domingo, 10 de outubro de 2010

Os Thibault – Roger Martin du Gard (DESISTÊNCIA)


Adoro ler obras que são consideradas clássicos.

Em todas elas acabo por entender do porquê dessa apreciação, efectuando sempre leituras atentas, vivendo a época em questão.

Em muitas delas fiz amigos aos quais já voltei em algumas ocasiões como é o caso de “Guera e Paz”, “Crime e Castigo”, “D. Quixote”, “Os Maias”, “Conde de Monte Cristo”, “Os Miseráveis”, entre outros. A eles voltei sempre com alegria, sendo que há uns que já os reli por cinco vezes.

Os Thibault é considerado a obra prima de Roger Martin du Gard (1881-1958), Prémio Nobel em 1937, hoje em dia autor esquecido.

Ouvi falar desta obra por intermédio de um idoso que leu milhares de livros em toda a sua vida e que, dono de uma bagagem literária enorme, afirmava ser os Thibault um dos livros da sua vida.

Encetei então uma procura da obra, descobrindo a mesma ter sido editada em Portugal pela editora Livros do Brasil entre 1960 e 1965 e depois reeditada em 1982. Contactei a editora e, debalde, apenas me arranjavam o 3º volume.

Passei então ao contacto com alfarrabistas e, algumas semana depois, eis que um alfarrabista do Porto me contacta informando que possui os 3 volumes em estado algo debilitado e, mesmo nesse estado, iniciei a sua leitura assim que os fui levantar aos correios.

O entusiasmo foi-se esfumando logo nas primeiras páginas e, julgando ser do momento, resolvi parar e guardar a leitura para um dia em que me sentisse ainda mais entusiasmado.

Três anos depois, mais concretamente na semana passada, voltei a pegar na obra e, 200 páginas depois (de 400 e tal) desisti.

Por norma é raro desistir de algum livro. Já o tenho feito, mas e mesmo que não esteja a gostar, vou intervalando com outros livros. Este primeiro volume dos Thibault simplesmente não consegui tal o enfado que me estava a provocar.

A história começa em França (Paris) no final da primeira década do séc. XX e é suposto narrar a sociedade da altura retractada nas famílias Thibault e Fontanin.

A narrativa é muito parada, deslocando-se praticamente entre as habitações destas famílias em diálogos que não levam a lado nenhum, denotando sim uma grande componente religiosa e, para minha surpresa, uma forte alusão ao homossexualismo.

De resto pouco ou nada se vai passando, pouco ou nada se desenvolve.

Estou certo que uma obra que ultrapassa as 1000 páginas deve conter alguma beleza e mensagens que faz dela um clássico, no entanto não é agora que vou descobrir, talvez o faça daqui a uns 30 anos, mas não agora.

8 comentários:

WhiteLady3 disse...

É com pena que leio sobre a desistência. Tomei conhecimento do livro através de uma mini-série ou telefilme que deu há alguns anos na RTP1 e realmente era um pouco parado, mas achei que o livro (tal como acontece na maioria das vezes) fosse melhor. Talvez venha a ler, nem que seja para experimentar, mas com esta crítica fico um pouco de pé atrás.

Iceman disse...

Olá White!

Confesso que as minhas expectativas eram altas. Juro que li devagar, tentando absorver a obra e entender o fulcro da história, mas chegou a uma certa altura que me questionei do porquê de estar a ler algo que não levava a lado nenhum e, perdoem-me os apreciadores da obra, de uma futilidade que até mete impressão?
Com tantos livros que tenho para ler, e não fazendo mal a ninguém para estar a aturar aquilo, resolvi deixar à página 200 e picos.
No entanto e se tiveres a obra contigo, experimenta, pode ser que vejas a beleza da obra e assim até me convencer a reiniciar a leitura.

Manuel Cardoso disse...

É isso mesmo, Iceman; os clássicos devem servir para nos DAR algo e não para que sacrifiquemos o nosso tempo e paciência (para isso já tivemos a nossa dose de livros escolares :)
Não li esse livro nem nada desse autor, mas acho que iria fazer como tu: abandonar. Mais vale ler as aventuras do Flshman que, via agora no teu blogue, vão ter continuação :)
Um abraço!

Iceman disse...

Viva Manuel.

Completamente de acordo com o que dizes. Eu costumo dizer que ler tem de ser um acto de prazer e não enfado e/ou obrigação.

Em relação ao Flashman já o tenho, estou ansioso confesso, mas agora quero acabar os dois que me pus a ler e que estou a adorar.

Um abraço!

Mário Vasconcelos disse...

A propósito dos Thibault. Falta-me o 1º volume que perdi numa transferência da minha biblioteca de um local para outro. Já que não gostou faço-leste pedido: Não quer enviar-mo? É que eu tenho um grande apreço por este notável romance, que li por duas vezes e gostava de um ter completop. Muito obrigado.
Mário de Vasconcelos (Móvel 917526038)

R Almeida disse...

Tive o prazer de ler a obra completa quando tinha 15 anos e gostei. Foi-me emprestada por um colega de liceu e amigo e passados mais de 40 anos ainda sinto curiosidade em voltar a lê-la. Esse meu amigo ainda é pessoa das minhas relações mas sei que já não faz parte da sua biblioteca.

http://ForumVital.blogspot.com disse...

olá

Saudações

Os Thibault, Volumes I & II - Editora Livraria do Globo, Porto Alegre RS 1943.

* OBS; em visita a UM LOCAL DE DESCARTE DE RESÍDUOS (irregular) achei estes DOIS VOLUMES, em estado muito ruím, Molhados, com as Capas Soltando, com um pouco de Mofo,...MAS; como sou Ativista Sobre Patrimônios Históricos e dados Pertinentes Recolhi os Livros sem ter Conhecimento de Qual era seu Conteúdo, coloquei os a Secar, removi o Mofo,...Já esta em Condições de Leitura, ENTÃO; fui pesquisar de que se tratava e ENCONTREI ESTE BLOG, Parabéns a todos, ENTÃO NÃO PERDI MEU TEMPO EM RECUPERAR ESTAS ANTIGUIDADES.- Eduíno de Mattos Porto Alegre RS Brasil, rioguahyba@gmail.com

LdS disse...

Não compartilhando, mas entendendo, algumas apreciaçóes aqui constantes sobre a obra, declaro estar comprador dela, na totalidade da sua tradução e edição portuguesa, e só esperar que possa reaparecer a breve trecho nas mostras das livrarias, já que parece ter sido finalmente vencida a paralisia que a situação da editora (e detentora de direitos) veio originar. Entretanto resta-nos o Brasil e a França, sem esquecer que do próprio Francês que para nós foi língua de cultura, de recurso e de resistência nos vamos entretanto afastando.