
E é nessa senhora que tudo verdadeiramente começa. A velhota pede a Ivanovitch que lhe mostre a sala da roleta e que lhe explique as regras e, ele ao fazê-lo, dá oportunidade à senhora para jogar... depressa ela se vicia no jogo.
É o ponto de partida para o fascínio da roleta. A ânsia dos números que saem, o perde e ganha de dinheiro, o convencimento e certeza que "é agora que sai", o bichinho que os impulsiona, que os atira para a mesa, que os leva a sonhar com riquezas inimagináveis.
Jogador inveterado da roleta, Dostoiévski faz deste romance uma espécie de exorcismo de um vício que quase o levou à ruína. Inclusive, sabe-se que este romance foi escrito para pagar dívidas de jogo. Aqui e baseado numa experiência pessoal, ele faz-nos sentir toda aquela ânsia, toda aquela obsessão, aquela compulsiva necessidade de jogar, da crença que vai sair, de que por muito que se ganhe, é sempre possível ganhar mais, e mais, e mais... Todas essas sensações, a descrição de tal vicio está brilhantemente explicado e é engraçado também verificar a semelhança entre este vício e o vício da droga. Embora noutra perspectiva, a semelhança é notória. Também de notar a forma clara, aberta e honesta como Dostoiévski descreve todo esse sentimento, demonstrando que este vício é um problema muito sério.
Nesse aspecto, o livro ganha claramente importância e relevância dada a forma como aborda a questão. Quanto ao resto e olhando para a estória que gira em torno do assunto, penso que nada de positivo traz, descrevendo um arrastar das personagens acima mencionadas, cheia de relações humilhantes e absurdas.
Negativo também o exagero das frases em francês. Para quem não tenha conhecimentos de francês, é extremamente complicado seguir o texto, ou se quiserem, alguma partes que acabam por ter alguma importância na estória.
Em suma: Uma viagem guiada a um mundo de vício e perdição. A um mundo ilusório, uma doença onde o prazer se confunde com a dor, descrito por um homem que sofreu na pele os malefícios desse mal.
1 comentário:
Poderemos também comparar com o vício do álcool, porque não? Sobretudo pode ser uma crítica às adições, actualmente muito dissimuladas. Repito o actualmente, pois foi isso que me fascinou: a actualidade da crítica.
E quinze dias! É de génio!
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