quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Darwínia – Robert Charles Wilson



Editora: Saída de Emergência
Edição: 1ª Edição, Setembro 2009
Tradução: Ester Cortegano

Robert Charles Wilson nasceu na Califórnia em 1953 tendo-se mudado com a família para o Canadá quando contava 9 anos, país pelo qual se naturalizou em 2007 e onde sempre viveu desde então.

Autor dedicado à ficção-científica, inicia a sua carreira literária em 1986 com a obra “A Hidden Place”, livro muito bem recebido pela crítica sendo, nesse mesmo ano, nomeado para o prestigiado Prémio “Philip K. Dick”.

Não venceu nesse ano nem em 1991 quando novo sucesso (A Bridge of Years) lhe trás nova nomeação para esse prémio, no entanto o ano de 1994 reconheceu finalmente este autor com o tão ansiado prémio mediante o livro “Mysterium”.

Desde aí Robert C. Wilson entrou na galeria dos grandes autores de ficção-científica e, em 2005, é-lhe atribuído o Prémio Hugo com o seu livro “Spin”. Talvez o prémio mais importante deste género literário.

“Darwinia”, escrito em 1998 e que lhe valeu a primeira nomeação para o Prémio Hugo, o autor cria um cenário alternativo, e radical à actual Europa.

1912, após umas misteriosas luzes que assolam o continente europeu, o resto do mundo, no dia a seguir, depara-se, horrorizado, com o desaparecimento da Europa conforme a conhecemos, ou, se quisermos, conforme existia em 1912. No entanto o continente não desaparece simplesmente. O que desaparece é a civilização e todos os seres vivos e flora, sendo substituídos por outros seres vivos e por uma outra flora completamente desconhecida no planeta.

Uma questão logo se coloca: que aconteceu aos milhões de pessoas, às cidades, aos monumentos históricos, à civilização da velha Europa?

Esta é a premissa deste livro que tem tanto de aventura como de fantasia e ficção-científica.

Eu classifico-o como uma mescla de fantasia e ficção-científica.

De inicio o livro é empolgante. Deparamo-nos com um novo mundo que substitui, diante do espanto planetário, o velho mundo. Nesta fase a aventura é pura assim como é perceptível uma semelhança na forma como os exploradores vêem aquele mundo e a forma como agem, algo tão que faz lembrar os descobrimentos europeus 400 anos antes. O universo para explorar é enorme, assim como enorme o suspense que o autor emprega em cada capítulo.

No entanto o autor nunca nos deixa esquecer que estamos diante de um livro de ficção-científica e isso é-nos revelado de uma forma repentina e brutal, sendo nessa altura possível percebermos o porquê do “Milagre” europeu.

A viragem no livro é sublime. Saímos de um cenário à Júlio Verne para entrarmos de rompante numa dimensão futurista, diria numa dimensão matrixada.

Isso, confesso, surpreendeu-me e, embora me tenha agradado dada a sua originalidade, foi aí que comecei a perder o interesse na história, simplesmente porque a história passou para uma dimensão muito fantasiosa.

Situado o “milagre” em 1912 e tendo a acção, leia-se a expedição a Darwinia, ocorrido em 1922, 10 anos depois, penso que o autor podia ter explorado melhor o contexto histórico, sobretudo após o confronto mundial de 1914-1918. Pese embora aqui e ali existam alguns laivos deste conflito, o mesmo não tem qualquer influência no desenrolar da história algo que, considero, ser uma lacuna. O mesmo se passando com a premissa inicial da obra que se perde ao longo do livro até virar uma miragem.

A parte final do livro fica longe da premissa da obra, no entanto a história ganha pontos em alguns personagens que se revelam numa das mais valias do livro tal a força de espírito e carácter que demonstram.

Embora me tenha agradado sobretudo pela sua originalidade, considero ser um livro que vai fazer as delícias dos fãs do género fantasia e ficção-científica. Porém, uma vez mais, sublinho a originalidade do argumento assim como o interesse em descobrir o que aconteceu à velha Europa, nisso tiro o meu chapéu a Robert Charles Wilson e à forma cativante como consegue criar e tornar credível esse cenário.

Classificação: 3

4 comentários:

WhiteLady3 disse...

Eu sou apreciadora de fantasia, ainda para mais quando centrada num período histórico bem defenido (por exemplo, adorei a ideia da Naomi Novik, dragões em plenas guerras napoleónicas) e começo a ter alguma curiosidade no que respeita à ficção científica, pelo que talvez dê uma hipótese a este livro.

Cristina Bernardes disse...

Mais uma vez conseguiste chamar a minha atenção para um livro... Gosto muito de fantasia...

Um beijo e até breve.

Iceman disse...

Olá WhiteLady.

Julgo que vais gostar deste livro pois, repito, considero ser um livro excelente para quem aprecia a fantasia.

Iceman disse...

Olá Cristina.

Então vais gostar deste livro, de certeza.