quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Dia da Independência: Nova Ameaça
Título original: Independence Day: Resurgence
Realizador: Roland Emmerich
Género: Drama, Ficção Científica

Outros dados: EUA/Afeganistão, 2016, Cores, 120 min.

Há 20 anos foi realizado o mega sucesso "Dia Da Independência" em que uma força extraterrestre invade a Terra e tenta extinguir a raça humana. Cheio de efeitos especiais que na altura eram top, o filme vê-se bem e de facto acaba por valer, na minha modesta opinião, pelos efeitos visuais e pela participação de Will Smith.

Agora, em 2016, precisamente 20 anos depois desse filme, eis que surge uma sequela em que narra a volta desses extraterrestres agora ainda mais determinados em destruir a Terra. Como actores mais sonantes, temos Liam Hemsworth, Jeff Goldblum e Bill Pullman entre outros que facilmente conhecemos de outras aventuras. Há semelhanças entre este filme e o primeiro mas única e exclusivamente no embrião do argumento e nos efeitos especiais visuais, quanto ao resto este filme é dos PIORES FILMES que alguma vez, não conseguindo, mesmo tendo feito um esforço sobre-humano, conseguido assistir até ao fim (fiquei a 30 minutos do término).

O filme não tem ponta por onde se pegue.

O argumento é muito pobre, praticamente uma cópia barata do primeiro filme, o desempenho dos actores é abaixo de paupérrimo, nem as habituais piadas de Jeff Goldblum se salvam diante de tanto amontado de parvoíces, más interpretações, e inexatidões cientificas, assim como catrefadas, bateladas de falta de senso que tornam o filme numa amálgama sem sentido, num ritmo modorrento que nem as fabulosas explosões e espalhafatosas naves espaciais o conseguem tirar.

É que, honestamente, tirando alguns efeitos visuais bem conseguidos, não consigo ver nada de positivo no filme. O argumento é abjecto, tantas as imbecilidades. A prestação dos actores é algo que só se admite a actores infantis e mesmo assim em início de carreira. As piadas que insistem em proferir mesmo diante de grandes perigos e mortos por todo o lado são, enfim, estupidas (para ser meigo), até a recção dos supostos poderosos governantes unidos de todo o planeta é caricata, parecendo mais que estão todos entretidos num qualquer jogo do que em salvar o planeta de um maciço ataque extraterrestre.

Enfim, foi uma hora e meia de suplício, sempre à espera que o filme mudasse, até desistir e nem ficar para ver qual o epílogo de tal miséria.

Respeito que tenha gostado, ainda bem que nem todos gostamos do mesmo e esta é a minha opinião. Do que tenho visto, este é um dos PIORES filmes que vi até hoje e acreditem que já assisti a filmes mauzinhos.

E ainda há a pretensão de realizarem um terceiro... 




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Memória das Estrelas Sem Brilho - José Leon Machado

Há livros que têm a capacidade de nos surpreender. Livros cujo título nos é completamente desconhecido mas que, fruto de acasos, nos chegam às mãos e que, quer pela história que narram, quer pela qualidade da escrita, nos surpreendem pela positiva, deixando, no fim, uma sensação de tristeza e alegria. Alegria porque tivemos a sorte de o ler, tristeza, por vermos partir personagens que conviveram connosco durante dias, semanas, tornando-se amigos, quase família.

Memória das Estrelas Sem Brilho é um destes livros. Provavelmente o melhor livro que li em 2016 (sinceramente já nem aponto o que leio), foi um livro que li devagar porque comecei a gostar tanto que não queria que terminasse. Dessa forma li-o devagar, saboreando a narrativa letra por letra, palavra por palavra. Adorei conhecer os seus vários personagens encabeçados pelo Alferes Luis Vasques que, com a sua narrativa, nos dá uma imagem clara e real do Portugal dos anos da Primeira Grande Guerra e sobretudo a intervenção portuguesa na Guerra ao lado dos Aliados.

O livro é um relato de memórias que intervala entre esse período e o pós Guerra, no entanto sobressai as difíceis condições da Guerra da de trincheiras e sobretudo a hipocrisia que esteve por detrás do envio do CEP para França. Um exército mal preparado, sem motivação nenhuma que descamba no desastre do dia 09 de Abril de 1918 na Batalha de La Lys. É surreal, em 2017 e quase a completar cem anos, nós lermos sobre a matança que foi essa guerra e no que o exercito português estava lá a fazer.

O livro tem um ritmo estonteante. Agarra-nos logo desde o inicio e nunca desmorece esse ritmo, denotando igualmente uma apurada investigação sobre os factos.

Este livro faz parte de uma trilogia que se pode ler de uma forma independente e que tem como objectivo centrar-se nos vários conflitos militares onde Portugal participou, directa ou inderectamente no Século XX.

Proximamente irei ler o 2º volume: “A Vendedora de Cupidos”.


Repito: um excelente livro que me proporcionou horas de autêntico prazer literário.


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vaticanum – José Rodrigues dos Santos



Conforme é do conhecimento de muitos, sou um apreciador dos livros de Rodrigues dos Santos. Não pela qualidade literária, porque isso de facto tem muito pouca, mas porque os livros dele preenchem um dos principais requisitos que a meu ver tem de estar contido num livro: entretém. Para além do entretenimento, os livros dele são um manancial de informação que, obviamente, podem agradar mais a uns do que a outros pela temática, mas é facto é que os livros dele possuem sempre muita informação.


Em todo o caso e pese embora já os tenha lido todos, há livros que gostei muito e outros que nem por isso. Confesso que, por exemplo, os últimos livros dele não me têm agarrado por aí além, mas recordo sempre com saudades livros como “A Filha do Capitão”, “Codex 632“ ou “A Fórmula de Deus”, livros, quanto a mim, muito bem conseguidos e que despertaram a minha curiosidade sobre os temas abordados.


Este último volta a colocar em cena o historiador/detective/criptanalista Tomás Noronha que se encontra nas catacumbas do Vaticano a analisar o suposto túmulo de Pedro, o Apóstolo de Jesus Cristo que, segundo a História, deu origem à Igreja Católica, sendo considerado o Primeiro Papa.


O enredo passa-se todo num simples dia, uma aventura vertiginosa que se inicia quando o Papa é raptado por alegados membros do Estado Islâmico e que, segundo estes, será decapitado em directo à meia-noite se os países católicos não se converterem ao Islão ou não pagarem um suposto valor que está referido no alcorão.


Obviamente que depressa Tomás Noronha se vê envolto nos acontecimentos e é vertiginosa toda a acção.


Pese embora o objectivo central do livro seja a corrupção no seio do Vaticano, o livro quanto a mim peca em vários factos que acabam por lhe dar pouca credibilidade, isso na junção entre o enredo ficcional e o verídico. Penso que um dia apenas é muito pouco para 600 páginas de alucinantes correrias. Os diálogos sobre a corrupção são colocados um pouco à força. Poucas horas antes do prazo terminar, Tomás está em amena cavaqueira de dezenas de páginas sobre os meandros mafiosos que abalam o Vaticano. 


Depois no final tudo se desenrola em poucos minutos e, obviamente, o final é o esperado com as habituais “mariquices” que o autor, a meu ver, desnecessariamente, continua a insistir em colocar nas suas histórias.


Em todo o caso e embora tenha gostado do livro, o mesmo não me criou um grande pasmo, pois já li várias obras sobre corrupção no Vaticano, algumas das quais vêm referidas na Nota Final, ou seja e ao contrário de outras obras, Rodrigues dos Santos não nos conta nada de novo, limita-se a limar certos factos amplamente conhecidos e a aproveitar o que muitos já escreveram sobre o tema.


Sinceramente esperava um pouco mais, pese embora, repito, seja um bom livro da Série “Tomás Noronha” que, e isso é algo que quero realçar, se mostra um pouco mais “adulto” em relação a outras aventuras suas.  


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Rapariga no Comboio (A) – Paula Hawkins



O thriller “A Rapariga no Comboio” marca a estreia da jornalista Paula Hawkins na ficção e, como na generalidade dos jornalistas que escrevem, o livro é marcado por intensa acção e capítulos muito curtos, técnica que permite agarrar o leitor, não o cansando, ficando sempre em suspenso no fim de cada capítulo. Se analisarem a escrita da grande maioria dos jornalistas-escritores, perceberão que essa é a técnica base da sua escrita. Depois têm de facto treino de anos de profissão que lhes permite sintetizar um enredo, apimentando-o de vários outros factos.

Em todo o caso e embora dado à “estampa” em 2015, só há alguns meses este livro começou a ser falado insistentemente nos meios literários, isso cá no burgo claro, e devido ao filme que acaba de estrear, pois e a nível internacional, foi uma obra que depressa alcançou o estatuto de best-seller.

O enredo centra-se principalmente em Rachel que todos os dias apanha o mesmo comboio para Londres e “entretém-se” a observar o que se passa fora do comboio no seu trajecto. No final da tarde faz o percurso inverso e assim vai consumindo os seus dias. Um pormenor importante: por causa de um facto que lhe devassou a vida, Rachel encontra-se desempregada, alcoólica e aquele trajecto é apenas para enganar a amiga com quem vive (que pensa que ela vai trabalhar) e para poder visualizar a causa que provocou a sua devassa…

Até que um dia ela observa algo de muito estranho que se interligar com o estranho desaparecimento de uma jovem mulher chamada Megan e é aí que o seu mundo se vira totalmente do avesso, metendo-a no cerne de um estranho caso em que ela própria, sem sequer o saber, teve parte activa.

É pois um thriller bem construído, assente sobretudo em três vozes femininas que nos vão dando os vários aspectos da realidade que se vai tornando cada vez mais obscura e estranha. Em todo o caso, julgo que a autora até tinha matéria para poder trabalhar melhor o livro, ou seja, a história começa de facto bem, a áurea de mistério depressa se adensa, mas o livro acaba por se tornar algo repetitivo e por vezes maçudo, caindo o enredo em vários “lugares-comuns” que depressa tornam claro qual dos suspeitos é o verdadeiro criminoso, isso porque há alguns suspeitos e a metade do livro começa-se a tornar claro, por várias pistas que a autora vai deixando, que, pela lógica, deve ser aquele personagem. E é mesmo!

Pessoalmente não gostei disso. Pensei até ao fim que a autora nos iria surpreender com um volte-face dos acontecimentos, mas debalde, nada aconteceu.

No entanto é um livro que gostei de ler. De leitura fácil e rápida, embora por vezes repetitivo, consegue-nos agarrar e motivar página a página em busca da solução do estranho mistério do desaparecimento de Megan.


sábado, 15 de outubro de 2016

Sobre o Prémio Nobel da Literatura atribuído a Bob Dylan



Primeiro de tudo quero aqui deixar bem claro a minha admiração por Bob Dylan e por tudo o que tem feito pela música. Há muitos anos que oiço Bob Dylan e considero-o um génio da música a par de tantos outros que já partiram e que deixaram o seu cunho na cena musical.

 

Em todo o caso e longe de mim querer desvalorizar este prémio Nobel da Literatura, considero-o totalmente ofensivo e contranatura para a literatura contemporânea e para vários génios da literatura, considero mesmo ofensivo para os leitores.

 

Quero com isto dizer que não me enquadro na corrente do politicamente correcto que acha giro atribuir o prémio Nobel da Literatura a um músico. Penso por mim e sei elaborar a minha opinião sobre porque penso desta forma, mas este post acaba por nascer porque me deparo com constantes opiniões sobre a forma correcta como o prémio foi atribuído. Pois eu considero que NÃO FOI. BOB DYLAN É UM MÚSICO (pese embora até tenha escrito alguns livros mas do género musicais) E O PRÉMIO DA LITERATURA DEVE SER ATRIBUIDO A ESCRITORES e, vá lá, admito, poetas, que assumam essa arte.

 

Segundo a secretária-geral da Academia Sueca, Sara Danius, Dylan foi escolhido "por criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana". 

 

MÚSICA!!! Não literatura!

 

Que injustiça para escritores contemporâneos como e cito de memória: Cormac McCarthy, Philip Roth, Antonio Muñoz Molina, Salman Rushdie, Paul Auster, Haruki Murakami, Amin Maalouf, e tantos outros que têm dado à literatura autenticas perolas imortais e que agora vêm um Músico ficar com um prémio que, justamente, já deveria ser seu.

 

Na minha opinião, com esta atribuição, a Academia sueca perde total credibilidade, um pouco como a academia de Hollywood onde os óscares obedecem a interesses e show offs. Se já antes não dava grande importância ao Nobel da Literatura, a partir deste ano, considero, até vergonhoso um escritor da craveira daqueles que acima enumerei recebe-lo. 

 

Que pena Saramago já não estar entre nós, o que eu não daria para ver a sua opinião sobre este atentado à literatura e aos leitores.