se ler em voz alta a um público infantil, pois qualquer um dos livros tem imagens muito vivas, são muito expressivos e lançam a criança num mundo mágico, assim como na magia da literatura.