segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Minha Breve História (A) – Stephen Hawking


Este pequeno livro (112 páginas), é um relato intimista efectuado pelo próprio Stephen Hawking, onde ele se propõe narrar, de uma forma muito sucinta, a sua vida, traçando, com pinceladas, por vezes até demasiado vagas, o seu trajecto enquanto estudante, cientista e pai de família.

Nestas páginas, podemos ler alguns episódios da sua vida e curiosíssimos aspectos completamente desconhecidos, como, e por exemplo, as apostas com alguns colegas sobre a existência dos buracos negros, ou até o seu desespero quando a “sua” doença” lhe foi diagnosticada. Por outro lado, ele próprio afirma que ter essa doença muito contribui para dedicar a sua vida à investigação, não “perdendo” tempo com aulas, congressos e afins.

Curioso também ler a confissão que o levou a escrever o best-seller “Uma Breve História do Tempo”, livro que ele elaborou com o maior profissionalismo, mas que jamais julgou ter tanto sucesso como obteve (é considerado um dos livros mais importantes do século XX).

Depois e em tão poucas páginas, o que só por si denota a imensa objectividade que Hawking sempre revelou, ele fala sobre as Ondas Gravitacionais, o Big Bang, Buracos Negros, Viagens no Tempo, etc, uma série de questões cientificas que agradam a qualquer espírito cientifico, mas que, o Hawking tem o condão de simplificar, ou seja, torna meras explicações de física quântica acessível ao conhecimento de qualquer um.  

Esta opinião é muito curta porque não há muito a dizer, é uma autobiografia honesta que se lê muito rapidamente.

Pessoalmente adorei ler este pequeno livro, pois considero Stephen Hawking um dos maiores génios de todos os tempos, só comparável a génios como Einstein ou Leonardo Da Vinci.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Inferno no Vaticano – Flávio Capuleto


Sinceramente nem sei bem o que hei-de dizer deste livro, até porque também não quero ser muito cruel para com o autor.

Questiono-me, antes de mais, como é que uma editora, qualquer que seja, publica um livro destes que não tem quase nada, e já estou a ser meigo quando afirmo, quase nada, pois aqui e ali até nos vai dando algumas informações, mas quem está por detrás das edições? Ou, questiono, basta ter dinheiro ou cunhas para se publicar, sei lá, honestamente gosto de pensar que, qualquer livro, é antes lido por algumas pessoas da editora, sobretudo responsáveis, que atestam da sua qualidade e se vale a pena, ou não, ser editado, até porque um livro tão mau descredibiliza a editora.

Depois, e para além de erros factuais e históricos brutalíssimos que qualquer pessoa evitaria com uma simples pesquisa na internet (hilariante quando afirma que Jacinta e Francisco faleceram de Peste Negra…), este livro é ou tenta ser, uma cópia foleira do “Código da Vinci” de Dan Brown ou até das aventuras de Tomás Noronha de José Rodrigues dos Santos, pois desde as primeiras páginas é nítido a colagem ao argumento, aos cenários e até aos personagens. É de uma falta de imaginação atroz e, mais grave, senti-me verdadeiramente insultado, não pelo autor que escreveu aquilo e julga que é bom, mas pela editora que tem a coragem de editar e publicitar enganosamente um livro que não tem um mínimo de qualidade.

Imagine-se o cenário:

Há um morto nas catacumbas do Vaticano. Francesco Barocci, curador do Tesouro, é encontrado sem vida na Sala das Relíquias. Foi assassinado: chuparam-lhe o sangue.

CHUPARAM-LHE O SANGUE!!!

Quando li isso dei logo uma gargalhada e veio-me à mente alguém a chupar o sangue com uma palhinha... não, pensei, deve ter uma outra explicação.

Mas logo sabemos como é que lhe CHUPARAM O SANGUE: com uma seringa!!!!!!!!

Ah, bom... pensei! Fico mais aliviado! Ufa!

É verdade, com uma seringa!!!

Sabendo que o corpo humano tem entre 4 a 6 litros de sangue, comecei logo a questionar-me qual o tamanho da seringa a ponto de lhe CHUPAR o sangue todo. Imaginei aquelas seringas pequenas e dei por mim a rir do cenário, sobretudo porque o assassino tem pouco tempo para fazer o serviço (e isso é referido no texto). Vejamos, tirar, mesmo com a maior seringa disponível (que tem uma capacidade máxima de 20 ml) essa quantidade de sangue… ok, desisto. Para tirar 3 litros, supondo que o homem tinha uma valente anemia, parece-me que estaria ali muito tempo, ou estou a ver a coisa mal? Ah, já sei, o assassino era um vampiro e a seringa foi uma metáfora… deve ser isso!


Enfim!


E depois as partes eróticas? 


Isso então é puro êxtase! (Ironia)


Eróticas onde?


Livro muito mau, sem qualquer ponta de qualidade, embora aqui e ali tenha algumas informações curiosas mas com um enredo muito, muito deficiente, escrito aos arrepelões, com mudança de cenários e temporais ultra-rápidos, que nunca, mas mesmo nunca, consegue se torna minimamente verossímil.

Um dos piores livros que li até à data e um livro que não aconselho a ninguém, é pura perda de tempo.



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Mulher do Camarote 10 (A) – Ruth Ware


Confesso que tenho andado numa maré de thrillers/policiais. Embora não seja um grande fã do género, sobretudo porque poucos são aqueles, livros, que têm o condão de me surpreender, deparando-me quase sempre com histórias muito similares, com um assassino psicopata, o respectivo detective, pistas e mais pistas onde muitas delas não dão em nada, apenas servindo para criar enredo, enfim, quase sempre me deparo com uma mão cheia de nada e são raros os livros do género que me surpreendem. No entanto, há alturas em que gosto de me dedicar a alguns livros do género cujas opiniões são boas e eis-me na posse de um deles.

Porém, confesso também que logo na sinopse houve algo que me fez franzir o nariz. Já li muitas centenas de livros e posso dizer que é sempre de desconfiar quando constatamos que um livro é comparado a algum best-seller ou, pior, quando é comparado a algum escritor de craveira universal e, neste caso, desconfiei quando na sinopse referia: “este romance evoca o ambiente clássico dos policiais de Agatha Christie: um ritmo que aumenta gradualmente de tensão, a sensação de perigo iminente e um conjunto de suspeitos reunidos num único lugar”. Claramente colando-se à obra lendária de Christie como é o “Crime no Expresso do Oriente”, só que desta vez, num barco.

Mas enfim, lá iniciei a leitura do livro e efectivamente não gostei, achei-o mesmo muito fraco e com um argumento perfeitamente decifrável.

Primeiro de tudo e embora o livro até comece de uma forma muito boa, mas que, sinceramente, não entendi a sua lógica, pois esse início é repetido exaustivamente como forma de apresentar um inquestionável trauma, mas um terço do livro é uma profunda travessia do deserto. Das quase trezentas páginas, só por volta da página cem é que a história começa a ter algum interesse, de resto são cem páginas de um longo bocejo.

Depois e não querendo entrar nos acontecimentos, para isso basta ler a sua sinopse e é algo que raramente faço, toda o enredo surge um pouco aos soluços, ficando por explicar alguns factos que a autora vai espalhando e que, pura e simplesmente, manda às malvas a partir de certo momento. Ou seja, quem e para quê surgiram determinados personagens? Para criar confusão? Pois bem, aceitaria, desde que a autora, tal como fazia Christie, explicasse. Para quê estar insistentemente a recordar o passado da personagem principal quando, na sua essência, de nada servem? Para criar uma ideia falsa ao leitor? Aceito, desde que no final a mesma explicasse.

Em suma, não me vou alongar muito porque não me apetece escrever mais sobre o livro, pois às tantas fiquei cheio de vontade de o acabar e, confesso, que as últimas cinquenta páginas, foram um suplício.

Só mais um pormenor. Na capa da edição portuguesa surge um navio cruzeiro de grande porte. Pois bem, a partir da página cem, quando finalmente chega ao navio, constatamos que se trata de um cruzeiro pequeno que leva umas vinte pessoas.

Pois!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Pacto (O) – Michelle Richmond


Pese embora não seja um grande fã de policiais ou thrillers (confesso que é um tema que me é mais querido no cinema), de vez em quando gosto de enveredar pela leitura de alguma obra do género que, de alguma forma, me tenha espicaçado a curiosidade, e o certo é que até tenho lido livros muito razoáveis e sobretudo que me têm entretido.

Este “O Pacto”, foi um deles!

Como pano de fundo temos a “instituição” que é o casamento e onde a autora, aqui e ali, vai dissertando sobre várias questões acerca do mesmo. Pessoalmente achei isso muito interessante, pois a autora não se limita a escrever uma história de cariz policial, ela própria, servindo da profissão do protagonista, aborda o casamento e várias das suas virtudes e defeitos, em simultâneo, que vai traçando da enorme importância que o compromisso e o empenho têm num casamento dourador e feliz. Ou seja, mais do que um mero romance policial/thriller, “O Pacto” foi-se revelando quase como um mini manual de como levar um casamento para a frente de forma feliz.

Em todo o caso a história principal assenta em algo que me cativou e que é, no desenrolar do livro, altamente perturbadora.

Imaginemos que quando nos casamos, um dos convidados nos oferece uma prenda diferente daquilo que comummente se oferece aos noivos. Nada de dinheiro ou electrodomésticos, viagens, ou até casas ou carros, não, nada disso. Imaginemos que nos oferecem um pacote que nos garante um casamento feliz e satisfatório para sempre com aquele(a) que resolvemos casar.

No mínimo interessante, não?

Pois bem, esse pack contém um pacto onde o casal é “convidado” a entrar para um grupo denominado “O Pacto”, jurando fidelidade a todas as alíneas/mandamentos e jurando igualmente cumprir e aceitar as punições caso transgrida alguma dessas regras.

Como protagonistas principais temos Jake e Alice. Ele Psicoterapeuta  e ela advogada. Ambos altamente entregues às suas actividades profissionais e que desde o início do casamento levam esse pacto na “desportiva”, no entanto, cedo se apercebem que o que aparentava ser não é e que algo com contornos mais graves começam a surgir nas suas vidas levando-os a um clima de medo e paranóia.

Pese embora não tenha gostado do final do livro, acho que merecia um final diferente e tinha todas as condições para o ter, foi um livro que me cativou e, pese embora algumas incongruências no argumento, é um livro que tem um ritmo muito elevado e que tem o condão de nos agarrar, pois quando nos apercebemos do imbróglio onde Jake e Alice caem, ficamos sempre à espera do que se vai a seguir.

Numa escrita muito cenamatográfica (a Twentieth Century Fox já adquiriu os direitos de adaptação para o cinema e se mudarem algumas dessas incongruências, têm tudo para ter um sucesso em mãos), é uma obra muito interessante e que gostei de ler, recomendado para quem gosta de um thriller algo diferente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Cúpula (A) – Stephen King


Pese embora Stephen King seja um dos escritores mais traduzidos do mundo, com mais de 400 milhões(!!!) de cópias vendidas e uma obra extensa que originou títulos de culto, não apenas na literatura bem como no cinema, pessoalmente nunca fui um grande fã de Stephen King, embora já tenha lido vários dos seus livros e visto várias séries e filmes baseados nos livros, aliás, confesso que geralmente até gosto mais das séries e dos filmes do que propriamente dos livros. Aliás, considero Stephen King como um excepcional contador de histórias, conseguindo escrever livros extensos com um simples episódio, mas não o considero um bom escritor. Embora tenha o seu método de escrita que tanto sucesso lhe trouxe, soube criar um género que foi de encontro a um nicho de leitores e, com isso, a fama e o sucesso vieram por arrasto, sendo que, continua a ser a sua linha.

Bom, “A Cúpula”, supostamente começado a ser escrito na década de 70 e que King abandonou, foi retomada em 2007 ou 2008, sendo que a sua publicação aconteceu em Novembro de 2009.

É uma obra muito extensa. Mais de 1100 páginas e o que narra a história?

Imaginemos uma cidadezinha perdida nos confins dos Estados Unidos, num dia de Outono, eis que, de repente a cidade se vê isolada do resto do mundo por uma cúpula invisível que a envolve, uma espécie de campo de forças. Aviões, camiões, tudo, com ela colidem e depressa o governo norte-americano envia o exercito para tentar perceber o que se passa. Ninguém sabe de onde surgiu essa barreira nem de onde veio e muito menos de quando irá desaparecer.

No interior da cidade a estupefacção dá origem a desacatos sociais (como não podia deixar de ser), e eis que Stephen King cria uma micro sociedade que recria a nossa sociedade em toda a sua plenitude, com o respectivo herói e vilão.

Confesso que a sinopse foi suficientemente cativante para pegar nos dois volumes, pois o cenário sugerido era algo que me parecia ir dar a uma espécie de estudo da sociedade e embora isso de facto aconteça, confesso que não gostei do livro e da forma como o autor foi conduzindo a história.

Sim, muitos assassinatos e muito sangue conforme King gosta, muitas indirectas e “bocas” no que vai descrevendo, muito humor negro, mas grande parte do livro achei-o monótono, aborrecido e por várias vezes estive a ponto de desistir, pois a história é muito mastigada, pouco vai evoluindo e depressa começamos a constatar como vai acabar.

Aliás, penso que um dos principais defeitos desta obra é a sua enorme extensão. Facilmente o autor teria conseguido contar o que queria por, vá lá, 500 páginas, mais de 1100 páginas é um tormento e só se compreende porque sabemos que foi uma história que deu imenso prazer ao escritor, mas para o seu leitor se torna uma maçada.

Dos vários livros que li de Stephen King, este foi, de longe, o mais extenso, mas também foi aquele que menos gostei e, que me lembre, o único, que tive tentado a desistir.

Já ouviram falar do Deus das Moscas?

Uma obra excepcional que, tenho a certeza, Stephen King conhece bem!