quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Brisa Oriente (A) – Paloma Sanchez-Garnica

Dividido em dois volumes, o contexto de ”A Brisa do Oriente” situa-nos em 1204 na altura precisa em que a Quarta Cruzada toma e saqueia Constantinopla aos muçulmanos. Nessa cruzada, vai Umberto de Quéribus, jovem monge de Cister que acompanha o seu abade na suposta envangelização dessa cidade infiel.

A descrição dessa invasão é impressionante pela crueldade. A cidade é saqueada durante 3 dias. A matança é perturbadora, assim como as violações que sucedem em qualquer lado e sem qualquer tipo de pejo. Matam e destroem monumentos, estátuas e mosaicos antiquíssimos, enquanto pilham tesouros e relíquias de uma forma insaciável sem qualquer tipo de respeito pela suposta filosofia que antecede o apelo dessa Cruzada em 1198, tornando-se numa vergonha para os cristãos. Nunca mais esta fabulosa cidade da Antiguidade se conseguiu recompor.

Umberto vê-se no meio dessa loucura e fica extremamente desiludido pela acção dos cristãos e, principalmente, pela crueldade e ganância do seu Abade que ele considerava imaculado. Nasce aí uma nova percepção do mundo que o rodeia.

Antes de mais, quero exprimir o meu fascínio pela escrita de Paloma Sanchez-Garnica. Li o seu primeiro, e penso que até agora único livro “A Alma das Pedras” e fiquei encantado pela forma viva como a autora conseguiu construir a época e neste livro repete a dose.

Pese embora esteja a gostar imenso do percurso de Umberto, confesso que é a época que a autora consegue criar que me cativa. Uma época marcada pela violência, ausência de valores éticos e morais, onde as pessoas pertenciam aos seus senhores que tinham sobre elas o poder da vida e da morte e onde o clero subjugava e ameaçava tudo e todos. A autora desenha-nos um quotidiano muito intenso, ao ponto de quase sentirmos os sons e os cheiros. É exímia na descrição dos factos. Sem ser muito minuciosa e descritiva (o suficiente), relaciona os acontecimentos de uma forma diria natural, sem qualquer elemento forçado e isso foi algo que notei uma clara evolução, pois enquanto no seu anterior romance achei a história ou elementos da história um pouco forçados, aqui isso diminui imenso e há apenas alguns casos que carecem de alguma justificação ou, se quiserem, de melhor explicação.

No entanto este é o primeiro volume de dois e aguardo ansiosamente o segundo de forma a saber o que será feito de Umberto e se o mesmo atingirá os seus objectivos

Um livro excelente que me deu imenso prazer ler e que me fez sentir presente numa época que muito admiro, algo que raramente acontece nos muitos romances históricos que li.

2 comentários:

Helena disse...

Olá!

Parece ser muito interessante! Estava querendo ler essa série faz um tempinho e agora acho que vou ler =D Quando eu for à portugal irei comprar ^^ sem duvida =D

Iceman disse...

Oá Helena.

Sinceramente está a ser o melhor romance histórico que li nos últimos anos.

Aconselho sem receios!