Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Fim das parcerias

Há cerca de três anos iniciei uma série de colaborações com algumas editoras. Tudo começou num pedido meu a uma editora que considero ser uma das melhores editoras nacionais e, pouco depois, recebi vários mails a proporem-me essas cooperações nas mais diversas condições, sendo que a única que vincou e aquela por que me bati foi o de publicitar no meu blog as novidades e, em retribuição, eu solicitaria, dentro dessas novidades, os livros que bem entendesse para posterior opinião no blog e até hipotético passatempo.

Não escondo que correu muito bem nos primeiros tempos. Livros em barda, a maioria, de facto, que considerava interessantes e eu sempre com a preocupação de ler a sua maioria para por fim escrever a opinião. De ressalvar que uma das condições que sempre impus foi o de ser completamente independente das minhas considerações.

No entanto nos últimos tempos, quiçá devido às centenas de blogues que possuem essas colaborações e que se limitam a vomitar publicidade de tudo o que é livro, lançamento, entrevista e afins, apercebi-me de algum cansaço das próprias editoras, pois decerto estão a chegar à conclusão que o retorno dessas cooperações é menor do que aquele que julgavam.

Pessoalmente penso que as editoras são as principais culpadas pela sua falta de critério em atribuir essas parcerias. Bastaria navegar uma vez por semana nos blogues que com elas colaboram para se perceberem qual o verdadeiro objectivo desses bloggers. Blogues vazios, cujo único conteúdo é publicidade, enfim, pergunto: Serve a uma editora um blogue desses que ninguém visita?

Mas adiante.

O certo é que cansei-me destas parcerias. Cansei-me de receber mails das editoras com as novidades, ter de as ler e analisar e depois trabalhá-las para as postar. Cansei-me de, depois desse trabalho, e embora cada vez peça menos livros (há uma editora que não peço livros há quase um ano), esperar uma eternidade para os receber e é quando, mesmo depois desse eternidade, só enviam alguns. E depois há aquelas que simplesmente enviam as novidades, agradecem quando eu as post mas depois não enviam os livros. Semanas depois de eu insistir, dizem que têm muito trabalho e tal.

Por isso cansei-me disto tudo!

Vou deixar de postar qualquer novidade ou notícia de qualquer editora.

Vou voltar às raízes do meu blog e escrever sobre livros que me apetece ler e não, como por vezes acontecia, livros que tinha de ler porque enfim, tinha-me sido oferecidos e faziam parte do acordo.

Quando quiser determinado livro, compro-o ou vou a uma biblioteca.


Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Inferno nos Açores – Clive Cussler & Graham Brown




Confesso que não sou um grande apreciador de livros de aventuras, tipo James Bond e afins, em todo o caso gosto de ir intercalando as minhas leituras e, durante o ano, acabo por ler livros de géneros muito diferentes. 

O presente livro captou-me a atenção por ver envolvido o nome dos Açores e também porque o nome do autor já me havia despertado alguma curiosidade, decidi então empreender a leitura do livro.

E de facto a acção é estonteante de princípio ao fim, numa aventura cheia de peripécias que mete assassinos contratados por um ditador que anseia dominar o mundo, os bons que, para além de transpirarem charme por todos os poros, têm jeito para tudo, inclusivamente para comediantes, a bela sedutora ao serviço secreto de uma nação que tem interesses no que se está a passar, os habituais norte-americanos e porrada de princípio ao fim, com muitas mortes, atentados e acidentes. Novidade, falar-se várias vezes de Portugal e de portugueses.

Mas, em todo o caso, não pensem que não gostei.

É um livro que entretém, apenas e só, mas cujo tempo não é mal empregue. Gostei da escrita e da forma como a estrutura do livro foi trabalhada, sempre com pequenos capítulos cheios de suspense.

Para quem aprecia o género, penso que encontrará nesta obra uma leitura prazeirosa que o levará a vários cenários, onde a acção, a violência e a intriga andam alegremente de mãos dadas.

Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Jardins de Canela – Shyam Selvadurai

Eis aqui uma obra que me encantou e cuja existência, até do autor, era para mim totalmente desconhecida.

De uma sensibilidade marcante, Selvadurai oferece-nos um livro magnífico que nos emociona, que nos envolve numa teia de sentimentos arrebatadores e que, por fim, nos permite ver que a vida nem sempre é o que queremos que seja, ou, se quiserem, que a vida dá voltas e voltas levando-nos por caminhos que nem sempre são aquilo que desejamos.

A escrita de Shyam é poderosa, cativante, poética.

É dos tais que tem o “dom” da escrita, sabe contar uma história, interligando factos e personagens de uma forma coerente, nunca deixando pontas soltas ou pormenores por explicar.

Neste romance, para além da história, temos o contexto social que o autor sabe situar e explorar, criando personagens fascinantes que se transformam em nossos amigos íntimos, camaradas e companheiros de uma jornada que, quando termina, nos deixa tristes e saudosistas.

Não vou aqui revelar nada da história porque este é um livro que merece ser lido e apreciado de uma forma calma. Não leiam esta obra para ser apenas mais um a juntar á pilha anual, não merece ser tratado assim. Merece ser apreciado, degustado como se de uma garrafa do melhor vinho se tratasse.


Até agora, o melhor livro que li este ano.

Terça-feira, 28 de Maio de 2013

Uma Noite em Lisboa – Erich Maria Remarque



Uma Noite em Lisboa é o último trabalho de um grande escritor alemão que, exilado em 1933 devido ao regime nacional-socialismo, viu os seus livros serem atirados para a fogueira por um regime que o via como um incomodo e que dizia ser ele descente de judeus, algo que nunca se comprovou. 

Erich Maria Remarque é autor de uma fabuloso livro, “A Oeste Nada de Novo”, onde narra o dia a dia de um soldado alemão nas trincheiras da Grande Guerra. Livro auto-biográfico, pois Remarque lutou nas trincheiras e foi ferido por diversas vezes, aborda a dureza da guerra e o fim das expectativas e da crença que levaram milhares de soldados a lutar por um ideal utópico que levou a Alemanha a um pós guerra caótico e que esteve na base do surgimento do regime nazi.

Este presente livro situa-se nos primeiros anos da 2ª Guerra.

Lisboa, um homem olha demoradamente um navio que está prestes a embarcar para o El Dorado, para o único local onde a salvação é possível: Estados Unidos.

Sem esperanças de um visto e sem dinheiro para o bilhete, este homem sabe que a sua vida depende de poder ou não embarcar. Sentindo-se vigiado , começa a afastar-se do cais e apercebe-se que é seguido por outro homem, iniciando-se aí uma narrativa pungente que aborda o amor de um homem pela sua mulher e uma Europa devastada pela hipocrisia e pelo medo.

Não vou dizer que achei o livro fenomenal. Lê-se muito bem porque, de facto, Remarque foi um escritor de excepção, no entanto o relato aborda um assunto muito debatido e escrito, existindo milhares de relatos semelhantes e com centenas de protagonistas.
Gostei mas não adorei.

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Ontem, logo no dia da inauguração,


marquei presença na 83ª Feira do Livro de Lisboa.

Há 30 anos consecutivos que marco presença. Edições houve em que fui apenas uma vez, outras em que quase passei lá a vida. No entanto, há vários anos que a Feira do Livro perdeu, para mim, a magia que costumava ter, não passando hoje em dia de um evento interessante, é um facto, mas que está longe de ter aquele feitiço que me fazia comportar como um zombie com uma lista de livros a comprar.

Confesso que gosto de lá ir logo no primeiro ou segundo dia. Primeiro porque é a melhor altura para conseguir apanhar as novidades alfarrabistas, daqueles livros que são relativamente recentes e que estão ao desbarato e, segundo, esses primeiros dias são os melhores para comer farturas, pois o óleo é novo e as farturas vêm estaladiças.

Em todo o caso fui lá ontem e, honestamente, foi mais do mesmo. Ambiente fraquinho, quase nenhum visitante (sei que ao fim de semana é diferente), olhar de desinteresse e aborrecimento no pessoal das bancas e, tudo igual a tantos e tantos anos. Se tem mais editoras como apregoam, não me apercebi, assim como não me apercebi de grandes descontos. Vi de facto excelentes descontos em algumas editoras, eu trouxe 6 livros por 15€, mas e como todos os anos refiro, espera-se descontos mais agressivos e isso nunca acontece.

Mas enfim, esta foi a primeira vez que fui a esta edição e de certeza que irei comparecer mais vezes, pelo que reservo uma opinião aquando do final da presente edição. 

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Rebelde – Crónicas de Starbuck (I) – Bernard Cornwell


Mais um livro que me levou uma eternidade a ler, não só porque o meu tempo para dedicar à leitura já não é o mesmo e porque, também e estranhamente, este livro, ou pelo menos este primeiro volume desta trilogia, não me cativou, aborreceu-me mesmo.

Muitos sabem o quanto admiro a escrita de Bernard Cornwell. Exceptuando os inúmeros livros da saga Sharpe, penso que já li tudo o que ele escreveu e, embora tenha gostado mais de uns do que de outros, fascina-me sempre a forma viva como Cornwell “pinta” os cenários históricos que cria, a forma realista como descreve batalhas e quotidianos há muito perdidos na História.

Nesta presente saga, Bernard Cornwell situa a acção em 1861 em pleno início da Guerra Civil Americana. De um lado os Estados Confederados do Sul e do outro, os Estados Unidos do Norte. De notar ser este o contexto, no entanto e neste primeiro volume, Cornwell nunca se debruça sobre questões políticas, ou seja, quem não souber do porquê deste conflito, nada vai ficar a saber.

O herói dá pelo nome de Nathaniel Starbuck. Nascido no norte, filho de um pregador anti esclavagista, foge para o Sul atrás de uma prostituta por quem se apaixona, no entanto, vê-se nas mãos de um bando de sulistas que o querem linchar. É salvo pelo excêntrico Washington Faulconer que o convida a incorporar um regimento de tropas para combater os yankees. Starbuck vê-se assim diante de um dilema: ao alistar-se nas tropas do sul, vai combater as tropas do seu país, arriscando-se a encarar no campo de batalha o seu irmão e amigos.

Pese embora o estilo de Cornwell esteja lá. A forma objectiva, directa e realista, o certo é que ele perde-se na descrição da composição do regimento Faulconer, assim como em pormenores da excentricidade desse personagem. De princípio ao fim, a personagem de Nathaniel não é muito credível. Ou seja, jamais consegue ter aquele carisma que os principais personagens de Cornwell têm. Não é muito coerente a sua forma de agir, nem lógico as causas que o levam a tomar parte de um lado que não é o seu. Depois, um dos principais pormenores das obras de Cornwell, é ter sempre um personagem forte que combate como um leão e que inspira nos seus inimigos temor. Com Nathaniel isso não acontece. Pouco mais do que um miúdo, ele próprio não sabe bem o que anda ali a fazer e, na única batalha que este volume descreve, Nathaniel assume uma postura e age de uma forma estranha.

Algo que também não apreciei, foi a quase ausência de cenas de violência militar. Ou seja, qualquer livro de Cornwell é semeado abundantemente de cenas de batalhas ou de conflitos extremamente violentos e reais. Aqui isso não se passa. Exceptuando uma ou outra escaramuça, apenas nas últimas páginas surge uma batalha entre os dois exércitos. Claro que escorre então muito sangue, homens e cavalos esventrados, etc e tal, mas o certo é que não chega para elevar este livro a um dos melhores deste autor que, pessoalmente, é um dos melhores do gênero histórico.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

O Clã do Urso das Cavernas


de Jean M. Auel defendia a convivência entre o Homem de Neanderthal e o Homem Moderno.
Editado em 1980, na altura a autora efectuou um estudo muito exaustivo que lhe permitiu construir uma narrativa e um cenário de há milhares de anos e em que, precisamente, coexistiam estas duas espécies de hominídeos. Aliás, na obra não se limitam a coexistir, convivem e chegam a cruzar-se.

Ora bem, pelo que sei, este assunto nunca foi muito consensual no seio dos primatologistas nem dos arqueólogos, pese embora, na minha opinião haja muitos indícios que apontam para isso, em todo o caso a razão deste post foi o de hoje ter lido no Sol que ficou provado que o Neandertal e Homem Moderno conviveram até há 40 mil anos nos Picos da Europa.

O Homem Neandertal e o Homem Moderno coexistiram nos Picos da Europa, em Espanha, até há 40 mil anos, conclui um estudo arqueológico de uma universidade espanhola em co-autoria com Universidade de Oxford, publicado na terça-feira.

Os investigadores analisaram depósitos arqueológicos da zona mais alta do abrigo rochoso, na entrada de uma gruta em La Guelga (Astúrias), e encontraram materiais atribuídos ao homem anatomicamente moderno entre estratos com materiais produzidos por Neandertais.

"Seria uma espécie de sanduíche em que as fatias de pão corresponderiam a estratos de materiais utilizados pelos Neandertais e o recheio era formado por materiais deixados por Homens Modernos", explica em comunicado Jesús F. Jordá, um dos investigadores da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED).

A descoberta "confirma a coexistência de ambas as espécies na zona cantábrica, refere o investigador, segundo o qual "os humanos modernos ocuparam durante algum tempo a mesma gruta que, antes e depois, foi habitada por grupos de Neandertais".

A UNED lembra no comunicado que a região cantábrica é uma das escassas zonas da península ibérica em que os Neandertais (Homo neanderthalensis) e os homens modernos (Homo sapiens) chegaram a coexistir há 40 mil anos.

Estudos anteriores constataram que os últimos Neandertais do sul da península não coexistiram com os humanos modernos.

O estudo hoje divulgado foi publicado em livro editado pelo Museu Neandertal de Mettmann, na Alemanha.”

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Inverno do Mundo (O) – Ken Follett


Depois de arrastar a leitura, finalmente terminei de ler este segundo volume da trilogia “O Século” que Ken Follett se propôs a escrever.

Embora tenha encontrado diversos defeitos, reconheço que gostei do primeiro volume, A Queda dos Gigantes, volume esse que reli aquando da compra deste segundo volume que pretendo aqui comentar.

Conforme refiro na opinião do anterior volume, Ken Follett parece pretender escrever uma mega-obra que abranja todo o século XX, pelo menos traçar um trajecto envolvendo famílias de vários países que se vão interligando numa teia pouco complexa que, por vezes, chega a roçar o infantil de tão simples que é.

Para além de ser insanamente ambicioso, pois meus caros e caras amigas, Ken Follett é um autor de puro entretenimento que não sabe escrever, porque, para além de não conseguir desenvolver as teias complexas de relações humanas e socio-culturais-políticas-históricas que ele próprio cria, desenvencilha-se dessas frágeis teias de uma forma quase anedótica, tornando a acção praticamente previsível desde o seu início. Depois, não se compreende como é possível dar tão pouca a atenção a pormenores vitais que influenciam o desenrolar da história, menosprezando mesmo factos históricos que tiveram influência directa no desenrolar dos acontecimentos, mandando “às urtigas” o trajecto das personagens que ele próprio cria, situando e transportando essas personagens de um lado para o outro de uma forma medíocre, sem coerência até com as situações político-sociais dos países em causa.

Confesso que fiquei desiludido com este volume. De início achei-o interessante, pois inicia-se poucos anos após o termino do volume anterior, ou seja, no pós Primeira Grande Guerra. Constatamos no estado deplorável em que se encontrava a Alemanha que, dessa forma, ganha bases para o surgimento do Nacional-Socialismo.

Em parte Follett  situa-nos de uma forma razoável e, para quem nada sabe sobre a época, penso que é aceitável o desenvolvimento do contexto que origina a Segunda Grande Guerra. Porém tem um trabalho mau no desenvolvimento dos personagens e sobretudo na coerência com que os trata e os envolve.

Os personagens do primeiro volume, como se esperava, passam agora para segundo plano. Eu entendo isso e aceito-o, no entanto, não seria necessário depreciar tanto os “velhos” personagens a ponto de alguns deles surgirem apenas como acessório. Recordo-me, por exemplo, de Billy Williams que no primeiro volume tem um papel fundamental. Neste segundo volume, pese embora seja deputado e chegue a ministro, tem um papel insignificante, sendo mencionado umas dez vezes em mais de oitocentas páginas. E como ele, acontece com a maioria dos “velhos” personagens, alguns deles morrendo até de uma forma estúpida e inglória, sendo depois descrita como sendo para “bem do futuro”. Estúpido!

E enfim, é apenas puro entretenimento comercial. 

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Leio hoje

no Diário Digital uma notícia que expressa bem o que eu há muito digo e que qualquer um de nós já constatou:  que no mundo das edições, vende mais aquele que tiver uma boa máquina de marketing por detrás.


Depois no desenvolvimento da notícia, cerca de 11 iluminados tradutores suportaram dois meses de verdadeira reclusão em regime de escravatura, sem telemóveis, altamente vigiados e blá, blá, blá.

E pronto, eis um livro que antes de sair, já tem milhões de leitores a contar os dias que faltam para correr a comprar e perceber o porquê de tanto secretismo.

Eu, sem o ler, já sei do segredo...

Eis o momento em que supostamente os serviços secretos de todos os países do mundo ficam em alerta...

O segredo é... VENDER, apenas e só.

A história é apenas um pormenor de somenos importância.

A máquina do marketing vende tudo e de facto, quem quer enriquecer, vale bem a pena investir e exemplos há aos pontapés.

Sábado, 27 de Abril de 2013

As minhas leituras

têm andado a passo de caracol.

Tenho andado a arrastar-me pelos livros "O Inverno do Mundo" de Ken Follett e "Rebelde" de Bernard Cornwell.

Enquanto o primeiro até estou a gostar, pese embora algumas situações ridículas que o autor vai construindo, o segundo, para minha surpresa, está-me a ser penoso, pois, e já ultrapassada a página 200, revela-se um livro monótono sem aquele "toque" de realismo-brutalidade tão característico de Cornwell.

Por outro lado tenho andado muito ocupado com a actividade dos sabonetes, que me tem dado muito prazer e que me encanta diariamente, mostrando também que quando trabalhamos para nós, deixamos de ter tempo para algumas coisas e, no meu caso, tem sido a leitura a maior prejudicada.

São opções.

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Hoje recebo um mail da

editora Saída de Emergência, editora com o qual colaboro já há alguns anos, a informar que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu cancelar a parceria que tinha com a editora para comemorar o Dia Mundial do Livro, supostamente e de acordo com a CGD, por alguns livros conterem linguagem potencial de ferir a suceptibilidade de alguns clientes, não os considerando, assim, adequados ao posicionamento e imagem do banco.

Ora bem, tal postura, embora sendo cínica e ignóbil, não é de estranhar de um organismo público e que, de acordo com a ideologia do partido que compoe o governo, foi responsável pelo veto, em 1992, do romance "Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago ao Prémio Literário Europeu.

Ou seja, a doutrina é a mesma e o puritanismo neo-palerma o mesmíssimo.

Lamento é que não sejam tão puritanos quando mentem aos portugueses e que a CGD não o tivesse sido tanto quando recebeu 3 mil milhões dos contribuintes para tapar buracos que, supostamente, não deviam existir.

Ah, mas deve ter sido para pagar os prospectos de publicidade que abundam nos seus balcões, porque livros? Qual quê, têm linguagem susceptível de escandalizar os seus falidos clientes.

Que país este!