sábado, 17 de julho de 2010

Eu, Maria Pia – Diana de Cadaval


Nos agradecimentos a autora afirma: “trata-se de um romance, logo, apesar de me ter mantido fiel a alguns acontecimentos, nomes, datas, cartas, etc., o meu objectivo não é biografar a rainha...”.

E é bom a autora ter essa afirmação porque o livro é escrito na 1ª pessoa, logo, é como se estivéssemos a ler uma longa carta da rainha.

Confesso que nunca tive uma opinião favorável de D. Maria Pia. Penúltima rainha de Portugal, mãe de D. Carlos, D. Maria Pia nasceu em Itália, sendo uma das filhas do Rei Vitor Manuel, o homem que uniu a Itália.

É curioso em toda a obra reparar, entre outros pormenores, que a vida de D. Maria Pia, embora faustosa e luxuosa, abrange uma época muito importante nas casas reias europeias. Tão simplesmente ela passa a importante fase de transição que levaram do absolutismo à monarquia constituconal e depois a repúblicas.

Nascida em 1847, Maria Pia de Sabóia foi criada numa corte luxuosa e opulente. Orfã de mãe muito cedo, via o pai, o rei Vitor Manuel, trazer-lhe ricos presentes sempre que as visitava (a ela e à irmã). Foi assim criada de uma forma mimada, protegida e pensando que a realeza era luxo e estava acima de qualquer ordem. Desde muito cedo habituada a ser o centro das atenções, Maria Pia desenvolveu um egocentrismo e uma arrogância que a faziam tratar com desdem os de mais baixa posição, vivendo numa fútil e utópica ideia de um casamento como nos contos de fadas.

Em rifa caiu-lhe D. Luís I, Rei de Portugal e mais velho 10 anos. Com apenas 15 anos vê-se casada com um homem mais velho, mas que era carinhoso, dedicado e que demonstrava, amiúdas vezes, o seu amor.

Obviamente conforme a autora no fim afirma, trata-se de um romance, porém é impossível não lermos o livros como se de um manual de História se trata-se. Os diálogos e pensamentos íntimos são romanceados, mas os acontecimentos não. Nesse aspecto a autora demonstra exactidão e ter excelentes conhecimentos da História.

Outro aspecto positivo é a forma como conseguimos perceber e acompanhar a mudança da rainha. Embora arrogante quanto à sua condição, já em Portugal demonstra ter um coração de ouro que valem a fama que perdura até aos dias de hoje, criando uma série de instituições de apoio social, Maria Pia tentou assim desenvolver o país e ajudar o povo, pois desde cedo percebeu da enorme pobreza e miséria que grassava no país.

As histórias de ser gastadora e de fazer compras em Paris não olhando a gastos são verdade, mas têm uma lógica e uma explicação que a autora nos dá a conhecer.

Como aspecto menos positivo, penso que a autora tinha matérias para desenvolver. O livro torna-se pequeno e várias vezes, entre capítulos, dá saltos temporais muito grandes. Outro aspecto que achei menos positivo foi o de surgir interpretações que discordam de outras. Nomeadamente no aspecto do relacionamento, no fim, entre a rainha e o rei. Sabe-se que eles não se davam bem, que ele tinha amantes e que D. Maria Pia não lhe perdoou isso, no entanto aqui a rainha tem uma reacção mais branda. Onde se situava a verdade?

No entanto isso não chega para desilustrar uma excelente obra que nos dá a conhecer uma rainha que, sendo estrangeira, adoptou Portugal como sua pátria e que procurou criar condições para ajudar e proteger os mais necessitados. Gostava tanto de Portugal que, quando fechou os olhos, o seu último pedido, feito a D. Afonso, seu filho e irmão de D. Carlos, foi que a virasse na direcção de Portugal.

3 comentários:

Patrícia disse...

olá
Ora aqui está um livro que deve ser interessante e que me ajudaria a colmatar uma certa falta de conhecimento relativo à história de Portugal...
Obrigada pela sugestão
boas leituras

Carlinha disse...

Tenho muita curiosidade sobre este livro, e agora ainda mais.
Boas leituras:)

Iceman disse...

Viva.

Apenas posso referir que esta obra vale a pena ser lida.