sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fúria Divina (A) – José Rodrigues dos Santos


José Rodrigues dos Santos, jornalista, pivot do telejornal da RTP, surgiu na ribalta literária em 2004 aquando da publicação do soberbo romance “A Filha do Capitão”. Desde logo foi capaz de criar uma enorme legião de fãs, não pela figura pública que é, mas sobretudo porque sabe como contar uma história, sabe como lançar motivos de interesse e tem uma grande capacidade de nos situar no centro da acção informando-nos, ou seja, os seus livros não são meros romances, neles há todo um vasto oceano de informações, aprendemos, é útil e, em simultâneo, diverte-nos.

O estilo é deveras simples. A escrita é corrida, trabalha bem os personagens, não lhes dá grande profundidade mas fornece-lhes carácter, situando-os nos momentos temporais em que se situa a narrativa, tornando-os um elo para explorar o contexto sociológico.

Foi assim na “Filha do Capitão” e em “A Vida num Sopro”. No entanto constatamos que José Rodrigues dos Santos escreve romances de dois estilos distintos mas com alguns elos em comum. Um, o que mais me agrada, o género Histórico, o outro, mais comercial e que melhor vende noutros mercados, o género thriller com alguns laivos de histórico.

Para este género, que muitos apelidam de Dan Brown, JRS criou no primeiro livro “Codex 632” o personagem Tomás Noronha, professor de História e criptanalista.

E é com este personagem, português de gema, que construiu quatro romances sempre com um denominador em comum: todos eles abordam aspectos preocupantes e actuais que estão na agenda dos governos de todo o mundo.

E isso sucede, uma vez mais, neste “A Fúria Divina”.

Não vou entrar em pormenores, mas JRS lança-nos uma história que é simplesmente um alerta num vasto rol de informações sobre os muçulmanos e sobretudo o fundamentalismo. Explica-nos porque é que ele existe, o que está por detrás do fanatismo, quais as fundações da religião, a sua História.

Embora não se debruce ou analise intensivamente o Alcorão, facilmente percebemos que o livro sagrado dos muçulmanos está por detrás, a sua interpretação textual ou não, dependendo do que se quer interpretar.

Esse é o principal tema do livro. Como pano de fundo, duas histórias que nos servirá para entender o porquê da Jihad, do surgimento de Mujaydin. Por um lado Ahmed, jovem egípcio que desde cedo vê alimentado o seu ódio contra os kafirun (cristãos), por outro, uma história onde Tomás Noronha é contratado para decifrar uma mensagem supostamente da Al-Qaeda.

Obviamente que sucedem as típicos perseguições, situações um pouco forçadas ou até algo estapafúrdias (penso que é o grande fraco de JRS), Tomás Noronha, embora não seja tão ingénuo como no último romance, ainda tem atitudes um pouco ridículas, mas o certo é que este livro serve muito bem o sue propósito, com ele ficamos a conhecer um pouco da religião muçulmana, da Alcorão e do que está por detrás do fundamentalismo e do seu ódio ao Ocidente.


Classificação: 5

12 comentários:

Jacqueline' disse...

Apesar da temática não me chamar por aí além, o facto de abordar um tema actual é uma mais-valia, como foi no Sétimo Selo. Por isso mesmo e agora com a tua opinião, será uma das minhas próximas aquisições.

No entanto, eu queria que o novo dele fosse género a Filha do Capitão :(

Iceman disse...

Olá Jacqueline.

Também eu e arrisco a dizer a grande maioria dos leitores portugueses de JRS preferida que o novo romance fosse do género da "Filha do Capitão" (Histórico).

Mas parece-me, por uma questão de mercado e também onde se sente mais á vontade, que os futuros livros, a sua maioria, serão deste tipo de thrillers, com ou sem Tomás Noronha.

Em todo o caso este "A Fúria Divina" é um livro que serve muitíssimo bem o propósito. Eu aprendi imenso e deu um grande gozo ler este livro.

Elijah Keat disse...

Apesar de já ter ouvido, claro, falar deste novo romance de José Rodrigues dos Santos, devo dizer que no início não me chamou a atenção, devido a uma confusão. Talvez por ter confundido com outro livro, julguei que este tratava de problemas ambientais o que, apesar de ser algo importante, não me chama nada a atenção.

Contudo depois de ter lido este post a minha curiosidade aumentou logo. Sou um admirador de História e de Religião, e adoro ler e estudar alguns derivados da religião, como o fundamentalismo e o ódio dirigido.

Tal como li o Codex 632 e A Fórmula de Deus (que adorei), possivelmente irei ler este também.

Parabéns pelo blog.

João disse...

Já tinha lido O Codex 632, A Formula de Deus e o Sétimo Selo quando li a Fúria Divina.

Adorei o Livro pois, José Rodrigues dos Santos consegue manter o leitor sempre colada á história razão pela qual que o devorei em 3 dias.

JRS mantém ao longo dos seus livros, matérias que de certa forma são complexas de entender para muitas pessoas e ele transforma aquilo em formas bastante faceis de perceber, admiro o muito porque consegue também interligar ficção com realidade de um modo que muitos escritores nao conseguem o que faz dele um dos melhores escritores de portugal.

Já para falar da historia em si, eu desconhecia pouco da vida islamica e com o livro aprendi muito mas muito mais que sabia anteriormente, ja estou a espera que saía o proximo para compra lo assim que ele vir.

João disse...

Já tinha lido O Codex 632, A Formula de Deus e o Sétimo Selo quando li a Fúria Divina.

Adorei o Livro pois, José Rodrigues dos Santos consegue manter o leitor sempre colada á história razão pela qual que o devorei em 3 dias.

JRS mantém ao longo dos seus livros, matérias que de certa forma são complexas de entender para muitas pessoas e ele transforma aquilo em formas bastante faceis de perceber, admiro o muito porque consegue também interligar ficção com realidade de um modo que muitos escritores nao conseguem o que faz dele um dos melhores escritores de portugal.

Já para falar da historia em si, eu desconhecia pouco da vida islamica e com o livro aprendi muito mas muito mais que sabia anteriormente, ja estou a espera que saía o proximo para compra lo assim que ele vir.

Dita disse...

olá Boa noite...
José Rodrigues dos Santos foi um daqueles escritores que me provocou sempre muita curiosidade, verdade que começei um pouco desmotivada, mas depois das primeiras páginas, supreendeu-me muito e devorei o livro em 2 dias, ou melhor dizendo, dias e noites lol, não larguei enquanto não acabou. Começei com A Filha do Capitão, e não parei mais, li os todos e quando surgiu Furia Divina, fui logo a correr para ter direito a primeira edição, sem duvida presenteou-nos novamente com uma exelente obra, estou maravilhada e sempre muito anciosa para uma nova obra.
Aproveito para felicitar o exelente blog, beijinho e espero vidita ;)

Iceman disse...

Olá Elijah Keat!

Se gostas de religião e de História, então estou certo que vais apreciar esta obra, pois a verdadeira mensagem desta obra é precisamente a História, ou a essência da História da religião muçulmana.

Vale a pena!

Iceman disse...

Olá João!

Sim, um dos grandes motivos de interesse nos livros de JRS é precisamente por ele tocar em assuntos algo delicados, tornando-os simples de entender.

Eu então desconhecia quase por completo as razões islâmicas.

Iceman disse...

Viva Dita!

É com muita pena minha que ainda vejo muito preconceito acerca dos livros de JRS. Noto que pelo facto de ser jornalista, pivôt do telejornal, muita gente pensar que escreve literatura de cordel.

Nada mais errado e as pessoas, por ignorância estão a perder livros onde se pode aprender e onde nos divertimos página a página.

Este é de facto mais um excelente livro. Pessoalmente prefiro quando ele envereda pelo género Histórico, em todo o caso, também eu espero ansiosamente pela sua próxima publicação e lá vou relendo os seus livros.

A filha do capitão já o li 3 vezes. O Codex e a Formula de Deus li duas vezes e quero reler ainda este ano a Vida num Sopro.

ernestobarbosa disse...

Li todos os livros do JRS à excepção de "Ilha das Trevas". A minha sugestão aos leitors é: Quem gosta de romances históricos leia "Codex 632", "Filha do Capitão" e "A Vida num Sopro"; quem se preocupa com os temas do nosso tempo, como a problemática ambiental, escassez de recursos naturais, terrorismo à escala global, etc, leia "A Fórmula de Deus", "O Sétimo Selo" e "Fúria Divina".

Sobre este último, que acabei de ler, confesso que estou estupefacto…

É mais um belo romance de JRS, na senda de outros dois anteriores (“A fórmula de Deus” e “Sétimo Selo”) com uma abordagem policial romanceada a temas preocupantes do nosso tempo. Confesso que não tinha a mais vaga ideia sobre a apologia que o “Alcorão” faz à violência e, com este romance, aprendi mais sobre o islão do que alguma vez imaginara. Mas, convém estar atento. Nestes textos ditos sagrados, tal com na “Bíblia”, é preciso ter cuidado com as interpretações que se fazem. De qualquer modo, o enredo está muito bem conseguido, prendendo o leitor ao texto, da primeira á última página, pese embora terminar de forma um pouco inesperada.

Mas não estou estupefacto por isso…

Estou estupefacto porque, ao contrário das três obras anteriores (“Codex 632”, “A Fórmula de Deus” e “Sétimo Selo”), em que o nosso herói, Tomás de Noronha, misto de James Bond/Indiana Jones, o galã português de olhos verdes (oh JRS, entre as ruivas e as louras, quem faz furor são “olhos castanhos e pretos”) mergulha de cabeça logo ao primeiro encontro, papa mulheres, como moscas o camaleão; aqui, a saga de Tomás de Noronha parece estar a caminho do fim. Então não é que as hormonas se sumiram, a libido se foi embora. Nem uma p’ra recordação. Nada!

O que se terá passado com JRS!? Que lhe terão dito os amigos!? Alguém lhe terá sussurrado “oh Zé não vás por aí, porque não convences…!”.

O JRS revelou-se um excelente escritor, abordando certos temas com mestria. Mas, sobre sexo…!? Naahh!

Para enveredar pelo tema, tem que se ter duas ou três características fundamentais (esclareço desde já que isto não é nenhum tratado, não está escrito em lado nenhum; sou eu a inventar): ser um bom escritor, ter um talento de génio e ter vivido as situações (ou a coisa soará sempre um pouco a falso). É que, por mais voltas que lhe dê, se nunca se deixou levar pela enxurrada, se nunca sentiu a emoção de mergulhar inesperadamente no vazio, logo aos primeiros sinais, como se não houvesse amanhã, será difícil escrever sobre o assunto, convencendo (admito que, raras excepções, excepcionais talentos o consigam fazer, sem nunca o ter vivenciado). E, decididamente, JRS ou não tem esse talento ou não experienciou nunca a aurora boreal.

Será que JRS nunca leu H. Miller, M. Dura, D. M. Ferreira, M. S. Tavares…

Mas, ele aqui, embora com alguma relutância, abandonou a ideia, em boa hora, acho eu… porque, nos temas que domina (e na pesquisa jornalística), ele é um mestre!

Nasdaq disse...

Não sei como é que existe gente que lê este autor.

O Sétimo Selo mais não é do que uma reunião de informação todinha retirada do livro "O Fim do Petróleo" de James Howard Kunstler.

A única diferença é que o Sétimo Selo tem uma historieta por tr´s.

Este Fúria Divina vai pelo mesmo caminho. A ideia não é original pois existe um vídeo feito desde 2008 com o nome "Fitna" e que também se opõe ao Alcorão.

Antes de mais, as pessoas deviam ler o Alcorão e só depois ler uma opinião formada sobre ele. Ou então, devem ler o livro do JRS e depois confirmar o que ele diz lendo o Alcorão.

Iceman disse...

Nasdaq,

nem todos são supra sumos da inteligência como você que só deverá ler os autores que devem ser lidos.

Isto de ler X ou Y é totalmente problema meu e reservo-me no direito de ler o que quer que seja assim como recusar ler o que quer que seja, como, por exemplo, o Alcorão que não me interesse pute.