sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu e os livros

Gostei imenso da ideia da WhiteLady, seguida depois pela CatSaDiablo, Tchetcha e Charlotte, sobre as suas histórias com os livros, revendo-me em algumas coisas que disseram. Assim, é com enorme prazer que recordo a minha vida com os livros.

O gosto pelos livros, assumo-me como um bibliómano, já vem nos genes, pois o meu pai e a minha tia, irmã do meu pai, sempre foram leitores ávidos desde crianças e transmitiram esse gosto a outros membros da família, entre os quais, myself.

Desde criança que me habituei a ver muitos livros pela casa e uma das minhas primeiras recordações apontam para alguns domingos de manhã onde o meu pai passava horas a limpar as estantes enquanto amontoava os seus livros em pilhas.

Confesso que não me recordo dos meus primeiros livros, daqueles infantis, não me recordo. A minha primeira recordação de querer ler algo, reporta-se à primária (3ª classe), quando o prémio para quem acabasse primeiro os problemas de matemática era ir para a biblioteca e escolher o livro que quisesse ler/desfolhar. Recordo-me de querer acabar depressa e, se não fosse o primeiro, “rezar” para que o meu livro preferido estivesse ainda na estante, livro esse que, por saudosismo, o comprei quando comecei a trabalhar: O Livro dos Porquês.

É já na Preparatória, logo com uns 10, 11 anos, que comecei a coleccionar e a ler tudo o que conseguia apanhar da Disney (Mickey, Tio Patinhas, Donald, etc), ainda naqueles almanaques de português com sotaque, os álbuns do Mandrake e do Fantasma.

O que me recordo bem é da altura em que dou o salto para outro tipo de livros, infantis é certo, mas é no Verão em que faço 13 anos (tenho a certeza disso por causa das datas nas capas dos livros) que leio, no espaço de dois meses, toda a colecção dos “Cinco” ao desafio com um primo, logo seguida de vários números dos “Sete” e uma colecção do meu pai (que ainda a tem) de clássicos do cinema, como “Os Vikings” ou “Scaramouche”.

No entanto considero que é aos 15, 16 anos que definitivamente me considero um leitor ávido de ler e ler. Descubro “O Conde de Monte Cristo”, livro que irá ocupar o lugar de nº 1 durante muitos anos, sendo que ainda hoje ocupa um lugar muito especial no rol dos meus favoritos. Devorei os quatro volumes no espaço de uma semana e desejei descobrir obras semelhantes.

Nunca mais parei desde aí.

Obviamente que os estudos e a minha vida particular sempre me tiraram tempo para ler, algo normal, pois considero-me um leitor, mas não gosto nem quero ser consumido pela leitura, mas desde a adolescência que comecei a ler com uma regularidade muito boa. Muito cedo descobri mestre Eça de Queirós e o seu maravilhoso “Os Maias” (já o li cinco vezes), a obra de José Saramago ainda antes de ser Nobel e muitos clássicos. Antes dos 20 anos já tinha lido “D. Quixote”, “Os Miseráveis”, “Servidão Humana”, “David Copperfield”, a maior parte da obra de Shakespeare, sei lá, tanta coisa que fui lendo.

Também me apaixonei pela “Saga dos Filhos da Terra”, mas é curioso verificar que foi já depois do ano 2000 que assumi a minha preferência pelo Romance Histórico depois de ler, a primeira vez, “Guerra e Paz”, o Livro, como lhe costumo chamar.

Descubro Bernard Cornwell (talvez o meu autor preferido a par com Cormac McCarthy), no entanto é-me muito difícil conseguir traçar, com rigor, todo um trajecto da minha relação com os livros. Muito me escapa e tenho a certeza que me esqueço de muita coisa que fiz e li, no entanto ler é um prazer assim como é com prazer que volto a alguns livros e alguns autores, um pouco como voltar a encontrar grandes amigos.

Hoje em dia procuro ser mais selecto no que leio.

Tento não perder tempo com livros que não gosto, desistindo sempre que me enfada e que nada me diz, pois o tempo é pouco e, sem querer tirar o valor à obra em si, o certo é que, simplesmente, não estou obrigado a ler o que não gosto.

Procuro incentivar o gosto pela leitura à minha filha, lendo-lhe em voz alta, indo a bibliotecas e livrarias, comprando-lhe os livros que ela deseja, mas, sobretudo gosto dos livros, de os folhear, cheirar e vê-los como aqueles amigos sempre fiéis, que nunca nos desiludem.

6 comentários:

WhiteLady3 disse...

ler tudo o que conseguia apanhar da Disney (Mickey, Tio Patinhas, Donald, etc), ainda naqueles almanaques de português com sotaque
Também li, mas eram dos meus tios! :D É engraçado ouvi-los contar histórias de como iam a pé para a escola para pouparem o dinheiro do transporte para esses almanaques (já a minha mãe nessa época poupava para chocolates, a gulosa :P ).

Agradeço imenso que te tenhas apaixonado pela Saga dos Filhos da Terra, deu o empurrão que faltava para adquirir os livros (já só me falta 1 e o que está para ser publicado em inglês!) e até a minha mãe está ansiosa por ter um pouco mais de tempo e lhes pegar.

Adorei ler a tua história. :)

Iceman disse...

Não posso precisar bem, mas sei que saia um almanaque de 15 em 15 dias ou semanalmente, não me recordo. Lembro-me é dos choradinhos à minha mãe e de ela se queixar que era caro (uns 12$50), mas acabava quase sempre por comprar.

A Saga dos Filhos da Terra adorei lei. O primeiro e o segundo volume são excepcionais, depois há o 3º volume (editados em dois volumes) que se lê bem, são interessantes, O 4º volume confesso que não gostei (também em dois volumes), achei que a autora já arrastava muito a história.

Posteriormente li algures que a história continua, o que faz sentido pela forma como termina o último livro que li, porém nunca mais olhei para a possibilidade de continuar a saga.

WhiteLady3 disse...

Falta-me o 1º volume do 4º livro, mas se não estou em erro há na biblioteca pelo que planeio ler tudo de seguida. Lembro-me de comentares que a história se arrastava, o que esfriou um pouco o meu ânimo, mas a curiosidade é muita sobretudo por ter ouvido falar muito bem da maneira como a autora reconstrói a sociedade e costumes pré-históricos, o que foi muito apreciado por uma colega da faculdade. Verdade seja dita, não tenho lido muitos comentários ao último livro, mas às vezes é bom não ter grandes expectativas, algumas já sairam furadas.

slayra disse...

Eu também comprava desses almanaques mas confesso que já não eram muito fáceis de encontrar... o que estava na moda nesses tempos, era a Mónica (ou Mônica, lol), o Cebolinha, o Cascão. :D

LAURA MONTEIRO disse...

Estou estupefacto!
Nao imaginava ler algo tão íntimo no seu blog. Não o condeno até acho um acto de amizade para seus "seguidores". Nao sou uma leitora como deveria, mas tento obter uma leitura da vida que é me mostrada todos os dias que livro nenhum poderá me ensinar.Gosto do cheiro, do toque, de ouvir, de sentir. Sou sua admiradora, pois sei tamanho apreço que tem pelos livros e desejo sinceramente que sinta realizado em ler tantos livros(de pesos ou nao!).Parabens pelo seu blog que me encanta todos os dias que me faz pensar e acreditar que a vida está aí pronta para nos abraçar, basta querer e aceitar.
Boas leituras :-)

Cat SaDiablo disse...

Gostei imenso da tua história, obrigada por partilhares :)
Também lia os almanaques da Disney, que já eram do meu pai e dos seu irmão mais velho, e tinham sido dos meus primos mais velhos antes de passarem para as minhas mãos.

Mais uma vez, não me canso de repetir que apesar de serem todas diferentes, todas estas histórias que partilhamos têm algo em comum. Começo a ver um padrão interessante, sob a forma do Conde de Monte Cristo, que parece ter sido marcante para todos nós (e para gerações e gerações de leitores ao longo do tempo).