terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ladrão de Túmulos (O) – António Cabanas


Extraordinário!

Cerca de 1200 a.C., Ramsés III, o segundo faraó da XX dinastia egípcia e considerado o último grande faraó do Império Novo, reina um imenso e respeitado império que se vê constantemente ameaçado por invasões.

Ficando para a História como um brilhante estratega, foi sob o seu reinado que aconteceram duas importantes e violentas batalhas que trouxeram paz, no entanto, é também no seu reinado que a decadência do império se torna visível face à cada vez maior influência da classe sacerdotal de Amón que acaba por tomar o poder através de Herihor, elevado a faraó no ano 1080 a.C, pouco mais de cem anos após Ramsés III.

A história da obra situa-se no reinado de Ramsés III e o autor leva a cabo uma descrição exaustiva e fascinante da civilização egípcia e, principalmente, do povo, gente comum, pobre, temente aos imensos deuses que povoavam o panteão egípcio.

Só por essa razão o livro teria todo o meu destaque, pois desconheço se algum autor alguma vez teve a coragem de tentar recriar uma sociedade com 3200 anos de antiguidade. No entanto, hoje em dia há um excelente conhecimento sobre o modo de vida, usos e costumes de todas as classes sociais, e o autor utiliza com mestria esses conhecimentos, transportando-nos a uma época nos primórdios da civilização.

Mas Cabanas consegue ir mais longe; para além de traçar um brilhante trama que mistura policial, drama e aventura, ainda nos brinda com um infindável número de informações acerca das crenças, dos deuses e da vida militar que explicam como Ramsés III conseguiu debelar perigosas invasões.

O único senão que achei na obra, mas que não impediu que eu devorasse o livro em dois dias, é a inverosímil relação de amizade entre um dos príncipes e um dos protagonistas da história.

Numa escrita cativante, o autor delineia um fresco do grande Império egípcio quando já se sentiam alguns ventos de mudança assentes em sinais de decadência. Até isso é explorado, fazendo-nos entender do porquê da progressiva queda.

3 comentários:

WhiteLady3 disse...

Eu gostei bastante dos livros do Christian Jacques. Não sei até que ponto é verídico, mas gostei e pareceu-me credível o retrato que faz do dia-a-dia egípcio. :)

Vou manter este debaixo de olho.

tonsdeazul disse...

Fiquei entusiasmada com estas tuas palavras! ;)

Anna disse...

Gosto deste tipo de assunto.
Um tempo atrás assisti um documentário sobre a dinastia egípcia e nas considerações finais foi mencionado este livro de Antonio Cabanas.
Comentei com um amigo que curte o assunto, ele havia lido e disse ter gostado muito da leitura.
Bem, um dia pego emprestado para lê-lo!