domingo, 4 de outubro de 2009

Da História da Destruição de Tróia - Dares Frígio



Editora: Publicações Europa-América

Edição: 1ª edição, Setembro 2009

Tradução, Estudo Introdutório e Notas: Drª Reina Marisol Troca Pereira

Inédita em Portugal, traduzida directamente do latim pela Drª Reina Marisol Troca Pereira, docente da Universidade da Beira Interior, “Da História da Destruição de Tróia” é um clássico na verdadeira acepção da palavra.

Importante ter em atenção o belíssimo Estudo Introdutório onde, assente em documentos originais e notas de autores da antiguidade, é-nos possível situar o contexto da obra quer no ao nível Histórico, quer a nível literário, pois trata-se de um texto antigo que, tudo indica, ser precedente à Ilíada de Homero.

E é incontornável não procurar semelhanças entre esta obra e a Ilíada. As personagens são praticamente as mesmas, a guerra é a mesma, no entanto aqui sobressai a total ausência de Deuses (algo que a Ilíada é tão rica).

Cerca de 1300 anos a.C, uma guerra, que irá durar pouco mais de 10 anos, eclode entre a Grécia e Tróia. Motivo? Uma mulher chamada Helena de Esparta.

Seria talvez abusivo da minha parte repetir uma história tantas vezes ouvida e cuja obra de Colleen Mccullough “A Canção de Tróia” trata magistralmente, porém em “Da História da Destruição de Tróia” existem nuances, diferenças importantes que demonstram outro ponto de vista que vão complementar a obra de Homero, é que Dares Frígio, julga-se, era troiano e é o ponto de vista troiano que esta obra nos dá a conhecer.

Não se sabe bem quem foi Dares Frígio. Julga-se, repito, tratar-se de um troiano que assistiu e participou no conflito. Pelo menos nisso acreditavam alguns escritores medievais como Chaucer, inclusivamente este acreditava que esta obra era mais autêntica do que as de Homero ou Virgílio.

A obra em si é muito simples, objectiva e cheia de informações e pormenores que de facto a tornam credível.

Aqui os deuses notam-se pela ausência e temos apenas homens que se degladiam de uma forma feroz fazendo intervalos, alguns bem longos, para tratar dos feridos e sepultar os mortos.

Os motivos são essencialmente amorosos e é curioso verificar da pouca importância da mulher na sociedade antiga mas ser precisamente assunto de saias que estão por detrás da chacina de centenas de milhares de homens. Com a sua extrema simplicidade, a obra acaba por ter momentos repetitivos, alguns parágrafos parecem cópia de outros, contudo essa repetitividade dá-nos a percepção da extrema violência com que aquela guerra foi travada.

Estamos perante um tesouro da humanidade que nos dá uma visão mais humana daquele célebre conflito. Sem poemas ou actos heróicos, percebemos que por detrás dos heróis míticos como Aquiles, Heitor, Príamo, Ájax, Agamémnon, Ulisses, Helena, Páris, Briseida ou Eneias, estão simples homens e mulheres que também têm fraquezas.

Julgo tratar-se de uma obra obrigatória para quem assume a literatura como veículo de cultura e prazer.


Classificação: 6


7 comentários:

WhiteLady3 disse...

Já havia ficado interessada neste livro quando o vi, por aqui, mencionado como uma das novidades da editora, mas a crítica ainda aguçou mais a curiosidade.

Paula disse...

Olá Iceman, estás mais uma vez de parabens por esta excelente sinopse e pela maneira que fazes referência a outras obras interligando-as.
Um abraço.

Silent Raven disse...

Olá, olá. Só para te dizer que tens um selo no meu blog. :)

Pedro disse...

Já li a "Ilíada" e gostei muito... Fiquei até bastante impressionado por, na altura, ter percebido alguma coisa, pois não duvidava que fosse demasiado novo para aquela carga. Mas nem por isso =)

Este está mais do que visto ser uma leitura obrigatória. E um 6 vindo de ti é obra.

Iceman disse...

Olá White.

O que posso adiantar mais?

Para aqueles que amam a literatura este é um livro obrigatório.

;)

Iceman disse...

Oá Paula!

Eu podia ter interligado ainda mais até com factos históricos, porém achei que iria complicar ou enfadar quem se interesse por este tipo de clássicos.

O que eu quero ressalvar é da importância desta obrea não só ao nivel histórico como também literáro, pois estamos diante de um dos primeiros escritos da humanidade.

Iceman disse...

Pedro.

Este livro tem muitos pontos de encontro com a "Iliada", há autores que defendem ter Homero baseado-se neste texto para escrever a sua obra épica.

Eu não tenho dados nenhuns para defender isso, mas o que eu sei, é que este livro, de uma forma muito simples, dá-nos uma visão claro e objectiva daqueles 10 anos que se tornaram lenda.

Acho que e conforme eu referi na opinião, este livro é um tesouro.