domingo, 21 de junho de 2015

Diz-se que a Feira do Livro de Lisboa

foi este ano bem melhor, ao nível das vendas, do que em 2014.

Num artigo do jornal "O público" são questionadas várias editoras, as maiores, claro, sem que nenhuma delas avance com valores facturados.

Sim senhor, clap! clap! O pessoal, agora que a crise acabou, volta a comprar à maluca e em 2016 ainda vai ser melhor. 

Mas nesse mesmo artigo não se menciona os alfarrabistas, os verdadeiros amantes do livro e aqueles que mereciam destaque, pois são cada vez menos e os únicos que percebem que um livro é algo mais do que uma mercadoria.

Aliás (um pequeno à parte), gostava de saber quais os critérios de contratação dos funcionários que se encontram nas barraquitas das editoras (muitos que lá se encontram há anos), pois a maioria percebe muito pouco do que é suposto estar a vender, mas enfim, factor C e carinhas larocas.

Mas e voltando aos Alfarrabistas, cheira-me que para estes não correu melhor do que no ano passado. Qualquer dia, para além das barraquinhas das farturas, cachorros quentes, hamburgues, gelados e afins fast-foodiano anafados, teremos apenas as barraquitas das grandes editoras e grupos editoriais com os seus "leve 3 e pague 2".

sábado, 20 de junho de 2015

Segundo Varoufakis

o atual ministro das Finanças do Governo Tsipra, se a Grécia sair do Euro a seguir sairá Portugal e depois a Itália.

Pessoalmente, digo: "força, quero lá saber." (para não dizer outra expressão mais vernácula).

Sei que durante alguns anos será complicado, mas estou farto de ver o país refém das instâncias internacionais que nos andam a sugar até ao tutano sem que consigamos ver qualquer evolução, pois e após resgate após resgate, mesmo depois de pagarmos com juros, continuamos com essa ameaça. Por isso, quanto mais cedo sairmos, mais cedo resolveremos esta situação.

Ponham os olhos na Islândia. Sei que não temos a mentalidade deles, mas pelo menos serve de estudo de caso para que os nossos incompetentes políticos possam se entreter a analisar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Dispara, Eu Já Estou Morto – Júlia Navarro



Nesse seu último romance, Júlia Navarro, que já percebi ter um estilo ou seguir uma forma de estrutura literária muito semelhante em todos os seus livros, vai novamente buscar a problemática do fanatismo e intolerância religiosa (já levantada no livro “O Sangue dos Inocentes”), erigindo um excelente romance histórico que nos dá uma clara percepção do problema Israel/Arabe/Palestina e sobretudo narra-nos como tudo começou e porque chegou ao estado actual.

E, pese embora ela dê vários saltos temporais como forma de nos situar, a verdade é que todos eles ligam muito bem, sendo, desta forma e na minha opinião, o melhor romance desta escritora, porque e embora possamos considerar num estilo algo light, a verdade é que, para além de nos entreter, vai-nos dando autênticas lições de História que nos fazem perceber a situação actual e do passado.

E a narrativa inicia-se na Rússia do final do século XIX quando os pogroms varreram a comunidade judaica nesse imenso país. É aqui que a imigração judaica, a grande maioria obviamente forçada, tem inicio e que mais tarde vão acabar por confluir na sua terra prometida: Israel. Muitos judeus conseguiam fugir com muito da sua riqueza e quando chegavam a Israel uniam-se em comunidades (kibutz), comprando essas terras aos próprios palestinianos que, sedentos de riqueza, as vendiam sem querer saber que futuro estavam a traçar. Essas comunidades, que eram erigidas junto a terras ocupadas por palestinianos, obviamente que floresciam fruto do trabalho conjunto da comunidade e rapidamente se sobrepunham em riquezas o que acabava por originar um mal estar junto dos palestinianos que, aos poucos, começaram a olhar para essas comunidades com inveja e temor. 

Após o fim da Segunda Guerra, os Judeus fartos de serem perseguidos e assassinados ao longo da História, iniciam uma enorme diáspora para Israel e é a partir daí que, definitivamente, tudo começa a descambar na violência que chegou até aos nossos dias.

A autora consegue traçar-nos todo este percurso assente numa série de personagens de fortíssimo caracter que nos fazem ver e sentir ambas as partes do conflito, pois e note-se, ela nunca toma o partido de ninguém, limita-se a colocar os factos de ambos os lados do problema, deixando para o leitor as conclusões que se devem, ou não, tirar.

Foi um livro que me deu imenso prazer ler, pese embora tenha achado alguns pontos que me tenham desagradado e que, depois ter já ter lido três livros de Navarro, penso ser algo onde ela tem de trabalhar mais arduamente. Ou seja, na ânsia de narrar um conjunto enorme de eventos, ela vai deixando muitas pontas soltas que, simplesmente, não se dá ao trabalho de as colar. Houve acontecimentos que me deixaram estarrecidos e que julguei ir ler mais à frente o seu epilogo e, debalde, continuo à espera…

Folgo em ver que Júlia Navarro enveredou definitivamente por este estilo de romances, pois penso que tem muito mais a dar à literatura com este estilo do que com os romances policiais que antes escrevia. Faço tenções de ler o seu grande sucesso policial, mas este é um estilo onde ela acaba por aliar o histórico com o policial, revelando-se uma autora de leitura compulsiva cujos romances possuem um conteúdo muito interessante.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sangue dos Inocentes (O) – Júlia Navarro


Sou espião e tenho medo...

Assim começa uma obra que prometia muito mas que nos deixa com uma sensação que podia ser melhor explorada, não apenas ao nível do seu conteúdo narrativo, como igualmente ao nível do conteúdo histórico que, quanto a mim, podia e devia ter sido melhor aproveitado.

Mas vamos por partes.

A premissa deste terceiro título de Júlia Navarro, que é uma verdadeira campeã de best-sellers e que eu, confesso, apreciei os dois romances que havia lido para além deste, é bastante apelativo o que, por si só, me fez pegar no livro.

A autora começa por nos situar no século XIII aquando do cerco de Montsegur pelos Cruzados. Utilizando um personagem fictícia que serve de fio condutor a toda a narrativa (Frei Julián), as primeiras páginas são bastante empolgantes e de leitura compulsiva. A partir de uma certa altura, a autora dá um salto temporal até 1939 onde nos deparamos com um investigador que tem acesso à crónica de Frei Julián. Estava-se em pleno início da Segunda Guerra, numa Europa profundamente dividida que deixava antever o terror que aí vinha. Essa Segunda parte também gostei bastante, sobretudo do personagem do investigador que analisa a fundo a crónica de Frei Julián. Posteriormente novo salto temporal e, já nos nossos dias, a autora, obviamente tendo como elo de ligação, embora já algo ténue, a tal crónica do século XIII, dá-nos uma perspectiva de vários atentados que estão a ser planeados por grupos extremistas árabes e também por alguém que pretende vingar o sangue dos inocentes.

E confesso que é essa terceira parte que me fez esmorecer do livro porque a achei bastante forçada e, a meu ver, a autora tinha imenso campo para conduzir a história por outras direcções.

Desde o século XIII, dessa tal perseguição aos Cátaros, a 1939 e até aos nossos dias, obviamente que sobressai o fanatismo e a intolerância religiosa. De facto é aqui que está o fulcro do romance, é nítido a intenção da autora em fazer-nos ver que fanatismo e intolerância é algo comum em todas as religiões e não apenas de uma e que a forma como os muçulmanos fanáticos vêm o mundo e leem o Alcorão, os Cristãos já o fizeram séculos atrás. Na prática é a essência do Ser Humano que vem ao de cimo no aspecto da intolerância em compreender e respeitar o seu próximo.

Desta forma o livro acaba por cair num ritmo algo repetitivo e em acontecimentos previsíveis, ou seja, a partir de certa altura a história torna-se bastante previsível e o desenlace é de todo muito mau engendrado, ficando uma série de pontas soltas ou, se quiserem, factos por explicar.

Por outro lado achei curioso estarem aqui várias sementes do último livro da autora, “Dispara, Eu já Estou Morto”, esse sim, um livro muito bem construído e com um conteúdo, do principio ao fim, coerente e muito interessante.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Lisboa é linda!



Agora que está a chegar os santos populares em Lisboa, a minha Lisboa, a minha cidade que, agora que moro fora vejo que está muito enraizada no meu Ser, faz parte da minha essência, mas enfim, saudosismos à parte e agora que está a chegar a noite de Santo António, questiono: porquê que as televisões só mostram Alfama quando falam nos Santos populares de Lisboa?

Não me venham com tretas dizendo que é o bairro mais popular, Há outros bairros onde se festeja os santos e não ficam nada a perder para Alfama.

Pode ser considerado, de facto, o bairro mais antigo de Lisboa (eu discordo), mas e os bairros da Graça (o meu bairro), Mouraria, Castelo, Alcântara (vivi lá três anos), Alto Pina, São Vicente de Fora e outros?

Adoro sobretudo Lisboa no seu conjunto, para mim não há bairrismos. Sinto-me bem assim que me aproximo de qualquer das pontes e entro em Lisboa e sinto-me triste quando saio.
Lisboa é linda e única. 

Agora percebo quando se diz que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. Por muito que custe, é assim mesmo e só vivendo lá se compreende isso.

Lisboa é linda e o Santo António a sua festa por excelência!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

In Sexus Veritas - Pedro Chagas Freitas


Sendo esta a minha primeira incursão na obra de Pedro Chagas Freitas, e logo a sua maior obra com cerca de 1400 páginas, não posso dizer que tenha sido um livro que tenha adorado, que me tenha enchido as medidas ou que tenha não gostado.

Gostei, mas deixo para outras leituras uma opinião mais realista sobre a sua escrita.

O certo, e isso é inegável desde a primeira página, é que não é muito fácil ler este livro e temos, de certo modo, estar “praí virados” para conseguirmos avançar e acabar este calhamaço.

Em todo o caso e desde que ouvi uma entrevista sua num canal radiofónico, fiquei com curiosidade de ler alguém que afirma “escrever sem qualquer pretensiosismo aquilo que lhe apetece e como lhe apetece”, ainda mais um autor que, honestamente, tinha ouvido de leve mas que não considerava um autor de top e foi com alguma surpresa reparar que é normal os seus livros estarem precisamente no top.

A obra é dividida entre sete personagens completamente distintos mas que vão revelando, ao longo da mesma, pontos em comum que fazem as suas vidas se interligarem. Assente sobretudo em pensamentos, o autor de facto consegue construir uma teia onde as principais particularidades (vá lá) da Humanidade estão presentes: sexo, inveja, morte, maledicência, ódio, preconceito, e outros, que nos vai jogando sistematicamente em torno dos seus sete principais personagens. Admito que gostei imenso disso e sobretudo do seu humor, muitas vezes humor negro corrosivo.

Numa escrita irreverente, rude e agressiva, o autor sabe jogar com as palavras e as situações que constrói e que tem o condão de nos fazer reflectir sobre a condição humana e em muita “coisa” que nos rodeia e que nós não damos qualquer importância, no entanto não vou aqui afirmar que se trata de um autor que me entusiasmou por aí além e que, a partir de agora, vou ler tudo o que ele escrever. 

Repito, gostei mas não adorei, sobretudo porque o achei algo repetitivo e maçudo, o autor, propositadamente, repete muitas frases, excertos inteiros, mas enfim, é uma obra diferente daquelas que eu li até hoje o que, por si só, é digno de realce num mundo, literário, que pouco se inventa.