segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Pior Livro - Rua dos Anjos de Vítor Burity da Silva


Esta semana convidei o meu amigo Pedro do blog "O Cantinho do Bookaholic", não só um dos blogues que eu sigo como também um dos melhores amigos que a blogosfera me proporcionou e uma das pessoas que mais respeito e o Pedro sabe disso porque já lho disse. Grande Pedro! :)

Eis a sua opinião sobre o Pior Livro que leu até à data.
O Pior Livro

"O pior livro que já li foi “Rua dos Anjos”, de Vítor Burity da Silva. Não posso dizer que este livro tenha sido um completo desperdício de tempo e que me tenha arrependido de pegar nele, porque felizmente demorei menos de duas horas a lê-lo.

Entrei nesta leitura com alguma expectativa. Parecia-me algo triste, mas poético. A própria capa, que adoro, transmite-me isso.


Mas, à medida que ia avançando as páginas, apenas uma coisa me vinha a cabeça: quem achou interesse algum em publicar este livro?

Começa por ser a história de um sem-abrigo bastante sonhador mas, poucas páginas depois, nem se percebe do que se está a falar. Este parece-me ser um exemplo típico de escrita muito bonita, muito floreada, com todo o tipo de expressões muito poéticas e palavras muito pensadas, mas absolutamente oco, sem dizer absolutamente nada. É como deitar cá para fora um montão de palavras e ordená-las de forma a fazer sentido nenhum. Não sei, sinceramente, qual o interesse em ler 70 páginas disto. “Mas que poético, que profundo”, dirão alguns, quando na verdade não há rigorosamente nada a apontar. 


Um livro não se faz apenas por pegar em palavras e ordená-las de forma muito bonita. Mesmo que não seja objectivo do livro debruçar-se sobre uma história em concreto, é preciso uma ideia, um sentido, por muito surreal que seja. E aqui não há nada disso.

Todo o livro é uma espécie de divagação (do sem-abrigo, que entretanto começa a falar com uma mulher bastante enigmática também), que alterna entre a realidade e o sonho. Mas infelizmente parece que não traz consigo qualquer significado de seja o que for. Se se começa a desenvolver uma ideia, nunca se chega a acabá-la, pouco depois está-se a contradizê-la, e assim se desenvolve uma discussão… que nada discute.

É um livro absurdo, sem qualquer sentido. Quando o acabei de ler, ainda considerei relê-lo e tentar apreciar melhor. Tentei e a conclusão é simples: nunca mais."


3 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Assustador. :)
Achei piada o Pedro ter considerado reler :)
Também já vi livros assim, que parecem convidar ao comentário "Que profundo"...
tão profundo que a gente escava, escava, escava e nunca encontra nada...

Iceman disse...

Sim, é uma característica do Pedro. Embora não goste, e recordo-me por exemplo das Memórias de Adriano, ele coloca sempre a hipótese de um dia lhe dar uma nova oportunidade.

Pedro disse...

Mais uma vez, obrigado pelo convite, e mais uma vez obrigado pelas sempre generosas palavras, subscrevo! =)

Nós crescemos e um livro também cresce... Portanto, porquê não pensar em reler? Pelo menos uma vez na vida!

Realmente, eu odiei Memórias de Adriano, verdadeiro tormento. Mas ponho em hipótese um dia, daqui a uns 20 anos, voltar a pegar nele. Não fui capaz de me interessar pelo livro (curiosamente, Yourcenar escreveu numa das suas notas que este livro foi escrito sobretudo para si própria), mas ainda acredito que um dia vou conseguir ler a obra-prima que todos elogiam...

"Rua dos Anjos" reli mais para escrever esta pequena crítica. Que nunca mais me cruze com uma coisa assim.